A Comunidade Política
A cidade é a comunidade soberana ,visando o bem soberano
o homem isolado não se pode reproduzir,formando naturalmente uma comunidade com
a mulher ;os homens naturalmente levados a conceber e os homens naturalmente levados
a executar ,não podendo prover as suas necessidades cotidianas uns sem os
outros ,formam uma comunidade.
A cidade é então autárquica
no sentido de ser auto-suficiente a menor comunidade que basta para prover a todas as necessidades
de seus membros .A cidade é portanto o fim ,o acabamento termo do
desenvolvimento“histórico” que conduz os homens a se associar em comunidades
autarquia ,porém,não e apenas o fim do devir termo do desenvolvimento das
comunidades naturais ,e a cidade não é apenas o fim delas a autarquia é também o fim da sua
existência.Com isso encontramos os dois fins (a vida e a vida boa )que havíamos
encontrado a respeito do casal (do qual a proporção é o fim do devir e não o
fim da existência).Desde que a cidade exista,ela é para si mesma o seu próprio
fim, permite a “vida boa”isto é, a felicidade.Estes dois fins não são
verdadeiramente distintos; coincidem na noção de autarquia.
Um homem sozinho é
“carente”.Os homens seres “de carência”,podem juntos completar com aquilo que
está lhes faltando homem não pode ser e
portanto não ser homem se não for comunidade ,o devir de um ser cessa quando
tendo se reunido a si mesmo,ele é o que é sem carência Um “ser em repouso”está
acabado é tudo aquilo que pode ser,atingiu seu próprio fim,é plenamente sua
própria natureza.
Os fins das comunidades não
políticas não poriam ser verdadeiros fins.Pois,do casal até o vilarejo,trata se
de meios em vista da vida e eles não basta a esta vida Somente o fim da cidade
é perfeito.
Aristóteles no início da sua
Ética a Nicomaco. Toda ação, é finalizada: agir e
visar um bem.Há dois tipos de bens:os bens ou os fins que são bons por eles
mesmos.Somente o bem soberano não depende de nenhum outro,ao passo que qualquer
outro bem soberano, ao contrário,depende dele.Somente ele é “autárquico’somente
a autarquia é soberana e boa.Há numerosos ‘seres”, mas como acontece com os
bens, podemos distinguir dois grandes gêneros:aqueles que “valem”por eles mesmo
e aqueles que “valem por outra coisa.Não se trata mais de valer,mas de
ser,aqueles que são por eles mesmos e aqueles que são por outras coisas-os
acidentes.Consideramos esses seres que não existem senão por um outro
Se toda existência é
dependente,não há existência,pois não há nada que exista em si.A relação
fundamental entre a “substancia” (aquilo que não é por outra coisa nem em vista
de outra coisa,nem é dito de outra coisa )e seus “acidentes” (aquilo que é por
outra coisa,em última análise,por uma
substancia, e é dito de outra coisa,em última análise,de uma substancia)o
início da política,como o início da Ética a Nicômaco, obedece a este mesmo
esquema ontológico.
Nesse ponto, a relação que
dá origem a série se volta sobre si mesma:o soberano bem é bem não por outra
coisa,mas por si;a comunidade soberana,
a cidade,é a necessidade não de um outro,mas a necessidade de si;a substancia
existe não por outra coisa, mas por si.
Toda comunidade humana visam bem que preencha
determinada carência particular e é boa esse seu fim.Entre os fins visados, há
dois tipos:aqueles que são intermediários e um fim em si .O fim visado pela
comunidade perfeita é justamente o soberano bem Este bem é duplamente
soberano:porque preenche todas as necessidades
humanas intermediárias,que nele encontram seu acabamento;porque é absolutamente
perfeito em si,pois se trata da autarquia.
A cidade é portanto
ontológicamente natural e auto-suficiente É o único ser natural necessário e
suficiente para a vida humana.Ela é pois o próprio homem,uma vez que nela ela é
efetivamente ele mesmo sem carência
cidade para Aristóteles não é original,pois geneticamente ela é a última das
comunidade.Ela é entretanto natural ao homem.Natural não se confunde com
originário,porque a natureza de um ser não é necessariamente aquilo que aparece
nele em primeiro lugar.O homem é pois naturalmente político o que significa que
há em sua natureza uma tendência a viver em cidades, e que ao realizar essa
tendência o homem tende ao seu próprio bem.
O homem é um animal naturalmente político porque ele é um ser naturalmente ‘carente”,e isto duplamente. Carência de alguma coisa que o leva a desejar, é carência de alguém que o leva a associar.Sua deficiência originaria faz dele um ser de necessidade ou desejo,que o separa de seu bem,e é por isso que ele age em comunidade com outros e com o bem soberano no horizonte de sua ação. Um ser sem deficiência nem incompletude seria um “ser sobre –humano”;seria sem desejo e auto-suficiente e não viveria na cidade.
Há apenas uma coisa própria
aos homens em relação aos outros animais fato de somente de somente eles terem a percepção do bem e do
mal, do justo e do injusto e das outras noções deste gênero. O homem
“percebe”naturalmente esses valores comunitários e pode por conseguinte
expressá-los comunicá-los por meio de um instrumento específico logos .O homem
é portanto o animal que possui naturalmente o logos não no sentido moderno de
“linguagem”,nem no sentido medieval de ratio,mas em um sentido aqui claro a
faculdade de se exprimir e de se comunicar por conceitos e proposições; o sentido
da justiça não tem nenhum sentido fora do vida comum,isto é a possibilidade de
exprimi-lo a outros já supõe uma vida comum.
Sendo o justo e o
injusto objeto de uma experiência
individual que precedem eles serem posto
em comum pela discussão que supõe a contradição e implica um questionamento
permanente. É este ser posto em comum que é a via natural de acesso ao bem
comum, a justiça política, e não a educação de alguns ou ascese
política dos melhores como queria
Platão.
Que o homem seja um animal
político é o que deduz o fato de que a cidade é o fim do desenvolvimento
natural e de que a cidade existe também
naturalmente. Mas, reciprocamente a
natureza do homem, ser falante, mostra
que ele é feito para a vida política e que a cidade é um ser natural. De onde
duas novas conseguencias: a cidade é naturalmente
anterior as outras comunidades e a vida política é proveitosa para o homem.
Um homem na cidade , isto é , solidários a outros
sobre o teto de leis comuns e obrigado pelas regras comunitárias é um homem
completo acabado ,e,portanto,está no seu lugar de hierarquia dos seres ,nem
animal, mas o melhor dos animais porque capaz de justiça.Um homem fora da
cidade é pior que o pior dos animais,pois ele é naturalmente dotado de
disposição intelectuais que compensam as suas deficiência em meios físicos de autodefesa ,dos quais os outros animais
são providos essas disposições constituem as armas mais temíveis sem a educação
para a justiça dadas pelas leis da cidade.O homem,animal político, é o melhor
dos animais e o homem a-político, o pior dos animais.
As sociedades da antigüidade
clássica eram escravagistas.Os escravos ,cujas funções sociais variáveis são
juridicamente excluídos da cidade,e seu modo de vida depende quase inteiramente
de seu senhor.A escravidão é aos nossos olhos uma instituição chocante que para nós permanece incompreensível que
ela não tenha sucedido uma reprovação indignada por parte dos espíritos
esclarecidos.