Filosofia política
Trabalho apresentado para obtenção de nota parcial na disciplina de filosofia política, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná.
Professor: César Augusto Ramos
CURITIBA
novembro de 03
1.0- Sumário................................................................................................. 3
2.0- ARISTÓTELES e a POLÍTICA................................................................ 4
2.1- Aristoteles - a politica: Livro I, Cap.1-7................................................. 5
2.2- Aristoteles - a politica: Livro III, CaP. 1-10........................................... 9
2.3- Aristoteles - a politica: LivroIII, Cap. 11-18......................................... 14
3.0- Francis Wolff - Aristóteles e a política................................................. 20
3.1- Analise do livro I, capítulos 1 e 2......................................................... 20
3.2- Analise do livro III.............................................................................. 25
4.0- Denis Coitinho Silveira (O Sentido da justiça em Aristóteles)............... 28
5.0- Marilena Chauí introdução a historia da filosofia................................ 33
6.0- Observações Conclusivas...................................................................... 36
7.0- Referencia bibliograficas...................................................................... 41
A política
Este trabalho sobre a política de Aristóteles, vai abordar temas como: objetivo e limite da ciência política, elementos da cidade e fundamento na família, o lar é uma sociedade domestica (senhor, escravo), sociedade paternal e conjugal, da cidade e do cidadão, quais são os que devem mandar, do bem público, do cidadãos, etc. Em fim, em sua obra a política, Aristóteles vai tratar da composição da cidade, da escravidão, da família, das riquezas, etc. Aristóteles, por sua vez, não foge da tentação de também idealizar qual o modo de vida mais desejável para as cidades e os indivíduos, mas se comparado ao seu mestre, ele dedica bem menos.
. "O homem, quando perfeito, é o melhor dos animais, mas é também o pior de todos quando afastado da lei e da justiça, pois a injustiça é mais perniciosa quando armada, e o homem nasce dotado de armas para serem bem usadas pela inteligência e pelo talento, mas podem sê-lo em sentido inteiramente oposto. Logo, quando destituído de qualidades morais, o homem é o mais impiedoso e selvagem dos animais,(...)"
Aristóteles - "Política", 1252 b.
Toda cidade é também uma comunidade e que esta é constituída em vista de algum bem. De certa forma todo homem visa algum bem, então a comunidade também visa algum bem. A comunidade mais elevada é a cidade, esta engloba todas as outras e visa o maior de todos os bens.
Existe uma diferença muito grande entre uma casa e uma cidade, assim também existem grandes diferenças entre um senhor de escravos e um rei. O rei e o governante também têm diferenças entre si. Um homem que controla pessoalmente tem a função de rei, ou seja, governa sozinho perpetuamente. Quando um homem governa de acordo com as regras, ora manda, ora obedece é então apenas um governante, ou seja, Obedece e manda alternadamente, em virtude da Constituição.
Assim também é necessário examinar as partes componentes de uma cidade e analisar como as formas de autoridade se diferem entre si.
A origem da cidade: casal, família e aldeia. nações, submetidas ao governo, formadas que eram de reuniões de pessoas que já viviam sob um monarca. Com efeito, toda família, sendo governada pelo mais velho como que por um rei, continuava a viver sob a mesma autoridade, por causa da consangüinidade.
A natureza ainda subordinou um dos dois animais ao outro. Em todas as espécies, o macho é evidentemente superior à fêmea: a espécie humana não é exceção. Sentindo essa necessidade eles formam um par cuja a finalidade é procriar. O homem e a mulher são comparados com as plantas e os outros animais, ou seja, a necessidade de progenitura para garantir a continuidade da espécie.
Na cidade uns nascem para governar e outros nascem para serem governados. O homem livre governa e os escravos são governados. Assim, em toda parte onde se observa a mesma distância que há entre a alma e o corpo, entre o homem e o animal, existem as mesmas relações; isto é, todos os que não têm nada melhor para nos oferecer do que o uso de seus corpos e de seus membros são condenados pela natureza à escravidão. O uso dos escravos e dos animais é mais ou menos o mesmo e tiram-se deles os mesmos serviços para as necessidades da vida.
Ocorre muitas vezes, porém, o contrário: brutos têm a forma exterior da liberdade e outros, sem aparentar, só têm a alma de livre. pelas leis da natureza, há homens feitos para a liberdade e outros para a servidão, os quais, tanto por justiça quanto por interesse, convém que sirvam.
Dos Poderes Marital e Paternal. Mais acima, dividimos o governo doméstico em três poderes: o do senhor, de que acaba de se tratar, o do pai e o do marido. Na ordem política, tal como ela existe na maior parte dos povos, obedece-se e comanda-se alternadamente. Quanto ao sexo, qualquer que seja a idade da mulher, o homem deve conservar sua superioridade.
A autoridade dos pais sobre os filhos é uma espécie de realeza; todos os títulos ali se encontram: o da geração, o da autoridade afetuosa e o da idade. Pois um rei, se recebeu da natureza alguma superioridade sobre seus súditos, continua a ter o mesmo gênero que eles, como os velhos com relação aos jovens e como um pai com relação a seus filhos.
As Virtudes Próprias aos Diversos. Membros da Família Seguem-se do precedente que o governo doméstico exige atenções muito diferentes para o sustento das pessoas e para a posse das coisas inanimadas, para seus costumes e para a acumulação de riquezas, para as pessoas livres e para os escravos. Se exigirmos deles que tenham virtudes, em que diferirão das pessoas livres? Mas, se não precisarem delas, isto chocará a razão, de que participam como todos os homens.
Não menos estranho seria exigir virtudes de um lado e não de outro. a questão pode ser colocada a respeito das mulheres e das crianças. Se quem comanda não é nem justo, nem moderado, como é possível que comande bem? Se aquele que obedece carece dessas virtudes, qual não será a obediência de um corrompido e de um mau? É preciso, pois, que ambos tenham virtudes, mas que suas virtudes tenham caracteres diferentes, da mesma variedade que se observa nos seres nascidos para obedecer. Isto se vê imediatamente nas faculdades da alma. A maneira de comandar não é a mesma do homem livre ao seu escravo, do marido à mulher, do homem adulto a seu filho. Quem comanda deve possuí-Ias todas no mais alto grau. Sua função é como a do arquiteto, isto é, a da própria razão; as dos outros se regulam pela conveniência. Todos têm, portanto, virtudes morais, mas a temperança, a força, a justiça não devem ser, como pensava Sócrates, as mesmas num homem e numa mulher. É ilusório contentar- se com generalidades sobre esta matéria e dizer vagamente que a virtude consiste nos bons hábitos da alma, ou então no bem agir ou outras fórmulas do gênero. Mais vale, como Górgias, estabelecer a lista das virtudes do que se deter em semelhantes definições e imitar, no mais, a precisão do poeta que disse que um modesto silêncio é a honra da mulher ao passo que não fica bem no homem. O artesão, pelo contrário, está separado, e sua virtude não nos importa senão quando está a nosso serviço. Quanto ao homem e à mulher, ao pai e aos filhos, quais são as virtudes próprias a cada um deles? Qual deve ser a maneira de viverem juntos? O que devem buscar ou evitar? Como devem praticar tal coisa e abster-se de outra? É o que é indispensável examinar quando tratamos da política. Todos eles fazem parte da família, e a família faz parte do Estado. Ora, o mérito da parte deve referir-se ao mérito do todo. A educação das mulheres e das crianças deve ser da alçada do Estado, já que importa à felicidade do Estado que as mulheres e as crianças sejam virtuosas. Isto é mesmo do maior interesse, já que as mulheres constituem a metade das pessoas livres, e as crianças serão os que participarão do governo dos negócios públicos.
A mulher como fêmea é diferente do escravo. Para os gregos a mulher tem por natureza a função de procriar e a ela é atribuída a função de cuidar da casa e dos filhos. Enquanto que a função dos escravos é realizar os trabalhos pensados.
Toda família ou comunidade grega estava sob o domínio de seu membro mais velho. A principio a cidade foi formada para proteger a vida e existe por natureza. O homem é um ser vivo por natureza. Para Aristóteles todo homem tem que ter uma cidade, do contrario é um ser decaído ou sobre humano. Mais do que uma abelha ou um animal gregário, o homem é um ser político. É este mesmo homem que sente o que é o bem e o que é o mal, o que é justo e injusto e assim com este sentimento, o homem forma a família e a cidade.
Para Aristóteles um individuo está em relação a cidade, assim como a parte está para o todo. O homem é o melhor dos animais quando atinge o seu pleno desenvolvimento e é o pior quando afasta da justiça
Uma cidade é constituída por escravos e homens livres. Os escravos é uma espécie de propriedade viva dos seus senhores. Mais como dizia Aristóteles em sua obra a política, os teares não tecem sozinhos, por isso é necessário que os senhores tenham seus ajudantes. Porém ele alerta, que vida é ação e não produção. O escravo é um ser humano que não pertence a si mesmo. Pertence a outro que é o seu senhor por natureza.
Governar e ser governado são coisas necessárias e convenientes. E o mais importante que o destino de um individuo é definido quando ele nasce, ou seja, se vai governar ou se vai ser governado, se vai ser senhor ou escravo.
Um ser humano é composto de alma e corpo. O primeiro é o governante e o segundo o governado. É no ser vivo que encontramos a autoridade de um senhor e governante. A alma governa o corpo com autoridade de senhor.
As aparências podem enganar. Tem escravos que tem a aparência de homem livre e homem livre com aparência de escravo. No corpo tanto beleza como feiúra é muito fácil de se distinguir. Já na alma é bem o contrario. Não existe beleza e nem feiúra o que existe é pureza.
As conseqüências da escravatura em virtude da lei, está em caso de guerra,ou seja, os vencidos são despojados de seus bens. Segundo Aristóteles muitos consideram justa a escravidão por guerra, mas se contra dizem porque ninguém pode ser escravizado sem o merecer.
Para os gregos os bárbaros são nobres apenas em suas terras. Fora de suas cidades os bárbaros são escravos. Entre os escravos também tem algumas diferenças, uns trabalha em serviços pesados e outros são treinados para servir os seus senhores.
Visto que a cidade se compõe de uma comunidade de famílias, assim como estas se compõem de muitos indivíduos, antes de tratar propriamente da cidade será mister falar da família, que precede cronologicamente a cidade, como as partes precedem o todo. Segundo Aristóteles, a família compõe-se de quatro elementos: os filhos, a mulher, os bens, os escravos; além, naturalmente, do chefe a que pertence a direção da família. Deve ele guiar os filhos e as mulheres, em razão da imperfeição destes. Deve fazer frutificar seus bens, porquanto a família, além de um fim educativo, tem também um fim econômico. E, como ao Estado, é-lhe essencial a propriedade, pois os homens têm necessidades materiais. No entanto, para que a propriedade seja produtora, são necessários instrumentos inanimados e animados; estes últimos seriam os escravos.
Aristóteles não nega a natureza humana ao escravo; mas constata que na sociedade são necessários também os trabalhos materiais, que exigem indivíduos particulares, a que fica assim tirada fatalmente a possibilidade de providenciar a cultura da alma, visto ser necessário, para tanto, tempo e liberdade, bem como aptas qualidades espirituais, excluídas pelas próprias características qualidades materiais de tais indivíduos. Daí a escravidão.
O que é ser um cidadão? Nos tempos aristotélicos ser cidadão é participar diretamente do governo, isto quer dizer, participar das magistraturas, das assembléias, e dos tribunais. O cidadão também tinha que votar diretamente nos assuntos posto em discussão. Não podemos esquecer que na Grécia de Aristóteles, cidadãos era apenas dez por cento da população. Esse pequeno contingente era formado apenas por homens maiores de idade, livres e tinha que ser natural daquela cidade, ou seja, o cidadão ateniense, tinha que ser natural de Atenas.
Como qualquer totalidade, o Estado consiste numa multidão de partes: é a universalidade dos cidadãos. O Critério da Cidadania. Falemos aqui apenas dos cidadãos de nascimento, e não dos naturalizados. Não é a residência que constitui o cidadão: os estrangeiros e os escravos não são "cidadãos", mas sim "habitantes". Não participam, então, a não ser de um modo imperfeito, dos direitos da Cidade.
Procuramos aqui o cidadão puro, sem restrições nem modificações. Aliás, pouco importa, essa é apenas uma questão de palavras. Não há Assembléia geral, pelo menos ordinária, mas simples convocações extraordinárias. Na cerimônia, por exemplo, os éforos tratam dos contratos; os senadores, dos homicídios; as outras magistraturas, das outras matérias. A definição do cidadão, portanto, é suscetível de maior ou menor extensão, conforme o gênero do governo. Há alguns em que o número e o poder dos juízes e dos membros da Assembléia não é ilimitado, mas restrito pela constituição. É cidadão aquele que, no país em que reside, é admitido na jurisdição e na deliberação. Comumente, o costume é dar o nome de cidadão apenas àquele que nasceu de pais cidadãos. Se participarem do poder público, serão cidadão. Sendo, portanto, o cidadão caracterizado pelo atributo do poder (pois é pela participação no poder público que o definimos), nada impede de contar entre os cidadãos as criaturas de Clístenes.
As Diversas Espécies de Cidadãos. Resta ainda uma dúvida sobre o título de cidadão. Classifica-los-emos da mesma forma? Não haveria inconvenientes. É assim que excluímos os escravos e os libertos do número dos cidadãos. Já dissemos que há várias espécies de constituição e de governo; há, certamente, portanto, vários tipos de cidadãos, sobretudo entre os que chamamos de súditos. Na oligarquia, em que o bem conhecido como riqueza abre as portas para os melhores cargos, o povo miúdo não é admitido na classe dos cidadãos. Resulta de tudo isso que há várias espécies de cidadãos, mas os verdadeiros são apenas os que participam dos cargos. Tratado sem nenhum respeito, excluído da Cidade.
As Virtudes que Fazem o Cidadão e o Homem de Bem. Os objetos que acabamos de tratar levam-nos agora a examinar se as mesmas virtudes fazem o homem de bem e o bom cidadão. Por conseguinte, é a este interese comum que deve relacionar-se a virtude do cidadão.
O Estado, aliás, é um composto de partes dessemelhantes, aproximadamente como o animal se compõe da alma e do corpo; a alma, de razão e de paixões; a família, do homem e da mulher; a casa, do senhor e do escravo. A coragem de um homem se aproximaria da pusilanimidade se fosse apenas igual à de uma mulher, e a mulher passaria por atrevida se não fosse mais reservada do que um homem em suas palavras. O mérito especial do que comanda é a prudência. Sabemos, agora, se as qualidades do homem de bem e do bom cidadão são ou não as mesmas, como elas se assemelham e em que diferem.
A Aquisição Artificial ou "Crematística". Existe, portanto - mostramos agora a razão disso -, um gênero de riquezas naturais próprio à economia doméstica tanto quanto à economia política. Tampouco foi a natureza que produziu o comércio que consiste em comprar para revender mais caro. Tornou-se necessária apenas nas grandes sociedades e após a separação das propriedades. Trata-se de um gênero de comércio que não está nem fora das intenções da natureza, nem tampouco é uma das maneiras naturais de aumentar seus pertences, mas sim um modo engenhoso de satisfazer as respectivas necessidades.
Foi esse comércio que, dirigido pela razão, fez com que se imaginasse o expediente da moeda. Podia acontecer que não se precisasse do supérfluo dos outros, ou que não precisassem do vosso. As verdadeiras riquezas são as da natureza; apenas elas são objeto da ciência econômica. Alguns acham que as duas operações convêm ao governo doméstico e que é preciso não somente conservar o que se tem, mas também multiplicar o dinheiro ao infinito. A coragem, por exemplo, não foi dada ao homem pela natureza para acumular bens, mas para proporcionar tranqüilidade. Não é esse tampouco o objeto da profissão militar, nem o da medicina, tendo uma por objeto vencer, e outra curar.
Converteram-nas, porém, em meios de obter riqueza: elas se tornam o único fim da maioria das pessoas que entram nessas carreiras e subordinam tudo à metaque se propuseram.
Para bem conhecer a Constituição das Cidades e suas espécies, é preciso em primeiro lugar saber o que é um Cidade, pois nem sempre se está de acordo se deve imputar fatos a Cidade ou aos que o governam, quer como chefes únicos, quer num grupo menos numeroso do que o resto da Cidade. Ora, o Estado é o sujeito constante da política e do governo; a constituição política não é senão a ordem dos habitantes que o compõem.
No que se refere a cidade, primeira questão que se apresenta, é a perguntar, em se tratando de cidade, o que é uma cidade? Pois não se chegou a um acordo sobre este ponto, pretendem uns que é sempre a cidade que opera quando existe transição, outros sustentam que não é a cidade, mas a oligarquia ou o tirano. Alias, sabemos que toda a atividade do homem político e do legislador tem a cidade por objeto. Por assim dizer um cidadão é aquele cuja especial característica é poder participar da administração da justiça e de cargos públicos. Alias vemos cidadãos elevados injustamente às funções publicas e nem por isso deixaram de chama-los magistrados, embora o sejam injustamente. A salvação da comunidade é a ocupação de todos os cidadãos, qualquer que seja a diferença de que entre eles exista. Ora, o que constituí a comunidade é a forma do governo. É preciso, pois que a virtude do cidadão esteja em relação com a forma de política. Se existem diversas formas de governo, não é possível que a virtude do bom cidadão seja una e perfeita. É pois, evidente que o bom cidadão pode não possuir a virtude que faz o homem de bem.
Não é preciso, pois que o homem de bem, ou o bom cidadão aprenda estes gêneros de trabalhos que só convém aqueles que são destinados a obedecer. Sem duvida a virtude inerente ao mando e à obediência não é a mesma, mas é preciso que o bom cidadão sabia e possa obedecer e mandar, o que faz a sua própria virtude é formar os homens livres sob esta dupla relação. Por conseguinte, a virtude do homem de bem reúne essas duas relações, embora haja uma espécie de temperança e justiça que não são as mesma naquele que manda e naquele que obedece. A prudência é a única virtude natural naquele que manda. Há estados democráticos nos quais essa honra é concebida ao filho de uma cidadã. Mas, uma vez que a população cresce, vai-se cortando aos poucos, começando pelos filhos de pai e mãe escravos, depois por aquelas cuja mãe é escrava; por fim só é concedido o direito de cidadão aos filhos de pai e mãe cidadãos.
Em outras palavras a constituição é soberana, visto que as palavras constituição e governo significam a mesma coisa e que o governo é autoridade suprema nos estados e que forçosamente esta autoridade suprema deve repousar nas mãos de um só, ou de vários, ou de uma multidão, segue-se desde que um só, ou vários, ou multidões, usem de autoridade com vistas ao interesse geral, a constituição é pura e sã forçosamente ao contrario, se governa com vistas ao interesse particular, isto é, ao interesse de um só, ou de vários, ou a multidão, a constituição é viciada e corrompida, porque de duas uma, é preciso declarar que os cidadãos não participam do interesse geral, ou dele participam. Os governos viciados é a tirania para a realeza, a oligarquia para a aristocracia, a demagogia para a republica. A tirania é uma monarquia que não tem outro objeto além de interesse do monarca; a oligarquia só enxerga o interesse dos ricos; a demagogia só enxerga o dos pobres, e assim sendo nenhum desses governos se ocupa do interesse geral. Se por outro lado, combinando as condições de riqueza e minoria, pobreza e maioria, se estabelecem nesta base as denominações dos governos, chamando oligarquia aquela na qual os ricos, em minoria, exercem as magistraturas, e demagogia aquela na qual o poder se coloca nas mãos dos pobres, que formam a maioria, apresenta-se ainda outra dificuldade. Que nome daremos aos governos dos quais acabamos de falar, aquele no qual os ricos, em maioria, e o em que os pobres, em minoria, são uns e outros senhores do Estado? A menos que haja outras formas de governo além das que nos estabelecemos.
A razão parece demonstrar-nos que a predominância de que acabamos de falar é acidental, tanto na oligarquia como na democracia, porque os ricos são poucos numerosos em toda a parte, e os pobres formam a grande maioria. Assim, pois as causas das diferenças que indicamos não são reais, a verdadeira diferença entre a democracia e a oligarquia está na pobreza e na riqueza é preciso que todas as vezes que a riqueza ocupar o poder, com ou sem maioria haja oligarquia, e democracia quando os pobres é que ocupam o poder. Examinaremos, no entanto, como se deve resolver a questão quando essas diversas condições se encontram ao mesmo tempo.
Se um cidadão tem uma superioridade de mérito, ou se vários cidadãos, naõ muito numerosos, no entanto, para formarem por si sós uma cidade, são de tal modo superiores que não se possa comparar nem o mérito nem a influencia de tal ou tais cidadão ao mérito ou à influencia política dos demais, não será mais preciso considerá-los como dizendo parte da cidade, colocá-los num pé de igualdade, a eles que sobressaem aos outros pelo seu próprio mérito e influencia políticas, será prejudica-los. Vê-se, pois que as leis só são necessárias para os homens iguais por nascimento e aptidão; quanto aos que a tal ponto se elevam acima dos outros para esses não há lei, eles próprios são a sua lei.
A Segunda é a dos bárbaros, ela é absoluta, hereditária e fundada na lei. A opinião dos que encontram mais vantagem no governo de um rei está baseada no fato de as leis só exprimirem de um modo geral, sem nada prescreve para os casos particulares. A lei é inflexível; a alma humana, ao contrario, está forçosamente sujeita à paixões.
Mas, dirão, o homem saberá melhor que a lei decidir sobre as caisas particulares. Vê-se então que ele se torna ao mesmo tempo legislador, e que haverá regras que não terão a autoridade absoluta da lei, sempre que se afastam do seu espírito geral, posto que , sob outros aspectos, devem ter a mesma autoridade.
Das Diversas Formas de Governo.A Constituição integral diz: 1° de quem e de que espécie de pessoas um Estado deve ser composto; 2° como deve ser cente. Este segundo ponto de vista leva-nos naturalmente ao exame destas questões: há apenas uma forma de governo ou várias? Se houver várias, quantas e quais são? Quais são as diferenças entre elas? Começaremos pelas formas justas. Os Critérios Distintivos: Número e Justiça, O governo é o exercício do poder supremo do Estado. Este poder só poderia estar ou nas mãos de um só, ou da minoria, ou da maioria das pessoas. Poucos homens excelem em mérito. A tirania não é, de fato, senão a monarquia voltada para a utilidade do monarca; a oligarquia, para a utilidade dos ricos; a democracia, para a utilidade dos pobres. Nenhuma das três se ocupa do interesse público. Podemos dizer ainda, de um modo um pouco diferente, que a tirania é o governo despótico exercido por um homem sobre o Estado, que a oligarquia representa o governo dos ricos e a democracia o dos pobres ou das pessoas pouco favorecidas. Discussão dos Critérios.
Vale a pena determo-nos em cada uma destas formas para esclarecer as dúvidas que suscitam. Eis de início uma primeira crítica das definições que acabamos de dar: significando a democracia propriamente o poder da multidão e a oligarquia o daminoria, nossa definição não se revela ria falsa se houvesse mais ricos do que pobres e fosse a maioria de ricos que governasse ou, ao contrário, sendo eles superiores em número, fossem governados por um número menor de pobres? Suponhamos ainda o menor número para os ricos e a multidão para os pobres; se não houver outras espécies de Estado a não ser as seis que enumeramos, a que classe pertencerão as últimas que acabamos de imaginar: àquela em que domina a multidão dos ricos ou àquela em que se sobressai uma minoria de pobres? Deveríamos inventar nomes para elas? Não é preciso. A minoria e a maioria devem ser encaradas apenas como acidentes, um da oligarquia, outro da democracia, sendo comum em todos os lugares que haja poucos ricos e muitos pobres. A esquisitice destes casos particulares não deve, portanto, impedir que a oligarquia se distinga pela riqueza e a democracia pela pobreza. Ora, a administração da coisa pública é disputada pela liberdade e pela opulência. A causa de tantas espécies de governo é a quantidade das diversas partes de cada Estado. Montava-se a cavalo para combater os inimigos dos arredores. Além das diferenças de riqueza, há também as que são criadas pelo nascimento, pelo mérito ou por qualquer outra prerrogativa. Dissemos no capítulo precedente quantas classes necessárias há em todo Estado. Donde se segue que há várias espécies de Estados, tão diferentes entre si quanto o são suas partes integrantes. A Monarquia Eis o lugar natural para tratar da monarquia, que colocamos entre os grandes governos. Devemos dizer, inicialmente, se só há uma espécie de monarquia ou se há várias. No Estado da Lacedemônia, por exemplo, há uma monarquia das mais legítimas, mas o poder do rei não éabsoluto, a não ser quando o monarca estiver fora de seus Estados e em situação de guerra, pois então ele tem a autoridade suprema sobre seu exército. Além disso, ele tem no interior a superintendência do culto e das coisas sagradas. Os reis têm ali um poder que se aproxima do despotismo, mas é legítimo e hereditário. Tendo os bárbaros naturalmente a alma mais servil do que os gregos e os asiáticos, eles suportam mais do que os europeus, sem murmúrios, que sejam governados pelos senhores. Aqueles governam de acordo com a lei súditos de boa vontade; estes, pessoas que só obedecem contrafeitas. O poder concedido pelo povo era diferente do dos reis bárbaros, não por ser contra a lei, mas unicamente porque não era nem ordinário,
nem transmissível. A quarta espécie de monarquia real é a monarquia dos tempos beróicos, que, por sua constituição, era voluntária e hereditária. Os primeiros monarcas foram os benfeitores do povo pelas artes que lhe trouxeram, pela guerra que travaram por ele, pelo cuidado que tiveram de reuni-lo ou pelo território que lhe consignaram.
Aceitos como reis, transmitiram por sucessão sua coroa à posteridade. Possuíam a superintendência da guerra e dos sacrifícios que não os da alçada dos sacerdotes; além disso, julgavam os processos, uns sem jurar, outros sob a autoridade do juramento que prestavam ao elevar o cetro.
A partir daí, quer porque abandonaram por si mesmos uma parte da autoridade, quer porque tenham sido despojados dela pelo povo, foram reduzidos em alguns Estados à simples qualidade de soberanos sacrificadores ou pontífices e, nos lugares onde se conservou o nome de rei, à simples faculdade de comandar os exércitos além das fronteiras.
Assim, há quatro espécies de monarquia: - a primeira, que é a dos tempos heróicos, procede de uma submissão livre e voluntária, mas limitada a certos objetos, como a guerra, os julgamentos e o culto; - a segunda, a dos bárbaros, ligada a certa raça e despótica, mas conforme a lei ou convenção primitiva; - a terceira, Aisymnética, que é também um despotismo eletivo; A Aristocracia
O nome de aristocracia convém perfeitamente ao regime que já mencionamos acima, pois não se deve, com efeito, dar este nome senão à magistratura composta de pessoas de bem sem restrição e não a essas boas pessoas em que toda a retidão se limita ao patriotismo. Os bons cidadãos dos outros Estados só são bons para sua Constituição.
Existem, porém, algumas outras Repúblicas, também honradas com o nome de aristocracias, que diferem dos Estados oligárquicos e da República propriamente dita. - a quarta, à maneira da Lacedemônia, isto é, uma autoridade perpétua e transmissível aos descendentes sobre as coisas da guerra.
A maioria das outras não são senão espécies médias entre elas, menores em poder do que a monarquia em sua plenitude, mas mais consideráveis do que a da Lacedemônia. Nos próprios Estados em que não se cuida tanto da virtude não deixa de haver pessoas com reputação de probidade.
A "República" Resta-nos falar da "República" propriamente dita. Ademais, os ricos são
menos expostos à tentação de agir mal, possuindo o que seduz aos outros. A virtude é seu primeiro objeto; a riqueza, o da oligarquia. A liberdade, o da democracia.Estes três governos têm por máxima comum decidir pela maioria das opiniões.
Em todos os três, o que é decidido pela maioria dos que têm estatuto de cidadãos e nesta qualidade, participam do governo adquire força de lei. Só os Estados mistos consideram ao esmo tempo os ricos e os pobres, a opulência e a liberdade, pois os ricos quase toda parte desempenham o papel de aristocratas.
Como há três razões para pretender a igualdade no governo, a saber, a liberdade, a opulência e a virtude (pois a nobreza, tida como a quarta, é apenas uma conseqüência da virtude unida à antiguidade da riqueza), a combinação de duas dessas razões, isto é, dos pobres com os ricos, deve sem problemas chamar-se República; a combinação das três, aristocracia, nome que - pondo de lado a verdadeira e pura aristocracia de que falamos mais acima é que é a primeira de todas - lhes convém bem mais do que qualquer outro, apesar da mistura das formas. o que dissemos leva-nos naturalmente a saber como a República se forma da democracia e da oligarquia, e como ela deve ser constituída. Ao mesmo tempo, logo veremos como é preciso definir a democracia e a oligarquia, e como se distinguem. Na oligarquia, a lei não concede aos pobres nenhum salário para administrar a justiça e estabelece penas contra os ricos, caso se recusem a fazer parte de uma assembléia; na democracia, a lei dá um salário aos pobres mas não aplica nenhuma pena aos ricos. Uma segunda maneira é ficar no meio do que ordenam os dois regimes. Um terceiro modo é acolher do governo oligárquico e do democrático o que cada um tem de bom. Tomar os dois extremos é também propriedade do justo meio.
É o que se observa no Estado da Lacedemônia. Na educação das crianças, a comida é a mesma para os filhos dos ricos e para os dos pobres, a mesma instrução, a mesma severidade no trato; na idade seguinte, o mesmo gênero de vida quando se tornam homens. O rico não tem ali nenhum sinal exterior que o distinga do pobre; ambos comem da mesma carne nas refeições públicas, vestemse com os mesmos tecidos, que o pobre, qualquer que seja ele, pode com facilidade obter. A Tirania Resta-nos estudar o que chamam oligarquia, democracia e tirania.
Quanto mais a monarquia se aproxima idealmente do governo celeste, mais sua alteração é detestável. O vicio mais diametralmente contrário à sua instituição é a tirania. Portanto, é também o pior dos governos. Trataremos dela, não porque mereça longos discursos, mas para não omiti-Ia, tendo-a anunciado na indicação do número dos governos".
Ao tratar da monarquia propriamente dita, distinguimos no mesmo passo duas espécies de tiranias bastante análogas entre si e com relação à monarquia, bastante sujeitas à passagem de uma à outra, sendo ambas legítimas.
A oligarquia ocupa o segundo lugar entre os governos depravados`. É bastante distinta da aristocracia. A segunda espécie é aquela em que os proprietários são minoria, mas mais ricos do que os da precedente. Tendo aumentado ainda mais sua riqueza e seu crédito, a potência dos oligarcas aproxima-se da monarquia. Este vício ésemelhante tanto à tirania que se introduz nas monarquias quanto à última espécie de democracia, de que falaremos. A Democracia Não se deve, como costumavam fazer certas pessoas, definir simplesmente a democracia como o governo em que a maioria domina. Da mesma forma, se os pobres, embora em menor número, forem mais poderosos do que os ricos, ninguém chamará a isso de oligarquia. Nenhuma outra Cidade tampouco o seria, se os ricos não fossem admitidos nos cargos. Portanto, deve-se antes chamar democracia o Estado que os homens livres governam, e oligarquia o que os ricos governam. O acidente faz com que o número seja maior ou menor, sendo o comum que o maior número seja o dos homens livres e o menor, o dos ricos.
Tampouco seria uma democracia se os ricos só fossem superiores pelo número, como ocorria antigamente em Colofão, onde, antes da guerra dos lídios, a maior parte dos cidadãos possuía grandes heranças. Em contrapartida, trata-se de uma democracia quando os homens livres e pobres, formando a maioria, são senhores do Estado, ao passo que há oligarquia quando governam os ricos e os mais nobres, embora inferiores em número.
Se quisermos formar as diferentes espécies de animais, começaríamos por separar tudo o que este animal deve necessariamente ter, como certos órgãos das sensações, as partes necessárias para receber e digerir os alimentos, tais como a boca e o ventre, além dos órgãos
do movimento. A primeira classe dos plebeus, ocupada em nos proporcionar alimentos, é numerosa: compõem-na os agricultores;a segunda, a dos artesãos, exerce os ofícios de primeira necessidade ou de luxo ou de bem-estar que um Estado não pode dispensar, quer para viver, quer para ter mais conforto; a terceira, a dos comerciantes, freqüenta as praças e aí expõe, para comprar, revender ou exportar, as mercadorias ou os trabalhos dos outros; a quarta, dos homens de mar, dos quais uns são guerreiros, outros comerciantes, outros fazem transportes, outros se dedicam à pesca. As classes dos nobres, enumeradas a seguir, se devem ou à riqueza, ou ao nascimento, ou ao mérito, ou ao saber, ou a alguma outra diferença igualmente notável; a quinta, a dos guerreiros, não é menos necessária que as outras, a menos que se queira capitular diante do primeiro agressor, pois não é impossível encontrar no interior de uma cidade um amontoado de covardes nascidos para a escravidão. Se todas estas funções são essenciais ao Estado, não resta dúvida de que o exército seja uma de suas partes integrantes; a sétima classe é a dos ricos, que satisfazem às necessidades do Estado com suas riquezas;a oitava é composta de oficiais ministeriais e de funcionários públicos. Os pobres e os ricos parecem, portanto, formar a principal divisão das classes do Estado. Nós as distinguiremos, conforme todas as classes do povo participem do governo, ou apenas algumas, com exclusão das demais.
Resulta daí que o Estado cai no domínio da multidão indigente e se vê subtraído ao império das leis. Trata-se dos mesmos costumes. O que fazem os bajuladores de corte junto a estes, fazem os demagogos junto ao povo. Gozam do mesmo crédito.
Não é sem razão que se censura tal governo e, de preferência, o chamam democracia ao invés de República; pois onde as leis não têm força não pode haver República, já que este regime não é senão uma maneira de ser do Estado em que as leis regulam todas as coisas em geral e os magistrados decidem sobre os casos particulares. Se, no entanto, pretendermos que a democracia seja uma das formas de governo, então não se deverá nem mesmo dar este nome a esse caos em que tudo é governado pelos decretos do dia, não sendo então nem universal nem perpétua nenhuma medida.
Inicio esta etapa salientando o pensamento de um grande comentador da política de a Aristóteles, Francis Wolff. Para Wolff a tese dominante da política de Aristóteles está nesta frase: “A cidade tem por finalidade o soberano bem”. Inicio então este trabalho com um pensamento de Francis Wolff:
“A natureza de um ser não é necessariamente aquilo que parece nele em primeiro lugar. É assim que os homens falam naturalmente, sem falar desde o nascimento, mas nascem com a capacidade de falar inscrita neles e realizarão sua essência ao falar (...). O homem é pois naturalmente político, o que significa que há em sua natureza uma tendência a viver em cidade, e que ao realizar essa tendência o homem tende para o seu próprio bem”. (F. Wolff, 1999, p. 84).
Francis Wolff, faz uma analise do livro I, capítulos 1 e 2 da política de Aristóteles e analisa também o livro III. Estabelecem os fundamentos da filosofia política. Para ele a tese dominante da política se resume nesta frase: “A cidade tem por finalidade o soberano bem”. Esta tese de Aristóteles é muito fundamental, pois o distingue de seus sucessores até a época moderna. Ele fundamenta esta conclusão em três primissas: A cidade é uma comunidade; toda comunidade é constituída de um certo bem; a cidade é a mais soberana de todas as comunidades.
“A cidade é uma comunidade”, possui como explicação o fato dos três tipos de diferenças da cidade diante das outras comunidades. A primeira diferença é aquela que a constitui, isto é, de suas partes o qual Aristóteles chama de matéria. A ordem de desenvolvimento natural vai, com efeito, das partes ao todo. A segunda diferença da cidade em relação às outras comunidades se dá pelo fato de que ela tenha uma constituição, um regime. Segundo Wolff, um regime é uma certa ordem instituída entre as pessoas que habitam a cidade. Aristóteles coloca que a constituição é uma espécie de vida para uma cidade. Wolff adiciona então que a constituição é a sua causa formal. Segundo consta, um Estado permanece o mesmo quaisquer que sejam as modificações de suas fronteiras mas deixa de sê-lo em caso de revolução ou queda de regime. A terceira diferença da cidade para com todas as outras comunidades no caso, a mais importante, é seu fim. A causa final da cidade(o bem soberano) é o que Aristóteles diz que será definido pela autarquia. A conclusão a que Wolff chega acerca desta premissa é que há 3 maneiras de definir cidade: por sua causa material, formal ou final. A causa motriz para Aristóteles tem pouca importância. Para que haja cidade é necessário que haja comunidade de vida entre vários seres humanos diferentes. A comunidade é um agrupamento de homens unidos por uma finalidade comum e portanto ligados por amizade e segundo relações de justiça.
Os termos são lógicos e o gênero essencial. Uma cidade é definida primeiro como gênero depois com a diferença. Aqui estamos lidando com um enunciado de um gênero do conceito comunidade. Uma comunidade é constituída por famílias, vilarejos, tribos e aldeias, regimes políticos, cidadão, etc. existe três traços característicos em relação as outras comunidade. O primeiro deles constituem as famílias (lares),linhagens, vilarejos, etc, ou seja, a parte material da cidade. O segundo traço característico é a diferença da cidade em relação as outras comunidades. A cidade tem uma constituição, um regime, um regime, as outras comunidades não tem. O terceiro traço característico da cidade em relação as outras comunidades, é a característica mais importante de todas, ou seja, é o seu “fim”. Isto quer dizer que a cidade existe em vista de um bem soberano.
“Toda comunidade visa um certo bem”. Wolff justifica esta premissa através de um princípio: é em vista daquilo que lhes parece ser um bem que todos os homens fazem o que fazem. Toda ação é, com efeito, finalizada por definição. Fazer alguma coisa, o que quer que seja é procurar obter qualquer coisa(um bem) com a modificação que se opera; é simplesmente adaptar os meios a um fim. Segundo Wolff, nesta premissa não é preciso recorrer ao famoso finalismo de Aristóteles para explicar a sua tese.
“De todas as comunidades, a cidade é a mais soberana e aquela que inclui todas as outras”. Na terceira premissa a comunidade política é definida em relação a todas as outras como ao mesmo tempo qualitativamente, a mais alta e extensivamente mais englobante. Esta tese é estabelecida no capitulo 2 do livro I da política de Aristóteles, na qual é anunciada a conclusão de toda obra aristotélica, afirma Francis Wolff. “O fim da cidade é o soberano bem”. A cidade não é apenas posta como soberana entre todas, é também aquela que inclui todas as outra.
Nas duas primeiras premissas, não necessita de demonstração, ou seja, na primeira “a cidade é uma comunidade”, esta afirmação é irrefutável; a segunda premissa é a priori, isto é, se deduz aquilo que a comunidade e o que o ser humano é; a terceira premissa já não é bem assim. Se trata da comunidade política, ou seja, da cidade.
As questões que o capitulo 2 do livro da política de Aristóteles terá que resolver são: o direcionamento polemico da tese e um método: a analise. O primeiro se refere a duplicidade do alcance da tese de Aristóteles, ou seja, por um lado a cidade visa o fim mais alto para o homem. Neste sentido, dirige-se também a tese contra que pensam que a comunidade política não passa de uma simples garantia de sobrevivência individual.
Em segundo lugar, Aristóteles, após ter anunciado sua tese, expõe o método que irá utilizar na seqüência. Ele divide os elementos e seus compostos: analisa a cidade e a comunidade em suas partes, etc. Wolff, analisando a política de Aristóteles, afirma que este é o método que seguimos comumente.
O alcance da tese de Aristóteles é duplo: por um lado, a cidade visa o fim mais alto para o homem e neste sentido a tese se dirige contra aqueles que pensam que a comunidade política não passa de uma simples garantia de sobrevivência individual. A tese fundamental de Aristóteles se opõe à tradição socrático-platônica. Do mesmo modo pelo qual opõe à idéia platônica de Bem às variáveis qualificações, Aristóteles opõe a unicidade da ciência “régia” a especificidade da política, da economia e da despótica. O bom político é aquele homem que demonstra qualidades próprias à comunidade que por sua vez, tem por fim o bem supremo.
O método usado por Aristóteles é o de dividir o composto até seus elementos não compostos. Isto é, analisar a cidade em suas partes, até a comunidade mínima. O interesse deste método é dedutível das particularidades de seu objeto, os seres naturais. O método das partes ao todo(analítico) é um método genético: o fim chega ao fim, mas dá sentido ao que precede, que são as partes constitutivas.
No segundo capitulo da política de Aristóteles que trata da origem da cidade: casal, família, aldeia, etc. Wolff vai intitular como “ a felicidade de seviver juntos. Neste capitulo ele vai tratar de temas como: A comunidade de base da cidade ( o lar), que é uma comunidade domestica; a relação entre o homem e a mulher em vista da procriação, ou, seja, o macho não existir sem a fêmea e nem a fêmea pode existir sem o macho. Outros aspectos abordado por Wolff neste capitulo são: a comunidade do vilarejo; a comunidade política(cidade). É abordado também sobre observações lógicas cosmológicas e éticas.
O nosso autor,Wolff, não deixa de salientar os três aspectos principais da definição aristotélica da comunidade política, que são eles, a comunidade é constituída em vista de um certo bem, é a mais soberana e autárquica e por fim inclui as outras.
A comunidade é a base de uma cidade, é formada por famílias (lar). Uma cidade se constitui de partes mínimas. Tudo começa com a família ou lar, o que podemos chamar de comunidade domestica. A cidade é a maior de todas as comunidades e é composta por tribos e aldeias. Uma tribo ou uma aldeia é composta por varias famílias. O homem não pode viver sozinho por isso se une a uma mulher originando uma relação macho e fêmea. E é desta relação que a continuidade da espécie é garantida. O casal é então a referência da cidade.
O homem e a mulher não podem viver um sem o outro. É por isso necessário que eles se unam. A finalidade desta união é a procriação. Nesta relação necessária que existe entre o homem e a mulher existem quatro sentidos. Em primeiro lugar esta é uma relação universal, ou seja, acontece em todo mundo. É uma relação macho e fêmea que acontece com todos os viventes. Em segundo lugar é uma relação necessária, pois como já foi dito anteriormente, é destas relações que o homem continua existindo. Em terceiro lugar é natural. Na natureza os animais tem contato um com os outros com o homem não é diferente. De todos os animais, o homem é o mais se relaciona com sua companheira. Em outras palavras o casal, o casal é a comunidade humana em vista da procriação. Em quarto lugar está naturalidade do casal. A relação que existe entre homens e mulheres não é porque eles querem ou precisam, é como nos outros animais, acontecem.
Falando em Aristóteles podemos citar alguns de seus alguns de seus predecessores, tais como Platão. No banquete, Platão expunha a origem do amor. Isto quer dizer que ele colocava sua perpetuação na existência. Porque é do amor que existe entre o homem e a mulher é que nossa espécie perpetua.
No tratado da alma, Aristóteles estuda aquilo que podemos chamar de alma nutritiva, ou seja, a vida comum de todos os seres vivos. Esta explicação biológica está ligada a cosmologia aristotélica. Segundo Aristóteles, o ser é ele mesmo quando não é constituído de matéria. Isto quer dizer o motor imóvel, Deus.
Por sua vez o homem participa do divino de varias maneiras, ou seja, o homem é ato e potencia. Mais Aristóteles não deixa de lado a condição humana. Mesmo o homem tendo este lado místico relacionado ao divino, não podemos esquecer de sua natureza animal. O homem universal, com relação a todo universo. O homem garante a sua espécie através da reprodução que ao mesmo tempo que parece necessária é também natural.
O homem busca a perfeição e o valor, a moralidade e a perpetuação da espécie. O trabalho é a obra própria da comunidade domestica. Em vista das necessidades cotidianas temos a comunidade despótica que visa a satisfação imediata de suas necessidades. É de fundamental importância, segundo Aristóteles, que se distinga a autoridade que existe do senhor sobre o escravo, com a autoridade que o homem tem sobre a mulher.
A comunidade dos vilarejos. Analítico e genérico é assim o método de Aristóteles neste capitulo. Genericamente o vilarejo nasceu após e a partir da cidade. Analiticamente, a comunidade se faz de três de três tipos de relações comunitárias, (marital, despótica e paternal).
A comunidade política: A cidade é a comunidade soberana que visa um soberano bem. A cidade é o “fim”. Que conduz os homens a se associar em comunidades. A autarquia é o fim de sua existência, porque supõe satisfação de todas as necessidades da vida, é sinônimo de vida perfeita e de felicidade.
A hierarquia dos bens, visa reproduzir a hierarquia de todos os bens que as diferentes atividades humanas visam. Aristóteles a expõe no inicio da sua ética a nicômaco. Existe um bem soberano e é absurdo pensar que não. A ética regula as relações entre o soberano bem e regula também a metafísica. Toda comunidade humana visa um bem.
O homem é um animal é um animal político, isto é, duplamente carente. Para o homem a cidade é um lugar natural para se viver. O homem tem a necessidade de viver em comunidade é um animal gregário, mais esse gregarismo do homem é muito diferente dos demais animais, porque o homem é um ser racional, que sabe o faz.
A cidade é o sujeito constante da política e do governo; a constituição política não é senão a ordem dos habitantes que o compõem. Como qualquer totalidade, a cidade consiste numa multidão de partes: é a universalidade dos cidadãos. Comecemos, pois, por examinar o que devemos entender por cidadão e quem podemos qualificar assim, pois se trata de uma denominação equívoca e nem todos são unânimes sobre a sua aplicação.
Do livro III, Francis Wolff faz uma analise dá o titulo de: “Em busca do justo regime”. Ele aponta este livro como a parte central da política de Aristóteles. Ao contrario do livro I, o livro III não busca o fundamenta da vida política. Wolff analisa o livro III da política de Aristóteles. Tais como: os capítulos 6 a 8 em que ele faz a classificação dos regimes, ou seja, a definição de um regime e a finalidade da vida política. Aristóteles inicia estes capítulos definido o que é um regime? Pois bem, até aqui ele não demostra nenhuma genialidade. O mesmo já não ocorre com um segundo critério que é a finalidade da comunidade política. Antes de ver a classificação dos regimes que resulta desses dois pontos é melhor rever alguns critérios. Pode-se cruzar dois critérios: do numero (quem governa?), o regime e o poder do soberano. E afinalidade (para quem governar?)
Precisões previa. Toda a dedução dos diferentes regimes políticos repousa sobre a combinação de dois critérios. A pergunta previa é: o que é cidade? E a pergunta essencial é: o que é cidadão? É da definição de cidadão que depende toda a analise do livro III da política de Aristóteles.
O que é ser um cidadão? Com certeza não é só votar para escolher seus representantes. O cidadão é aquele que participa de um dos poderes da cidade. Um cidadão é aquele que na cidade dispõe de um poder, mais depende do tipo de regime. Independente do regime somente se é cidadão quando se está investido de poderes deliberativo e judiciário. Nos tempos aristotélicos ser cidadão é participar diretamente do governo, isto quer dizer, participar das magistraturas, das assembléias, e dos tribunais. O cidadão também tinha que votar diretamente nos assuntos posto em discussão. Não podemos esquecer que na Grécia de Aristóteles, cidadãos era apenas dez por cento da população. Esse pequeno contingente era formado apenas por homens maiores de idade, livres e tinha que ser natural daquela cidade, ou seja, o cidadão ateniense, tinha que ser natural de Atenas. Isto não quer dizer que os outros noventa por cento da população não tivesse nenhum direito. Eles apenas não podiam participar das decisões políticas.
A cidade é uma comunidade política formada por varias vilas. Ela visa o soberano bem. É a cidade que garante a vida e a liberdade do homem grego. Mas esta cidade também tem que ser governada por um regime justo. Sendo um conjunto de cidadãos, a cidade. Os cidadãos são investidos de poderes, é um todo que se perpetua e a identidade da cidade é assegurada. Em busca de um regime mais justo. Segundo Wolff, Aristóteles não busca o regime mais justo e nem o melhor regime. É estabelecido partidários dos dois tipos de regimes mais comuns, democracia e oligarquia, cada qual defende o seu regime em nome da justiça. Os democratas: deve se dá aos cidadãos uma parte igual de poder, visto que todos são igualmente livres. A concepção de que se deve atribuir o poder a todos os cidadãos, de preferência de modo a resolver as dificuldades.
Segundo Wolff para compreender o pensamento aristotélico é necessário partir da pretensão de Aristóteles inclusive do que se refere aos regimes políticos. Para isso é necessário investigar a essência da vida e do cidadão. A classificação dos regimes começa definindo por um regime. É necessário a organização de diversas magistraturas. Aqui Wolff acha que Aristóteles não mostra muita originalidade.
Francis Wolff salienta alguns aspectos principais da comunidade política aristotélica. Segundo ele é um certo tipo de comunidade, é constituída em vista de um certo bem e, dentre todas as comunidades, é a mais soberana e autárquica.
Para Wolff a cidade é um tipo de comunidade. Sua causa material são os lares, linhagens e vilarejos e sua causa formal é a constituição; viver bem é sua causa final e justa entre aqueles da mesma comunidade. Estes estão ligados pela amizade e afeição.
A constituição da polis é em vista de um certo bem. Toda comunidade se define pela finalidade de seus membros. A polis é a mais soberana e mais autárquica das comunidades e inclui as outras. A cidade é qualitativamente a mais alta e quantitativamente a mais extensa e por isso a sua finalidade é o bem humano e supremo, a vida feliz.
Em busca de um regime justo: Todos os pretendentes da soberania devem ser descartado. A soberania popular seria a solução dos problemas. No entanto Aristóteles faz uma restrição: que não seja aplicada a todo o povo. Nos capítulos 14 – 17 Wolff analisa a realeza que é vantajosa para a cidade. Aristóteles distingue cinco tipos de realeza apoiando-se em exemplos históricos e precisos.
Ao termino da analise do livro III, Wolff analisa que o método aristotélico se manifesta sem filigrana. Aristóteles é aristocrata, mas nesta medida, a política aristotélica é democrata.
Nota-se então a supermacia da lei, do estado, em relação ao indivíduo. O sentido da importância do indivíduo foi fundamental do pensamento grego.
O bem do indivíduo e o bem da Pólis têm a mesma natureza, já que ambos consistem na virtude e o desenvolvimento natural do indivíduo, que culminam na associação política.
Dentre muitas outras atividades que tem na polis grega não podemos esquecer da economia, para Aristóteles é a administração justa da casa e da polis. Aristóteles considera a casa como ponto de referencia para o principio da justiça, educação e da economia. É em casa que nasce o sentimento da justiça.
A união do homem na polis é a busca da vida boa. Aristóteles reconhece que a casa é importante na construção da cidadania. Para Aristóteles o sentimento da justiça nasce em casa. É em casa que esta o centro da comunidade política e da amizade. A base da economia é a polis que corresponde ao principio do meio termo. A riqueza exagerada atrapalha o equilíbrio da polis. A economia é a base de sustentação da polis. É também um meio de realização da polis e do homem. A lei, como ordenadora da polis, é o parâmetro da práxis dos cidadãos.
O que é a justiça? A justiça é a lei e a ordem do mundo. Para os gregos, a finalidade da vida política era a justiça na comunidade. Para entendermos o sentido da justiça em Aristóteles é necessário que tenhamos uma noção de como se estrutura a polis grega. O Estado grego estava organizado em cidades estado. Cada cidade tinha autonomia política, econômica, social, cultural e religiosa. As duas maiores cidades gregas da antiguidade eram Atenas e Esparta. Existiam algumas diferenças entre elas. Na política Atenas evoluiu da monarquia para oligarquia até chegar a democracia. Já Esparta teve a sua evolução encerrada na oligarquia.
Das diferenças culturais podemos observar que Atenas tinha uma cultura humana, na qual se desenvolveu o teatro, a musica e a filosofia. Enquanto isso os espartanos investiram apenas na cultura bélica. Para os gregos tanto os moradores de uma área rural, como os moradores urbanos, tinham o mesmo tratamento. Todos eram vistos com a mesma importância. Apesar de o mundo grego ser um mundo de cidades.
A polis grega foi fundada por uma religião comum dando assim a idéia de igreja e de um só corpo. As tribos eram formadas por famílias. O caráter tribal era consangüíneo. Mas com o tempo passou a haver uma política de vizinhança e o estado tribal deu lugar a cidade-estado. A polis nasceu pela incapacidade das duas formas anteriores de associação humana, a família e o parentesco maior.
Em Atenas as questões da polis eram discutidas pelos cidadão em praça publica. Lembrando que apenas 10% da população eram considerados cidadãos. Mulheres, crianças, estrangeiros e escravos representavam 90% da população, e estes não participavam das decisões políticas, ou seja, não tinha direito a cidadania. As cidades eram pulblicas e governadas por semelhantes.
Quando convocavam assembléias era para resolver os assuntos que já tinha sido amplamente discutido em local público, na agora, por exemplo. A assembléia era uma instituição representativa da polis. Todos os cidadãos tinham o direito de participar. E a polis era compreendida como uma substancia espiritual comum, herdada e transmitida, onde a lei é coesiva e reúne soberano e sociedade para os gregos a lei era herdada pela sociedade e ao mesmo tempo era soberanas sobre ela
Na polis os homens se assemelhavam e se associavam em razão de um objetivo comum. Era a comunhão dos indivíduos que formava o Estado. E o resultado dessa união é que o Estado exercia influencia sobre o individuo.
O Estado, o individuo e a sociedade se interagiam completamente. Se o individuo não compreende o Estado, então é inferior a ele, e se compreende é superior a ele.
A principal característica do povo grego é que o individuo pertence ao Estado e contribui para o seu crescimento. Assim o indivíduo pertence a polis e a polis pertence ao indivíduo.
O homem grego, quando submetido a justiça não precisa de advogado. Para a realização de processos os juizes eram escolhidos entre cidadãos. A palavra era dada sucessivamente ao autor do processo e ao réu. Em caso de absolvição estava tudo terminado. No caso de condenação era então aplicada a pena.
A finalidade da polis grega é a vida e a plenitude humana, alcançada através da justiça. Para Aristóteles a polis é uma comunidade que visa um bem comum, que é o bem de todos. O bem do indivíduo é o bem da polis. Ambos tem a mesma natureza, ou seja, o bem é a virtude e o desenvolvimento natural do homem associado a política. O homem não é feliz sozinho. É um animal social que atinge sua realização na natureza da polis.
Para Aristóteles o homem é o melhor dos animais quando perfeito, mas também é o pior quando se afasta da justiça. O homem possui o logos (razão) e sua marca é a da liberdade e da igualdade. A polis é a sociedade que esta contida na humanidade do homem, que existe como ordem racional e social. O homem é universal e racional enquanto polis. A harmonia e a estabilidade da vida política, também é chamada de eudaimonia humana. O homem político assume seu destino e orienta a sua vida de maneira racional.
A polis sem o indivíduo não existe e o indivíduo sem a polis também não tem sentido. A felicidade do homem é a felicidade da polis. É a polis que dá sentido a natureza e a política do homem.
Dentre muitas outras atividades que tem na polis grega não podemos esquecer da economia. Para os gregos, esta atividade não é um campo isolado de estudo para uma ciência especifica. A economia não tem leis próprias, por isso não está separada da política e da ética. É uma ciência pratica. A economia para Aristóteles é a administração justa da casa e da polis.
Do ponto de vista político, a economia é a doutrina da casa e da polis, isto é, a administração junta destas instituições. Aristóteles considera a casa como ponto de referencia para o principio da justiça, educação e da economia. A polis esta fundamentada na casa (oikós), a família é a base da sociedade grega. É em casa que nasce o sentimento da justiça. No lar está a origem e o centro de toda comunidade política e também da amizade. O homem não pode viver sozinho por isso tem que arrumar uma companheira com a qual vai formar sua família. Do ponto de vista aristotélico, sem desmerecer a polis, a família tem maior importância, pois o lar é necessário para subsistência da polis.
A união do homem na polis é a busca da vida boa. O povo grego tem vocação para viver em cidades. Mesmo quem trabalha no campo não moram isolados, se unem em vilarejos. Do ponto de vista dos gregos o homem só tem uma vida digna se viver em comunidade. a cidade garante ao homem a vida e a liberdade.
A função da casa é muito importante para a polis, porque é o local onde o homem é educado dentro das virtudes e conceitos morais, é também um local onde o homem tem a primeira noção do que é vida social. A casa não supera a polis mas está inteiramente integrada a ela. Aristóteles reconhece que a casa é importante na construção da cidadania.
Segundo o autor, para Aristóteles, a questão central da economia está na ética, ou seja, preço justo e justa troca. O preço como uma questão ética não deve ser estabelecidos pelo mercado. Tudo deve ser estabelecido de acordo com a justiça. Para garantir a reciprocidade, os preços devem ser regulados pelas normas éticas e políticas da polis. A divisão de salários e de bens são problemas ético-político.
Para Aristóteles o sentimento da justiça nasce em casa. É em casa que esta o centro da comunidade política e da amizade. A casa é reconhecida então como valor e cidadania e reconstrução da polis. No contexto aristotélico a noção de casa, no sentido de família, é bem diferente do mundo pos-moderno. Na Grécia clássica uma família era composta por muitos membros, ou seja, pai mãe, filhos, netos , avos, etc. O escravo também fazia parte da casa. Ele não era tratado como um membro da família mais fazia parte daquela comunidade domestica.
Aristóteles era aristocrata, provavelmente deveria possuir escravos, por essa razão ele considera justa a escravidão. O escravo era um ser que não tinha razão suficiente para se governar. Por uma questão de justiça tinha que ser governado por alguém. Era justo para o senhor possuir escravos, porque estes lhes fariam os trabalhos braçais. Em contra partida para o escravo era justo porque este não tinha capacidade para se governar sozinho. É servindo o seu senhor que o escravo se sustenta.
Para estabelecer o comercio as comunidades tiveram a necessidade de criar o dinheiro. A arte de enriquecer que antes estava no acumulo de bens, agora está no acumulo de dinheiro, isto é, a economia do dinheiro para facilitar a vida na polis. Porem Aristóteles condena o lucro excessivo. Para ele o dinheiro é só para facilitar as transações comerciais. As riquezas devem ser limitadas.
A economia participa da justiça porque está relacionada ao fim estabelecido pela ciência pratica. A base da economia é a polis que corresponde ao principio do meio termo. Do contrario o governo se torna inviável. A riqueza exagerada atrapalha o equilíbrio da polis. A economia é a base de sustentação da polis. É também um meio de realização da polis e do homem.
A justiça e a polis é o equilíbrio da comunidade política. A justiça é o bem que liga o individuo a polis. A finalidade da justiça é estabelecer o meio termo entre as diversas praticas sociais, políticas e econômicas da polis. Para Aristóteles, as funções mais importante da polis deve ser distribuído segundo o principio da justiça.
A justiça é a categoria central do pensamento ético e político de Aristóteles pois ela é a virtude ou bem que liga estritamente o individuo a polis. O cidadão é um individuo que possui capacidade e vontade para governar e ser governado. É no interior da polis que o individuo efetiva as virtudes éticas, como a coragem, a prudência, a temperança e a justiça. O cidadão só é plenamente em relação com os outros cidadãos, na construção da polis justa, no momento em que se reconhece na universalidade da polis e reconhece que pertence a ela. A lei, como ordenadora da polis, é o parâmetro da práxis do cidadão. Agir de acordo com a lei é ser cidadão justo, que reconhece sua tarefa na comunidade política, é ser um atualizador das virtudes, que torna a polis um lugar bom e feliz.
Aristóteles não trata a justiça como um simples igualitarismo, mas aplica a igualdade em dois sentidos, tanto no sentido aritmético (principio da igualdade), como no sentido proporcional (principio de diferença). O cidadão na polis tem os mesmos direitos e deveres (por exemplo: direito a vida, dever de cumprir as leis) porem vai depender de sua ação individual para ter maior ou menor participação política nos cargos e bens da polis.
A política de Aristóteles segundo Marilena Chaui está no motor imóvel, a autarquia. Ela ressalta Deus como fonte de todo bem aventurado, porque Deus é auto-suficiente. O homem não tem essa plenitude mas pode deseja-la. O homem pode imitar essa plenitude pela amizade que é parte do divino e por isso faz parte da polis. Para começar a analisar a obra de Aristóteles Marilena Chauí parte da Ética a Nicomaco, na qual Aristóteles analisa a diferenças entre as ciência produtivas e as ciências praticas. As praticas são superiores as produtivas. As produtivas e a políticas são superiores a ética.
A marca de Aristóteles está no pensamento ocidental em que a razão o logos da lógica e da metafísica estão nas três teses aristotelicas que permaneceram no pensamento político e que se destaca: o Estado justo ou perfeito é uma comunidade uma e indivisa. A finalidade do Estado é o sumo bem. A cidade visa o maior de todos os bens, que o soberano, o maior de todos os bens. Na época de Aristóteles, as principais cidade-Estados eram Atenas e Esparta. Para o povo grego, a noção de nacionalidade era de fundamental importância. Porque os cidadãos dentro do território nacional tinham garantia de vida e de liberdade. Ao passo que do território nacional o indivíduo poderia ser preso e vendido como escravo, tal como aconteceu com Platão, quando em u ma de suas viagens fora da cidade foi preso e vendido como escravo. Mais a sorte de nosso filosofo é que ele foi reconhecido por um de seus discípulos, e este comprou a sua liberdade.
A nossa autora salienta a passagem de Aristóteles em que ele diz que o governante tem que ser virtuoso. Para ela a permanência das idéias políticas de Aristóteles, não significa que a totalidade delas foi preservadas. O homem é um animal por natureza (zoon politikon) e por natureza o homem procura viver em comunidade. A política não é convicção é realidade. Anteriormente as comunidades eram apenas as famílias isto ates do surgimento da cidade. Existia então o lar (oikos), que é constituído pela relação conjugal, homem e mulher, senhor e escravo ou sobre pais e filhos.
Em segundo lugar a aldeia ou o vilarejo,organizados em lares, famílias e linhagens. A comunidade política é o fim que tende a comunidade familiar e a aldeia. Toda comunidade se agrupa visando o bem do ser humano. A polis é a mais autárquica e mais soberana de todas as comunidades e visa o bem supremo, a vida feliz.
As constituições e o regimes políticos: os estados se distinguem pelo tipo de constituição ou de autoridade de governo. A pergunta é: que governa? Existe varias opções tais como: o governo de um só, no qual o governo será exercido com honra, poder e gloria. Neste caso temos a realeza. O governo de alguns, baseado na virtude ética do governante, é a aristocracia. O governo de todos, baseado na liberdade e na igualdade perante a lei. É o governo constitucional ou popular.
Os cidadãos. A vida ética e o bem viver se realiza na cidade. Segundo Marilena Chauí, esta é a posição de Aristóteles e de todos os gregos da Grécia clássica. São as atividades política que faz com que o homem seja virtuoso. Mais afinal quem são os cidadãos? são apenas 10% da população. São homens maiores de idade, livres e que nasceram em território da cidade ou do Estado. Os outros 90% da população não tem direitos políticos, são eles: mulheres, crianças e escravos. Neste caso o único, o único que não possui direito nenhum é o escravo. Este depende inteiramente do seu senhor. Os demais, mulheres, crianças e estrangeiros, não possui apenas os direitos políticos mas os direitos civis e sociais lhe são preservados.
Aqui a autora salienta a Grécia de Aristóteles no que se refere ao cidadão. Ser cidadão é participar diretamente do governo, das magistraturas, dos tribunais, e assembléias. É nas assembléias que os cidadãos vota livremente nos assuntos posto em discussão. Até o presente momento a escritora Marilena Chauí estava salientado o que é ser cidadão na concepção do homem grego. Agora então será feita uma breve definição do que é ser escravo no mundo grego. Para Aristóteles é um instrumento dotado de voz, ou seja, o escravo também é um ser humano, no qual a alma não vai alem da imaginação. Ele não é capaz de usar a sua razão sozinho, isto é, o escravo é um ser que tem que ser comandado.
Segundo a interpretação de Chauí, Aristóteles não se sente satisfeito com a definição do escravo. Para aceitá-lo estabelece uma serie de concessões, tais como: nenhum grego escraviza outro grego, os interesses do senhor e do escravo são os mesmos, ou seja, o senhor garante a vida do escravo e o escravo garante o sustento e a riqueza do senhor. O escravo não pode ser tratado como um animal qualquer, deve se reconhecer que ele possui uma alma. A todo escravo deve ser dado a esperança de emancipação.
A partilha e a participação são duas modalidades da justiça. O conceito da política de Aristóteles é a justiça, tal como na política de Platão. Quanto aos regimes políticas, podemos citar a realeza, aristocracia, tirania, oligarquia e democracia. Deste ultimo é um governo para todos. É popular e constitucional que promete a liberdade e a igualdade, parem é um governo anárquico com pobreza excessiva. Independentemente da de sua constituição, toda cidade existe para cumprir um fim e esse tem que ser o mais perfeito possível em decorrência do tipo de constituição.
Cidadania justa e perfeita e a corrupção dos regimes. Segundo Marilena Chauí, poucas vez Aristóteles foi contestado, principalmente depois que se trans formou em filosofo oficial da igreja católica romana. Julgava que as heresias iam contra as idéias do filosofo. Segundo Aristóteles os regimes vão degenerando, ou seja, a realeza degenera em tirania, a aristocracia em oligarquia, o regime constitucional popular degenera para democracia. Deste ultimo as degenerações acontecem porque os dirigentes se transformam em demagogos.
A principio, quando tive acesso a todos os textos a serem resumido, a primeira impressão que tive, é era tudo a mesma coisa, ou seja, todos tratava de Aristóteles e da sua obra “A Política”. De fato todos os textos se referem a política de Aristóteles, mais não é a mesma coisa, isto percebi a partir da leitura de cada um deles. A seguir vou comentar um pouquinho da política de Aristóteles e de seus comentadores.
No capitulo 1, do livro I, da política de Aristóteles, é feito uma abordagem sobre a comunidade e a cidade. “A cidade tem por finalidade o soberano bem”. Francis Wolff usou esta expressão como a tese que define a política de Aristóteles. A cidade é a maior das comunidade e engloba todas as outras.
No capitulo 2 do livro I, Aristóteles trata da origem da cidade: casal, família e aldeia. O ponto principal deste capitulo é a família com a base da polis. Do capitulo 3 – 7 do livro I da política de Aristóteles o assunto é escravidão. Nestes capítulos Aristóteles tenta esclarecer tudo sobre a escravidão.
Mais afinal, o que é um escravo? No contexto aristotélico escravo é aquele que não tem liberdade. Para o estagirita o escravo é um ser humano, porem com pouca razão, por isso precisa de alguém para comandá-lo. A relação que existe entre o senhor e o escravo não é de exploração e sim de troca, ou seja, o senhor precisa do escravo para fazer os serviços braçais e o escravo precisa do senhor para garantir a sua sobrevivência. No texto da Marilena Chauí, pagina 468, ela comenta as condições que Aristóteles impõe para aceitar a escravatura. No item c, está expresso a relação entre o senhor e o escravo: “os interesses do senhor e do escravo são os mesmos – o primeiro garante a vida do segundo, o segundo garante o sustento e a riqueza do senhor – e por isso o senhor não deve tratar o escravo como uma simples coisa ou animal, mas deve reconhecer que possui uma alma (...).”
Os assuntos principais do livro III, dos capítulos 1-18, é o cidadão (assunto tratado principalmente dos capítulos 1-5) e a cidade. Nos próximos capítulos Aristóteles também vai tratar de outros temas relacionados aos regimes políticos, como eles se classificam e por fim vai ser feito um estudo da realeza. Dentre os principais regimes políticos podemos citar: oligarquia, democracia, realeza, etc.
O que é ser um cidadão? Nos tempos aristotélicos ser cidadão é participar diretamente do governo, isto quer dizer, participar das magistraturas, das assembléias, e dos tribunais. O cidadão também tinha que votar diretamente nos assuntos posto em discussão. Não podemos esquecer que na Grécia de Aristóteles, cidadãos era apenas dez por cento da população. Esse pequeno contingente era formado apenas por homens maiores de idade, livres e tinha que ser natural daquela cidade, ou seja, o cidadão ateniense, tinha que ser natural de Atenas.
A cidade é uma comunidade política formada por vários vilarejos. Ela visa o soberano bem. E como define Francis Wolff, no inicio da analise do capitulo um do livro um, da política, “a cidade tem por finalidade o soberano bem”. É a cidade que garante a vida e a liberdade do homem grego. Mas esta cidade também tem que ser governada por um regime justo. Os cidadãos são investidos de poderes, é um todo que se perpetua e a identidade da cidade é assegurada. Em busca de um regime mais justo, é estabelecido partidários dos tipos de regimes mais comuns, democracia, oligarquia, realeza, etc. cada qual defende o seu regime em nome da justiça. Aos cidadãos deve ser dada uma parte igual de poder, visto que todos são igualmente livres.
Após ter feito um breve relato, com pequenos resumos, de alguns capítulos do livro I e III da política de Aristóteles, agora vou comentar Francis Wolff. Aqui já começa a aparecer as diferenças que existe entre os textos. Da política de Aristóteles foi feito resumo do livro I, dos capítulos 1 – 7 e do livro III, do capitulo um ao 18.
Francis Wolff analisa do livro I da política de Aristóteles apenas os capítulos 1 e 2. E faz uma analise do livro III. O capitulo 1, do livro I da política de Aristóteles tem apenas uma pagina. Wolff faz uma analise em quatorze paginas, é a mais ampla se comparada a analise feita a outros capítulos.
Nesta analise F. Wolff dá grande destaque para a frase que ele considera a tese dominante de toda a política de Aristóteles, “ a cidade tem por finalidade o soberano bem”. Wolff fundamenta esta conclusão em tres premissas: A cidade é uma comunidade; Toda comunidade é constituída em vista de um bem comum; de todas as comunidades a cidade é a mais soberana e aquela que inclui todas as outras.
No capitulo dois do livro um da política de Aristóteles Wolff aborda sobre “ A origem da cidade”. A comunidade domestica (o lar) é a base da cidade. Neste capitulo ele salienta a relação entre o homem e a mulher, que é uma relação natural. Esta relação tem que existir porque o homem precisa da mulher e a mulher precisa do homem.
Wolff também analisa a comunidade dos vilarejos e salienta que neste caso Aristóteles é analítico e genérico. Genérico porque o vilarejo nasceu após e a partir da família; Analítico porque a comunidade domestica se faz de três tipos: marital, despótica e paternal.
Na analise do livro três, feita por Wolff na foge a regra, ou seja, o foco principal é o cidadão e a cidade com seus regimes político. Mais, Wolff divide este livro em quatros grandes blocos: do capitulo 1-5 é feito esclarecimento de algumas noções básicas do cidadão, da cidade e virtudes cívicas; Nos capítulos de 6 -8 é feito a dedução de alguns regimes políticos; dos capítulos 9-13, para wolff estes capítulos são espécies de dissertação sobre a justa distribuição do poder; e por fim a analise dos capítulos 14 – 17 o estudo da realeza.
Outra distinção dos texto está em Marilena Chauí. No seu texto ela faz citação de vários autores, inclusive Francis Wolff, o qual ela cita varias vezes. Dentre as vezes que foi cita Wolff, aqui está um pensamento citado por ela na pagina 464:
“A natureza de um ser não é necessariamente aquilo que parece nele em primeiro lugar. É assim que os homens falam naturalmente, sem falar desde o nascimento, mas nascem com a capacidade de falar inscrita neles e realizarão sua essência ao falar (...). O homem é pois naturalmente político, o que significa que há em sua natureza uma tendência a viver em cidade, e que ao realizar essa tendência o homem tende para o seu próprio bem”. (F. Wolff, 1999, p. 84).
Marilena Chauí também trata de um assunto, que foi muito abordado nos seminários, a escravidão. Segundo a autora, apesar da clareza de Aristóteles em relação a escravidão, ele não se sente à vontade com a escravatura. Por isso o filosofo estabelece uma serie de condições para aceitá-la. Abaixo segue um resumo destas condições:
(...) nem todo filho de escravo natural, será escravo natural, isto porque, nem sempre a distinção entre homem livre natural e escravo é bem clara; Quem se torna escravo por conquista, não é natural, não é justo e se mantida, pelo menos uma regra os deve respeitar. Nenhum grego escraviza outro grego; O escravo garante a riqueza e o sustento do senhor e este lhe garante a vida. Assim os interesses do senhor e do escravo são os mesmos. Nesse caso o senhor não deve tratar o escravo como um simples animal; A todo escravo deve ser dado a esperança de emancipação. Esta afirmação se refere ao escravo de conquista e não ao escravo por natureza. No entanto a seguinte questão nunca foi respondida por Aristóteles: O escravo por natureza, como poderia mudar e tornar-se livre?
Os sentidos da justiça em Aristóteles, de Denis Coitinho Silveira está embasado na ética Nicomaco. O seu texto está dividido em quatro partes: polis Grega; finalidade da polis; economia e polis; justiça e polis. O autor trabalha com muitas citações. Como podemos observar ele cita dentre muitos autores o nome de VERNANT, Jean-Pierreem sua obra as origens do pensamento grego; GLOTZ, Gustave. A cidade grega; AQUINO, Rubim, Historia das sociedades, etc.
Dentre as muitas citações, feitas por Silveira neste texto, podemos destacar uma da Política de Aristóteles sobre a justiça. Aristóteles se pergunta, quando está analisando os principio da Justiça da oligarquia e da democracia, sobre o principio de justiça absoluto:
“Efetivamente, todos os homens se apegam à justiça, mas só avançam até um certo ponto e não diz qual é o principio de justiça absoluto em seu todo. Pensam-se por exemplo, que a justiça é igualdade – e de fato é, embora não o seja para todos, mas somente para aqueles que são iguais entre si; também se pensa que a desigualdade pode ser justa, e de fato pode, embora não para todos, mas somente para aqueles que são desiguais entre si; os defensores dos dois princípios, todavia, omite a qualificação das pessoas às quais eles se aplicam, e por isso julgam mal (...).
Considerações finais: O presente trabalho está dividido em quaro partes, as quais podemos chamar de resumos. Em primeiro lugar foi feito um ressumo da política de Aristóteles, livro um, capítulos um. Ainda no livro um foi resumido do capitulo dois ao sétimo. Também foi feito resumo do livro três, dos capítulos primeiro até o décimo e do décimo primeiro ao décimo oitavo. O segundo resumo que foi feito é do Francis Wolff - Aristóteles e a política. Este resumo basicamente esta dividindo em três partes que são elas: analise do capitulo um e dois do livro um e, analise do livro três. O terceiro resumo é o texto da Marilena Chauí, A política, da pagina 462 – 477. Este texto é um comentário da política de Aristóteles, no qual ela cita vários autores, que são comentadores da política de Aristóteles, inclusive Francis Wolff . E o quarto e ultimo resumo é do texto, Os sentidos da justiça em Aristóteles. Este texto de Denis Coitinho da Silveira, tem por base a Ética Nicomaco. É um texto cheio de citações. Dentre as muitas citações, podemos destacar: VERNANT, GLOTZ, AQUINO, etc. Também é citado a política de Aristóteles.
Nas observações conclusivas foram feitos pequenos comentários e pequenos resumos a cerca dos textos de Aristóteles, Wolff, Marilena Chauí e Denis Coutinho Silveira. A finalidade deste trabalho foi demonstrar o Maximo de conhecimento dos textos selecionados. E por fim, encerro este trabalho com um pensamento de Aristóteles também citado por Silveira:
"Em todas as artes e ciências", disse ele, "o fim é um bem, e o maior dos bens e bem em mais alto grau se acha principalmente na ciência todo-poderosa; esta ciência é a política, e o bem em política é a justiça, ou seja, o interesse comum; todos os homens pensam, por isso, que a justiça é uma espécie de igualdade, e até certo ponto eles concordam de um modo geral com as distinções de ordem filosófica estabelecidas por nós a propósito dos princípios éticos."
(Aristóteles - "Política")
SILVEIRA, Denis Coutinho. Os sentidos da justiça em Aristóteles. Porto Alegre: Edipucrs, 2001.
CHAUÍ, Marilena. Introdução à história da filosofia: dos pré-socráticos a Aristóteles. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
ARISTÓTELES. Tratado da política. trad: M. de Campos. Lisboa: Europa-América, s/d.
WOLFF Francis, Aristóteles e a política. Rio de janeiro, 2000.
Benedito Maurílio Fagundes - Acadêmico de filosofia da pucPr. sexto período