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PLATÃO

Platão foi um dos maiores filósofos gregos, ficando atrás de ninguém mais que seu mestre Sócrates. Platão nasceu em Atenas, no ano de 427 a.C., e morreu também em Atenas no ano de 347 a.C. Ele fazia parte de uma família nobre de sua cidade natal e, aos vinte anos, conheceu seu mestre Sócrates, com quem conviveu até os seus vinte e nove anos, quando este foi condenado à morte por envenenamento.

Platão foi uma pessoa que viajou muito pelas civilizações do mediterrâneo, tendo passado pela Grécia, Egito, Cirene, sul da Itália e Siracusa. Ele teve como seu primeiro trabalho escrito filosófico um discurso em defesa a seu mestre, onde ele conta o que Sócrates falou ao júri que lhe condenou. A partir daí, nosso grande filósofo não parou de escrever mais, sendo que, para divulgar suas idéias e reflexões filosóficas, ele fazia uso de diálogos escritos envolvendo Sócrates ou mesmo outras pessoas de seu cotidiano intelectual. Tem-se conhecimento hoje que a obra de Platão conta com 28 diálogos considerados autênticos, sendo que, em alguns deles, ele procurava definir idéias como a mentira (Hípias Menor), o dever (Críton), a coragem (Laques), a natureza humana (Alcibíades), a sabedoria (Cármides), a piedade (Eutífron), a amizade (Lísis), e a retórica (Górgias, Protágoras). Entre 387 e 361 a.C. escreveu Menexeno, Ménon (sobre a virtude), Eutidemo (sobre a erística), Crátilo (sobre a justeza dos nomes), O banquete (sobre o amor), Fédon, A república (sobre a justiça), Fedro, Teeteto (sobre a ciência) e Parmênides. Já Os diálogos da maturidade são O Sofista (sobre o ser), O político, Timeu ( sobre a natureza), Crítias (sobre Atlântida), Filebo (sobre o prazer) e As Leis.

A razão de Platão ter tantas obras atribuidas à sua pessoa se relaciona ao fato de que ele fundou sua própria escola, onde se ensinava filosofia, matemática e ginástica, sendo que, tudo isso era rodeado pelos freqüentes diálogos e discussões que aconteciam em tal escola. A escola de Platão foi instalada próxima a Atenas, em um bosque conhecido pelo nome do herói grego Academos, e, graças a esse bosque, essa escola era conhecida como academia, a Academia de Platão, fundada em 387 a.C. e, dizem que sua fachada trazia a seguinte exigência: "Que aqui não entre quem não for geômetra".

Filosoficamente falando, Platão tinha como base de seus estudos e reflexões a procura de algo na natureza ou mesmo na moral e na sociedade que fosse eterno e imutável, ou seja, ele queria encontrar uma realidade, por assim dizer, que fosse eterna e imutável.

Assim, as idéias de Platão partiam do ponto de que, na verdade, existiam duas realidades diferentes que envolviam tudo, sendo elas conhecidas como o Mundo das Idéias e o Mundo dos Sentidos. Para podermos entender facilmente a teoria desse filósofo, contarei agora uma das obras escritas por Platão, conhecida como A Alegoria da Caverna. Para isso, imagine uma caverna. Agora, imagine que, em frente à entrada dela há uma fogueira acesa que ilumina seu interior e, imagine que, dentro da caverna existem diversas pessoas que estão acorrentadas no chão de modo a ficarem presas olhando para o fundo da mesma, sem poder se virar para olhar de forma alguma a entrada da caverna, estando assim fadadas a ver tal fundo para o resto de suas vidas. Mas, entre a fogueira e a entrada existe um muro e, atás desse muro, entre ele e a fogueira, existe uma estrada. Durante todo o dia, pessoas passam por essa estrada com diversas estatuetas e representações de animais e outras coisas em cima de suas cabeças, de modo que somente essas representações aparecem do outro lado do muro, o lado que fica virado para a entrada. Com isso, essas representações formam sombras que são projetadas no fundo da caverna, onde as pessoas estão presas. Pois bem, essas pessoas que estão presas só podem ver as sombras das coisas que são projetadas e, já que elas estão presas ali a vida inteira, para elas, aquelas sombras são a realidade. Mas, num certo dia, uma dessas pessoas presas consegue se soltar das correntes que lhe prende e, finalmente, sai da caverna. Num primeiro momento, seus olhos são ofuscados pela forte luz do Sol, mas, pouco a pouco, aquela pessoa se acostuma com a luz e passa a perceber e observar o mundo que existia do lado de fora, que era muito mais perfeito e bonito que a realidade das sombras que as pessoas da caverna viviam. Maravilhada com tudo o que viu e com a conclusão que tomou de que aquela é que era a verdadeira realidade, aquela pessoa resolve voltar à caverna para contar suas descobertas e mostrar a verdade para as pessoas. Mas, ao contar suas descobertas e conclusões, as outras pessoas que lá moravam desde que naceram não aceitam o que aquela pessoa dizia e acabam matando-a.

A partir dessa alegoria, podemos perceber as diferenças entre O Mundo das Idéias e o Mundo dos Sentidos. O Mundo das Idéias, no caso da alegoria, é o mundo para onde o fugitivo da caverna foi. Esse mundo também é conhecido por mundo das idéias perfeitas, eternas e imutáveis. É nesse mundo que estão as chamadas "imagens padrão"ou "idéias perfeitas" de todas as coisas que existem no mundo dos sentidos, isso porque todas as coisas que existem no mundo do sentidos foram feitas a partir das idéias perfeitas de todas a coisas existentes no Mundo das Idéias. Segundo Platão, essas idéias existentes nesse mundo são eternas e imutáveis, pois sempre existiram e sempre existirão, já que são perfeitas e são a partir delas que todas as outras coisas são feitas no mundo físico em que vivemos.

Já o Mundo dos Sentidos, também conhecido como Mundo das Sombras, na alegoria, nada mais é do que a caverna e as imagens projetadas no fundo da mesma. Já se referindo à nossa realidade, esse mundo seria o mundo em que vivemos, que, segundo Platão, é formado de coisas imperfeitas, mal definidas, como sombras de uma realidade verdadeira. Assim, as coisas desse mundo fluem e não são eternas e imutáveis, já que são feitos de matéria, são corpos físicos, que se desgastam ou morrem um dia, sendo que, tais coisas são nada mais do que cópias infiéis de suas idéias perfeitas, eternas e imutáveis que existiam no Mundo das Idéias.

Dando um exemplo sobre o pensamento de Platão sobre esses dois mundos, basta dizer que, por exemplo, o cavalo que vemos é um corpo físico que flui, pois nasce, cresce e morre. Mas, esse cavalo foi feito a partir de uma idéia perfeita de cavalo (existente no Mundo das Idéias), ou seja, ele foi feito a partir de uma "fôrma" pré definida de cavalo.

Uma posição, ou mesmo convicção, que Platão tomava e que é extremamente coerente à sua teoria das idéias era de confiar apenas na razão e nunca nos sentidos. Isso porque o conhecimento e as informações que chegamos a partir dos sentidos são imprecisas e variam de pessoa para pessoa, assim, achar e sentir são coisas imprecisas. Já o que tomamos conhecimento com base na razão não varia de pessoa para pessoa, e sim são iguais, porque a razão é a mesma para todas as pessoas, já que ela é eterna e universal. Para explicar melhor, basta dizer que só podemos ter opiniões incertas sobre aquilo que sentimos ou percebemos sensorialmente, mas podemos ter uma posição segura sobre aquilo que determinamos a partir da razão.

A partir dessa posição de Platão é fácil compreender que ele gostava tanto de matemática porque, para resolvê-la, usa-se sempre a razão, sendo que suas respostas são sempre precisas e comuns para todas as pessoas, sendo também eternamente as mesmas.

Outro pensamento de Platão era que o homem, como a realidade, era um ser dual, formado por duas partes diferentes. Uma delas é o corpo físico, que flui e que é dotado de sentidos, que, como já vimos, são imprecisos. Assim, esse corpo está intimamente ligado ao Mundo dos Sentidos. Já a outra parte de nosso corpo é a nossa alma, que, segundo Platão é imortal, pois ela teria vindo do mundo das idéias, e é morada da razão e, por tudo isso e também por não ser material, a alma consegue se comunicar como mundo das Idéias.

Seguindo essa teoria da alma imortal de Platão, ele dizia que nossa alma, que havia vindo do mundo das idéias, trazia com ela as idéias perfeitas desse mundo, mas, quando esta vinha para o Mundo dos Sentidos, ela se esquecia de todo o conhecimento que havia conseguido naquele outro mundo. Mas, na forma de um processo extraordinário, segundo Platão, conforme as pessoas iam entrando em contato com as coisas da natureza, sua alma ia se relembrando das idéias perfeitas das respectivas coisas que um dia conheceu, o que lhe despertava um "desejo amoroso" de retornar a sua morada, de retornar ao Mundo das coisa perfeitas. Assim, Platão dizia que isso acontecia com a alma dos filósofos que, após se relembrar de algumas idéias perfeitas, se apaixonava pelo saber e fazia com que o filósofo desse asas a sua alma, para assim voar em busca do conhecimento, no anseio da alma de voltar a sua morada. Já as pessoas comuns, ao contrário dos filósofos, faziam com que suas almas se habituassem com as coisas do mundo sensível, e, assim, não despertando em suas almas a vontade de retornar a sua morada e alienando-se em uma falsa realidade.

Bem, Platão ,além de se interessar por filosofia e matemática, também se interessava por política. Suas principais idéias nesse campo eram a da criação de um Estado baseado na organização de um corpo e a da posição da mulher na sociedade. Sobre a criação de uma república, Platão achava que esta deveria ser estruturada como o corpo humano para que ela funcionasse bem. Assim, a cabeça seriam os governantes, que deveriam ser filósofos; já o peito seriam os sentinelas, os guardas, o exército; Já os trabalhadores seriam o baixo-ventre dessa república, isso tudo determinado a partir da parte do corpo, seguida pela virtude da mesma e pela sua atuação na alma de um homem, como é demonstrado na tabela abaixo:

Corpo Alma Virtude Estado
cabeça razão sabedoria governantes
peito vontade corajem sentinelas
baixo-ventre desejo temperança trabalhadores

Já sobre as mulheres, Platão achava que elas tinham a mesma razão que o homem, ou seja, tinham as mesmas capacidades mentais que o homem e, por isso, bastando que elas recebessem a mesma formação que o homem e que fossem liberadas dos trabalhos domésticos. Além disso, já que elas seriam o mesmo que os homens, poderiam governar um Estado da mesma forma que eles.

Bem, caros amigos, esse foi Platão, outro grande filósofo da história de nosso mundo ( seja ele eterno, impreciso, imutável ou imperfeito!!!!).

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