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O SÍMBOLO |
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Carlos Eduardo Silva Barbosa
Especialista
em Literatura Brasileira Pela
Universidade Salgado de Oliveira. Mestrando em
Filosofia da Linguagem pelo
Programa de Pós-Graduação em Filosofia da
Universidade Federal de Goiás. Goiânia,
2005. Um dos traços essenciais do símbolo é a simultaneidade dos distintos sentidos que ele revela, ou, mais do que ‘diversos sentidos’, dos diferentes valores e aspectos concretos que assume o sentido em si (Lenhard-Machado, 1983. p.34).
Para Juan-Eduardo Cirlot (1984. p. 30), a função do simbolismo
é acrescentar um novo valor ao objeto sem se voltar contra seus valores
próprios ou históricos. O valor simbólico, portanto, é o arquétipo
de um objeto, no qual há uma analogia entre o nível da realidade e do
espiritual.
O estudo do simbólico é bastante indefinido para sugerir eventualmente várias possibilidades de avaliação distintas, porém não-incorretas. Para Peirce, o símbolo é um signo que depende de um ato qualquer, nato ou adquirido. Qualquer objeto – “estrela”, “pássaro”, “casamento” – é exemplo de signo, que por si não é capaz de identificar ou especificar as coisas às quais se refere. Não nos faz ver uma estrela no céu, não nos mostra um pássaro voando, nem celebra um casamento, mas supõe a capacidade do observador de imaginar os eventos que propõe. Assim sendo, é por força de uma idéia na mente do usuário que o símbolo se relaciona com o seu objeto. E essa relação se dá através de uma associação de idéias que age de modo a fazer com que o símbolo seja interpretado como se fosse aquele objeto. Essa associação de idéias é um hábito ou lei adquirida, que faz com que o símbolo represente algo diferente dele. Enfim, o símbolo é uma lei (Lúcia Santaella, 1999. p. 59-71). Essa idéia será contestada por diversos autores que relativisam a linguagem, e portanto também o símbolo, permitindo que o símbolo não tenha interpretação obrigatória, mas ambígua.
Ananda K. Coomaraswamy, filósofo hindu, diz que o simbolismo é
o pensamento em imagens que foi perdido pelo homem civilizado,
especialmente nos últimos séculos possivelmente em conseqüência do
que chama de “as catástrofes teóricas de Descartes” (Cirlot, 1984,
p.29). Para a concepção psicanalítica, esses pensamentos que para
Coomaraswamy foi perdido, na verdade estão na esfera subconsciente, que
é permeada de símbolos. Para Freud,
“símbolo” é uma palavra de sentido restrito, referindo-se a
imagens internas ligadas direta ou figurativamente ao que elas
significam: “símbolo é uma pulsão representativa que pode estar
ligada às fantasias sexuais” (Lima, 2000),
acepção esta contrária à de Nelson Goodman, por exemplo.
Na concepção de Lacan, mais próximo de Goodman, para
que a criança alcance o nível da realidade, deve deixar o modo imaginário
da visão de si (como um reflexo no espelho) e dos outros e utilizar o modo
simbólico. O simbólico é coletivo e cultural (diferindo do imaginário,
que seria individual e ilusório). Por outro lado, para Gilbert Durand,
a imagem é portadora de um sentido preso à significação imaginária,
um sentido figurado, de forma a constituir um signo motivado no próprio
sujeito, ou seja: um símbolo (Deleuze, 1992 e Alleau, 1973). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALLEAU,
René. A Ciência dos Símbolos. Trad. por Isabel Braga. São Paulo: Edições
70, 1976. Canovas,
Suzana Yolanda L Machado. O labirinto
em (O ciclo das águas) de Moacyr Scliar. Rio Grande do Sul: UFRGS,
1984. Originalmente apresentado como dissertação de Mestrado à
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Cirlot,
Juan- Eduardo. Dicionário
de Símbolos.
São Paulo: Ed. Moraes, 1984.
DELEUZE,
Gilles. Dúvidas sobre o imaginário. In:______ Conversações.
Rio de Janeiro: 34, 1992.
Derrida,
Jacques. Mémoires d'aveugle
l'autoportrait et autres ruines. Paris:
Réunion des Musées Nationaux, 1992. GOODMAN,
Nelson. Languages of Arts, an
approach to a theory of symbols, 2 ed.
Hackett Publishing: Indianapolis, 1976. LimA,
Taís Aparecida Costa. A
Função Simbólica das Histórias Infantis e as Fantasias Inconscientes.
Revista
Psicologia On-line, jan. 2000. Disponível
em < http://www.psicopedagogia.com.br/artigos >. Acesso em 24 ago.
2004. |
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