Bach e os instrumentos de teclado

 

Piano, cravo e clavicórdio

 

 

Nas primeiras décadas do sec. XVIII surge um novo instrumento de teclas na Itália, desenvolvido por Bartolomeo Cristofori (1655-1731) e chamava-se fortepiano, o primeiro esboço do que chegaria a ser o piano de hoje.

Bach teve contato com este instrumento e não gostou, pois era muito rudimentar, e necessitava ainda de muita melhoria.

As obras de Bach que hoje são executadas geralmente ao piano foram concebidas originalmente para cravo ou clavicórdio.

O cravo era um instrumento que estava no auge, desafiando a supremacia do violino. Seu sistema  pinçava a corda através de um plectro produzindo um som brilhante, seus recursos expressivos eram obtidos através de registros, semelhantes ao órgão, produzindo alterações mecânicas que mudavam seu timbre e volume, não existindo pequenas nuances de intensidade. Podia ser usado em orquestras como contínuo, pequenas formações e solos, neste último ressaltando suas possibilidades virtuosísticas. Bach possuía um cravo de 2 manuais (teclados) possibilitando várias combinações de registração.

O clavicórdio era o instrumento favorito de Bach, recomendado durante o estudo de  todos os seus alunos para desenvolver a sensibilidade musical.

Seu mecanismo, ao contrário do cravo, estabelecia um contato direto entre dedo, tecla e corda, onde uma tangente geralmente de metal atingia a corda e ficava em contato com a mesma, possibilitando um vibrato (bebung), que era feito oscilando o dedo na tecla, obtendo um resultado semelhante a um instrumento de corda. Dependendo do lugar em que a corda era atingida determina-se a altura, assim os primeiros clavicórdios possuíam várias teclas que usavam a mesma corda, tornando-o muito limitado. Mas Bach possuía um clavicórdio onde já havia uma corda para cada tecla.

Sua sonoridade era delicada extremamente expressiva, respondia a menor alteração de pressão na tecla, produzindo um efeito cantabile, isto é, podia imitar as inflexões de um cantor, como era o ideal da execução instrumental da época, seu volume era muito pequeno, não servindo para lugares grandes, salões e igrejas, restringia-se ao uso doméstico e poderia acompanhar uma de voz suave.

Com algumas exceções não sabemos precisamente quando Bach intensionava o cravo ou o clavicórdio em suas composições, não existiam indicações claras de diferenciação como no órgão (que é indicado: p/órgão e possui a linha do pedal, não deixando dúvidas). O termo “für klavier”  significa “para teclado” deixando livre a escolha do instrumento, como de costume no período. Porém o Concerto Italiano e as Variações Goldberg trazem fortes traços de terem sido idealizadas para o cravo, o primeiro usando os termos “forte” e  “piano” para indicar os registros; e suas Invenções e Sinfonias para clavicórdio, pois em seu prefácio Bach indica que estas obras servem para “ adquirir um estilo de execução cantabile”, que somente seria possível no clavicórdio.

 Assim, podemos em linhas gerais sugerir que as obras virtuosisticas tendiam para o cravo e as expressivas para o clavicórdio, vislumbrando possibilidades de interpretação e compreenssão fieis à época e ao compositor.

 

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