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                                                                          SSSHHHH !!!  TÊM GENTE PENSANDO !
                                                                                    ( comunicado aos calouros de filosofia)

   O que é o silêncio de alguns de nossos professores? Qual é o intuito de alguns de seus  comentários? Qual é o alcance de sua passividade? Quase sempre  essa nossa sede de justiça nos diz:  - Essa vida acadêmica é um romance!   O pior de tudo é que esse romance não é exatamente um romance de Guimarães Rosa ou de Mário de Andrade , se bem que os personagens sejam bem tupiniquins.
   Não é preciso nem dizer que nós  alunos, estamos  bem atentos a esse provincianismo de alguns dos professores  da USP cuja tendência se aproxima da maioria. E estamos bem atentos também ao reconhecimento das “picuinhas” que eles andam comentando em aula que, na verdade certos de estarem sendo despretenciosos,  insistem ano a ano em cultivar suas tolices.
   Você que é aluno da USP ou especificamente da excêntrica FFLCH sabe bem o que, ou porque estou dizendo isso. – “O quê ? ” Perguntou-me um calouro –“A malícia infantil de uns... Respondi:  - “E por que ?” Perguntou-me um aluno do 2 ano.  – Bem, porque é quase insuportável ter que ouvir uma voz afetada dizendo coisas do tipo;  Vocês nem pensem que vão me ensinar algo sobre Sto Agostinho porque eu já estudo a mais de 10 anos, não há nada que vocês escreverão na dissertação que eu não saiba ! ”
   Espero estar sendo suficientemente claro a ponto de dispensar comentários mais drásticos  acerca dessa malícia. Exceto pelo que queria simplesmente dizer sobre isso, para não ser mal interpretado: vale dizer, que essa baixeza acima referida sob aspas no bom e velho estilo acadêmico, descreve literalmente algo que é dito ano após ano bem aqui no nosso departamento debaixo de nossos olhos e ouvidos!
   Ora, ainda que fosse a mais gloriosa verdade - o que é efetivamente possível- palmas para o professor! Mas se isso não passar de uns “tortos ganchos de malícia”, eu, juntamente com uma boa seção de alunos, preferiríamos nunca ter ouvido isso porque, como se pisassem  em nosso calo mais dolorido, teriam, por razão disso, que ouvir nosso berro de dor. Além disso, na FFLCH a dor é mais embaixo. Nosso berro é de indignação porque uns professores nos querem tratar como uma couve-flor ou como uma pedra. O caso é que essa falta de finesse impede-nos de uma convivência mais adequada até mesmo para atingir o objetivo da graduação.
   Tem professor aí que diz que não gosta de alunos. O que significa isso? Bem , em primeiro lugar , é evidente que ninguém é obrigado a gostar de ninguém. Mas, é muito mais saudável, já que alguém tem que se desgostar de alguém que desgostemos nós desses...Os nossos professores estão longe de serem uns exemplos (“heróis”) para nós. Por isso, colegas calouros, nunca deixem eles contar mentiras para vocês, pois a nossa geração, estejam certos, é a primeira a sofrer isso, não porque precisamos de “heróis”, ao contrário, porque fomos os únicos a rejeitá-los. (não queremos NEM O TIO SAM,  NEM O CHE GUEVARA como ídolos ).
   Se nossos professores eram hippies ou reacionários na nossa idade, pouco importa. O que importa é que a geração deles tinha muito mais ilusão do significado da malícia ou da demagogia que agente. E o fato de não sabermos nos comunicar como eles querem em linguagem escrita ou na linguagem falada, não nos farão ( é isso que nós vamos mostrar para eles)  exatamente passivos ao sermos tratados feito algodão-doce. Porque ao sermos tratados assim, porque estamos atentos, nós  os trataremos como exatamente são :  uns maliciosos
   É isso! Uns professores são uns maliciosos! Isto não é uma afronta, apenas uma observação.É preciso ser sincero, minha honestidade me levou a escrever-lhes, meus camaradinhas. Quero ser honesto, sobretudo continuar sendo assim porque já o era muito antes de entrar na universidade, digo, ninguém me ensinou a ser desta forma aqui.
                    Ass. Não é tão ruim assim ser um veterano ressentido... vocês  vão ver...
                                                                                                                                                Araújo Fev. 2000.
 

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