OS ALUNOS ENTRARAM na sala
de aula fazendo a maior algazarra. A aula agora
seria de Biologia com o professor Selton. Márcio
e Ana se separaram e cada um foi para o seu
lado da sala para se sentarem em seus respectivos
lugares. Laura e Amanda não demoraram muito
a entrar discutindo tudo o que iriam comprar
na Mannis naquela tarde.
O professor Selton já entrou cumprimentando
a classe.
- Bom dia, bom dia, bom dia! - Ela falou rápido.
- Peguem seus livros na página 83 e vamos começar
logo a aula.
Todos obedeceram e pagaram os livros nas mochilas.
Laura, ancuiosa, olhava para Amanda bem a sua
frente imaginando se ela daria logo pela falta
da carteira.
- Nossa aula hoje é sobre movimentos e velocidade
média e quero que vocês prestem muita atenção
na explicação por que semana que vém teremos
uma ótima prova sobre o assunto.
Laura olhou para Ana do outro lado da sala
compenetrada na explicação do professor quando
ouviu um barulho estrano a sua frente. O livro
de Biologia já estava sobre a mesa, mas Amanda
continuava a revirar sua bolsa da escolha loucamente.
"É agora." Pensou ela, se controlando para
ser o mais natural possível. Ela realmente
começou a prestar atenção na explicação de
Selton e só se lembrou de tudo quando ouviu
o grito de Amanda.
- Roubaram a minha carteira!
A classe inteira mergulhou num silêncio sepulcral.
O professor olhou para Amanda.
- Tem certeza? - Ele perguntou.
- Estava na minha bolsa, cheia de dinheiro
e agora não está mais!
Selton se aproximou da mesa de Amanda.
- Verifique com certeza. - Ele disse.
Laura não cabia em si de êxtase. Loar a revistar
as bolsas.
Amanda tirou tudo que havia dentro da sua
mochila e foi colocando um por um dos objetos
sobre sua mesa, mas nem sinal da carteira desaparecida.
- Calma. - Disse Selton.
- Professor, alguém roubou a minha carteira!
Amanda estava a beira de uma crise de choro
quando terminou de pôr tudo de volta dentro
da sua bolsa.
- A minha carteira cheia de dinheiro. - Amanada
afundou a cebeça entre as mãos, desesperada.
Laura tentava acalmá-la como se fosse uma boa
amiga. Márcio e Ana se entreolhavam espantados.
- Rafael. - Selton chamou o primeiro nome
que lhe veio a cabeça. Rafael prontamente se
levanta. - Vá chamar o diretor.
O som da última palavra provocou a mesma reação
em todos os alunos: um súbito frio percorreu
a espinha de cada um deles.
Laura olhava para Márcio e Ana enquanto tentava
acalmar Amanda, que estava quase histérica
com o sumiço de sua tão misteriosa carteira.
- Como nós vamos pra Mannis agora? - Ela dizia
à Laura.
- Calma. Sua carteira vai ser encontrada,
tenho certeza.
Rafael sai da sala enquanto o professor lançou
um olhar inquisitivo para toda a sala, encarando
cada rosto ali presente. Antes que pudesse
chegar ao último, Rafael entrou acompanhado
pelo diretor Silva.
Os segundos que o diretor, conhecido pela
forma autoritária de ser, levou para examinar
a sala pareceram durar séculos.
- Professor Selton, pode me explicar o que
está acontecendo aqui?
- Me parece que a aluna Amanda teve a sua
carteira roubada durante o intervalo, diretor.
- Muito bem. - O diretor voltou a encarar
a classe com cara de poucos amigos. - O ladrão
tem três segundos para se manifestar.
- Diretor...?
- Fale, professor.
- Não acha melhor que todos saírem e pedir
para que cada um entre e...
- Se teve coragem suficiente para roubar que
tenha essa mesma coragem para se manifestar!
- Proclamou o diretor.
Todos na sala se calaram. Assim que o relógio
deu três cliques, o diretor falou em alto e
bom som.
- A partir daqui. - Ele apontou para Marieta,
que se seobressaltou de susto. Ela era a priemira
da fila da porta. - Quero todos os materiais
das bolsas sobre as mesas. AGORA!
Um por um, os alunos foram esvaziando as bolsas
em silêncio. Quando chegou avez de Ana, o cor-de-rosa
da carteira se sobressaltou sobre as outras
cores logo. Amanda se levantou num salto, seguida
por Márcio, que olhou para Ana e para o diretor,
sem saber o que pensar. Laura escondeu um sorriso
de satisfação.
- Você! - Amanda apontou para Ana, que não
sabia o que fazer. - Você me roubou!
Amanda correu pegar sua carteira de volta
e contou o dinheiro para ver se estava todo
ali.
- Me acompanhe, mocinha. - O diretor abriu
a porta.
- Mas eu não...
- Cala a boca!! - O olhar do diretor faiscava.
- Venha logo.
Ana olhou ao redor para tentar entender o
que estava acontecendo.
_ Mas issso é impossível! - Gritou Márcio.
- Ela estava comigo o tempo todo!
- O namorado defendendo a namoradinha ladra!
- Amanda gritou, se voltando para Márcio. -
é claro que você vai jurar que ela estava com
você!
O diretor perdeu a paciência e agarrou Ana
pelo braço, praticamente a arrastando até a
diretoria.
Na sala, os poucos alunos que falavam tentavam
entender o que havia acabado de acontecer.
Márcio olhava ao redor e seu olhar cruzou com
o de Laura, que simplesmente deu os ombros.
- Muito bem, vamos voltar a matéria. - Selton
tentou continuar a aula como se o incidente
não tivesse acontecido.
Márcio estava completamente anestesiado. Tudo
acontecera ali, bem na sua frente...
Laura exultou com a vitória. Tudo havia saído
ainda melhor do que ela esperava. Márcio estava
finalmente livre para ela.
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Quinze minutos depois, a porta se abriu e
Ana entrou chorando e começou a arrumar as
suas coisas sem olhar para ninguém. Após enfiar
tudo de qualquer jeito em sua mochila, ela
saiu apressada. Márcio se levantou e foi atrás
dela, parando-a no meio do corredor.
- Ana! - Márcio põe a mão no ombro dela, que
continuava cabisbaixa. - O que houve?
- Márcio! - Selton apareceu na porta. - Se
você não voltar agora não vai entrar mais.
Dentro da sala, Laura vai até o lixeiro que
segurava a porta apontar o lápis.
- Eu não...
- Márcio. - Ana olhou para o namorado. - Vai.
Eu fui expulsa e não quero que você me procure
mais.
- Ana. - Márcio insistiu.
- Por favor. - Ela disse.
Márcio olhou para Ana e respirou fundo. se
bem conhecia a namorada, sabia que ela não
voltaria atrás.
- sei que não foi você. Falo com você depois.
- Márcio tenta beijar Ana, mas ela desvia o
rosto.
Inconformado, Márcio entra na sala e volta
para o seu lugar, completamente arrazado.
Do lado de fora da sala, Ana recomeçou a chorar
enquanto seguia para a direção do colégio,
se sentindo como uma olvelha seguindo para
o matadouro.