S�o muito frequentes os acidentes na inf�ncia?
As crian�as s�o particularmente muito propensas a acidentes. Isso se deve ao fato e n�o conseguirem prever o que pode acontecer, de n�o pressentirem situa��es de perigo. Desta forma, por exemplo, n�o associam o fato de atravessar uma rua com o risco de atropelamento, n�o associam o fato de nadarem numa piscina com o risco de um afogamento e assim por diante. A crian�a adquire essa "responsabilidade" por volta dos 7 anos de idade. Antes disso, est�o sempre expostas a riscos que cabem a n�s (pais e/ou respons�veis) tentar evit�-los.
Para se Ter uma id�ia da import�ncia dos acidentes na inf�ncia, nos Estados Unidos, cerca de 38% das mortes em 1995 foram por acidentes. No Brasil, mais de 13% do total de mortes s�o decorrentes de acidentes.
Deve-se Ter em mente que a imensa maioria dos acidentes, sen�o todos, � evit�vel.
Tipos de acidentes mais comuns na inf�ncia:
Os tipos de acidentes variam muito de local para local (centros urbanos ou �reas rurais), entre as classes sociais, entre o tipo de moradia e, claro, em rela��o as diferentes idades.
1) Com rela��o a lactentes com at� 6 meses de idade, os tipos de acidentes mais comuns s�o:
- queda;
- queimaduras;
- sufoca��o;
- intoxica��o;
- acidentes de autom�veis.
2) Com rela��o a lactentes de 7 a 12 meses de idade, os acidentes mais comuns nessa faixa et�ria s�o:
- queda;
- queimaduras;
- afogamento;
- envenenamento;
- sufoca��o;
- choque el�trico;
- acidentes de autom�veis.
3) Na faixa et�ria de 1 a 2 anos de idade, os acidentes mais comuns s�o:
- quedas e ferimentos;
- queimaduras e choque el�trico;
- sufoca��o;
- afogamento;
- envenenamento;
- auto-seguran�a.
4) Na faixa de 2 a 6 anos de idade, os acidentes mais comuns s�o:
- quedas, ferimentos e afogamentos;
- queimaduras;
- envenenamento;
- auto seguran�a;
- mordida de animais;
- seguran�a no tr�fego.
� importante lembrar que nessa fase a crian�a pula, corre e j� come�a a entender, mas ainda n�o sabe o que � perigoso e n�o se lembra dos "n�o" impostos pelos pais. A crian�a precisa de prote��o, disciplina e supervis�o constantes.
Nos centros urbanos os acidentes com carros (colis�es, atropelamentos, etc.) t�m grande import�ncia, ao lado de quedas, queimaduras e ingest�o acidental de subst�ncias t�xicas.
Em zonas rurais a ingest�o de subst�ncias t�xicas e as quedas s�o os tipos de acidentes mais importantes.
Falaremos agora alguns tipos espec�ficos de acidentes que s�o comuns durante a inf�ncia.
Acidentes automobil�sticos
Os acidentes automobil�sticos que envolvem crian�as podem ser divididos em dois tipos: os de ocupantes de autom�vel e os de pedestres.
Ocupantes: as crian�as correm risco especial em rela��o a este tipo de acidente por v�rios motivos. O principal deles � a falta de cuidado dos adultos respons�veis ao deixarem as crian�as soltas, podendo facilmente ser jogadas contra as partes duras do ve�culo. Algumas pessoas pensam que, ao percorrer pequenas dist�ncias ou a pequenas velocidades , n�o h� necessidade e se prender adequadamente as crian�as aos bancos ou assentos especiais. No entanto, estat�sticas demonstram que a grande maioria dos acidentes ocorre a menos de 2 Km da resid�ncia.
Existem assentos adequados para cada faixa et�ria, embora isto n�o seja muito divulgado e seja um pouco dif�cil adquir�-los.
Uma atitude que oferece grande risco �s crian�as e, infelizmente, muito observada, que deve ser banida, � a de lev�-las no banco da frente dos ve�culos. Neste local, a crian�a est� muito exposta e mesmo pequenos acidentes podem levar a traumatismos muito graves ou mesmo ser fatais.
As solu��es para este tipo de acidente s�o a cria��o e um tipo universal para todas as faixas et�rias, ou pelo menos para a maioria delas, o est�mulo da educa��o dos respons�veis e a cria��o de leis que regulamentem o transporte de crian�as.
Queimaduras
O que � queimadura?
� uma doen�a que se caracteriza por uma les�o na pele ou at� nos tecidos mais profundos , causada por agentes diversos como o calor, o frio, agentes qu�micos, eletricidade e radia��o ionizante.
A causa mais comum de queimaduras � o derramamento de l�quidos quentes, e n�o acidentes com fogo. A �gua quente pode causar escaldamento grave e muito doloroso, as vezes levando a muito tempo de interna��o e incapacita��o, al�m do trauma psicol�gico, sempre muito grave.
Quais s�o os tipos de queimaduras?
Primeiro grau: esta les�o pode ser do tipo rea��o inflamat�ria com vermelhid�o e muita ard�ncia. Envolve apenas a camada superficial externa da pele.
Segundo grau: � caracterizada por vermelhid�o e bolhas. Envolve a primeira e a Segunda camadas da pele. S�o muito dolorosas.
Terceiro grau: S�o de espessura total, produzem traumas em toda a espessura a pele e nas estruturas profundas se n�o h� capacidade de cicatriza��o espont�nea, um enxerto e pele poder� ser necess�rio. Ocorre perda da elasticidade e a superf�cie fica anestesiada.
Como prevenir?
- mantenha os alimentos e as bebidas quentes longe das bordas dos balc�es, pias e mesas. Deve-se evitar o uso de toalha de mesa se nela houver alimentos ou bebidas quentes, porque a crian�a pode pux�-la e se queimar. Prefira os chamados "jogos americanos" ;
- se voc� estiver segurando algum alimento quente n�o pegue seu filho no colo ;
- quando estiver cozinhando procure manter seu filho afastado da cozinha. As panelas devem ficar nas bocas de tr�s do fog�o, sempre com o cabo voltado para tr�s, longe do alcance das crian�as ;
- nunca deixe seu filho encostar no forno ;
- oriente as crian�as sempre, sobre os riscos de queimaduras ;
- se tiver empregada ou bab� em casa, oriente-a sobre estes riscos.
Como vimos, a cozinha � o lugar de maior risco de queimaduras, por�m n�o � o �nico. Lembre-se de manter o ferro de passar longe do alcance das crian�as, pois al�m do risco de queimaduras, s�o objetos graves que podem causar traumatismos graves.
No banheiro deve-se tomar especial cuidado com a temperatura da �gua do banho. Certifique-se e que a temperatura da �gua est� adequada, e n�o deixe a crian�a regular a temperatura da �gua do chuveiro ou da banheira sozinha.
Outro acidente bastante comum e grave, principalmente em beb�s e crian�as bem pequenas, est� relacionado aos choques el�tricos. A crian�a pode tentar enfiar os dedos ou objetos dentro do buraco da tomada, ou colocar plugues de extens�o de fios na boca, ou ainda pegar e por na boca fios desencapados. Procure manter tomadas tampadas (existem tampas pr�prias) e fios de extens�o fora as tomadas quando n�o estiverem em uso. Se perceber algum fio desencapado, providencie sua substitui��o.
"Segundo o doutor Tarc�cio que nos mostrou o servi�o de atendimento a crian�as queimadas do Hospital Jo�o XXIII, um acidente que tamb�m � relativamente comum com crian�as s�o queimaduras devidas ao uso incorreto de vaporizadores ou a displic�ncia das m�es enquanto seu filho(a) est� utilizando o vaporizador. Por isso � importante conhecer adequadamente a m�e para receitar um vaporizador, ou, na d�vida, n�o receite, pois os riscos de um acidente podem ultrapassar os benef�cios que podem ser trazidos com o uso do vaporizador. Tivemos a oportunidade de observar um pouco de como as crian�as s�o tratadas, como s�o dados os banhos, e quais s�o os cuidados especiais que devem ser tomados com essas crian�as. Essas crian�as devem ficar sob constante observa��o, pois os riscos de uma infec��o s�o altos e constantes (pois sua barreira f�sica natural contra microrganismos ex�genos que � a pele est� diminu�da), al�m da administra��o de uma alimenta��o adequada e balanceada e dos perigos de uma desidrata��o. Quanto �s queimaduras o melhor rem�dio � a preven��o e, para isso, � necess�ria a conscientiza��o dos pais quanto � gravidade do problema."
O que deve ser feito no local do acidente?
- O tratamento inicial no local do acidente � muito importante ;
- A �gua corrente no local da queimadura, al�m de ser um bom analg�sico, remove as part�culas de sujeira do local ;
- Cubra a �rea queimada com um pano limpo ou toalha e encaminhe a v�tima para um servi�o m�dico de emerg�ncia.
Lembre-se: raramente a velocidade � necess�ria.
- O transporte do queimado deve ser feito de maneira controlada e organizada, uma vez que em uma maioria os pacientes queimados encontram-se est�veis imediatamente ap�s o trauma.
Por que hospitalizar?
Para repor os l�quidos perdidos, tirar a dor, fazer curativos e evitar complica��es e sequelas muitas vezes irrevers�veis.
A hora do banho:
- O banho � fundamental e deve ser realizado diariamente. � neste momento que a ferida a queimadura � limpa e o curativo � realizado com pomadas preparadas especialmente para este fim ;
- O banho e o curativo s�o importantes, pois promovem a cicatriza��o da feria, previnem infec��es e preparam a ferida para enxerto, quando necess�rio ;
- � o momento mais dif�cil: trauma, dor, medo, inseguran�a e stress s�o respostas comuns por parte das crian�as;
- Neste momento, sem curativos, que o paciente passa a Ter os primeiros contatos com sua nova imagem corporal.
Aspectos psicol�gicos:
- Todo paciente queimado vivencia seu acidente como uma agress�o ao seu organismo, comprometendo sua integridade emocional e de sua fam�lia ;
- Rea��es e medo, ansiedade, depress�o, sensa��o de culpa, abandono, altera��o da auto-imagem, s�o experimentadas pelo paciente queimado ;
- O contato adequado de quem cuida, a presen�a da fam�lia, s�o fatores que contribuem para a aceita��o da longa interna��o e do tratamento.
Quando come�a a reabilita��o de uma crian�a queimada?
- No primeiro dia de interna��o atrav�s e um programa de posicionamento adequado e de suporte emocional ;
- A reabilita��o utiliza-se de t�cnicas e m�todos para prevenir sequelas e complica��es pr�prias da queimadura e, principalmente a perda ou limita��o do movimento ;
- � rotina na UTQ, o trabalho em conjunto da Terapia Ocupacional e Fisioterapia.
Objetivo da reabilita��o
- Restaurar a capacidade funcional e global do paciente, incentivando seu envolvimento nas atividades cotidianas;
- Promover sua auto-estima, auto confian�a e um sentimento mais positivo em rela��o ao futuro ;
- Evitar altera��es e ordem emocional, acompanhando o paciente ao centro cir�rgico quando necess�rio.
Orienta��o quanto a alimenta��o
As crian�as queimadas recebem cuidados especiais em rela��o � alimenta��o. Diariamente recebem dietas ricas em nutrientes, sendo que �s vezes, necessitam de sondas.
� proibido a entrada de outros alimentos sem a libera��o do nutricionista ou da equipe. Estes alimentos (chocolates, chips, doces e balas, refrigerantes, frituras, guloseimas) s�o contra-indicados, pois aumentam os riscos e infec��es, diarr�ia, perda de peso e desnutri��o, prejudicando a recupera��o da crian�a e causando um maior tempo de interna��o.
Como fazer a preven��o com rela��o �s queimaduras?
Algumas informa��es simples, orientando como fazer a preven��o podem diminuir em muito o n�mero de acidentes, em se tratando de queimaduras, e devem ser utilizadas de rotina por todos em seus lares.
- A cozinha � um dos lugares mais perigosos da casa ;
- Fique atenta para o que as crian�as fazem enquanto voc� cozinha ;
- Cozinhe de prefer�ncia nas bocas de tr�s do fog�o ;
- Mantenha as panelas e frigideiras com os cabos para dentro, de modo que as crian�as n�o consigam alcan��-las ;
- N�o guarde alimentos, especialmente biscoitos, em arm�rios ou prateleiras sobre o fog�o
- N�o coloque l�quidos quentes pr�ximos � quina da mesa ou da pia, evitando assim o alcance pelos pequenos ;
- Muito cuidado ao carregar l�quidos quentes, pois podem esbarrar numa crian�a ;
- Mantenha f�sforos ou isqueiros fora do alcance das crian�as.
- Muito cuidado com o �lcool. N�o transforme seu churrasco numa trag�dia. A combust�o acidental do �lcool � respons�vel por um grande n�mero de queimaduras graves em crian�as. Guarde o vasilhame fora do alcance dos pequenos ;
- Evitar o ac�mulo de materiais combust�veis em casa ;
- Nunca deixar o ferro el�trico sem vigil�ncia.
Essas s�o medidas simples mas eficazes para a preven��o de acidentes graves, que podem Ter repercuss�es ainda piores, e para o bem estar das crian�as.


Orienta��es finais
O paciente, ap�s alta hospitalar, dever� seguir rigorosamente as orienta��es do m�dico e da equipe de reabilita��o.
Cuidados em casa ap�s alta hospitalar
- evite o sol
- lembre-se, a �rea cicatrizada tem no in�cio uma cor avermelhada e tendem a co�ar, para amenizar o problema o seu m�dico dever� receitar um creme hidratante com protetor solar, juntamente com um medicamento anti-al�rgico
- o paciente deve manter um contato de pelo menos 15 em 15 dias com o seu m�dico, pois a cicatriza��o dever� ser observada
Aten��o
Metade dos acidentes que envolvem queimaduras, as v�timas s�o crian�as na faixa et�ria de 3 a 4 anos, sendo que 90% destes ocorrem na cozinha, portanto s�o EVIT�VEIS.
Envenenamentos
Medicamentos, produtos de limpeza, plantas ornamentais, produtos de higiene s�o as causas mais comuns de envenenamentos em crian�as.
Este tipo de acidente � imprevis�vel, pois bastam alguns segundos para a crian�a ingerir grande quantidade destes produtos, causando intoxica��es muito graves. Evitar este tipo de acidente � obriga��o dos respons�veis pela crian�a e dos fabricantes dos produtos potencialmente t�xicos.
Aos pais cabe afastar a crian�a dos produtos de risco, deixando medicamentos, produtos de limpeza, e produtos de higiene longe do seu alcance, de prefer�ncia trancados em local seguro. Ao colocar uma planta ornamental em casa, certifique-se de que ela n�o � t�xica (as cores chamativas e a beleza das plantas fazem com que a crian�a sinta curiosidade em rela��o a elas e coloque-as na boca).
Aos fabricantes, cabe alertar sobre os riscos de seus produtos, e maneira clara e destacada, al�m e desenvolver embalagens que dificultem a ingest�o do produto pelas crian�as.
Aten��o especial deve ser tomada em rela��o aos medicamentos, pois suas cores atraem as crian�as, que os confundem com guloseimas. Prefira sempre os medicamentos que possuam tampas de seguran�a, que praticamente impossibilitam a abertura do frasco sem o aux�lio de um adulto.
Descubra o telefone do centro de intoxica��es de sua cidade e deixe-o sempre em m�os.
Tenha sempre dispon�vel xarope de ipeca, pois � utilizado em boa parte das intoxica��es, mas nunca administre-o sem o conhecimento de seu m�dico ou do centro de intoxica��es.
Engasgamentos
Beb�s e crian�as pequenas tendem a por tudo na boca, portanto pe�as e pequenos objetos devem permanecer longe de seu alcance.
Os objetos mais comumente implicados em engasgamentos s�o moedas, pregos, agulhas, tachinhas, l�pis, brinquedos com pe�as pequenas, peda�os de bal�o e g�s estourados, j�ias e bijuterias, pilhas e baterias, entre outras coisas.
Quedas
As casas s�o locais potencialmente perigosos em rela��o a quedas, especialmente mob�lias, escadas, playgrounds e janelas.
- n�o deixe a crian�a sozinha em camas, trocadores ou sof�s ;
- coloque barreiras e n�o deixe as crian�as brincarem nas escadas ;
- n�o use andadores. Eles podem prejudicar a articula��o das coxas, al�m de representar perigo, principalmente em escadas e declives.
- verifique se os brinquedos do playground s�o seguros e se, em caso de queda, o ch�o � de material macio ;
- n�o permita que a crian�a brinque no telhado ou na laje ;
- coloque grades ou redes de prote��o nas janelas, sacadas e varandas. As telas foram feitas para n�o deixar os insetos entrarem e n�o s�o feitas de material suficientemente resistente para oferecer prote��o contra acidentes;
- o espa�o entre as traves das grades n�o deve ser maior que 10 cm;
- n�o ponha m�veis perto de janelas para evitar que a crian�a os use como escada para atingir janelas.
Afogamentos
Algumas coisas devem ser feitas para se evitarem os afogamentos:
- coloque barreiras que impe�am a crian�a de entrar na piscina de casa sem ser vista (grades ou cobertura de piscina ;
- nunca deixe a crian�a desassistida, mesmo que ela saiba nadar ;
- n�o deixe a crian�a correr em volta da piscina ;
- n�o deixe a crian�a mergulhar em locais perigosos ;
Pipas
As pipas (papagaios) podem causar muitos tipos de acidentes infantis, por isso, alguns cuidados devem ser tomados antes de deixar seus filhos brincarem com elas:
- nunca deixe a crian�a brincar com pipas em locais onde existem fios el�tricos (o fio da pipa pode enrolar nesses fios e provocar choques el�tricos muito graves);
- nunca deixe a crian�a empinar pipa no alto de pr�dios ou de lajes, pois ela pode se distrair e cair;
- o material cortante que algumas crian�as colocam no fio da pipa pode provocar cortes muito profundos em pessoas que estejam andando de bicicleta , motocicleta, ou mesmo pedestres.
Outros acidentes
- fogos e artif�cio podem provocar queimaduras graves e mesmo amputa��es de membros e/ou levar a cegueira ;
- asfixia: al�m dos engasgamentos j� citados anteriormente, cuidado especial deve ser tomado em rela��o a sacos pl�sticos. A crian�a pode querer brincar com eles e asfixiar-se, portanto