Boto Cor de Rosa
É uma das mais conhecidas do Brasil, segundo a qual, o "Dom Juan da Amazônia" encanta homens e mulheres. A cabeça do animal se assemelha á glande humana e a maneira como nada, subindo e descendo, lembra movimentos sexuais. Para muitos, o boto ora é uma bela mulher, ora um atraente rapaz. Quando uma moça fica grávida, logo se atribui às artes do boto. De acordo com os habitantes, na Amazônia existem dois tipos de boto. O preto, conhecido como Tucuxi, salva os náufragos. Ao vermelho são creditadas peripécias, como sinais inexplicáveis de maternidade e fugas femininas. Dizem que o boto chega a levar a escolhida para um palácio no fundo dos rios. Na figura da mulher leva os caboclos à loucura.
Quem
ainda não ouviu falar nas incríveis façanhas do boto? Não é nem preciso ser
paraense ou ainda da região amazônica para lhe conhecer as proezas. O boto já
estreou inclusive no cinema, e aqui e ali cineastas amadores fazem novas películas
abordando este ser mítico regional.
O boto tem a faculdade de transformar-se em homem e, nesta condição, seduzir
as moças interioranas que costumam dançar nas festas de beira de rio. Como
seduz também as que vão tomar banho sozinhas nos rios amazônicos,
principalmente se estiverem menstruadas. Como conquista também as que se
atrevem a andar em pequenas canoas...
O boto, diferentemente de outras lendas e mitos que não são encontrados
facilmente, são perfeitamente identificáveis e até mesmo classificados
cientificamente, sendo a "designação comum aos cetáceos odontocetos
pertencentes às famílias dos delfinídeos (marinhos) e platanistídeos
(fluviais)", segundo o mestre Aurélio. Já Carlos Rocque ensina que pode
ser identificado como Inia geoffrensis o boto branco e Steno tucuxi o boto
tucuxi.
Sobre botos existem mil e uma histórias e mil e uma crenças. Quando uma mulher
moradora às margens dos rios da região engravida, não sendo casada nem
possuindo companheiro, é certo que se dirá que seu filho é do boto. A fama de
conquistador lhe é atribuída e, além de procurar as mulheres jovens e
bonitas, casadas ou não, freqüenta festas onde realiza novas conquistas. Às
diversões comparece sempre de chapéu à cabeça, diz-que para esconder um orifício
que facilmente o identifica como boto. Bem apessoado, anda elegantemente vestido
e faz parte da tradição dizer que tem sempre uma espada à cintura. Porém,
acabando o encanto, na hora que tem que se transformar novamente em boto, se verá
que todos os acessórios que usa são habitantes das águas: a espada é um
poraquê, o chapéu é uma arraia, o sapato é um acari, cascudo ou bodó (um
tipo de peixe), o cinto é um arauaná (outro tipo de peixe)...
Dizem que em naufrágios o boto procura socorrer os náufragos. Segundo uma versão,
ajudaria apenas as mulheres, até para manter sua fama de conquistador...
Noutra, ajuda indiferentemente homens e mulheres. Não são poucas as pessoas
que, ao escaparem de morrer afogadas, atribuem - além de a Nossa Senhora de
Nazaré - ao boto o seu salvamento.
Os órgãos sexuais, quer do boto quer da sua fêmea, são muito utilizados em
feitiçarias, visando a conquista ou domínio do ente amado. Porém o mais
utilizado mesmo é o olho do boto, que é considerado amuleto dos mais fortes na
arte do amor. Dizem mesmo que, segurando na mão um amuleto feito do olho de
boto, tem que ter cuidado para quem olhar, pois o efeito é fulminante: pode
atrair até mesmo pessoas do mesmo sexo, que ficarão apaixonadas pelo possuidor
do olho do boto, sendo difícil desfazer o efeito...
Contam-se várias histórias em que maridos desconfiados de que alguém estava
tentando conquistar suas mulheres, armaram uma cilada para pegar o conquistador.
A cilada geralmente acontece à noite, onde o marido vai a luta com seu rival e
consegue feri-lo com uma faca, ou a tiros ou com arpão... Mas o rival, mesmo
ferido, consegue fugir e atirar-se n'água. No dia seguinte, para surpresa do
marido e demais pessoas que acompanharam a luta, aparece o cadáver na beira d'água,
com o ferimento de faca, ou de tiros ou ainda com o arpão cravado no corpo,
conforme a arma utilizada, não de um homem, mas pura e simplesmente... de um
boto!
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