Emoção em Uberaba: 70 mil pessoas no velório de Chico
Xavier
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| Chico Xavier:
uma vida dedicada a ajudar os outros |
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2 de julho, 2002 Às 8:29 AM hora de Brasília
(1129 GMT)
UBERABA, Minas Gerais (CNN) -- Cerca de 70 mil pessoas passaram,
nesta segunda-feira, pela Casa da Prece, em Uberaba, para se
despedir do médium mais querido do Brasil, Francisco Cândido Xavier,
o Chico Xavier, morto aos 92 anos, de parada cardíaca.
O velório, realizado no centro espírita onde Chico Xavier
transmitia suas mensagens de luz e esperança a fiéis do país
inteiro, foi carregado de emoção. A fila de espera em frente à casa
se estendia por mais de três quilômetros.
Logo que a morte de Chico Xavier foi anunciada, na noite de
domingo, uma multidão reuniu-se em frente à Casa da Prece e iniciou
uma vigília que entrou a madrugada.
Na tarde desta segunda-feira, mais de 100 coroas de flores
completavam as homenagens a Xavier. A todo instante, centenas de
admiradores chegavam de várias partes do Brasil para se despedir do
médium.
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Em vida, Chico Xavier manifestou, diversas vezes, que gostaria
que seu velório durasse dois dias. Atendendo a seu pedido, o
sepultamento será às 17h de terça-feira, no Cemitério de São João
Batista, também em Uberaba.
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Durante o velório, chamou a atenção a presença do jovem casal
Caio Blat, ator de novelas, e Ana Ariel, que já estava na cidade
quando Chico Xavier morreu.
Ana, que é cantora espírita e há vários anos costumava viajar do
interior de São Paulo para visitar Chico Xavier em Uberaba, contou
ter sentido "um aperto no coração" na semana passada.
Ana interpretou a sensação como uma necessidade urgente de rever
o médium. O reencontro aconteceu no sábado. "Ele estava muito
calmo", lembrou.
FHC lamenta
O presidente Fernando Henrique Cardoso lamentou, por intermédio
do porta-voz Alexandre Parola, a morte de Chico Xavier.
Fernando Henrique lembrou que o trabalho desenvolvido pelo médium
para promover o bem-estar da sociedade fez com que ele ganhasse o
respeito de todos os brasileiros.
"O presidente recebeu com tristeza a notícia do falecimento de
Chico Xavier. Grande líder espiritual e figura querida e admirada
pelo Brasil inteiro, Chico Xavier deixou sua marca nos corações de
todos os brasileiros que, ao longo de décadas, aprenderam a
respeitar seu permanente compromisso com o bem-estar do próximo",
disse o porta-voz.
Fernando Henrique manifestou, ainda, solidariedade aos amigos e
familiares de Chico Xavier.
Outras personalidades da vida pública também lembraram com
carinho e admiração do líder espírita.
O governador de Minas Gerais, Itamar Franco, decretou luto
oficial de três dias no estado e referiu-se a Chico Xavier como um
"irmão".
"Ele expressava em sua face uma imensa bondade, reflexo de sua
alma iluminada e que transparecia particularmente em sua dedicação
aos pobres, imagem que vou guardar para sempre com muito carinho",
concluiu.
O presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves, disse que
Xavier era uma "referência única de trabalho e solidariedade não só
para os mineiros, mas para todos os brasileiros".
"Mesmo estando em estágio avançado de sua doença, ele continuava
recebendo peregrinos que viajavam para encontrá-lo. Ele será sempre
um exemplo de vida e humanidade muito importante", ressaltou. "Ele
era uma figura muito confortadora para todos, independentemente da
religião de cada um".
Por sua vez, o teólogo Leonardo Boff classificou o médium como
"um dos grandes anjos bons que o povo brasileiro tinha".
"Ele colocou toda a sua energia interior e sua capacidade de
transformação a serviço de uma missão verdadeiramente messiânica:
consolar os desesperados, enxugar lágrimas e curar enfermos",
concluiu.
Morte foi descoberta por filho
adotivo
Chico Xavier sentiu dores no peito pela manhã de domingo e
permaneceu em repouso durante todo o dia. Seu filho adotivo,
Eurípedes dos Reis, encontrou seu corpo por volta das 20h.
Desde cedo, a saúde de Xavier foi frágil. Teve problemas nos
pulmões durante toda a vida, conseqüência do tempo em que trabalhou
em uma tecelagem.
Nascido a 2 de abril de 1910, na cidade mineira de Pedro
Leopoldo, Chico Xavier nem sempre recebeu a compreensão que
distribuiu aos outros.
O médium perdeu a mãe aos quatro anos de idade e passou a morar
com uma madrinha, que chegava a lhe aplicar três surras por dia.
Ao ter as primeiras visões da mãe, aos oito anos, os castigos
continuaram. De um padre, ele recebeu a penitência de rezar mil
ave-marias e carregar sobre a cabeça uma pedra de 15 quilos.
Segundo a Federação Espírita do Brasil, Chico Xavier participou
de sua primeira reunião espírita em 7 de maio de 1927. Também foi
caixeiro de armazém e funcionário público, aposentado desde 1958.
Ainda de acordo com a instituição, Chico Xavier iniciou
publicamente seu mandato mediúnico aos 17 anos. A partir de então,
ele começou a psicografar e tornou-se famoso em todo o país.
Em Uberaba, cidade que adotou e na qual decidiu ficar até o fim
da vida, o trabalho começou em seguida.
Abrigado num barracão, Chico participou da criação da Comunhão
Espírita Cristão, e já no primeiro dia de reuniões recebeu mais de
300 pessoas.
Com sua ida para Uberaba, a cidade transformou-se no principal
centro do espiritismo, atraindo milhares de pessoas em
peregrinações.
Em seus últimos anos de vida, Chico Xavier manteve sua rotina de
muito trabalho, apesar da fragilidade de sua saúde.
O médium, que morava numa casa de alvenaria, pintada de branco e
azul, em Uberaba, tinha dificuldade para se locomover, ouvia pouco e
enxergava mal.
(Com informações da Agência RBS) |