MINHA TERRA,

MINHA VIDA



                                 


 

O BURRO INTELIGENTE

 

Na quinta da minha vizinha

Havia lá um burrinho

Também havia uma vaquinha

O burro se chamava Pardinho.

 

As vaca chamava-se Liberdade

O burro com ela vivia

Eram amigos de verdade

O burro Prá vaca sorria.

 

Era um burro inteligente

De tudo queria aprender

A vaca estava contente

De com o burro viver.

 

Se a vaca doia-lhe a barriga

Ou se andava de rabo no ar

O burro arranjava a mesinha

Começava logo a zurrar

 

A vaca esteve doente

Tão mal que não comia

O burro perguntou o que sente?

Mas a vaca não respondia.

 

A vaca estava tão mal

O burro estava a chorar

Pobre burro senti8mental

Já não queria mais zurrar.

 

A vaca depois melhorou

O burro ficou contente

O burro depois pensou

Sou burro! inteligente

 

Abril,  1982  Fernanda Dias.

 

   

PAI TU ÉS UM HERÓI

 

 

 

Pai a ti te devo a minha vida

Enquanto viver te serei agradecida

Foste tu que me puseste;

No ventre da minha Mãe

Também sei que me amaste

A mim como a ninguém.

 

Pai tu para mim és uma flor

Que só vive para o amor

Quem te viu e quem te vê;

Tantos filhos que fizeste

Que alegrias que nos deste

Hoje sei a razão porquê.

 

Passaste fome na vida

Para teres tua família unida

Para os teus filhos terem pão;

Por ti eu fui gerada

Por ti também fui criada

Andei pela tua mão.

 

Eu já não tenho mais ninguém

Só te tenho a ti meu querido Pai

Da família todos já partiram,

Tu já estás muito velhinho

Eu te dou muito carinho

Como fiz à minha Mãe.

 

Dezembro, 13-1990   Fernanda Dias

 

 
   
 

SOU MULHER INDEPENDENTE

 

 

 

Sou mulher independente

Gosto de estar sempre bem

No passado e no presente

Não devo nada a ninguém

 

Gosto muito de conversar

Dos projectos pró futuro

Mas não quero desanimar

Por não estar no seguro.

 

Gosto muito de trabalhar

Não gosto de estar parada

Na cama não gosto de estar

Quando estou acordada.

 

Gosto de ser bem diferente

Das outras mais raparigas

Não gosto de estar ausente

Nas festas de minhas amigas.

 

Gosto de andar bem vestida

Mas não sou pessoa vaidosa

Em cada ano da minha vida

Me sinto mais orgulhosa.

 

Sou amante da natureza

Dou carinho às avezinhas

Dou esmola à pobreza

E muito amor às criancinhas

 

 

Junho,  1984             Fernanda Dias..

 

   

A VELHICE ME ASSUSTA

 

 

 

A velhice me assusta

O que será de mim um dia?

Porque a velhice não é justa

Ser velha eu não queria.

 

Passo o tempo preocupada

Com o dia de amanhã

Não tenho culpa de nada

Minha saúde já não é sã.

 

O tempo passa voando

Já estou muito cansada

Já tenho cabelo branco

E a face toda enrugada

 

Não há nada mais cruel

Do que a velhice e a morte

Prá  Maria e pró Manuel

Seja fraco ou seja forte..

 

Quando passo por uma velhinha

Meu coração chora de dor

Que sorte será a minha

Quando nova eu já não for.

 

 

 

Janeiro,   1987   Fernanda Dias

 

 
 

 


 

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