MINHA TERRA,

MINHA VIDA



 


 

MINHA MÃE TE RECORDO COM CARINHO

 

 

Mãe um carinho te quis fazer

As tuas mãos foram tão belas

Só elas me podiam aquecer

Às vezes sonho com elas.

 

Te recordo enquanto viveste

Ó Mãe do meu coração

O amor que tu nos destes

Será sempre recordação.

 

Foste sempre branca e bonita

Teus olhos pareciam um luar

Para mim ó Mãe querida

És como uma Santa no Altar.

 

Ás vezes vi-te chorar

Mas também te rias para mim

Tu a todos querias abraçar

Num abraço que não tinha fim.

 

Ó Mãe tu foste a Rainha

De tantos filhos que criaste

Também foste boa avózinha

Dos netinhos que cá deixaste.

 

Recordar-te-ei com saudade

E nunca te irei esquecer

Partiste para a Eternidade

Eu sem ti fiquei a sofrer.

 

Fevereiro,-26-1995   Fernanda Dias

 
   

ENCONTREI UMA VELHINHA

 

Encontrei uma velhinha

Que já estava quase morta

Andava de porta em porta

Quase cega coitadinha

 

Pediu-me para ajudá-la

Que  estava no Mundo só.

Lembrei-me da minha avó

E corri para abraçá-la.

 

Eu olhei pró Céu e disse

Ó meu Deus que bom seria

Poder eu também um dia

Ter uma boa velhice.

 

A velhinha então chorou

E me abraçou com carinho

Chorando, disse baixinho

A minha vida já terminou.

 

Olhou depois para o Céu

E com voz rouca murmurou

Eu já não sei onde estou

Já não sinto o corpo meu.

 

Depois peguei-lhe na mão

Já estava fria coitadinha

Já não tinha pulso a velhinha

Tinha parado o seu coração.

 

Deu um suspiro e ficou

Com os seus olhos rasos de água

No seu rosto havia a mágoa

Porque a morte a procurou.

 

Eu olhei p'rá velhinha e pensei

Nada lhe pude fazer

Porque ela estava a morrer

Quando eu a encontrei.

 

Abril,   1960   Fernanda Dias

 

 
   
 

HOJE ENCONTREI UMA CRIANÇA

 

Hoje encontrei uma criança

Estava sozinha na rua

Pensei que seria por vingança

Porque a criança estava nua.

 

A criança era pequenina

Há pouco tempo nasceu

Chorava muito pobrezinha

Porque a fome a venceu.

 

A criança era menina

De olhos azuis claros

Sua pele era branquinha

Seus cabelos muito raros.

 

Peguei nela com jeitinho

No meu colo adormeceu

Dei-lhe amor e carinho

Como se fosse um filho meu.

 

Contei às minhas amigas

Que encontrei uma menina

Corriam como formigas

Para verem a criancinha.

 

Todas lhe quiseram pegar

Nos seus olhos havia esperança

Que com ela deveria eu ficar

Hoje sou feliz que encontrei

Uma criança e com ela fiquei.

 

Janeiro * 1971 * Fernanda Dias

 

   

MINHA POESIA É POBRE

 

Minha poesia é pobrezinha

Mas é feita com amor

Comecei de pequenina

Por isso tem mais valor.

 

Não sou pessoa letrada

Mas dou-me bem com os que são

Não tenho inveja de nada

Escrevo pela minha mão.

 

A poesia me fortalece

Nas horas de mais tristeza

às vezes quando amanhece

Vem a musa de surpresa.

 

Quando a musa me visita

Tenho que lhe dar muita atenção

Para não ficar aflita

Por perder a inspiração.

 

Quando a musa vem a caminho

Tenho que ter muito cuidado

Às vezes por um bocadinho

Fica a poesia de lado.

 

Sou poetisa comecei de pequenina

Sou feliz com o dom que Deus me deu

Só desejo que quando for velhinha

Minha poesia seja lida por um netinho meu.

 

Abril,  1984          Fernanda Dias

 
 

 


 

Hosted by www.Geocities.ws

1