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EU CONHEÇO UMA VELHINHA
Eu conheço uma velhinha Com a face toda enrugada Mais linda que uma menina Com a sua cara pintada.
Tem olhos da cor do Céu Que já não tem esplendor Mas no triste olhar seu Continua a haver amor.
Tem os seus lábios ressequidos De tantos que já beijaram Que dão suspiros perdidos De saudades que doutros ficaram.
Tem suas mãos defeituosas De tantas que acariciaram Aquelas que já são famosas Porque o seu ninho deixaram.
As suas pernas já foram belas Hoje estão cansadas doridas Tantos olhares se prenderam nelas Agora já estão esquecidas.
Com o seu corpo já curvado Pela vida que levou É a lembrança do passado Que a mocidade deixou.
Há só um dia cada ano de vida Que dedicam à terceira idade Eu gosto mais de ti acredita Que das amigas da minha idade.
Março, 1987 Fernanda Dias |
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A SOLIDÃO ME DÁ FORÇA
Por cima dum Mar azul de águas mansas Olhava o Céu azul na Imensidão Tecido dum manto fino de algodão Rasgado em farrapos de nuvens brancas.
Ouvi o grito da gaivota que docemente Pousava ao pé de mim estava segura Fez-me reflectir nessa aventura O silêncio que eu estava no momento.
Depois o Céu ficou brilhante e prateado Igual a água cristalina duma fonte Na solidão eu vi que ali ao lado:
As gaivotas pousavam ali de fronte Olhando o Infinito já carregado O Sol se escondia no horizonte.
Agosto, !990 Fernanda Dias
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