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A VIDA AGORA É DIFERENTE
A vida agora é diferente Há gente humilde e pura Não é como antigamente No tempo da escravatura.
Já não há pobres a pedir Porque a fome desapareceu Há um futuro a sorrir Porque o passado morreu.
Já não há Rei nem Rainha Nem Cura nem Abadessa Com o toque da campainha Para nos chatear a cabeça.
Já não há lindas Ceifeiras Nem Pescadores de calções Com suas grandes bebedeiras Diziam grandes palavrões.
Já não temos caminhos nem veredas Portugal já foi todo urbanizado Só temos as grandes Avenidas E blocos de cimento armado.
Já não há casinhas de pedra e cal Iguais á que eu nasci Só arranha Céus que afinal Destruíram tudo o que eu conheci.
Fevereiro, 1965. Fernanda Dias
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ERREI
Se eu obedecesse à razão E resistisse à vontade Viveria em liberdade Sem ter nenhuma paixão.
Mas quando eu quis olhar Se em algum erro eu caíra Achei ser tudo mentira Se a isto se chama errar.
Come4cei a gatinhar Por um caminho trilhado Estava o meu amor pasmado Por me ver ali a chorar.
Os lugares por onde andei Foram para mim uma vitória Hoje eu guardo na memória As tristezas que encontrei.
E agora pergunto eu ? Para quê esta lembrança Se era ainda uma criança Só queria o amor teu.
Nunca tapes os ouvidos Escuta sempre a minha dor Se isto não foi por amor Quero perder os sentidos.
Junho, 1959 Fernanda Dias
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