JÁ NÃO VEJO ESTRELAS NO CÉU  

OS HOMENS DE HOJE SÃO CEGUINHOS

Para onde foram as estrelas

Que no céu sempre existiram

Eu já não consigo vê-las

Será que elas fugiram?

 

Nas noites enluaradas

Cada estrela uma princesa

Mesmo naquelas geladas

Brilhavam mais concerteza.

 

Quando eu era criancinha

Quis contá-las não conseguia

Tinha tanta e tanta gracinha

Quando uma delas fugia.

 

Os meus Pais me diziam

Que eram estrelas cadentes

Todas aquelas que fugiam

Eram mais incandescente.

 

Agora eu olho pró Céu

E não as consigo ver

Não sei o que aconteceu

Nem sequer as vejo correr.

 

Digo isto de coração

Que será que aconteceu

Até nas noites de Verão

Já não vejo Estrelas no Céu.

 

16-11-2005

 

Fernanda Dias

 

 

 

 

 

 

Os homens de hoje são ceguinhos

Ou fingem que não vêem nada

Alguns parecem anjinhos

A mendigar coitadinhos

Àquela que diz sua amada.

 

Vão até à pastelaria

Com a sua cara-metade

Quase nua mas que alegria

Pois assim anda à vontade.

 

Vão ao Teatro e ao Cinema

Ao Médico ou ao Analista

Aos beijos com sua morena

E ela com o corpo à vista

 

Se está grávida mostra a barriga

Por luxo e por vaidade

Agora tem o que se lhe diga

Anda tudo em liberdade.

 

Umas andam em biquini

Outras fazem top less

Sem vergonha de andar assim

E o marido a tudo obedece.

 

Vão às compras à cidade

Andam nuas não faz mal

O que é preciso é liberdade

E essa temos em Portugal.

 

Outubro, 2005-11-01

Fernanda Dias

 

 

 

 

     
QUADRAS  

À PORTA DUMA TABERNA

 

Bate-me à porta com jeito

Não faças grande alarido

O que se faz com respeito

É sempre bem entendido.

 

Quando quiseres vêm cá

Tomar um café quentinho

Deixa o mau humor por lá

E serás meu amiguinho.

 

A chuva que cai do Céu

É sempre bem recebida

Queria que fosses meu

Todos os dias da vida..

 

O peixe morre pela boca

A cobra morre na estrada

A minha paixão é louca

Por ti sou apaixonada..

 

O pecado é de quem o faz

E tu também o tens feito

Não sei se serás capaz

De mostrares teu defeito.

 

Novembro, 2005-11-22

 

Fernanda Dias

 

 

 

 

 

 

Á porta duma taberna

Numa conversa animada

Lá ia cruzando a perna

O José da vida airada

 

Muitas garrafas vazias

Da cerveja douradinha

O João e o Zacarias

Bebendo p’la garrafinha.

 

O taberneiro aflito

Com medo da confusão

Ofereceu mais um copito

Com grande satisfação.

 

Mas os três amigos leais

Que já estavam encharcados

Pareciam três pardais

Por cima daqueles telhados.

 

Cantavam à desgarrada

Faziam troça uns dos outros

Andava tudo à chapada

Que mais pareciam loucos.

 

Já era de madrugada

Continuava a chinfrineira

Com a taberna fechada

Só se via a bebedeira.

 

Fernanda Dias

 Junho 2005

 

        

 

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