Trecho do livro "Titânicos Caminhos" (editora gryphus-1995)

de Felipe Mendes Trotta

 

Tony Bellotto

Tem uma impressionante relação atrativa com a guitarra, como objeto, o que significa visivelmente demonstrado na tatuagem em seu braço. Sempre sentiu uma atração quase física pelo instrumento.

Aos 11 anos decidiu ser guitarrista, passou a se interessar pela música e querer  compor, influenciado por uma reportagem sobre a morte de Jimi Hendrix . Começou, então, a tocar violão, e, aos 14 anos, ganhou sua primeira guitarra.. Passou a conhecer melhor o rock quando viajou para os Estados Unidos em 1975, e ao retornar, voltou-se para a MPB, ouvindo muito Caetano Veloso, Luís Melodia e Roberto Carlos. Afastou-se um pouco do rock para se aproximar do reggae e do punk rock, porém sua maior influência musical continuou sendo Jimi Hendrix e o rock . Base musical que exprime até hoje nos Titãs.

Participou do conjunto musical Trio Mamão e as Mamonetes, com Branco e Fromer; conheceu-os por intermédio do Barmack, que compôs algumas músicas do primeiro disco dos Titãs. O som feito pela banda era baseado na MPB e no reggae.

Durante a infância, passar as tardes vendo TV e comendo leite condensado em lata era seu melhor passatempo e nessa época até um cabo de enceradeira virava microfone. Desde a adolescência, até hoje, adora ir a festas.

Tony acha que a imagem que as pessoas fazem do roqueiro se assemelha à de Peter Pan, alguém da "Terra do Nunca", o que foge da realidade. Sua vida mudou muito com o trabalho no grupo Titãs. No princípio, tal situação descontrolou bastante sua vida particular, dificultando seu relacionamento com a mulher e acelerando o término do casamento. Encontrou a tranqüilidade no Tai-Chi-Chuan e no ai-ki-do e na sua filha Nina. Atualmente vive com a atriz Malu Mader no Rio de Janeiro.

É considerado uma pessoa amável e carinhosa . Algumas atitudes suas retratam o quanto é amigo e solidário. Por exemplo: fazer o vestibular para arquitetura em Santos só porque sua namorada também estava fazendo os exames. Ele passou, ela não. Logo abandonou a faculdade, mas diz que a experiência valeu pelas pessoas que teve oportunidade de conhecer. Garante que sempre agiu intuitivamente.

Bellotto também é bom na cozinha, onde faz macarronadas e sanduíches, tanto que abriu junto com  Branco, Marcelo e outros sócios o Bar Rock Dog, no bairro Paulistano de Pinheiros no ano de 1989, hoje já extinto.

Outros músicos de que gosta, além de Jimi Hendrix, são: Chuck Berry, Muddy Waters e a banda Rolling Stones (Exile on Main Street), é influenciado por John Lee Hooker e Tom Verlaine.

Ao olhar o uniforme de escoteiro que veste na capa do quinto disco, "Go Back", lembra-se da criança meio ingênua que foi. Hoje a foto é de um roqueiro, segurando uma guitarra.

Ao lembrar os Titãs, quando meninos, durante os anos 70, as casas de cada um, as coisas que têm em comum, vivendo no Brasil, e virando adultos, isto tudo, confessa, lhe parece mágica. 

 

 

"Não tem coisa melhor que entrar num estúdio para gravar um disco. Quer dizer, tem sim: subir no palco para fazer um show. E ainda me pagam pra isso..."

 

 

 

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