Ano: 2001

Editora: Companhia das Letras 

Sinopse: Como mostrou em seus dois livros anteriores – Bellini e a esfinge e Bellini e o demônio-, Tony Bellotto sabe inventar uma boa história e, não menos importante, sabe como contá-la. Tem uma noção muito clara de quando deve passar determinada informação ao leitor – para que ele fique curioso - e de quando deve interromper o que está contando – para que ele fique nervoso e seja “obrigado” a avançar na leitura, sob pena de não ter sossego.

Não é deferente como as duas histórias reunidas em BR 163. Na primeira, “A menina tatuada”, Cardoso e Lavínia recebem uma missão: caçar (isto é, prender) um contrabandista que fez fortuna vendendo scotch paraguaio e outras coisinhas. Viajando num Opala, os dois tiras seguem pela BR 163, aparentemente unidos pelo mesmo objetivo. Pouco a pouco, entretanto, percebe-se que nem Cardoso nem Lavínia estão ali no estrito cumprimento do dever profissional: com este criminoso, ambos têm assuntos pessoais a tratar.

Em “Oeste, Selene”, uma garota de programa que prefere se chamar de “puta” recebe um pedido do pai: ajudá-lo a fugir da penitenciária de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo. Se o plano der certo, ele ganha a liberdade. Mas e ela? De certa forma, Selene está acostumada a se oferecer como caça, mas desta vez o programa vai sair da rota combinada.

Essas “duas histórias na estrada” vão se cruzar de maneira imprevista e deixar no leitor um gostoso sentimento contraditório: de um lado, ele vai querer saber logo o final; de outro, não vai querer que elas acabem. Isso é o que acontece quando um inventor de boas histórias encontra a forma exata de contá-las.

Lavínia:com alguns messes de vida, foi deixada num orfanato de freiras; cresceu querendo conhecer a identidade de seus pais; virou policial; vai descobrir o queria e o que não queria.

Selene: perdeu cedo a mãe; Quando ficou menstruada pela primeira vez, o pai, um estelionatário, entregou-a aos cuidados de uma cafetina; virou garota de programa.

O pique dessas duas é parecido. Elas, não sabem, mas suas histórias vão cruzar na BR 163.

 

 

"Se é melhor ser incensado ou achincalhado pela crítica, não tenho dúvidas, prefiro que falem bem. Mas entre não falar nada e falar mal, prefiro que falem mal. Deu pra entender?"

 

 

 

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