ORIGEM

O fato de agora as músicas sertanejas estarem ocupando a mídia não prova que elas são recentes. A gravação mais antiga de uma música caipira é de 1929. A primeira dupla famosa, Jararaca e Ratinho, já existia desde 1927, fazendo a chamada música de raiz: aquela que conta o cotidiano do homem rural. Na década de 30, outras duplas surgiriam como Alvarenga e Ranchinho, Mariano e Caçula, por exemplo. Até então as parcerias tocavam apenas viola, mas, em 1937, Raul Torres e Serrinha começaram a usar também o violão. A profissionalização do estilo aconteceu nos anos 40, quando várias duplas do interior paulista foram para a capital em busca do sucesso. Em 1943, Tonico e Tinoco estreavam na Rádio Difusora de São Paulo. A popularidade do gênero, cresceu na década seguinte, ao sofrer influências de ritmos paraguaios, boleros e canções rancheiras mexicanas. 

 

Na década de 60, a moda caipira foi superada pelo rock e pelo iê-iê-iê. Vários artistas mudaram seus estilos em busca de sucesso comercial ou abandonaram a carreira. Influenciados pelo rock, a dupla Leo Canhoto e Robertinho foi a pioneira na introdução, em 1969, de guitarras e baixos elétricos nos seus arranjos e na abordagem de temas referentes ao homem da cidade. Estava sendo aberto o caminho para a nova música sertaneja dos anos seguintes, quando surgiram Chitãozinho e Xororó, Christian e Ralf, Matogrosso e Mathias, Leandro e Leonardo e muitos outros.

 

Alguns números servem para dar uma noção do tamanho do sucesso desse gênero no País. O disco mais vendido hoje é o de Leandro e Leonardo, com 1,6 milhão de cópias. Eles superaram antigos líderes do ranking, como Roberto Carlos e Xuxa. Os cinco LPs da dupla já venderam 10 milhões de cópias. Engana-se quem pensa ser Tom Jobim o campeão em arrecadação de direitos autorais no Brasil. O autor de “Garota de Ipanema”, foi superado por Zezé di Camargo, da dupla Zezé di Camargo e Luciano. Autor da canção “É o Amor”, uma das tocadas da atualidade, o compositor não revela suas cifras. Neste ano, a parceria recebeu disco de diamante pela venda de mais 1 milhão de cópias de seu único LP, lançado em 1991. “Tudo isso é bom para o músico também, porque o mercado aumenta para ele” – observa Toninho Ferragutti.

 “Essa evolução para a atual música sertaneja é positiva, mas não sei permanecerá- afirma Tinoco, da dupla Tonico e Tinoco. Há 57 anos no ramo, eles têm 78 LPs gravados “Não sei se o jovem agüentará 57 anos de Chitãozinho e Xororó”- exemplifica. Para ele, a música sertaneja que toca nos rádios está cada vez mais distante do campo. “As duplas não conhecem bem a roça e só falam da cidade, sem cantar as festas juninas, a terra”. Na opinião de Tinoco, os próprios jovens conhecem pouco a música caipira de raiz e ouvem apenas o que toca nas emissoras. Mas “a música caipira não precisa da máquina da mídia para existir. Enquanto houver mata, terra,água ela continuará viva”.

         Há 15 anos como profissional e com 15 discos gravados, Matogrosso, da extinta dupla Matogrosso e Mathias, tem uma opinião diferente. Para ele, a mudança no enfoque das letras é o resultado da própria evolução da música, que tenta acompanhar o comportamento de ser público. “Elas agora falam mais da cidade porque o homem da roça saiu do campo e foi para os grandes centros.” Mesmo assim, ele vê na nova música serta-

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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