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A Fazenda das Bicas, é uma viagem ao passado e ao paraíso das cachoeiras que, por enquanto, se fazem presentes. Situada no município de Andrelândia, sul de Minas Gerais, de posição geográfica privilegiada, eqüidistante do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, num raio de mais ou menos 300 Km entre essas cidades, e também fica ao meio do caminho entre as cidades turísticas de Caxambu (circuito das águas), São João Del Rei e Tiradentes (cidades históricas), numa distância de mais ou menos 100 Km entre essas cidades, e, ao meio do caminho entre São Vicente de Minas (Estrada Real) e Andrelândia (cidade histórica), numa distância de 12 Km entre essas cidades e a 3 Km do asfalto – Rodovia BR-267. Distante também 140 Km de Juiz de Fora; 100 Km da cidade mística de São Thomé das Letras; e, 50 Km das cidades turísticas de Carrancas e Aiuruoca.
Por volta de 1.830, o Barão do Cajuru adquiriu a Fazenda das Bicas, no município do Turvo, onde passou a residir. No Arraial do Turvo (atual Andrelândia), construiu um imponente sobrado onde funcionou, mais tarde, o Grupo Escolar Raul Soares.
A Fazenda das Bicas foi a fazenda com maior criação de muares da época do Império, a ponto do Leilão de Sorocaba, SP, não começar sem a presença do Barão do Cajuru.
João Gualberto de Carvalho, 1º Barão do Cajuru, c.c. Ana Inácia da Conceição do Vale, foram opulentos proprietários da Fazenda das Bicas, em Andrelândia e de São Lourenço, no Estado do Rio, esta, de café. Sendo depois passada por legado no testamento materno (Lvº 2º, fls. 42 vº/45, do Registro de Testamentos do Cartório do 1º Ofício da Comarca de Andrelândia) para seu filho Militão Honório de Carvalho, o 2º Barão do Cajuru, c.c. Maria Cândida Belfort de Arantes, filha do Barão do Cabo Verde, proprietário da vizinha Fazenda Paraíba, que era filho do Conde Belfort, de nacionalidade francesa. O 2º Barão do Cajuru, também era irmão da Baronesa de São João D’el Rey e da Viscondessa de Arantes.
Depois do 2º Barão do Cajuru a Fazenda das Bicas foi passada para sua filha Maria Isabel, c.c. Prudente de Andrade Reis, depois passada para sua filha Josefina, c.c. Joaquim Tibúrcio de Carvalho, líder político de Andrelândia, depois para seu filho Raul de Andrade Carvalho, c.c Carlina de Azevedo Carvalho, filha de José Bonifácio de Azevedo, proprietário da Fazenda da Bahia, no mesmo município, também líder político de Andrelândia, porém de partidos opostos, este último, primo 2º da 1a Baronesa do Cajuru e, sua esposa também descendente do Barão do Cabo Verde, que era filho do Conde Belfort. Sendo que Raul, quando casou-se, demoliu em torno da metade da edificação da casa sede da fazenda, mudando várias de suas repartições internas; foi ele um líder rural e Prefeito de Andrelândia por dois mandatos, que comprou as partes de seus irmãos. O casal recebeu do RankBrasil, em 23/10/03, o título de “Matrimônio com mais tempo de duração do Brasil – 70 anos de casados”, com documentação comprovada, Raul faleceu aos 99 anos com 75 anos de casados, tendo ela atualmente 101 anos de idade. Depois a fazenda foi passada para seu filho José Bonifácio de Azevedo Carvalho, c.c. Sônia Arantes Junqueira Carvalho, descendente de Dom João I, Rei de Portugal e da Rainha Da Filipa de Lencastre, da Casa Real Inglesa, na pessoa de Nuno Mendes Junqueira, 2o Duque de Coimbra, Senhor de Monte-Mor-O-Novo, Marques de Aveiro, Mestre da Ordem de Santiago, Comendador de Vieiros, Serpa e Moura; Barão de São Thomé; e, Barão de Alfenas. Estes compraram a sede e receberam por doação seus arredores, depois sua sede e parte de seus arredores foram passados por herança materna a Suely Junqueira Carvalho, professora c.c. Antônio Márcio Silveira Carvalho, advogado, ele também da família do Barão do Cajuru e tetraneto do Capitão Manoel Domingues Maciel, primeiro morador, líder e um dos fundadores da cidade de Cruzília, cuja Praça da Igreja Matriz de São Sebastião tem seu nome e sua estátua ao centro, ambos descendentes do Juiz de Fora Dr. Luiz Fortes Bustamante e Sá e são descendentes dos proprietários das grandes fazendas, ela, Campo Alegre, Favacho, Traituba, Cachoeira e Cabeça Branca, em Cruzília; Fazenda Conquista, em Aiuruoca; Pitangueiras, em São Vicente de Minas; Fazenda do Açude, em Minduri; Grão Mogol, em Carrancas; Fazenda das Laranjeiras, Fazenda da Paraíba, Fazenda da Bahia e Fazenda das Bicas, em Andrelândia; Fazenda São Lourenço, no Estado do Rio; Bela Aliança, em Barra do Piraí, RJ; e ele, Rio do Peixe e Morro Grande, em Baependi; Fazenda do Engenho, em Carrancas; Fazenda das Laranjeiras, em Aiuruoca; Fazenda da Bomba e Fazenda do Geribá, em São Vicente de Minas; Fazenda do Cajuru e Fazenda da Quitanda, em Cruzília, ambos descendentes dos proprietários das grandes Fazendas Santa Clara e São Paulo, em Santa Rita do Jacutinga. Então a fazenda é pertencente ainda hoje à família do 1º Barão do Cajuru, fundador da Fazenda das Bicas, Suely Junqueira Carvalho, sua hexaneta. É o pouco que se sabe !
Inaugurada pelo 1º Barão do Cajuru em 23/02/1.863, agora restaurada pelo atual casal proprietário, ainda conserva seus traços de Brasil-colônia e do trabalho escravo.
Sua exuberante paisagem, pitoresca, lírica e bucólica, além de outros atrativos que só a visão pode descrever, sucintamente falando, conta com deslumbrante casa sede de 20 cômodos, móveis da época de sua construção e senzala, frondosas árvores, diversas flores nativas e orquídeas raras, pomar com mais ou menos cem pés de Jabuticabeiras e outras frutas e, no fundo de seu farto pomar corre o Ribeirão das Bicas, com suas várias cachoeiras e corredeiras, de onde pode-se pescar peixes com as mãos ao fechar a barragem do moinho.
De dentro da casa, ao longe, se avista os morros Dois Irmãos, em Andrelândia, e, do alto, pode-se avistar o Parque Arqueológio da Serra de Santo Antônio, que tem pinturas rupestres de 3.500 anos a.C., em Andrelândia; o Pico do Papagaio, em Aiuruoca; a Serra de Carrancas; a Serra de Minduri; as cidades de Andrelândia e São Vicente de Minas, entre outros.
Na Fazenda das Bicas pode-se ver as ruínas do Cemitério de Escravos.
Lá observa-se também a grandiosidade de seus currais, estábulo, fornos e fogões, ruínas do paiol, a enormidade de suas portas e janelas e a grande altura de suas paredes e porões, nos mostrando seu áureo passado e a fidalguia de seus proprietários antepassados. Conheceu no passado inigualável esplendor econômico e social.
Mas hoje a fazenda não vive mais daqueles produtos, suas divisas foram retalhadas pelas sucessivas partilhas em família e seu casarão deveras insiste a manter-se imponentemente de pé, solitário no horizonte infinito. Quiçá pela doce ilusão de que os tempos áureos voltarão, ou, quem sabe, para a ironia dos que a chamam de “elefante branco”, “museu”, “tapera”, entre outros, mas indubitavelmente por gratidão aos que a admiram e lutam por sua preservação. De base sólida, hoje com um século e meio de idade, continua a desafiar gerações e gerações, e a arquitetura do mundo contemporâneo.
Enfim, a Fazenda das Bicas é um paraíso na terra que ainda preserva um pedaço da história de nosso país e da cultura de nosso povo, um autêntico Patrimônio Cultural da Humanidade.
A reforma da Fazenda das Bicas tem por objetivo precípuo manter unida uma família que nela construiu seus sonhos, comemorou suas conquistas, apagou suas desilusões e viu suas crianças viverem uma verdadeira infância. Família essa que à fazenda traz alegrias e boas lembranças, nos deixando uma indelével história de vida.
Abril de 2.008.
· www.jbcultura.com.br/Anibal/bcajuru.htm
· www.jbcultura.com.br/Anibal/carvduarte.htm
· Lvº 20 Gerações de João Ramalho e Bartyra, seus descendentes mineiros de Andrelândia e outras grandes famílias – 1.989