Salve-nos ò Maria

 

 

 

 

Salve marias e tantas outras,

Principalmente aquelas que sofreram a dor da alegria.

Aquelas que choram por não poder derramar o leite,

Que não riem todos os dias.

 

Salvem as marias, que moram e morrem crucificadas,

Á beira das estradas, á beira da miséria,

Os pés na lama, lama na cama, cama estéril.

 

Vida bela a das marias, que riem sem alegrias,

Que pranteiam os projeteis receptados,

Pelos josés disparados, e que transpassam os corações das marias.

 

Ó Maria teu pecado, é teu amor exacerbado por teu rebento,

Sem nenhum talento herdado, cheira e bebe a embriaguez,

Dos josés que por sua vez, beija-te a face com sopapos.

 

Salve ó Maria, minha mãe, tua filha.

Seguem trilhas desencontradas, atravessa madrugadas,

Sem pestanejar, esperando a noticia da triste sina.

 

Sina de ser Maria, lamenta os dias e dorme o choro das marias.

 

Ó Maria, teu pecado é existir josés embriagados,

Filhos deturpados, filhas que também serão marias.

 

Teus prantos misturam-se as enxurradas,

A seca e a fome de felicidade.

Nos sertões e nas cidades, em veredas e avenidas,

Morre em tua vida a necessidade de ser Maria.

 

 

 

Por fausto (poti)

 

 

 

 

 

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