Aos olhos de quem ver

  

Estou fora de mim, não sei mais o que sou,

Desviei-me do meu rumo, nem sei mais onde estou.

Perdi minhas vergonhas, todo meu brio desabou,

Não tenho mais nem vontades, todas as minhas vaidades,

Por certo estuporou.

 

Estou na beira do abismo, quase caindo no poço,

Atolado ao pescoço, nessa lamuria de dor.

Sou eu o desertor, da felicidade do mundo,

Um infeliz moribundo, caprichoso desordeiro.

Que nunca foi verdadeiro, desalmado, presunçoso,

Celerado asqueroso... Da maldade escudeiro.

 

Na verdade sou eu, todo mau que existe,

E você, boa fada, sem fazer nada assiste,

Vendo o desenrolar, todo amor acabar,

Porem ainda persiste.

 

Á aturar-me  assim, me vendo merecedor,

Sou eu o mortificador de sentimentos alheios,

Um grande desrespeitor de todos os esteios,

Sou eu, o merecedor de todo o dissabor,

De todo o desamor... Perturbador do teu seio.

 

Sei que sou um degradado, um mau-feitor infernal,

Propagador da luxuria, pai de todo o mau,

Sou eu, desse jeito assim, matador de querubim,

Um seguidor de caim, um nefando anormal.

 

Sou eu, o pecador, que te traja em tristezas,

Sou eu o desenlusor, construtor da malvadeza,

Sei que sou o grande culpado, o maior dentre os malvados,

O senhor das profundezas.

 

Sou mais que o deus das trevas, um anjo abominável,

Sou eu um ente esquisito, persona detestável,

Indivíduo maleitoso, sujeito odioso,

Alma de um leproso, maligno execrável. 

 

É assim que se projeta a minha fisionomia,

Mesmo te dando amor, querendo tua alegria,

Reflito-me em perseguidor, malfazejo, indutor,

Das tuas desalegrias.

 

Em que me transformei? (...) por que hoje sou assim?

Te deixo temente á mim, por coisas que nem eu sei,

Mesmo ainda te amando, nego á ti minhas culpas,

Procuro muitas desculpas, para seguir te enganando.

 

Olho teus olhos chorando, banhados em tanta dor,

Teu semblante meditando, por onde anda o amor,

Que um dia eu jurei, mas agora já nem sei,

Por qual vereda ficou.

 

Tal uma mártir sucumbe, pelos caprichos acometida,

Com uma força desmedida, ainda tens esperanças,

Carrega em tuas lembranças momentos por que passamos,

Deseja que ainda cheguemos aos sabores duma revida,

E numa recaída, eu volte á ser honrado,

Deixe o vicio desgraçado, retome o curso da vida.

 

                        

                                                Por fausto (poti)

 

 

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