CURRÍCULO DOS TIGRES
DOS DENTES DE SABRE

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Uma tribo paleolítica, reconhecendo que a sua sobrevivência dependeria da capacidade de impedir o ataque dos tigres de dentes de sabre e da pesca manual nas lagoas límpidas, inventou a educação. As crianças da tribo, em lugar de passar seu tempo em folguedos, eram ensinadas na arte de afugentar os tigres com tochas de fogo e como agarrar peixes com as mãos nos lagos. A invenção teve um enorme êxito. As crianças adoravam a atividade e a tribo florescia.

         Então o clima mudou...

         Uma grande geleira desceu sobre o vale onde a tribo vivia. Os tigres de dentes de sabre desapareceram. Vieram os ursos que não temiam o fogo, e não podiam ser afugentados deste modo. E as lagoas se tornaram tão lodosas que os peixes não podiam ser vistos e apanhados com as mãos. Não demorou muito para que os membros da tribo de mais iniciativa e mais recursos se adaptassem a essa nova circunstância. Descobriram que podiam caçar os ursos, cavando fossas nas trilhas da floresta e que também podiam pescar nas águas barrentas, usando redes. Uma vez mais , eram senhores do seu ambiente contemporâneo.

         Mas as escolas continuavam a ensinar a arte de afugentar tigres e apanhar peixes com as mãos. O chefe da Educação conseguiu capturar um velho tigre, mais além, e mantê-lo numa jaula, para que as crianças pudessem ter material para praticar a vela arte. Então, um radical qualquer sugeriu que estas habilidades fossem retiradas do currículo e que , em seu lugar, as escolas ensinassem a arte de fazer redes de pesca e a cavar fossos para caçar ursos. A sugestão foi recebida com horror pelas autoridades. Ensinar a tecer redes e cavar fossos; isto não era educação; seria, quando muito, aprendizagem vocacional.

-         “Será um dia negro para as escolas quando abandonarmos as matérias fundamentais de nossa cultura, tais como: afugentar tigres e apanhar peixes com as mãos na vida real, nesta época, e não há mais tigres para serem afugentados; mas essas matérias são ricas em tradições da nossa tribo. Elas ensinam os princípios de coragem e gosto. O currículo já está sobrecarregado e nós não podemos introduzir matérias como tecelagem de redes e caçada de ursos, que não possuem valor cultural algum”.

 

Edília Coelho Garcia

Fábula contada por Sir Eric Ashay da Universidade de Londres                                                                            

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