NO SILÊNCIO DA NOITE

Fanny*
          
         
No peitoril da janela da noite
o silêncio contempla-me...
                   
No reflexo dos seus olhos
vislumbro um horizonte sem luz
ponteado de nuvens pálidas,
estrelas entristecidas, 
um rosto sem lua.
                     
E tu... silêncio o que vês?
                    
Paisagens de uma caminheira,
retalhos de uma existência sem cor...
aguarela de saudades e emoções inquietas...
alvoroço de agonias em seu coração.
                       
Vagueio pela noite,
perdida e sem rumo...
Os meus passos seguem-me
numa estrada infinita...deserto sem oásis
onde um dia a voz emudecera as palavras.
              
Procuro a fonte da aurora...
refúgio de mim... da minha alma
afogada em orvalhos de tristeza...
                       
Procuro a fragrância da vida que
outrora perfumou o meu jardim de sonhos...
               
         Procuro o oceano das emoções claras, 
ondas de alegria pulando o promontório da ilusão.
                       
E na quietude aparente dos sons do silêncio...
ecos de mim falam ao vento...
transportam os meus sonhos adormecidos
até à caravela das estrelas.
                         
Levada pelas velas da esperança
e embalada pelas vagas do amor...
Eu vejo a lua!
 
 
 
 
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