Lágrimas de Sangue
Um dia Deus indagou o mais triste dos seres humanos:
"- Tua dor é tão imensa, tão profunda, que posso ouvir o clamor do teu coração daqui do meu Trono Celestial."
"- Pede-me algum lenitivo para tua alma e eu to concederei."
"- Pede sem temor e sem culpa."
A pobre criatura humana, com os olhos cheios de lágrimas, lágrimas de sangue, e com a voz embargada, pediu:
"- Senhor Deus, faze com que eu deixe de existir! Só assim cessará minha dor e meu pranto sem fim."
Deus, muito entristecido, respondeu:
"- Não é minha política conceder a aniquilação a minhas criaturas, pois sendo infinitamente sábio, eu as criei com um propósito, e para serem felizes, cada uma em seu lugar na criação. Eu te criei para a felicidade e teu fracasso nesse ponto também seria o meu fracasso como criador. Se eu permitisse tua aniquilação eu seria um Deus imperfeito e passível de cometer erros. Sou Deus perfeito e minha criação é perfeita."
"- Contudo, tua dor não posso permitir, pois te criei para a felicidade e esse é teu propósito."
"- Dar-te-ei o esquecimento e tu olvidarás toda a tua dor e todo o teu sofrimento. Esquecerás todo o teu passado e começarás nova vida."
"- Far-te-ei novo ser com novas lembranças. Eu sou o Senhor Deus Onipotente e tudo posso fazer."
Assim Deus o fez, e num instante após, o ser humano outrora tão triste e infeliz, sorriu e sentiu alegria de viver pela primeira vez na vida.
Deus disse:
"- Dar-te-ei agora um novo nome e nova criatura serás vivendo feliz para todo o sempre, e nada mais te abalará, pois Eu Sou Deus de Palavra. Está consumado."
Autor: Renato Batista Magrini
Data: 15 de agosto de 2008