"La vita dei nostri nonni"

Você já deve ter perguntado a si mesmo, de como era a vida dos nossos avôs, o porque eles eram rigorosos, bravos, e sistemáticos, não é mesmo? Para saber tudo isso, devemos entender que no passado, isto é, na época em que eles nasceram e viveram eram bem diferentes de agora, não tinham remédios, meios de comunicação, moda, TV, futebol, etc. Era só trabalho, rezar o terço todo dia, e talvez um pouco de vinho. Quando vendiam seus produtos nem sempre o preço era satisfatório, as vezes recorriam aos padres para saber se o preço do café era o certo, para não ser enganado, pelo comprador. Trabalhar muito sol a sol e os preços não condiziam com suas necessidades, mesmos as mínimas, que eram essenciais para seus sustentos, roupas somente  as do corpo, muitas vezes, lavavam e esperavam secar para coloca-las novamente. Não era fácil, só reclamações, muitas vezes as mulheres colocavam água na boca para não reclamar, acqua in boca. Se o Nonno ainda tivesse vivo, e assistisse as novelas, os programas de auditórios que passam hoje na TV, estas seriam quebradas ou desligadas, somente o canal da Rede Vida seria permitido assistir.

Quando eles vieram para o Brasil, os navios, i vapori, a quantidade de passageiros eram sempre maior que a capacidade normal do navio, os alimentos eram a base de milho e farinha, verduras não havia pois já no terceiro dia de viagem estavam estragadas, a carne de boi, galinha, e de porco, também estragavam, portanto para que isto não acontecesse, as criações eram embarcadas vivas, conforme o consumo eram abatidas nos porões dos navios. Havia também o enjôo, mal di mare, que assolavam a todos, a pelagra, la pellagra ( que provavelmente já haviam adquiridos antes mesmo de embarcarem), e a febre o único remédio era de colocar a criança debaixo da torneira para refrescar, tudo isso faziam que os imigrantes nunca desejasse ter embarcado, voltar não dava, os problemas seriam os mesmos, o jeito era seguir em frente, e continuar a ouvir os barulhos dos corpos que eram jogados ao mar.

Quando o navio atracava no porto, era só pegar as bagagens e descer a rampa e registrar na alfândega, se olhassem para trás viam alguns companheiros de viagem descendo a rampa e no colo um filho, ou esposa que acabara de falecer. Para estes só restava duas saídas, chorar um pouco e seguir em frente, com alguma ajuda de amigos, ou subir no navio e voltar. Era viver ou viver. Mas porque fazer esta loucura, loucura agora, mas na época da Unificação da Itália, 1870 e até 1918, era a única saída da miséria e sofrimento. Onde, tinham de produzirem seus próprios alimentos, em suas próprias terras ou dividir com o dono da terra.

Vamos conhecer um pouco de como era a vida dos nossos avós na Itália, como era o seu dia-a-dia, o que eles faziam, como era a vida social, etc.

Para sabermos tudo isso, eu recorri da narrativa do Pe. João Leonir Dall`Alba, autor do livro Os Dall´Alba cem anos de Brasil. O autor faz uma narratIva de seus antepassados que nasceram na Itália, Pe Leonir é neto de Madalena Candida Zaupa, da família Zaupa de Caxias do Sul - RS. E também da narrativa do livro ....E os italianos chegaram...., de Dionisio Antonio Zaupa, da Família Zaupa de Jaguari - RS. E desta forma os nossos não eram diferentes.

Nossos avós nasceram e viveram no norte da Itália, na região do Veneto, na província de Vicenza. Na Idade Média - Sede do Santo Império Romano - Germânico. A Sereníssima Republica de Veneza, nesta época a vida era razoável, vida dura mas as finanças eram boas. Depois vieram os franceses com o Napoleão, os austríacos e finalmente a unificação com o governo de Roma. Começou então a crise que perdurou até o fim a Primeira Guerra Mundial. Somente em 1918 é que começou a melhorar aos poucos.

Entre os anos de 1870 a 1922 foram 6,5 milhões de imigrantes italianos que vieram para a América. As estações do ano lá na Europa é praticamente ao contrário das nossas, isto é, quando aqui é o verão, lá é o inverno. E que inverno, é frio mesmo, de cair neve, é um inverno bem rigoroso e dura praticamente 3 a 4 meses. Ficando portanto 9 a 8 meses para trabalhar na terra. Na qual irão produzir alimentos para seu sustentos por 12 meses. Nossos avós eram agricultores (contatino) e pobres (poveri). Suas atividades eram preparar a terra para o plantio de milho, sorgo, feno, formento (trigo), etc.

Uma parte da produção eram vendidas e a outra parte se destinavam para o consumo próprio e dos animais. Do milho saia a farinha para fazer o pão e a polenta; do feno a forragem e alimento do gado (bestiame) e da mula (mula); tinham a videira de onde extraiam a uva, para fazer o vinho e o vinagre (aceto). Tinham também o pomar de frutas. O serviço dos adultos eram: os homens, o preparo das terras, e os serviços mais pesados; as mulheres, os serviços domésticos; das crianças, os serviços mais leves, como tratar das galinhas, recolher frutos do bosque, framboesas, ameixas, morangos, cuidar da horta, gravetos, folhas secas, castanhas, recolher o esterco, enfim tudo que era necessário, para ser consumido e utilizado durante o inverno. Quando o inverno chegava todos se recolhiam nas casas. As casas geralmente eram de dois ou três andares, no primeiro andar se destinavam para a estocagem das lenhas, fenos, e estábulos para o gado e animais, as pessoas viviam no segundo andar e terceiro andar, porem se viviam a maior parte do tempo juntos aos animais para aproveitarem o calor. O milho e a comida ficavam no segundo andar. A neve cobriam os locais de lavoura, pastagens, estradas, enfim tudo era gelo. O alimento poupado tinha que durar o inverno todo e até a próxima colheita. A mula ou o mulo eram bem tratados pois esses eram de grande valia para os serviços, já que as propriedades (contrata) eram nos pés dos morros e vales. Os homens cantavam, jogavam cartas e bebiam vinho; as mulheres cozinhavam, fiavam, bordavam, cantavam, rezavam; as crianças brincavam, rezavam e cantavam além de ajudar nas tarefas diárias, como tratar dos animais, varrer a casa, espalhar as forragens, ninguém ficava de papos pro ar. A lenha recolhida eram queimada para se esquentarem e cozinhar, assim todo graveto era importante ser recolhido. Com a chegada da primavera, inicia-se os trabalhos. Durante a primavera e verão é comum aparecer as tempestades com ventos fortes e também as chuvas, e com isso muitos galhos das arvores eram quebrados, as crianças maiores saiam em busca desses galhos pra recolher e estocar para o inverno seguinte. Aproveitavam de toda a área possível da propriedade, o esterco animal também eram aproveitados para a calefação e adubo orgânico, que era previamente preparado com a terra bianca (caolim) no terreiro da casa e transportados em zita ou balaios, com ajuda dos animais. Nas épocas de seca havia o perigo de incêndios nos bosques todos os homens da cidade (comune) eram vigilantes do fogo (vigilli), esta preocupação era necessária pois os bosques eram a fonte de energia, somente alguns tempos depois surgiram as minas de carvão mineral.

Podemos imaginar de como era a vida de nossos antepassados, e também de como o inverno era rigoroso, e então da necessidade de estocarem alimentos para sua subsistência. Nossos avós costumavam dizer " temos que ganhar a água que se lava o rosto"

Quando imigraram para o Brasil, quanta diferença, lenha para queimar a vontade, água em abundancia, sem falar que o inverno no Brasil não é tão rigoroso quanto o inverno na Itália, com exceção da região sul, e algumas geadas mais acentuadas.

 

Infância e Adolescência, dos nossos avós.

Para escrever esta parte, a qual é de máxima importância, pois ela narra a vida de nossos pais, tios e avós. Recorri a narrativa do livro do “Os Dall`Alba – Cem anos de Brasil”. E certamente não é diferente com nossos antepassados.

 “As crianças nasciam em casa, com auxilio das vizinhas ou de alguma parteira prática. Leite materno, leite de cabra ou de vaca, papinhas, e não chegavam a completar o primeiro ano e já entrava no regime da polenta. Nos primeiros anos, se não havia irmãos maiores a mãe levava a criança pequena para a roça, numa cesta, à sombra de uma capoeira, com um cão fiel ao lado. Enquanto a mãe roçava, capinava ou colhia, a criança passava horas, já enfrentando a rudeza do tempo, o frio, o calor, um raio de sol no rosto, as moscas, as formigas, até mesmo alguma aranha ou cobra venenosa. Quanto disso teria para contar essa geração, se pudesse lembrar de si, ou quanto pode contar dos irmãozinhos menores que ajudou a criar. Quando começava a caminhar aí era mais fácil se entreter colhendo flores, brincando na terra com pedrinhas, cristais e caramujos. Aí já vinha o segundo maninho que se tornava companheiro de todas as horas. E a mãe e o pai trabalhando! Pouco tempo sobrava a eles para acalentar a criança ao colo, ou afagar os filhos pequenos. Tirados os poucos momentos do aleitamento materno, o nenê, el tatin, era entregue aos cuidados dos maninhos maiores. Mal podiam segurá-los ao colo, mas o amor fazia encontrar maneiras de dar-lhe comida, de faze-los dormir, de acalmar o choro. Quanta irmãzinha maior pode dizer-nos hoje, aos setenta e mais anos: meus irmãos, quem os criou fui eu. Bastaria falar com a Virginia, com a Lucia, com a Helena (família Zaupa de Caxias do Sul). Criar os filhos, slevar i fiori, foi e não foi difícil. A criança posta cedo em contato direto com a terra, com o barro, imunizava-se contra um mundo de doenças. Podia ficar ao sol, ao vento, ao frio. Comia frutas do mato, comia frutas verdes.... nada lhe fazia mal. Se fizesse, era um chá de marcela, ou de camomila. Se não desse ainda, era uma dose de óleo de rícino. Este entra na historia da família (Zaupa de Caxias) ainda em Porto Alegre, durante a viagem de chegada, quando a nona Zaupa ( Maria Bressan), ao reencontrar-se com o marido (Giacomo Zaupa), na pungente cena em que cada um conta da perda de um filho, chegava do armazém onde fora comprar um vidro de óleo de rícino. Deve ter feito bem a Cândida, bem doentinha, como fez bem aos demais que se criaram sadios. Era remédio pra tudo. Uma vez purgado o estômago e o intestino, o resto ficava a cargo do organismo que reagia. Sarampo, coqueluche, grupo, varíola eram doenças normais, raramente fatais. E a criança ia ficando imunizada. Foram muitos, porém, os que ficaram. Basta ver na genealogia quanto parente nosso falecido com poucos anos de vida.

Até os três ou quatro anos tanto meninos como meninas vestiam um saiote, el cotolon. Depois o menino passava a usar calça curta, com a famosa porteira, por de trás, presa por dois botões ao lado. Cinta era coisa de adulto. Menino, até quinze e mais anos usava suspensórios, tirache, feitas com o mesmo tecido de riscadão das calças. Pés no chão, ou quando muito uns tamancos, no inverno. Camisa de riscado, e a jaquetinha de pelúcia para o inverno. Se fizesse mais frio, era ao redor da lareira. Era ali, na cozinha separada da casa, que se rezava, aprendia-se a doutrina, comia-se, conversava-se, passava-se o tempo frio, o tempo de chuva, os serões das noites de inverno.

Higiene, certamente não era fator que se levasse muito em conta nas famílias da colônia. As crianças punham roupa limpa aos domingos, para trocá-las no domingo seguinte. Roupa feita em casa, passando de irmão mais velho para mais novo, remendada até o impossível. E eram remendos de todas as cores, também para os adultos. Às vezes algum banho de anilina tentava unificar essas cores. Quem fazia a roupa era a mãe. Maquina de costura deve ter feito parte do dote de todas as moças Zaupa e Dall`Alba da primeira geração.

Escola? Dos Dall`Alba, cremos que mais da metade dos netos dos velhos troncos não tiveram escolas. Mas as mães ensinavam a ler, escrever e fazer contas. Por volta de 1930 é que os Dall`Alba e Ballardin em idade escolar começaram freqüentar mais ou menos regularmente a escola de São Gaitano. E foi a Virginia Dall`Alba Novello. A professora de quase todos, tanto em São Gaitano, como na região do Fonso Secco (Afonso Secco) ou depois, na Scola della Virginia, além de São Valentin. (“Eu já ensinei 60, 70, 75 alunos de uma só vez. Mas só um curso” [Virginia.]).

Admirável é que fazia todos ficar em atividades: os mais adiantados aprendiam ensinando os outros. A Virginia foi a primeira Dall`Alba “estudada”, da 2ª geração, e também a única, se exceptuarmos as freiras.”    Pe João Leonir Dall`Alba.

 As diversões dos nossos avós.

Para se divertirem e se distraírem após as tarefas difíceis do trabalho nas lavouras de café, eram: As crianças jogavam o pião, sburne, o Toni (Pres Prudente) era bom no jogo de sburne; brincavam com o trenó, slita, tabua lisa que se subiam numa ladeira e desciam montados na tábua. Como que eles paravam? Não paravam iam até o final da ladeira, e sai da frente que atrás vem gente. Por que você acha que inventaram a cotoveleira, a joelheira, capacete, etc.

Os adultos eram o jogo de baralho, onde jogavam o Truco, o Vinte e Um, Scopa, e outros.

Aos domingos eram o jogo de bocha, maia. Cuidar das criação, consertar o galinheiro, a pocilga, em fim tudo que era necessário para o bom andamento da colônia.

As mulheres eram alvejarem os sacos de farinha e açúcar para fazerem bordados e transforma-los em lençóis, fronhas, toalhas de mesa, toalha de banho, la sciugamano, panos de pratos, e outros, arrumar a casa, lavar as paredes da cozinha para tirar a fuligem causada pelo fogão de lenha, remendar as roupas de trabalho, e por ai vai, ninguém ficava de papo pro ar. No ghe xe né cristi né madone.

 

Curiosidades encontradas nas pesquisas.

Entre o ano de 1187 e 1191, a Igreja foi governada pelo Santo Padre, o Papa CLEMENTE III, e seu nome era Paolo Scolari. Será que existe alguma relação com o sobrenome Scolari do Zio Samuel?

A sigla PAPA significa em Latim " Pontifex Altissimo Petri Apostolorum ". Do Grego " PAPPAS".

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