A IMIGRAÇÃO

Do ano 1870 a 1925 é que se deu as imigrações para a América, os Estados Unidos, a Argentina e Brasil, foram os paises que mais receberam os imigrantes italianos, bem como outros do continente europeu. Até o ano 1922 já haviam entrado na América cerca de 6,5 milhões de italianos, até o ano de 1924 retornaram para a Itália somente cerca de dois mil e cem, dos quais 1000 dos Estados Unidos, 800 da Argentina e 300 do Brasil. Paises como o Uruguai recebeu cerca de 127.000, Chile 21.500, Venezuela 7.500, Paraguai 5.400, Peru 4.700, Canadá 4.500, Bolívia 1.500, Equador 1.200, outros paises como o México, Colômbia, Guatemala não ultrapassaram de 1000 italianos, já os Estados Unidos foram cerca de 3.2 milhões, a Argentina cerca de 1.5 milhões e o Brasil cerca de 1.3 milhões. Foram mais de 6.5 milhões de italianos que deixaram sua pátria para viver na América, o paraíso terrestre "Mérica la terra della Cucagna”.

 

HISTÓRIA DA IMIGRAÇÃO ITALIANA NO BRASIL - e particularmente no estado capixaba ( Espírito Santo).

A Tribuna- 31/5/1975 - Caderno Especial - 100 anos de presença italiana no Espírito Santo.

Segundo o sociólogo italiano Renzo M. Grosselli, a Expedição de Pietro Tabachi, foi o primeiro caso de partida em massa de imigrantes da região norte da Itália para o Brasil. O nome da colônia criada no Espírito Santo, pelo Governo Brasileiro, chamava-se Nova Trento, a qual foi a primeira, de pelo menos 3 Nova Trento, fundadas pelos trentinos em terras brasileiras.

Assim, podemos dizer que Santa Cruz foi o berço da Imigração italiana no Brasil.

A primeira viagem de imigrantes aconteceu no dia 3 de janeiro de 1874, às 13 horas, do Porto de Gênova, em um navio a vela , o "La Sofia", na expedição Tabacchi , e a segunda pelo " Rivadávia" , ambos de bandeira francesa. O "Sofia" chegou ao Brasil em fevereiro de 1874, 386 famílias, para as terras de Pietro Tabacchi, em Santa Cruz.

Contudo, oficialmente, a imigração teve início no Brasil com a chegada do navio "Rivadávia" , que aportou em 31 de maio de 1875, com 150 famílias italianas, encaminhadas para Santa Leopoldina, de onde seguiram para Timbuí e fundaram Santa Teresa, todas localidades situadas no Estado do Espírito Santo.

Seguem-se a estes, outros navios, de 1874 a 1894: "Mobely", "Itália", "Werneck", "Oeste", "Izabella", "Berlino", "Clementina", "Adria", "Colúmbia", "Maria Pia"," Regina Margherita", "Solferino", "Andréa Dória", "Savona", "Citá de Genova", "Roma", "Baltimore", "Savóia", "Pulcevere", "Birmania", "Las Palmas", "La Valleja" e finalmente, "Mateo Bruzzo", chegando com 528 famílias em outubro de 1894.

 

PRINCIPAIS CAUSAS DA IMIGRAÇÃO

No princípio do Século XIX ocorreram grandes modificações políticas e econômicas na Europa.

Terminada as guerras napoleônicas, o Congresso de Viena - 1814/1815 - estabeleceu arbitrariamente novos estados, formas de governo e alianças, sem escutar os povos a eles submetidos.

Assim, a Itália se viu dividida em sete Estados soberanos, surgindo, em conseqüência, o ideal da unificação. Esta foi obtida apenas em 1870, graças a Vitor Emanuel II, o Primeiro Ministro Cavour e o revolucionário Giuseppe Garibaldi. Terminada a luta, o sonho de paz e prosperidade foi substituído por uma dura realidade: batalhões de desempregados e camponeses sem terras não tendo como alimentar a si nem as suas famílias. A Revolução Industrial, com a advento das máquinas, substituíra o trabalho do homem, com muito mais lucro e perfeição. A solução foi emigrar em busca de novas terras não exploradas e ricas.

NÚCLEO COLONIAL DE SANTA CRUZ - (hoje parte é município de Ibiraçu).

Os primeiros colonos para esse núcleo chegaram no navio Colúmbia, que aportou em agosto de 1877. Os outros vieram nos navios "Izabella" e "Clementina". Realizaram o mesmo itinerário do grupo trazido por Pietro Tabacchi para Colônia Nova Trento, ou seja, de Vitória para Santa Cruz, de vapor. Em seguida, em canoas, subindo o rio Piraqueaçu até o Porto de Santana, em Córrego Fundo e, dali, a pé, até a Fazendo do Morro das Palmas. Daí, eram agasalhados em um barracão do tempo de Pietro Tabacchi. (falecido em 21.6.1874.

FIM DA IMIGRAÇÃO

Em 20 de julho de 1895, o Governo Italiano proíbe terminantemente a emigração para o Espírito Santo. Esta medida foi conseqüência do relatório enviado pelo Consul da Itália neste Estado, apontando as dificuldades que o imigrante era obrigado a suportar: má alimentação, abusos da polícia e justiça incerta, insalubridade do clima, deficiência de serviços médicos e escolares, demora excessiva na medição dos lotes e divisão de terras, etc.

E para escapar da fome, a população fugia. Começava a grande emigração vêneta.

 

Mas! Nem tudo que reluz é ouro.... / Ma! Non è tutt`oro quel che riluce.....

Os problemas no Brasil. I guaio in Brasile.

Para que a imigração fosse efetivada era necessário que o candidato cumprisse alguns requisitos básicos.

Na época da imigração a Itália um pais extremamente católico, onde os registros de nascimentos, casamentos, e morte eram feito pela Igreja e também pelas Prefeituras (Comune), mas que para imigrar tinham que ter toda a pelada pronta, isto é, certidões de nascimentos e casamentos, em mãos, portanto quem portava somente as certidões expedidas pela Igreja, era necessário regularizar junto ao Estado, daí o fato de muitas certidões constarem datas divergidas da realidade. Bom! Com a papelada em ordem era só aguardar a liberação do Rei da Itália, e embarcar rumo a América. Mas para isso era necessário atravessar o norte da Itália até o porto de Genova, e essa travessia era feita de trem, ou a pé, sob um inverno rigoroso.

No caso particular dos imigrantes ao Brasil estes vinham diretamente a um proprietário de fazenda e eram destinados para as lavouras de café no interior Paulista, e a situação encontrada aqui não era muito diferentes das deixada para trás. Uma das dificuldades encontradas foram o idioma, ocasionando assim se estabelecerem em locais bem diferentes a que estavam predestinados, não que isso importava, pois para o imigrante tanto fazia, ir para a Mogiana ou Araraquarense, dava na mesma, não sabia falar nenhuma das duas palavras. Ao chegarem no destino que lhe foram impostos, encontravam as instalações para se alojarem, em estado deplorável de precariedades, sem falar nos baixos salários que iriam receber e ainda os recebiam atrasado, isto quando o imigrante não ficava devendo ao patrão, gerando um caso de desespero, que levava a problemas mentais e alcoolismo. Tratados como os escravos, e houve casos em que o patrão tentava estuprar as filhas dos imigrantes era comum, como também de serem espancados pelos capangas, houve um caso em que um fazendeiro estuprou a filha de um imigrante e este ajudado pelos seus filhos, assassinaram o patrão, muitos retornaram para a pátria mãe e relatavam para as autoridades, a verdadeira faceta da imigração, tanto na Argentina como também nos Estados Unidos da América. Tudo isso gerou revolta dos imigrantes e também do Governo Italiano que proibiu a imigração para o Brasil e outros paises.

 

PARA SABER MAIS

Este trabalho foi resumido a partir dos seguintes livros/jornais:

A Tribuna- 31/5/1975 - Caderno Especial - 100 anos de presença italiana no Espírito Santo.

A Expedição Tabacchi e Colônia Nova Trento - Renzo M. Grosselli -.Artgraf. Gráfica e Editora Ltda. Março/1991.

Subsídios à História da Imigração Italiana nos Municípios de Ibiraçu e João Neiva - Lucílio da Rocha Ribeiro - Artgraf. Gráfica e Editora Ltda . 1990.

 

Mas! É sempre bom saber.

Ao fim do primeiro trimestre do século XIX ocorreu na região um pequeno mas importante surto de industrialização: os Rossi (de Schio) e os Marzotto (de Valdagno) lançaram as bases da grande indústria da lã, procurando encontrar o equilíbrio adequado entre as exigências da fábrica e aquelas do campo, aumentando o número de trabalhadores ligados à terra e pondo à sua disposição escolas, teatros, casas de repouso, centros de convivência e colônias de férias. Mas nem tudo era cor-de-rosa: quando os operários faziam greve, o Senador Rossi procurava mandar para a América os mais turbulentos... No entanto, esse experimento industrial, de alto valor social para aqueles tempos, não impediu o avanço da miséria, da desnutrição e da fome no campo Vêneto. A pelagra.

 

Imigrantes italianos na Hospedaria em São Paulo. (foto Arquivo de Paolo Cresci).

Foto: http://rcslibri.corriere.it/rizzoli/stella/home.htm

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