CONHEÇA UM POUCO DA HISTÓRIA DO VÊNETO

Da Pré-história aos "Hênetos" e à civilização "Atestina".

A configuração física do Vêneto favoreceu a sua ocupação desde a era paleolítica. Descobertas fósseis que remontam a cerca de 150.000 anos foram feitas na zona colinar a norte de Verona; outras, de época posterior, nos montes Béricos (nesta região está localizada a cidade de Lonigo), no Altiplano de Asiago, nos montes Lessini e no Montello. Encontraram-se restos de palafitas nas margens do Lago de Garda e de algumas lagoas nos Montes Béricos, sendo numerosos os testemunhos da era neolítica e da idade do bronze distribuídos quase que por todo o território.

Por volta do ano 1000 a.C. a região foi invadida pelos Hênetos, povo proveniente das proximidades do Mar Negro.

Nos montes Eugâneos, os Hênetos ou Vênetos – deram origem a uma civilização muito interessante, com linguagem e escrita próprias (venético), denominada "Civilização Atestina", porque teve em Ateste (Este) o seu centro principal, mas que se difundiu rapidamente por toda a Região. Os vênetos tiveram contatos com os Etruscos com povos do Danúbio, comerciando objetos de bronze, sal, lã e cerâmicas.

Tendo sido obrigados a defender-se das invasões dos Gauleses que desciam dos Alpes centro-orientais, preferiram aliar-se aos Romanos e foram lentamente absorvidos por estes.

 

A influência romana e a infra-estruturação do território.

A presença romana no Vêneto é atestada já por volta de 250 a.C., mas é em 172 a.C. que começa a colonização, com a fundação, ou refundação fortificada, de alguns centros (entre os quais Pádua, Bassano, Cittadella, etc.) e a progressiva absorção dos Vênetos.

Para Roma a região é importante, principalmente devido às vias de comunicação com o Norte e com o Oriente. Começam a ser construídas estradas, escavados canais, elevadas as margens de contenção e construídas importantes cidades (Verona, Vicenza, Oderzo, Concórdia, Altino) e, mais tarde, quando o Vêneto já se tornou a "Xª Regio, Venetia et Histria", funda-se Aquiléia, como baluarte contra invasões vindas do leste e grande porto do Adriático.

Dentre as estradas romanas mais importantes devem ser mencionadas a Via Anícia (de Ravenna a Altino), a Via Popília (de Ádria a Pádua), a Via Emília (de Vicenza a Altino), a Via Aurélia (de Pádua aos Alpes), a Via Cláudia Augusta (ao longo do vale do Piave em direção ao Cadore) e a Via Postúmia (de Verona a Trieste e à região da Ilíria). Quase todas as cidades do Vêneto guardam algum testemunho imponente da presença romana, encontrando-se as mais notáveis em Verona (a Arena), Vicenza, Pádua, Treviso, Altino, Oderzo e numerosos centros de menor porte ao longo das vias de comunicação mais importantes.

O Cristianismo chegou ao Vêneto por volta do ano 400 tendo seu centro principal em Aquiléia, que logo tornou-se um prestigioso patriarcado.

 Das invasões bárbaras ao nascimento do Ducado Veneziano.

Com a decadência do Império Romano, o Vêneto torna-se ponto de passagem obrigatório para as invasões da Itália por povos bárbaros provenientes das planícies do leste. No curso das lutas desses povos bárbaros - Ostrogodos, Francos, Longobardos – entre si e contra os imperadores de Bizâncio que tentavam reconquistar a Itália, o Vêneto conheceu períodos de grave decadência econômica e social.

É precisamente a essas circunstâncias que se deve o nascimento de Veneza. As populações das cidades destruídas e dos campos saqueados, encontravam, em grupos cada vez mais numerosos, refúgio nas ilhotas da laguna, onde os bárbaros, inexperientes em navegação, não podiam chegar.

Assim, entre os séculos VI e VII, as ilhas da laguna foram progressivamente povoadas e se uniram sob a égide de Bizâncio, outorgando-se uma organização própria e um chefe próprio: o Tribuno Marítimo, um verdadeiro governador bizantino, e, mais tarde, em 679, o Doge (duque).

A primeira sede oficial do Ducado veneziano foi Eracléia e depois Metamauco (Malamocco), um porto de mar e de laguna na ilha do Lido. Em 810 deslocou-se a sede para a ilha de Rioalto (Rialto), interna e por isso mais segura, e foi nessa ilha e numa centena de outras ilhotas vizinhas que surgiu a cidade propriamente dita (Civitas Rioalti).

A ascensão da República Sereníssima.

Desligando-se gradativamente de Bizâncio, embora continuando a manter com o Império contatos estreitíssimos, Veneza adotou um governo de tipo republicano, regido por um Doge e por uma oligarquia, mas submetido a vários controles de tipo democrático.

São os primórdios da potência veneziana, que, depois de libertar-se da tutela de Bizâncio, cresceu durante toda a Idade Média em decorrência de lutas encarniçadas e de comércios bem sucedidos que, por volta de 1100 fizeram da cidade lagunar a rainha absoluta do Adriático.

Em particular, os Venezianos souberam conduzir para vantagem própria a sua participação na IV Cruzada - 1202/1204 – conquistando Constantinopla e tornando-se senhores de um grande império colonial que compreendia, entre outras, as Cidades e o arquipélago Egeu.

Teve início, dessa forma, a encarniçada rivalidade entre Veneza e Gênova pelo domínio do Mediterrâneo, disputa que culminou em 1380 com a definitiva vitória da cidade adriática.

 Veneza e o Vêneto.

O progressivo desmoronamento da autoridade imperial havia, entretanto, engendrado nas cidades da terra firme – Pádua, Treviso, Vicenza, Verona – a constituição de poderosas jurisdições locais, apoiadas por fortes castelos no território, com funções militares, em sua maioria em mãos de vários senhores feudais (os Estensi, os Trissino, os Da Romano, etc.). É aqui efetivamente que, entre os anos 1400 e 1500, se estende a potência de Veneza, temerosa de um enfrentamento terrestre e gradativamente posta em crise, no seu império colonial, pela ameaça do avanço dos Turcos e pelo deslocamento do tráfico comercial para a área atlântica, em conseqüência das descobertas geográficas.

 A decadência.

Envolvida nas lutas européias pelo predomínio na Itália, Veneza coloca em perigo, às vezes, as sua próprias possibilidades de sobrevivência – em particular em 1509, quando os exércitos da Liga de Cambrai derrotam as suas tropas em Agnadello - e, não obstante o seu novo status de potência na terra firme, atravessa um processo de contínua decadência, culminando em 12 de maio de 1797, com a proclamação do Maggior Consiglio, que reunido pela última vez e sob a ameaça das tropas napoleônicas, declara o fim do milenar governo da Sereníssima.

Concluída a experiência da efêmera República Democrática, instaurada por Napoleão, o Vêneto foi cedido pelos franceses à Áustria (pelo tratado de Campoformio, em outubro de 1797), que o manteve em sua possessão até 1866, data da anexação da Região ao Reino da Itália.

 Veneto

Antiguidade - Tribos Celtas, Fim do Império Romano - século V - Reino Bárbaros.

Rei Franco, Carlos Magno, 772 a 802.

Império Romano até o século V, depois do século V o Império sofreu invasões bárbaras, a península é fragmentada em estados independentes. No século VII o rei franco Carlos Magno domina a região e é coroado imperador do Império Romano pelo Papa.

No século IX a Sicília é dominada pelos Muçulmanos, entre os séculos XII e XIII parte da Itália é dominada pela dinastia Germânica, Hobenstaufem, neste período surgem as cidades estados como Milão, Genova, Pisa e Florença, que junto com os Estados Pontífices dominam a península.

Ducado da Áustria 1156. Século XV - Habsburgo. Reis do Sacro Império Romano - Germânico. Séculos XV e XVIII. Europa e América Espanhola, sofre o domino Austríaco. Em 1494 o rei franco Carlos VIII invade a região da península.

 Unificação da Itália

Nos séculos XIV e XV da-se inicio do Risorgimento Italiano.

Guerra com a França 1791 a 1814.

Com o fim do Sacro Império Romano Germânico. Inicia-se os Impérios Austríaco, Alemão, Húngaro, Romeno, Esloveno, e Italiano - 1809 a 1848.

Na primeira metade do século XIX, o Risorgimento (Renascimento), movimento liberal nacionalista.

1ª fase: Revoltas, Ações Terroristas, etc. - 1848.

2ª fase Proclamação do Rei Umberto Emmanuel II, 1861, Anexação de Veneza, 1866.

3ª fase Anexação dos Estados Pontífices, em 1870.

De 1815 até 1866 Veneto era de Domínio Austríaco.

A situação política da Itália se torna definitiva somente em 1929, com o Tratado de Latrão.

 

 Saiba um pouco mais sobre a vida no Veneto.

 A Pelagra – La Pellagra

A pelagra é a insuficiência de vitaminas causada pelo consumo quase exclusivo de polenta. Esta doença causava distúrbios digestivos, nervosos e mentais, e atingia um em cada dez vênetiano, que em 1881 eram mais da metade de todos os pelagrosos da Itália. Salvava-se apenas a população da montanha, que podia variar um pouco a dieta de polenta, acrescentando-lhe alguma "bisteca da horta", termo que ironicamente os camponeses usavam para designar a chicória "radicchio" e feijões "fagioli" colhidos no campo para uso doméstico.

 

O Trabalho – Il Lavoro

Meeiros, colonos, trabalhadores braçais, viviam sob a ameaça de perder a casa e o trabalho, quanto estes eram renovados pelos patrões no dia de S. Martinho, 11 de novembro, data que marcava o início do ano agrário e a renovação dos contratos.

A dureza do trabalho diário naquela época é documentada pela importante pesquisa agrária e sobre as condições da classe agrícola, que o Parlamento Italiano iniciou em 1877 e cujos resultados, publicados entre 1880 e 1885, revelaram a condição desesperada dos trabalhadores nos campos italianos. O cálculo das horas de trabalho do camponês vêneto é informado assim: "o camponês trabalhava no verão, das 4 da manhã às 8 da noite e, no inverno, das 7 da manhã às 5 da tarde; note-se, no entanto, que ambos os períodos de trabalho incluem duas horas de repouso, de modo que, em média, o camponês tem 14 horas de trabalho no verão e 8 no inverno,       aí compreendido o tempo ocupado para ir e retornar do local de trabalho (que às vezes é distante) e calculando como horas de repouso aquelas passadas nas reuniões "iemali" (isto é, as ‘filò’, ou seja, as vigílias noturnas no estábulo, ao calor dos animais, que na verdade eram horas de trabalho para mulheres e homens, aquelas ocupadas em fiar e estes em construir ou consertar implementos)"

 "As horas de repouso na cama, por outro lado, podem ser calculadas em 6, tanto no verão como no inverno, por causa das reuniões noturnas que se prolongam até entre 11 da noite e meia-noite, e das quais costumam participar todos, com exceções das crianças e velhos. Talvez não exista nenhuma classe social que, como a dos camponeses, utilize assim longamente as crianças e obrigue as mulheres a dividirem os esforços com os homens."

O peso do trabalho era acompanhada do medo, para aqueles que não tinham a propriedade de terra, de perder casa e atividade. Tinham medo de serem enganados, havia também a armadilha dos patrões e o medo de serem um diarista, isto é, de viver a base da jornada, ou de aluguel  “affitto“, sem poder contar com algumas galinhas, com um porco, com uma horta, com aquele pouco de lenha que podia ser recolhido das árvores ao longo dos fossos, com um teto, malfeito talvez, mas seguro. Daí a necessidade de imigrar, a pergunta era imigrar para onde. Imigrar para as colônias que pertenciam a Itália, para as colônias da Inglaterra, ou para a América.

 

Trabalho nas minas de carvão - Carbonari.

Foto: http://rcslibri.corriere.it/rizzoli/stella/home.htm

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