
O AVÔ FAUSTO TIECHER E FAMÍLIA
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O avô Fausto Mansueto Tiecher nasceu no dia 09 de junho de 1925, em Nova Bréscia, na época pertencente ao território de Encantado. Com o falecimento da mãe, em 1928, Fausto, com apenas 3 anos de idade, passou a viver sob os cuidados de sua tia Ângela Zambiazi, também residente no interior de Nova Bréscia. Quando o menino tinha 9 anos, a tia pediu que ele procurasse a casa de outros parentes para morar, visto que ela era pobre e agora tinha os seus filhos para criar. Então, em plena infância, Fausto passou a varar pela região, fazendo pequenos serviços nas propriedades rurais em troca de comida e pouso, muitas vezes no paiol ou na estrebaria. No início da juventude, quando adquiriu maior força física, passou a assumir serviços maiores, fazendo empreitadas e trabalhando “por mês”. |

O AVÔ FAUSTO EM SUA ADOLESCÊNCIA, NO FINAL DA DÉCADA DE 30.
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Aproximadamente com 13 anos de idade passou a trabalhar com o Sr. Burgalli, casado com sua irmã Cristina, em Cabral, Anta Gorda. Foi nesta época, quando teve que fazer uma operação cirúrgica de apendicite, que Fausto teve a confirmação de que era hemofílico. Por isso, o procedimento cirúrgico acabou não sendo realizado. Aos 15, labutou na propriedade do também seu cunhado Afonso Ferronato, esposo de Amábile, também na localidade de Cabral. Quando tinha 17 anos, o avô foi trabalhar na colheita de uvas em Linha 40 da Graciema, interior de Bento Gonçalves, onde permaneceu até partir para a prestação do Serviço Militar. Nos 3 meses em que esteve no quartel, em Santa Maria, conheceu e tornou-se grande amigo do encantadense Raimundo Lisott. De volta ao Vale do Taquari, no ano de 1943, Fausto passou a trabalhar com Alberto Lisott, pai do amigo Raimundo, em Linha Bonita, cultivando milho e feijão preto. Após um ano na condição de empregado, pela qualidade do trabalho, foi convidado por Alberto para trabalhar “à meia”, ou seja, ser sócio da plantação.
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NO ANO DE 1949, EM LINHA BONITA, O AVÔ FAUSTO
EM FOTOGRAFIA TIRADA PELA AVÓ FRANCISCA.
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Aos 21 anos começou a namorar Francisca Sartori, com quem se casou perante a Igreja Católica de Dr. Ricardo no dia 17 de janeiro de 1948, em cerimônia realizada pelo Pe. Santo Dal Bosco. O registro civil ocorreu em Encantado no dia 21 de janeiro do mesmo ano. Francisca Sartori, nasceu em Dr. Ricardo, Encantado, e foi registrada no dia 19 de novembro de 1924. Filha de Paulo Sartori e Dosolina Grassioli, tinha como avós paternos Jacó Sartori e Rosa Viccari, residentes em Linha 40 da Graciema, Bento Gonçalves, e, como avós maternos, José Grassioli e Maria Pertille. Os bisavós Paulo e Dosolina Grassioli tiveram 13 filhos: 1. Adelina, casada com Severino Pretto, vive em Bituruna/PR. 2. Rosa, casada com Mario Dalpubel, falecida em Concórdia/SC. 3. Balduíno Sartori, casado com Dosolina Lisott, falecido em Linha Bonita, Encantado/RS. 4. Maria, casada com Genuíno Pires, falecida em Cuiabá/MT. 5. Helena, casada com Fausto Lorenzi, vive em Concórdia/SC. 6. Francisca, casada com Fausto Tiecher, vive em Encantado/RS. 7. Ortenila, casada com Armando Conte, vive em Curitiba/PR. 8. Delmino Sartori, casado com Elda Mariotti, vive em Relvado/RS. 9. Ivo Sartori, casado com Zenilde Debortolli, vive em Doutor Ricardo/RS. 10. Deolino Sartori, casado com Júlia Villas Boas, vive em Ilópolis/RS. 11. Gema, casada com Luis Girardi, vive em Muçum/RS. 12. Adiles, casada com Genuíno Paliosa, vive em Doutor Ricardo/RS. 13. Jandir, casado com Maria Leonilda Giacobbo, falecido em Doutor Ricardo/RS.
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FAMÍLIA DE PAULO SARTORI NA DÉCADA DE 40, EM DR RICARDO:
EM PÉ: BALDUÍNO, DELMINO, IVO, ROSA, MARIA, HELENA E FRANCISCA.
SENTADOS: ORTENILA, DEOLINO, JANDIR, DOSOLINA E PAULO, ADILES, GEMA.
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Os recém-casados permaneceram em Linha Bonita, onde alugaram um pedaço de terras de Alberto Lisott. Trabalhando de forma totalmente braçal, sem nenhum animal para auxiliar no serviço, cultivavam milho, feijão e trigo. Sua primeira casa era muito simples: sala e quarto de madeira, cozinha de pedra bruta e costaneira, com chão de terra. Foi ali mesmo, neste ranchinho, que Francisca deu a luz à primogênita Maria Salete, em 23 de fevereiro de 1949. Em março do mesmo ano, conseguiram comprar “uma quarta” (6500 m2) de terras ali perto, onde construíram uma casa nova e maior: de madeira, com porão de pedra, 2 quartos, sala, cozinha. Nesta primeira propriedade do casal nasceram os filhos Enio, em 11 de julho de 1951, e Mirtes, em 22 de junho de 1953. A “quarta” de terras, porém, era pequena para a plantação da família, por isso se fazia necessário o arrendamento de terras vizinhas. Diante disso, aproximadamente em agosto de 1953, Fausto resolveu vender a propriedade e adquiriu outra maior, de 4 alqueires e meio, ainda em Linha Bonita. Neste local nasceu, Erni Paulo, 4º filho do casal, no dia 09 de maio de 1955. Em maio de 1956, a família se mudou para a vizinha cidade de Ilópolis, onde estabeleceu um armazém de secos e molhados e uma sapataria, juntamente com Deolino Sartori, irmão caçula de Francisca. Pouco tempo depois, porém, o cunhado Ivo Sartori assumiu o estabelecimento e Fausto instalou um moinho de milho e arroz em outro local da cidade, onde também construiu uma nova casa para a família. Nesta residência nasceram Edeonir, em 22 de junho de 1957, e Edemar, em 22 de agosto de 1959. Foi nesta época que o avô Fausto recebeu a notícia de que seu pai, o bisavô Lino Tiecher, havia sido vítima de um derrame na localidade de Burro Feio, Anta Gorda, e foi buscá-lo para residir com a família. Em meados de 1960, como o moinho não tinha muito movimento, e o gasto com a energia elétrica que o movia, novidade para a época, era demasiadamente alto, Fausto e família montaram uma selaria, localizada na saída de Ilópolis em direção a Arvorezinha. No novo empreendimento, faziam arreios para montaria, botas, e todo o tipo de artefatos de couro, sob a instrução de um experiente funcionário trazido de Soledade. Nesta propriedade faleceu o bisnono Lino Tiecher, no dia 20 de maio de 1960, com 78 anos de idade. Em seguida, tendo em vista o alto custo de vida da cidade e a pouca renda financeira, a família resolveu retornar para sua antiga propriedade em Linha Bonita, para cultivar feijão, milho, trigo, fumo, mandioca e batata. Além disso, criavam animais: bois e porcos para vender, coelhos e frangos para a subsistência. Com os filhos mais velhos já podendo ajudar no roça, e muita vontade de trabalhar, os negócios melhoraram. Com o passar do tempo, Fausto aumentou a extensão da propriedade, comprando áreas vizinhas de Amadeo Lisott e também de Genuíno Bechi. Nasceram ali os filhos: Edemir, em 28 de julho de 1961; Luiz Carlos, em 04 de outubro de 1963; Maristela, em 28 de agosto de 1965; e, em 03 de abril de 1968, Aristeu, cujo gêmeo Dirceu faleceu 5 dias depois. No final da década de 60, o avô Fausto Mansueto Tiecher passou por graves problemas de saúde. Para dar fim às fortes dores de dente que sentia e abortar alguns problemas estomacais que começavam a surgir, Fausto precisava extrair alguns dentes, procedimento que, em virtude da hemofilia, poderia colocá-lo em risco de vida. Diante desse impasse e da negativa de vários dentistas em assumir o caso, ficou por um certo tempo agüentando as dores até que o Dr. Adroaldo Gomes, recém chegado na cidade de Encantado, após um estudo detalhado e a consulta da opinião dos médicos Dr. Clóvis Balbinott e Dr. Nédio Pretto, resolveu extrair os dentes. A extração dos dentes deu origem a um sangramento que não sanava, o que determinou uma internação de 35 dias no hospital de Encantado e a recepção de sangue de 22 doadores neste período. Para salvar a vida de Fausto, foi trazido um remédio do centro do país, Rio de Janeiro ou São Paulo. Tal medicamento deveria permanecer sob baixa temperatura, por isso foi transportado de avião até Porto Alegre, onde Nói Secchi aguardava e trouxe de carro para Encantado, deixando o material depositado na câmara fria da Cooperativa dos Suinocultores – Cosuel, de onde saia apenas para a aplicação. Felizmente, o tratamento deu certo e salvou a vida de Fausto. O tratamento, porém, teve um custo financeiro altíssimo, e o pagamento só foi possível através do auxílio dos amigos Plínio Zen, Raimundo Lisott, João Faccini, Dorvalino Zílio e Setembrino Zílio, que, conjuntamente, emprestaram o dinheiro necessário à família. Saldar as dívidas agora era mais um desafio que se postava diante dos Tiecher. Neste momento difícil se destacou o espírito empreendedor da família que, em 1970, mesmo endividada, resolveu ser pioneira na construção de uma estufa de fumo na Linha Bonita. A iniciativa deu certo e, com trabalho de todos, sob o crivo do avô Fausto, as dívidas foram pagas aos credores.
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OS AVÓS FAUSTO E FRANCISCA COM FÁBIO, O NETO MAIS VELHO, EM 1983.
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A partir deste momento, os filhos começaram a trilhar o rumo de suas vidas, e foram saindo da casa dos pais. Fausto e Francisca continuaram trabalhando na roça e vivendo na mesma casa, que era ponto de encontro e de apoio dos filhos aos finais de semana, por mais 17 anos. Em 1987, porém, com a saída de Luiz Carlos, que permanecia na casa paterna, o casal resolveu se transferir para a cidade de Encantado, fixando residência no Bairro Planalto. Foi no salão da Comunidade de Santo Agostinho, que, em 21 de janeiro de 1988, os filhos promoveram uma grande comemoração pelos 40 anos de casamento dos genitores. |

EM 1988, NA COMEMORAÇÃO DOS 40 ANOS DE CASADOS DE FAUSTO E FRANCISCA:
EDEONIR, EDEMIR, ARISTEU, LUIZ CARLOS, MARISTELA, ERNI, EDEMAR, MIRTES, ENIO E MARIA.
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Em meados da década de 90, Fausto Tiecher novamente teve problemas de saúde diante da necessidade de extrair alguns dentes conjugada com sua hemofilia. Permaneceu por cerca de 2 meses em Porto Alegre, internado no Hospital Conceição, onde recebeu sangue de cerca de 220 doadores, através da intervenção do Hemocentro de Porto Alegre. Felizmente, se recuperou pouco tempo depois. Em julho de 1995, o avô Fausto se sentiu mal em casa, sendo levado às pressas para o Hospital de Encantado. Tendo em vista a gravidade do quadro, foi transferido para o Hospital Bruno Born de Lajeado, aonde, no dia 22 do mesmo mês, veio a falecer vítima de um derrame cerebral. Apesar de todo o sofrimento por que passou, Fausto deixou a marca de um homem trabalhador, severo na educação da família e muito alegre nos momentos de descontração, quando gostava muito de dançar e tocar gaita. Francisca Tiecher vive hoje, firme, forte e esbanjando disposição, na cidade de Encantado, onde recebe o carinho dos 10 filhos e 21 netos, estando prestes a comemorar 80 anos de idade. |

RESPONSÁVEL PELA PÁGINA: Fábio J. Tiecher
ATUALIZAÇÃO: 06 de agosto de 2004.
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