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Memórias e Histórias Famílias Teixeira & Araujo |
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Resgatando
a memória “Teixeira e Araújo”
Todos nós
guardamos em nossa memória, uma fonte inesgotável de momentos inesquecíveis,
tanto pelas belezas vividas ou pelas tristezas experimentadas. Em
determinados momentos de nossas vidas, surgem momentos como se abríssemos
uma janela do passado. Por isso, temos que resgatar porque não temos o
direito de deixar morrer conosco essas inesquecíveis recordações.
Temos
que perpetuar nossa história. Abra a janela de tua infância, juventude
... e escreva tuas histórias, as quais poderão se tornar importantes matérias
para um futuro livro. Mande-nos de preferência pelo endereço: [email protected]
Envia também teu e-mail. Pretendemos publicar semanalmente as histórias que nos forem enviadas.
Cenas do cotidiano I Oscar Teixeira da Silva
Na nossa geração nossas mães tinham seus filhos
em casa, assistidas normalmente pela Dona Beata, parteira que viu nascer a
grande maioria da população de Palmares, de pobres
e de ricos. Pois bem:
existia na casa da Tia-avó Marica, um quadro de Nossa Senhora do Parto.
Sempre que uma parturiente começava com as dores, Dona Beata era acionada
e enquanto a água era fervida , um guri era acionado para
ir correndo à casa da Tia Marica buscar o quadro de Nossa Senhora,
que era pendurado no quarto enquanto várias velas eram acesas até que um
de nós nascesse. Lembram disso? Por onde será que anda o quadro de Nossa
Senhora do Parto?
Lembrando
as férias Anna Maria Teixeira de Araujo, com seus 6 anos, na época dessa aventura. Após
as confraternizações do natal e final de ano, nossa família se voltava
para outro acontecimento importante: nossas férias. Meus pais apesar de não
terem grandes condições estavam sempre planejando algum lazer para as férias
das crianças. Acampamentos na praia, viagens a POA, e muito passeio de
barco. Ainda
guardo fresco na memória muitos deles, mas em especial as férias na
Ilha. Nunca íamos sozinhos, quase sempre contávamos com a compania de
tios ou primos. Tio Laurindo, irmão do vô Lulu, tio Garibaldi ou os
primos do tio Braga. Os
preparativos começavam semanas antes, e na última semana enquanto a mãe
fazia latas de biscoitos, broas, rosquinhas, doce de abóbora e
pães,
o pai
limpava e organizava a lancha ( Islândia). Lavava do convés a
casa de máquinas, deixava tudo brilhando; depois fazia a manutenção do
motor, quando tudo estava impecável, fechava o porão e dividia em dormitórios
para nós e os visitantes. Na véspera fazia um rancho de suprimentos com
reserva para o caso de alguma emergência (semana de vento) no armazém do
tio Otávio.
Tudo tinha que estar pronto na noite anterior à partida e dormíamos
cedo, na expectativa de levantar de madrugada. Pela manhã, antes do
cantar do galo, nós já estávamos de pé. Era
um grande alvoroço, carregar a lancha era prioridade, todos ajudavam
inclusive as crianças.Mas a alegria era contagiante. Formava-se um
carreiro de pessoas de casa à beira do rio. Roupas, alimentos, utensílios,
tudo era levado. A aventura começava no embarque. O pai encostava a
lancha na barranca do rio e colocava uma tábua (prancha), para fazer de
ponte, imaginem, ainda era noite e subir carregado era um “Deus nos
acuda”, sempre tinha alguém para levar um batismo no rio, o que servia
de assunto para a viagem toda. Depois de tudo organizado, o pessoal se
acomodava, as crianças subiam para o beliche na casa de comando e a
aventura começava. Ainda guardo na memória o chiado do maçarico usado
para esquentar o motor, depois da primeira manivelada o motor reagia e
suas batidas eram pausadas, o pai acelerando e desacelerando para aquecer
a máquina.Lá íamos nós, a Islândia planava as águas calmas do rio e
o pai na casa de comando orgulhoso desenhava as curvas sinuosas do rio
margeado por arvores adormecidas sobre ele. A mãe descia para a casa de
maquina agora transformada em cozinha para fazer o café da manhã
aproveitando a calma do rio, pois sabia que na lagoa poderia haver turbulência.
O cheiro do café e do mato, ainda guardo em minhas narinas. Quando
a lancha saia das águas calmas do rio, o pai se orientava na bússola e
emproava em direção a Ilha. E lá íamos nós, o horizonte era apenas
uma linha, e teríamos algumas horas de balanço. A Islândia dançava na
lagoa e a bandeira do Brasil tremulava no mastro da popa. Nós no beliche
brincávamos cantávamos, brigávamos e às vezes enjoávamos com o balanço
da lancha, provocados pela caricia das ondas, mas nossa maior alegria era
ver no horizonte os matos da ilha se formando. E gritávamos: Terra a
Vista! Pouco tempo depois o pai colocava o motor na lenta, procurando o
melhor caminho para lançar o ferro. A
chegada na fazenda era feita de caico, pois, a lagoa era baixa para o
calado da lancha, era outra aventura. Na fazenda, já nos esperavam com o
almoço; carne de carneiro, sarrabulho e batata doce frita. Depois do almoço
saíamos para ver a lida na fazenda, meus irmãos acompanhavam a pionada
na tosquia das ovelhas, enquanto o pai tratava algum frete para aproveitar
a viagem. Quando à tardinha chegava, tomávamos banho na lagoa e voltávamos
para nossa casa Islândia. À
noite a mãe preparava nossa janta; café com farofinha de ovo, que
geralmente ganhava na fazenda. Terminada a janta decíamos para o dormitório
(porão). Lá, já no berço embalado pelas ondas da lagoa ouvíamos de
nossos pais e tios histórias de fantasmas, boi-ta-tá, lobisomem e mula
sem cabeça até que o sono apagava nossas curiosidades e nossos risos. Não
precisávamos de televisão nem internet, mas éramos crianças felizes,
tanto que ficaram registrados em minha memória esses momentos inesquecíveis.
Lembranças
de Natal Norma
Teixeira da Silva 1.
Preparação para o Natal
Quando
o fim do ano estava se aproximando, todas as casas eram preparadas para o
Natal. Então, minha mãe iniciava as
arrumações e toda família entrava no esquema. Nossa casa era lavada
toda, por dentro e por fora, quando não pintada. Os móveis da cozinha
eram todos pintados, lembram dos banquinhos de cozinha, pois é, eram
pintados todos os anos, e é claro por nós. Em um desses anos, meu irmão
Oscar ficou doente e nós irmãos, dizíamos que era dor de parede, pois
nessa vez, ele tinha que ajudar a lavar ou pintar a parede. Era
trabalhoso, mas compensava. Depois de tudo
limpo e organizado, então era a hora de montar
o pinheirinho e o presépio, tarefa do mano Oscar, que sempre tinha idéias
novas... Ficava tudo muito
lindo, e daí então, entrávamos no espírito de Natal.
A minha mãe fazia roupa nova para todos, ficava até tarde da
noite costurando para dar conta de tudo, para que no Natal todos pudessem
vestir uma roupa nova e até as bonecas
ganhavam. Fazia uma roupa para a noite irmos a Missa do Galo e outra
para o dia, que normalmente íamos para a casa dos avós (Lulu e
Nininha), lá onde todos se reuniam. 2.
Dedicação da Vó Nininha Uma
lembrança que nunca sai de minha vida. Todos os natais,
quando pequena, a Vó dava um “cesta de
doces” para cada neto. As cestas eram confeccionadas por ela. Feitas de papelão
e forradas de papel crepom colorido, fazendo um babado desfiado. Os doces
e bolachas, também eram feitos por ela. Eu achava o máximo e esperava
ansiosa o dia de Natal, para receber o denguinho da Vó. ............................................. Aguardem novas histórias na próxima semana.
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