Falando de Motos
Por A.C.G. Mataruna

VÁLVULAS NOS MOTORES 2T


(Duas Rodas, Ano 18, No. 214, p. 43 - Afinação em dois tempos)

Válvula do YPVS - A válvula YPVS (Yamaha Power Valve System) controla a saída dos gases do escapamento nas Yamaha RD 350R e DT200. Se ela carbonizar em excesso prejudica o desempenho do motor. Limpe o YPVS a cada 6.000 km para evitar o risco de travar completamente.

a) Manutenção - A desmontagem para limpeza do YPVS só deve ser feita por motociclista com grande conhecimento de mecânica. Após a desmontagem, a válvula deve ser lavada com solvente e inspecionados os desgastes do sistema.


(Duas Rodas, Ano 18, No. 215, p. 44 - Referências para regulagem)

YPVS (Yamaha Power Valve System) - O YPVS das Yamaha RD 350 e DT 200 deve abrir-se e fechar nos momentos exatos, determinados pela rotação do motor. Para orientar essa regulagem há um pequeno garfo que se movimenta com a válvula. Com o motor desligado, momento que o YPVS fica totalmente aberto, o garfo deve coincidir com uma referência fixa (um pequeno furo na parte externa). Para regular, alinhe as marcas girando um dos ajustadores dos dois cabos.


(Duas Rodas, Ano 20, No. 218, p. 7 - Cartas técnicas)

Tanto os motores dois tempos quanto os quatro tempos possuem válvulas, porém os sistemas são diferentes. No quatro tempos as válvulas de admissão e escapamento ficam no cabeçote e são comandadas mecanicamente por correia, engrenagens ou por varetas (tucho), ligadas a um comando de válvulas que pode estar no cabeçote, o no bloco (como na Honda CG125 ou nas Harley-Davidson). Já nos dois tempos existe a válvula de palheta (conhecida como Torque Induction nas Yamaha) que fica colocada entre o coletor de admissão e o cilindro. Ela serve para impedir que parte da mistura que entra no cilindro volte para o carburador (refluxo), além de aumentar a velocidade de passagem da mistura. A válvula rotativa é utilizada geralmente em motores de competição. Essa válvula parece um disco de música, rodando, com um corte por onde a mistura vai passar para o cárter no tempo certo. A vantagem da admissão no cárter, com um tempo mínimo e percorrendo um caminho milimétrico. Nese sitema as regulagens são bem mais precisas e o motor consegue um melhor aproveitamento do combustível, com um mínimo de perdas. Nos motores modernos existe também a válvula de escapamento, mas que são controladas eletronicamente, através de microprocessadores, como o sistema YPVS das Yamaha DT 200 e RD 350. Essa válvula controla a saída dos gases queimados de acordo com a rotação do motor. A vantagem é um funcionamento do motor mais uniforme nas mais variadas rotações.


(Duas Rodas, Ano 21, No. 243, p. 55 - Velocidade: Três décadas de evolução)

Válvula inteligente

Nos motores mais sofisticados de dois tempos, como o da Yamaha RD 350 (Duas Rodas No. 190),o problema de andar com um motor potente em velocidade reduzida também foi resolvido. Uma válvula no escapamento se incumbe de otimizar o torque, "fechando" um pouco o escape quando o motor etá em baixa rotação. Sem essa válvula, o aproveitamento da mistura ar-gasolina é muito pequeno em baixas rotações e velocidade. Na RD 350, essa válvula é comandada por um microprocessador eletrônico, que "lê" as rotações e comanda sua abertura. Até 4.000 rpm, a válvula fica mais fechada. Dessa rotação em diante, ela vai se abrindo progressivamente até os 7.000 rpm, quando fica totalmente aberta.

Sem esse "computador", essa válvula não seria viável. Um sistema mecânico cheio de alavancas chegou a ser testado em motos de competição do passado, mas se mostrou ineficiente porque os mecanismos sempre falhavam.

Verdadeiros "computadores de bordo" também melhoraram o desempenho das motos através da implantação da injeção eletrônica nos modelos mais avançados. Os carburadores foram substituídos por injetores controlados por chips. A injeção eletrônica mantém o motor sempre regulado e sob controle, tanto de temperatura, quanto de potência, dosando a mistura necessária, seja qual for o regime. É o que acontece na BMW K 1100RS (Duas Rodas No. 241). Ela tem sensores colocados em pontos estratégicos como acelerador, ignição e controle de rotação, além de outros espalhados pelo motor para mostrar a temperatura e outros dados. Como os dados dos sensores, o "computador" ajusta o desempenho da moto, alterando a qualidade da mistura "ar-combustível" para conferir mais ou menos torque ou potência. Como resultado, a moto ganha respostas rápidas de aceleração (de 0 a 100 km/h em menos de 4 segundos), maior rendimento e ainda economia de gasolina e menos poluição.

Motores mais potentes, desses que sõ monitorados por "sistemas eletrônicos", só se tornaram viáveis depois que a refrigeração ficou mais eficiente. Isso porque os motores mais "ariscos" aquecem mais e precisam de resfriamento adequado. Em matéria de refrigeração, a Yamaha V-Max 1200 (Duas Rodas No, 222) tem um dos sistemas mais aprimorados. Um radiador imenso, que consegue armazenar 3,05 litros de líquido (50% água, 50% de álcool etileno-glicol), resfria o "motorzão" de 1.198 cc. Apesar de grande, o radiador não deixa a moto pesada, porque é feito de alumínio. Com 145 cv, este motor consegue acelerar de 0 a 100 km/h em menos de 3 segundos.


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