| Falando de Motos Por A.C.G. Mataruna |
OLHO NO ÓLEO
(Paulo Bambirra para Revista Duas Rodas, Ano 20, No 221,
p. 44 - 1994)
Os motores dois tempos exigem atenção especial quanto à lubrificação: desde a escolha do óleo até a regulagem da mistura gasolina e lubrificante
Uma das características mais atraentes nos motores dois tempos é seu alto desempenho, em relação à cilindrada. É comum em países como a Itália ou Japão, circularem "demoninhos" de 125 cc e estonteantes 30 cv ou mais. Enquanto nos motores quatro tempos de 125 cc a potência raramente passa dos 20 cv.
Mas tudo tem um preço. Para conseguir um alto desempenho, os motores dois tempos têm várias características "diferentes", entre elas está a necessidade de adicionar óleo lubrificante à mistura ar-gasolina através da bomba de lubrificação automátixa, ou diretamente no tanque de gasolina.
| AS DIFERENÇAS O que diferencia o motor de dois tempos do quatro tempos, mais evidentemente, é seu ciclo de operação (a metade do quatro tempos). No motor quatro tempos, o pistão percorre duas vezes o curso para completar um ciclo dividido em quatro: admissão, ignição, compressão e escapamento. Os tempos de compressão e escapamento são considerados "tempos mortos" , quando o pistão se movimenta sem o motor gerar energia. No motor de dois tempos, o ciclo todo se completa com apenas um curso do pistão, ou uma vota total do virabrequim, fazendo com que todo movimento do pistão seja aproveitado. Por isso mesmo seu rendimento é mais eficiente se comparado com um motor 4T de mesma cilindrada |
Para executar a lubrificação com eficiência, o óleo dois tempos precisa ter algumas características que o torna especial:
MINERAL, VEGETAL OU SINTÉTICO
Quanto à sua origem, ou seja, de onde vêm, existem três categorias de óleos:
CUIDADOS ESPECIAIS
Por utilizarem formulações diferentes, nunca se deve misturar óleos de tipos ou marcas diferentes. Se você decidiu trocar de marca, primeiro precisa esgotar todo o óleo "antigo" do reservatório, sangrando a tubulação e a bomba de óleo ou, no caso das motos com "pré-mix" (quando o óleo vai misturado diretamente no tanque de gasolina), esvaziar o tanque com a mistura "velha".
Segundo Cláudio S. Gouveia, da Motul e Paulo R. G. da Costa, da divisão náutica da Suzuki, os óleos chamados "outboard", para motores de popa de barco são considerados mais limpos e miscíveis com o combustível. No entanto, os motores de popa trabalham a rotações mais constantes e em média, mais baixas, que os motores de motocicletas. Porém a utilização desse tipo de óleo gera uma certa controvérsia, com especialistas dizendo que o óleo "outboard" (de uso náutico) é bom para a moto que anda muito em baixa rotação, outros, dizendo que funciona bem em altas rotações, principalmente os óleos utilizados nas competições de Jet-Ski.
A cor natural dos óleos minerais é a marrom claro. Alguns fabricantes, para diferenciar seu produto, utilizam corantes. Seja como for o corante é sempre um elemento químico a mais, portanto o óleo de cor marrom é mais "puro".
A bomba automática foi uma das grandes invenções para os motociclistas, que se preocupam apenas em manter o reservatório abastecido.
| E QUANDO O ÓLEO ACABA? Numa emergência, quando a moto fica sem óleo, é impossível continuar rodando sem lubrificação. Sem óleo o motor funde rapidamente. É possível rodar até com óleo 4T (SAE 40 ou 50) em substituição ao 2T, desde que seja novo e limpo. Existem casos de motociclistas que já usaram até óleo de soja, numa emergência, para percorrer pequenas distâncias. Mas se isso ocorrer é bom fazer uma limpeza completa nos dutos porque o óleo de cozinha endurece quando esfria. Porém essa prática somente deve ser usada em último cso. O que não se pode é rodar sem nenhum lubrificante no motor. |
Ela chega a responder por variações acentuadas de dosagem de óleo, saindo de proporções como 120:1, (120 partes de gasolina para uma de óleo), na marcha lenta até 15:1 com o acelerador totalmente aberto em alguns modelos de motor. Nas motos com mistura direta no tanque, a proporção fica na faixa de 30 a 40:1. Se por qualquer motivo a bomba de óleo deixar de funcionar, pode-se adicionar óleo 2T diretamente no tanque, desde que respeitado esse limite de proporção.
| REGULANDO A BOMBA A bomba de lubrificação automática vem acertada de fábrica para o óleo padrão, recomendado. Na Yamaha RD350, por exemplo, o ajuste é feito na polia da bomba e nas arruelas do pistonete, que vão determinar o chamado "curso mínimo" da boma de óleo. A polia deve ser ajustada, de maneira q fazer coincidir a marca em forma de ponto, com a referência fixa, na carcaça do motor. Isso com o acelerador totalmente aberto. Toda vez que se alterar alguma regulagem dos cabos de comando, esse ajuste deve ser checado. O curso mínimo é de 0,10~0,15 mm. Isso significa cerca de 0,25 cc de óleo em 200 ciclos da bomba, o que dá aproximadamente 1,5 % de proporção do óleo. Calibra-se a medida colocando-se ou tirando-se arruelas até se obter o padrão acima. Maiores detalhes na edição 148 de Duas Rodas. |
Misturar o óleo diretamente no tanque é uma vantagem apenas em competições quando o motor é constantemente mantido em altas rotações (velocidade e motocross, por exemplo). A facilidade é poder alterar a mistura rapidamente, bastando apenas trocar o tanque completo por outro com mistura óleo/gasolia diferente.
Mas nas provas de enduruo de regularidade, a desativação da bomba de mistura não é recomendável, apesar de a maioria dos pilotos insistirem nisso. Numa Yamaha DT 200, por exemplo, a mistura recomendada é de 30:1, mas isso pressupõe que o motor irá trabalhar constantemente na casa dos 8.500 giros por minuto. Mas no enduro de regularidade nem sempre isso acontece, com muitas vezes o motor trabalhando em baixíssimas rotações. Nesses momentos o motor estará queimando uma mistura com excesso de óleo, produzindo mais fumaça e prejudicando o rendimento. Óleo a mais, somente acelera a carbonização, facilita o encharcamento de velas e faz fumaça em excesso.
| DESCARBONIZANDO Mesmo bem regulado, chegará o dia em que o motor precisará ser descarbonizdo. Isso porque sempre sobra uma parcela (mesmo pequena) de resíduos, o carvão. Este carvão aumena se o óleo não for de boa qualidade ou inadequado. Periodicamente o motor deve ser aberto para a descarbonização que inclui cabeçote, cabeça do pistão, janelas e parte superior do cilindro. Na operação, deve-se usar um lâmina, raspando-se cuidadosamente as partes mais grossas de carvão. A limpeza final poderá ser feita com a própria gasolina. O escapamento merece especial cuidado e deverá ser totalmente descarbonizado, incluindo curvas, miolo deescape e eventuais abafadores. O YPVS, nas motos Yamaha que tem esse equipamenteo, deverá ser desmontado e a válvula deverá ser limpa totalmente. O seu movimento de rotação deve ser livre, para que não force o delicado motor acionador ou danifique o microprocessador que o comanda. Leia mais sobre descarbonização na edição 199 de Duas Rodas. |