| Falando de Motos Por A.C.G. Mataruna |
LUBRIFICANTES (parte)
(Revista Duas Rodas, Ano 16, No 174, p. 58)
Os óleos 2T
Num motor de dois tempos, a qualidade do óleo é fundamental para o bom funcionamento e durabilidade do motor. Funcionando no princípio de perda total (não há circulação), o sistema de lubrificação dos motores modernos de dois tempos consiste no bombeamento de óleo (armazenado em reservatório próprio sob o banco ou atrás de alguma tampa lateral) para o carburador ou tubo de admissão, antes do cilindro. A bomba permite que a vazão do óleo conduzido ao motor seja variável, em função de sua rotação e da posição do acelerador.
Assim, o óleo entra no motor e se deposita no interior de cada peça móvel lubrificando-as. Depois é queimado no processo de combustão, produzindo uma fumaça branca-azulada que sai pelo escapamento. Esse óleo queimado produz resíduos (carvão) que acaba se acumulando no pistão, câmara de combustão e sistema de escapamento, obrigando a limpeza periódica (descarbonização) em intervalos que variam de 6.000 a 10.000 km. Se não for feita, o motor perde potência e geralmente superaquece.
A principal qualidade de um óleo 2T é produzir a menor carbonização, sem desprezar as características lubrificantes. Por isso, como nos óleos para motores de quatro tempos, recebem aditivos especiais e possuem classificação API própria.
Há, então, os óleos 2T API TA (mineral puro), TB (com poucos aditivos) e TC (bastante aditivado). Há, ainda, o TD, para uso marítimo, também aplicável em motos de dois tempos. No Brasil, entretanto, a maioria dos óleos 2T não apresentam especificações na embalagem, ficando difícil a escolha. Isto porque não existe por enquanto acordo entre fabrcante de motores e óleos diante das normas internacionais, faltando os requisitos de desempenho dos motores e procedimentos padronizdos para testes de laboratório. Por isso, o motociclista talvez se beneficie seguindo as recomendações do fabricante da moto, como utilizar o óleo Shell 2TS aconselhado pela Yamaha e vendido exclusivamente nas suas concessionárias.
Mas, num posto de abastecimento, que marca de óleo 2T usar? Para Juan Hochino, o "China", da revenda autorizada Yamaha Tanimotos, de São Paulo, deve-se usar óleos de marcas conhecidas, como o Mobil 2T e o Shell, e descartar óleos mais baratos, que podem estar fora de especificações. Já Renato Gaetta, mecânico e especialista em Yamaha e Agrale, e também professor de mecânica, aconselha o uso de óleos 2T na cor natural - marrom ou levemente avermelhado. Para ele, os óleos coloridos (verdes, azuis, vermelhos) indicam forte aditivação, que efetivamente limpa o motor. Em compensação, o mecânico afirma que o carvão assim removido acaba se acumulando no escapamento, entupindo-o com mais frequência.
Por outro lado, o gerente regional de vendas da Mobil, Rodolfo Rui Ebel, diz que a cor não tem nada a ver com a qualidade do óleo, sendo normalmente usado corantes, nos óleos 2T marítimos, apenas para o operador do barco saber se a gasolina no tanque já contém óleo ou não. Tais óleos, conhecidos como outboard oils (óleos para motores de popa, todos a dois tempos), são encontrados nas lojas de barcos e seguem as especificações da Boating Institute of America (BIA), recebendo a classificação TC-W. Carlos Meirelles, da Ipiranga (que fabrica o Outboard Marina 2T), pondera que se tais óleos são ótimos para barcos, são melhores ainda para motos, dada sua menor severidade de uso.
Com tantos números e siglas, pode parecer que a escolha do melhor óleo é tarefa para técnico em química com formação universitária. Mas o motociclista pode deixar esse trabalho para as fábricas de óleos e motos, procurando adquirir o óleo na especificação correta, principalmente de marca idônea. Mas pode estar certo: esse único cuidado garantirá ao motor de sua moto longa vida útil.
Novos produtos
À medida que evoluem os motores motociclísticos e automotivos, as indústrias produtoras também se esmeram no desenvolvimento de óleos melhores e compatíveis com as novas solicitações.
FUMACEIRA
(Revista Duas Rodas, Ano 18, No 194, p. 23 - Cartas Técnicas)
Resposta: A bomba de óleo oferece duas opções de regulagem, inclusive pelo cabo de acionamento, no lado externo do motor. Mas essa regulagem não deve ser feita de maneira aleatória, pois há risco de se reduzir demais o bombeamento do óleo, o que pode fazer o motor travar. É normal a maior emissão de fumaça na primeira "pedalada" porque depois de algumas horas com a moto parada, o óleo 2T desce e se acumula no cárter. Ao ligar o motor, esse excesso de óleo 2T se queima, causando a fumaça que não deve durar muito tempo. Os óleos 2T que emitem menos fumaça recebem aditivos que atuam na lubrificação e também na mistura com o combustível, queimando melhor sem produzir muita fumaça. A "fumaceira" reclamada pelo leitor possivelmente é causada por mau funcionamento ou desregulagem da bomba de óleo, que pode ser solucionado por uma boa oficina. Já o uso pela Yamaha de motores 4 tempos nas motos fabricadas aqui não é um absurdo, já que no Japão ela produz uma linha completa de motos com esse tipo de motor, inclusive for de strata como a T 250. Para obter o Manual do Proprietário, ligue para a Yamaha (011-912-6955) no Setor de Atendimento a Clientes.