FALANDO DE MOTOS
Futuro do motor de 2 tempos
por A. C. G. Mataruna

No início da década de 1990, começaram a surgir os movimentos de proteção ambiental que provocaram o surgimento, especialmente na Europa (Euro I/II/III e o futuro Euro IV), de legislações cada vez mais apertadas para o controle de emissões produzidas por veículos automotores. Isso afetou grandemente as indústrias automobilística e motociclística, principalmente os fabricantes que forneciam motores de dois tempos, considerados como grandes poluidores. Por força disso, a maior parte das indústrias automobilísticas suspenderam suas atividades de produção desses motores, com base em questões lançadas sobre a sua durabilidade mecânica, o índice de emissões e à incerteza de aceitação deles pelo mercado consumidor.

Diante desse quadro mundial de preocupação com a qualidade ambiental, a Orbital Engine Corporation Limited, sediada na Austrália, começou a desenvolver, em 1983, um novo processo de combustão baseado na injeção direta de combustível, assistida por ar comprimido, aplicável tanto em motores de quatro tempos quanto em motores de dois tempos. Em 1996, equipou 100 veículos Ford Aspire com motores Genesis de três cilindros, 1.2 litros de deslocamento, dois tempos, dotados do seu OCP - Orbital Combustion Process> - e espalhou-os por toda a Australia em 1996, expondo-os às mais diversas condições de uso. Após quatro anos de utilização, esse veículos já contam com um total de 5.600.000 quilômetros percorridos, tendo alguns deles já ultrapassado a marca dos 160.000 Km.

Nesse ínterim, a Yamaha, entre outros, desenvolveu e introduziu em seus produtos, sistemas tais como YEIS (Yamaha Energy Induction System) e o YPVS (Yamaha Power Valve System), objetivando melhorias no desempenho e obtenção de índices mais baixos de emissão. Os fabricantes Suzuki, Cagiva, Kawasaki e Honda também introduziram sistemas semelhantes em seus produtos esportivos movidos por motores de 2 tempos. Em 1991, em sua edição 190, a revista Duas Rodas publicou uma matéria intitulada "Dois tempos evolui: a busca de um super motor," dando conta dos esforços dos fabricantes em produzir um motor de dois tempos com características melhores de rendimento e poluição. Nesse mesmo artigo já anunciava os trabalhos da Orbital na busca de melhores desempenho. Em 1995, em sua edição 237, volta a abordar o tema com o artigo "Os modernos 2T," sublinhando a limpeza, a economia e a resistencia dos novos motores de dois tempos

No Brasil, a produção de motocicletas com motor de dois tempos foi feita pela Agrale, com tecnologia Cagiva, da Itália, pela MZ e pela Yamaha. A indústria motociclística resistiu enquanto pôde mas finalmente se rendeu, passando a produzir motocicletas movidas somente por motores de quatro tempos, havendo pouquíssimos modelos movidos por motores de dois tempos, destinados a provas esportivas. Essa produção só perdurou até 2000, pela Yamaha, que substituiu seus produtos por similares movidos por motores de quatro tempos, a partir de 2001.

Até mesmo os fabricantes de lubrificantes para motores de dois tempos têm desenvolvido, há muito, produtos cada vez mais compatíveis com as exigências de controle ambiental, com características tais como baixa produção de fumaça e cheiro, e bio-degradabilidade.

O que se pode esperar para o futuro? Os que apreciam as características de funcionamento dos motores de dois tempos torcem para que as experiências em curso na Austrália motivem o reinício da utilização desse tipo de motor, em virtude de sua simplicidade de construção, menor espaço ocupado, menor peso específico, maior rendimento por litro de volume deslocado e outras virtudes.

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