FALANDO DE MOTOS ...
Adeus à Yamaha DT 180
Extraído e adaptado da edição 260 da revista Duas Rodas
Lançada em 1981, a primeira trail fabricada no Brasil sai de
linha
Após quase 16 anos de produção, a Yamaha deixou, desde o final de abril de 1997,
de fabricar a DT 180. O modelo foi lançado em outubro de 1981, sendo o primeiro
do segmento trail fabricado no Brasil. Um sucesso de vendas na época, que foi o
sonho de consumo para quem queria subir de categoria, saindo da 125 cc. A DT
180, sucessora da TT 125 (pioneira entre as uso misto produzidas no país),
recebeu diversas alterações durante essa década e meia de fabricação, tentando
manter-se sempre atual para sustentar seu sucesso. Porém, a concorrência foi se
acirrando e a DT 180 praticamenteficou com os "dias contados" com o lançamento
da DT 200 em 1991.
A Yamaha apostou no segmento trail e par isso apresentou, na ocasião, grandes
novidades no lançamento da DT 180: suspensão traseira monoamortecida (monochoque)
e sistema YEIS (um reservatório para equalização da mistura ar/combustível),
além de pneus e escapamento apropriados para o fora-de-estrada. Não demorou
muito par q DT 180 ser o centro das atenções e uma vencedora em provas
fora-de-estrada, tanto que foi campeã em inúmeros enduros e dominou o mais
famoso deles, o Enduro da Independência, sendo que de 1983 a 1990 só perdeu uma
vez (em 1988).
Durante sua história, a DT 180 sofreu várias alterações. O sistema elétrico de 6
volts foi substituído por outro de 12 volts, o platinado foi trocado pelo
sistema CDI (Ignição eletrônica: Capacitive Discharge Ignition - Ignição por
Descarga Capacitiva), o câmbio de cinco marchas passou a ter seis, o freio
dianteiro (ponto dos mais criticados) passou a ser a disco e a moto ganhou a
letra Z no nome,um código da Yamaha para produtos que utilizam maior tecnologia.
Além dessas alterações mecânicas, A DT 180 também passou por uma grande mudança
estética.
O modelo enfrentou vários concorrentes, inclusive um fabricado pela própria
Yamaha: quando a DT 180 comemorou dez anos de existência, a DT 200 foi lançada e
parecia que iria desbancá-la com facilidade. Mais evoluída, a DT 200 chegava com
refrigeração líquida e válvula YPVS (controladora da saída dos gases para o
escapamento). Mas a DT 180 ainda resistiu firme, talvez pela diferença de preço
(cerca de 20% menor).
O sucesso do modelo levou a Yamaha a criar uma versão "fun bike" (moto de
diversão), a TDR 180, fabricada a partir do modelo DT 180N (reportado na edição
163 da Revista Duas Rodas). A proposta era aproveitar o novo filão de mercado e
oferecer um produto destinado ao consumidor que usava a DT 180 mais na cidade do
que na terra. Porém, o preço mais alto que o da DT e a falta de costume do
consumidor para aquele tipo de moto levou a TDR a ter "vida curta."
Nos últimos anos, a grande inimiga da DT 180 era a legislação para controle de
emissão de ruídos, cada vez mais exigente. Como o modelo já não mais atendia a
essa legislação e sua vendas vinham declinando, a Yamaha decidiu descontinuá-la,
conforme o previsto na edição 250 da revista Duas Rodas.