Entrevista
Billy Brandão
(Veja a pedaleira usada pelo Billy na turnê da Marisa)

Fã
Clube MM: Como você
descobriu sua vocação, como foi que você começou e qual foi o primeiro
instrumento que você tocou?
Billy:
Desde
muito cedo eu convivo com a música em casa. Apesar de não ter nenhum músico
profissional na família, meu pai sempre tocou violão e minha avó materna foi
professora de piano e acordeon. Mas o mais importante eu acho foi eu sempre ter
sido exposto a todo tipo de música, devido ao gosto talvez um tanto eclético
dos meus pais,.. então desde cedo eu ouvia samba, música erudita, rock’n’roll,
tudo,…
Fã
Clube MM: Como foi entrar na turnê do Memórias,
Crônicas e Declarações de Amor
quase na metade, substituir o Davi Moraes e se entrosar rapidamente com a banda?
Billy:
Foi
realmente uma tarefa divinamente estafante eu diria (risos). Antes de tudo eu
sempre fui fã do trabalho da Marisa e também do Davi a quem eu conheço há
muitos anos, desde a época do “Fibra de Vida” e de quem também sempre
gostei muito pessoalmente e como músico. Nunca é tarefa fácil substituir
algum músico em um trabalho e nesse caso talvez ainda mais por o Davi já estar
há tanto tempo na banda; eu também tive pouco tempo para aprender as músicas
(4 dias até o primeiro de 3 ensaios com a banda antes do primeiro show !!) então
foi, digamos, 1 semana de “imersão” nos CD’s e fitas e tensão por que
era muito material e muitos detalhes. Mas todos os músicos e a Marisa graças a
Deus, me acolheram muito bem e sempre foram muito generosos e carinhosos
comigo,.. sempre estavam prontos a me ajudar em alguma dúvida e entenderam o
“rabo de foguete” que eu estava pegando,..!
Billy:
Como eu já disse o Davi é um músico que eu admiro muito e ele tem um estilo
bem pessoal de tocar, misturando essa escola de guitarra brasileira que vem
desde o Pepeu com elementos mais modernos, então minha preocupação foi, antes
de eu colocar alguma coisa da minha personalidade musical, ser fiel ao máximo
de detalhes possível, para que a Marisa sentisse quase que nenhuma diferença e
isso a deixasse confortável para cantar sem preocupações. Então eu tive que
aprender os acordes das músicas, depois o “formato”, depois os efeitos de
pedais, trocas de guitarras, afinações e etc, e daí eu ainda estava
preocupado em executar as músicas com a mesma “intenção” original. Foi
mesmo um trabalho muito minucioso.
Fora isso, nesse show “Memórias, crônicas e declarações de amor”,
eu sou o único músico que fica no palco com a Marisa durante todo o show, então
eu tenho sempre que estar muito concentrado para não esquecer de nada,.. não
tomo nem uma cerveja antes do show (o que até seria bom para relaxar um pouco)
para não ter vontade de ir ao banheiro durante o espetáculo,… hehehe,…
Billy:
Ummm,… bem, uma das que
exige mais da minha atenção sempre é “Perdão você”, porque ela tem uma
afinação totalmente “anti-natural”, por assim dizer, ao violão. A corda
mais fina é afinada 1/2 tom acima e apesar de isso parecer pouca coisa muda
totalmente a maneira como são as posições dos acordes, e em alguns deles eu
tenho que fazer uma verdadeira “ginástica” para tocar. Fora isso, essa música
é uma das poucas em que eu toco ouvindo o “click” (que é como a gente
chama um tipo de sinal que serve de contagem para quando a gente está usando
alguma programação e não pode variar o andamento), e já houve dias em que
meu fone parou de funcionar e eu não ouvia o click,.. daí já viu, né ? Pânico
total,..! (risos)
Fã
Clube MM: Como
é viajar tantos lugares, fazer tantos shows, ficar longe da família, e
conviver com uma banda de tantas estrelas?
Billy:
Eu adoro viajar tocando! Vou a muitos lugares que talvez de outra forma eu não
iria. As vezes cidades menores que normalmente não se vai a passeio mas que
podem nos surpreender com suas pessoas e vida local. Mesmo assim não é fácil
ficar tanto tempo longe de casa e eu sou super caseiro, mas ao mesmo tempo como
todo mundo se dá bem acaba sendo divertido,.. conta-se muita piada, trocam-se
muitas idéias e a gente acaba dando um jeito de passar o tempo.
Fã
Clube MM: Você
tocou com uma gama de músicos diversos, Lobão, Moska, Léo Jaime, Ana Carolina
e agora a Marisa Monte. Como isso te influenciou musicalmente?
Billy:
Eu penso que tudo o que a gente faz na vida vai contribuindo, né ? Por exemplo:
eu fiz vários shows acompanhando a Verônica Sabino, e eram shows mais ou menos
difíceis por que éramos só eu e ela, quase um “piano bar”, então eu tinha a
responsabilidade de ser a “banda”, né ? E tinham muitas músicas
brasileiras, sambas, bossa nova e tal, daí que eu acho justamente que foi bom
eu ter feito isso antes da Marisa por que eu já vim com a “pegada” de samba
mais trabalhada, né ? Fora isso o bom da gente trabalhar com artistas bons e
verdadeiros é que sempre você aprende algo com eles. Essas pessoas todas que
você citou me ensinaram muito e me inspiraram também,.. as vezes não é nem só
na musica, é observando, convivendo,.. as vezes é bom até para você ver uma coisa e dizer
“Isso eu quero para mim, mas
aquilo outro eu não quero…”
Fã
Clube MM: A
sua banda, Mizifios, entrará no mercado com que tipo de segmento? Vai Ter um
estilo específico ou vai haver diversidade?
Billy:
É sempre bastante complicado esse negócio de rótulos. O ideal seria poder
mostrar a música e deixar as pessoas chamarem do que quiser. Mas eu diria que o
Mizifios é uma banda pop, ou pop-rock, mas mesmo assim isso não quer dizer
muito, afinal o que hoje em dia não é pop ? E mais do que isso o “pop”
engloba coisas tão díspares. Mas a gente faz uma coisa assim,.. com umas
pitadas brasileiras, outras suingadas, tem bastante harmonia e um pouco de humor
até (principalmente no show) e o “punch” é que é mais rock,… difícil
de imaginar, né ? Bem, como referência, quem já ouviu volta e meia comenta
que lembra Mutantes, mas no caso não tem uma “Rita Lee”.
Fã
Clube MM: Que
tipo de lugar você gosta mais de tocar?
Billy:
Não tenho preferência de lugar. Mas gosto quando o som tem qualidade, e em especial quando o
público é bom, e quando digo isso não digo só de aplaudir e tal, mas também
de ouvir com atenção o que a gente esta tocando.
Fã
Clube MM: Na
turnê Memórias... teve algum show ou
situação que te marcou?
Billy:
Bom,.. algumas, mas o primeiro show foi uma porrada, porque eu estava muito
tenso (com poucos ensaios e coisa e tal), e doido para aquilo tudo dar certo,..
há alguns dias dormindo mal e preocupado,… bom já viu, né? Aí fomos fazer
esse primeiro show que foi em Goiânia, e era em um ginásio, e quando a Marisa
entrou no palco foi um histeria tão grande, por que a platéia gritava e aquilo
reverberava no ginásio, e produzia uma freqüência aguda que penetrava nos ouvidos que eu duvido que alguém tenha
escutado os primeiros versos de “Amor I love you”, e eu fiquei tão
impressionado com isso por que parecia coisa de Beatles mesmo,… foi muito
forte.
Outra
foi no show do ATL no dia em que o Erasmo Carlos foi cantar a música que ele
compôs em parceria com Marisa,… ele tinha ido passar o som e tal, mas na hora
do show quando ela o chamou e ele entrou foi muito especial,.. assim, sem nenhum
motivo,.. só por ser o Tremendão mesmo,.. fiquei emocionado.
Fã
Clube MM: Daqui
pra frente, onde podemos te ouvir, te ver, o que podemos esperar do Billy Brandão?
Billy:
Agora que a Marisa está
encerrando a turnê, eu estou começando a ensaiar com o Roberto Frejat para
montar o show de lançamento do seu disco solo e está ficando legal demais.
Fora ele ser muito gente fina, a banda é ótima e o astral está altíssimo,..
a gente até está demorando um pouco mais nos ensaios porque toda hora a gente
para para rir de alguma coisa,..! Mas musicalmente também está ficando muito
legal e está tendo espaço para a gente fazer umas coisas bem doidas e
divertidas.
O disco do Mizifios se deus quiser também deve sair ainda esse ano e
quem sabe com ele a gente consegue fazer uns shows fora do Rio? E se alguém
quiser entrar em contato comigo ou com algum dos “outros” Mizifios é só
escrever para: [email protected]
Um beijo para todos !
13/08/01