RISCOS DE INCÊNDIOS E EXPLOSÃO DE POEIRAS VEGETAIS NAS UNIDADES ARMAZENADORAS DE GRÃOS

 

 

 

As poeiras mais perigosas são em ordem decrescente de periculosidade:

POEIRAS DE MILHO – TRIGO – SOJA – CEVADA - ARROZ.

 

As poeiras do milho são as mais perigosas, pois o milho possui o mais alto valor energético. (Perto de 4.000 kcal/kg)

 

As poeiras mais perigosas são as de diâmetro inferior à 75 m.  As poeiras < 75 m tem uma velocidade terminal muito baixa. Não se sedimentam com facilidade. Ficam no ar realizando movimentos brownianos.               

 

 

Nossos olhos, de maneira geral, detectam no ambiente normal, apenas poeiras maiores do que 200 m. Já se observarmos um raio de luz solar que entra em um ambiente mais escuro, podem ser observadas, na trajetória do raio, poeiras de aproximadamente 100 m. . É a maneira primeira e  a mais simples para uma avaliação inicial da presença de poeiras explosivas em um ambiente. Este fenômeno da visualização destas partículas recebe o nome de “Efeito Tyndau”.

 

A quantidade de energia necessária para iniciar um incêndio e ou explosão é de apenas 10 ml joule.

 

FATORES QUE CONTRIBUEM PARA O RISCO DE EXPLOSÕES DE POEIRAS VEGETAIS

 

  • COMPOSIÇÃO QUÍMICA DAS POEIRAS

Os componentes químicos existentes nos produtos empregados nos tratamento dos grãos na lavoura podem contribuir para aumentar a explosividade das poeiras orgânicas. Muitos defensivos possuem nas formulações, solventes inflamáveis. Quantidades, ainda que muito pequenas, destes solventes na casca dos cereais, multiplicados pelos bilhões de grãos podem gerar poeiras altamente perigosas. Poeiras de madeiras são particularmente perigosas, no aspecto de explosividade, pela presença de quantidades consideráveis de produtos químicos empregados para sua conservação.

 

  • FORMAS DAS PARTÍCULAS DAS POEIRAS (Estrutura superficial das partículas de poeiras)

As partículas de poeiras são perfeitamente esféricas. Suas formas são as mais diversas. E quanto mais irregulares forem suas formas, maior é a facilidade de combustão desta partícula. Além disso, partículas irregulares produzem maiores quantidades de energia estática.

 

  • DISTRIBUIÇÃO DAS PARTÍCULAS DE POEIRA EM SUSPENSÃO NO AR.

Havendo uma uniformidade de distribuição das partículas no ar, isto é havendo uma continuidade nas nuvens de poeiras, aumentam as possibilidades da ocorrência de sua explosão.

 

  • COMPOSIÇÃO QUÍMICA DO MEIO DE SUSPENSÃO (Normalmente o ar)

 

  • TEMPERATURA INICIAL, PRESSÃO, UMIDADE RELATIVA DO AR.

Quanto mais alta a temperatura do ambiente, mais aquecida estará a massa de poeira. Logo mais fácil será a combustão inicial.

Quanto mais baixa a pressão atmosférica, melhor será a condição para a ocorrência de explosões de poeiras orgânicas.

A ocorrência de teores de umidade relativa do ar abaixo de 75 %  representa um aumento do risco da ocorrência das explosões de poeiras. Valores menores do que 50% são críticos.

 

·         QUANTIDADE DE POEIRAS EXISTENTE NO AMBIENTE.

Quanto maiores as quantidades de poeiras acumuladas nos ambientes,  maiores são as possibilidades desta poeira ser suspensa no ar, quer pelo movimento de pessoas, máquinas, ventos etc...

 

·         PRESENÇA DE NUVENS DE POEIRA COM CONCENTRAÇÕES MAIORES DO QUE O “LIE” (Limite Inferior de Explosividade).

 

·         PRESENÇA DE FONTES DE IGNIÇÃO

Para iniciar um incêndio é necessária a presença de calor. Na grande maioria das vezes esta energia é fornecida por uma fonte de ignição.

As fontes de ignição podem ser as mais variadas e imagináveis. Vão desde uma fagulha provocada por um atrito de um corpo sólido contra uma superfície metálica, até chamas de maçaricos e arcos de solda elétrica.

 

 

EQUIPAMENTOS E LOCAIS CRÍTICOS

 

·         MOINHOS E TRITURADORES

Nestes locais existem sempre poeiras muito finas que resultam das operações de moagem e trituramento.

 

·         ELEVADORES DE GRÃOS

O tamanho do risco de explosões cresce na proporção do número de elevadores existentes nas instalações.

As canecas dos elevadores, na grande maioria deles, é de chapa de ferro, que podem produzir faíscas, se atritar com as paredes, também metálicas dos elevadores.

A correia que contam as canecas nos elevadores pode deslizar para as laterais das polias e provocar o contato das canecas com as paredes dos elevadores.

Não existem, na grande maioria dos elevadores instalados, sistemas de ventilação para a saída das poeiras geradas durante a elevação dos grãos.

Como os elevadores quase sempre são instalados no interior de poços, e a limpeza destes locais é difícil, no seu pé, existem acúmulos de poeiras.

 

·         TRANSPORTADORES DE GRÃOS (Correias transportadoras, redlers, etc.)

Na entrada e saída de grãos das esteiras, na transferência dos grãos de uma esteira para a outra, sempre são geradas grandes quantidades de poeiras explosivas.

As correias e os transportadores em geral, utilizam rolamentos nos mancais dos eixos. Nestes rolamentos geralmente existe graxa lubrificante que escapa dos mancais, que acumula poeira.

Os rolamentos podem se aquecer por falha de funcionamento, gerando pontos de altas temperaturas podendo se transformar em pontos de ignição que podem iniciar incêndios e explosões.

Muitas vezes os sistemas de transporte de grãos sofrem sobre cargas. Isto gera um aumento na temperatura nos motores destes equipamentos, podendo se transformar em pontos de ignição.

 

 

·         PENEIRAS DE MÁQUINAS DE LIMPEZA

As máquinas de pré-limpeza e de limpeza de grãos existentes no mercado, deixam muito a desejar quanto à aspiração das poeiras geradas nestas atividades.

MEDIDAS PARA DIMINUIR OS RISCOS DE EXPLOSÃO DE POEIRAS ORGÂNICAS.

 

·         LIMPEZA DOS LOCAIS

A primeira medida para diminuir riscos de incêndios e explosões é manter os locais de trabalho limpos.

As limpezas devem ser feitas com alguns cuidados:

1.      Não deve ser empregado ar comprimido. (Deve ser proibido o uso de ar comprimido). Se utilizado fará com que as poeiras que estão depositadas no chão e nos equipamentos, flutue no ar podendo formar misturas que estejam dentro das faixas de explosividade destas poeiras.

2.      As limpezas não devem ser feitas com vassouras. Elas também fazem com que a poeira flutue no ar. (Legislação americana, canadense e australiana)

3.      Devem ser empregados aspiradores para remover o pó.

4.      As moegas, quando localizadas em ambientes fechados devem ser providas de sistemas de aspiração de pó, de preferência localizados nas laterais.

5.      Localizar as moegas, sempre que possível, em locais abertos.

6.      As moegas não devem estar localizadas próximas aos secadores.

 

·         FAZER CONTROLE DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS

Ter na unidade, sistema de informações sobre as condições de temperatura, umidade e pressão atmosférica.

Sempre que a umidade relativa do ar estiver abaixo de 75 % devem ser tomadas medidas preventivas, tais como umidificação dos locais de trabalho.

 

·         EVITAR AO MÁXIMO A POSSIBILIDADE DA OCORRÊNCIA DE ELETRICIDADE ESTÁTICA.

Aterrar eletricamente todas as máquinas e silos metálicos.

Verificar periodicamente a qualidade do aterramento de toda a malha e estruturas

Evitar o uso de tubulações de PVC para a passagem de grãos.

 

 

Sistema de aterramento de Tubos de PVC

 

 

 

 

·        CONSTRUIR SISTEMAS DE RECOLHIMENTO DE POEIRA ADEQUADOS

 

As poeiras devem ter destino adequado.

 

 

No sistema acima, o ar com a poeira,  passa por um sistema de decantação em água. Placas desviam a direção do ar fazendo as partículas caírem no tanque de água. Chuveiros instalados na parte superior ajudam a precipitar as partículas na água. Periodicamente o lodo é retirado seco e reaproveitado como fertilizante nas lavouras.

 

Os elevadores deveriam possuir sistemas de captação de poeiras, no pé, na parte intermediária e na parte superior.

 

Uma solução simples é deixar um ponto de saída de poeiras na parte superior dos elevadores. (Cuidado com a poluição do meio ambiente !).

Os ciclones para a coleta de partículas de poeiras devem ser dimensionados adequadamente, para recolher a maior quantidade possível de pó.

 

 

·        MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS

Utilizar sempre motores elétricos à prova de pó em qualquer instalação onde haja o desprendimento de poeiras.

As instalações elétricas devem ser sempre à prova de explosões.

Nunca utilizar lâmpadas do tipo incandescente, sem o vidro de proteção. Estas lâmpadas produzem muito calor em sua superfície e a poeira ali acumulada pode entrar em combustão.

Utilizar sempre rolamentos do tipo blindado.

A manutenção de equipamento em locais com poeiras, jamais devem ser feitas com o equipamento em funcionamento.

 

Procedimentos especiais devem ser observados quando forem utilizados equipamentos com chama aberta, tipo maçarico ou equipamentos de solda elétrica.

 

Para o uso destes equipamentos deve existir uma AUTORIZAÇÃO PARA TRABALHOS A QUENTE. Esta autorização deve ser concedida pelo setor de segurança, após conferir uma série de procedimentos. Ela deve ser por escrito e conter informações de quem irá executar o serviço, sobre o tipo de serviço a ser executado, equipamentos de segurança disponíveis, medidas de segurança tomadas, tempo previsto para a execução do serviço, hora de início e fim da atividade, etc.

Os procedimentos que devem ser observados, quando se fizerem necessárias soldas ou outras atividades com equipamentos que produzam fagulhas ou faíscas ,em locais com poeiras, são os seguintes:

 

Proceder a uma limpeza prévia do local, molhar o local ao redor de onde será realizado o serviço. Ter disponíveis equipamentos suficientes para o combate de possíveis inícios de incêndios. Dispor de pessoal com conhecimentos de combate a incêndio no local, durante a realização do serviço.

 

Quando forem realizados consertos que requeiram o uso de soldas ou o emprego de equipamentos como lixadeiras, furadeiras  etc, em elevadores de grãos, devem ser tomados os seguintes cuidados:

Seccionar as tubulações que interligam o elevador a todo o sistema. (Todas as tubulações, de entrada e de saída dos grãos).  Abrir todas janelas de inspeção que existirem no elevador. (Das colunas e da cabeça do elevador)

Molhar toda a área ao redor do elevador que está sendo consertado. Dispor de material de combate a incêndios, próximo ao local.

 

OUTRAS INFORMAÇÕES SOBRE POEIRA ORGÂNICAS

 

As poeiras orgânicas podem conter sílica em sua casca. Se por um lado teores de sílica ajudam a tornara poeira inerte, por outro lado, podem causar problemas de silicose para os trabalhadores. Amostras coletadas de poeiras de casca de arroz mostraram teores que variam de 7 a 13 % de sílica.

 

Concentrações explosivas de algumas poeiras em condições ideais de temperatura e pressão:

 

AMIDO DE MILHO :         45 g/m3

POEIRAS DE TRIGO:     50 g/m3

CEVADA:                         55 g/m3

 

O limite máximo de poeiras respiráveis, permitidos pela ACGIH, em um ambiente é de 10ml/m3.

 

ÍNDICE DE EXPLOSIVIDADE

 

O índice de explosividade (IE) de um local é dado pelo produto da Sensibilidade à Ignição (SI) pela Gravidade Explosiva (GE).

 

SENSIBILIDADE  = (TMI) X (CME) X (EMI)     do Carvão de Pitsburg

                     (TMI) X (CME) X (EMI)    da  Poeira analisada

 

GRAVIDADE DE EXPLOSIVIDADE = (PME) X ( GMP)    da poeira a investigar

                                                              (PME) X (GMP)   do Carvão de Pitsburg

TMI = Temperatura mínima de ignição (º C)

CME = Concentração mínima explosiva (g/litros de ar)

EMI = Energia mínima de inflamabilidade (mj)

PME = Pressão máxima de explosividade (kg/cm2)

GMP = Gradiente máximo de pressão (kg/cm2/seg)

 

DADOS DO CARVÃO DE PITTSBURG

 

TMI = 610

CME = 0,055

EMI = 60

PME = 83

GMP = 2300

 

 

SENSIBILIDADE A IGNIÇÃO

GRAU DE EXPLOSIVIDADE

ÍNDICE DE

EXPLOSIVIDADE

RISCO

< 0,2

< 0,5

< 0,1

FRACO

0,2 – 1

0,5 – 1

0,1 – 1

MODERADO

1 – 5

1 – 2

1 – 10

FORTE

>5

>2

>10

FORTÍSSIMO

 

 

POÇOS DE ELEVADORES

 

Os poços de elevadores de grãos são locais confinados e de alto risco. Pela decomposição de grãos são gerados gases letais.

As bocas dos poços dos elevadores não devem ser fechadas. Devem existir grades que evitem quedas mas permitam a saída, principalmente, do gás metano que se forma.

 

A entrada nestes locais só deve ser permitida após termos certeza de que houve uma ventilação adequada do local. Além disso as descidas devem ser sempre acompanhadas por mais de uma pessoa, para possibilitar o resgate imediato da pessoa que desceu, se houver algum problema.

 

Todos os poços de elevadores deveriam possuir um sistema de ventilação, que pode ser simples, como o mostrado na figura.

 

     

 

 

 

 

TIPOS DE GASES PRESENTES NOS POÇOS DE ELEVADORES

 

 

 

 

 

PPRA PARA INSTALAÇÕES COM POEIRAS PERIGOSAS

 

Deve constar no PPRA os locais confinados existentes na instalação. Deve ser feito uma avaliação de aero-dispersóides (poeiras orgânicas) com a concentração das poeiras, tempos de exposição das pessoas a estas poeiras, análise do diâmetro aerodinâmico das partículas (SESI – RJ, Universidade de MG – Cientec RS).

O PPRA deve: Criar consciência – Formar critérios – Avaliar Riscos – Praticar a prevenção – Instalar proteção.

 

O PPRA  e o cronograma devem ser assinados pelo representante da empresa.

 

Treinamento ministrado pelo Engenheiro Itamar Francisco Valent

 

 

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