...::: Jóias devolvidas :::...

Narra uma antiga lenda árabe que um Rabi religioso, dedicado, vivia 
muito feliz com a sua família, esposa admirada e dois filhos queridos. 
Certa vez, por imperativos da religião, o Rabi empreendeu uma longa 
viagem ausentando-se do lar por vários dias.

 No período em que esteve ausente, um grave acidente provocou a morte dos dois filhos amados. 
A mãezinha sentiu o coração dilacerado de dor, no entanto, por ser uma mulher forte e sustentada pela fé e pela confiança em Deus suportou o choque com bravura.

Todavia, uma preocupação lhe vinha à mente de como dar ao esposo essa triste notícia. 
Sabendo-o portador de insuficiência cardíaca e temia que não suportasse tamanha comoção. Lembrou-se de fazer uma prece.
Rogou a Deus auxílio para resolver a difícil questão.
Alguns dias depois, num final de tarde, o Rabi retornou ao lar.
Abraçou longamente a esposa e perguntou pelos filhos.
Ela lhe pediu para que não se preocupasse, que tomasse o seu banho e, logo em seguida, ela lhe falaria dos moços. 
Alguns minutos após estavam ambos sentados à mesa conversando. 
Então, a esposa lhe perguntou sobre a viagem e, ele, após respondê-la, quis saber, novamente, sobre os filhos.
Ela, um tanto embaraçada, respondeu ao marido:
- Deixe os filhos, primeiro quero que me aajude a resolver um problema que considero grave.
O marido já um tanto preocupado perguntou:
- O que aconteceu, notei você abatida. Falle,  resolveremos junto com a ajuda de Deus.
- Enquanto você esteve ausente um amiigo nosso me visitoue deixou duas jóias de valores incalculáveis para que eu as guardasse.
São jóias muito preciosas. Jamais vi algo tão belo.
O problema é esse. Ele virá buscá-las e eu não estou disposta
a devolvê-las, pois, já me afeiçoei a elas, o que você me diz:
- Ora mulher não estou entendendo o seu&nbbsp; comportamento. Você nunca cultivou vaidades. 
Por que isso agora? - É que eu nunca havia visto jóias assim tão maravilhosas.
- Podem até ser, mas não lhe pertencem terrá que devolvê-las.
- Mas já não consigo aceitar a idéia de peerdê-las. 
Então o Rabi lhe respondeu com firmeza:
- Ninguém perde o que não possui. Rettê-las equivaleria a roubo.
Vamos devolvê-las. eu a ajudarei. Vamos devolvê-las hoje mesmo.
- Pois bem, meu querido, seja feita a sua vontade o tesouro será devolvido.
Na verdade isso já foi feito. As jóias preciosas de que lhe falei eram nossos filhos. Deus os confiou à nossa guarda e durante a sua viagem veio buscá-los e eles se foram.

O Rabi compreendeu a mensagem  abraçou a esposa e juntos derramaram grossas lágrimas 
sem revolta e sem desespero.

Os filhos são jóias preciosas que o Criador nos confia, a fim que as 
ajudemos a burilar-se. É necessário, que não percamos a oportunidade 
de enfeitá-las com virtudes, assim, quando tivermos que devolvê-las 
que elas possam estar ainda mais belas e mais valiosas.

 

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