WORD SERIE

BEYOND THE WORDS (2/3) NC-17
Por Karen Rasch
krasch@delphi.com

"Voc sabe que no ninguem a culpar, a no ser voc mesmo."

"Voc no pode me culpar por isso!"

Eles estavam comendo comida tailandesa. Mulder deixou 
Scully escolher, e ela os levou para um restaurante tailands
que foi ele, de fato, que mostrou pra ela meses antes. Sendo uma
noite de segunda, e cedo, eles tinham o lugar quase todo para eles,
e estavam agora isolados numa tenda atapetada contra a parede de
tijolo. 

"Mas  verdade" ela insiste, pontuando a declarao com o garfo
sobre o jantar. "Eu nem ia falar sobre estar usando as ligas at
depois do jantar.  culpa sua voc ter descoberto mais cedo sobre
elas."

O rosto de Mulder ficou igual a de um aluno mal-humorado,
que, para desanimo continuo de Scully, tinha a habilidade para
desarma-la. "No ligo para o que voc diz, Scully. Eu ainda 
alego que tive um pouco de ajuda. Ou, pelo menos, encorajamento."
Ele se apoiou sobre a mesa, para ela, a voz baixa em tom e volume.
"O que estou querendo dizer, e me corrija se eu estiver errado - 
mas do que me lembro, e muito bem - voc estava me beijando de volta."

Ela arqueou uma sobrancelha.  "Voc notou isso, no foi?"

Ele deu um meio sorriso. "Yeah... bem, eu sou um cara esperto."

Ela sorriu.

Isto era divertido.  Mesmo que esta declarao parecesse banal para
algumas pessoas, em sua mente ela brilhava como non.

 Ela estava se divertindo.  

Deus, fazia tempo desde que ela se permitiu relaxar, desfrutar. 
No se preocupar com trabalho ou famlia. Somente se permitir ser
uma mulher normal, paquerar com um homem bonito que lhe dizia, com
cada olhar, cada gesto sutil, que ele a achava igualmente atraente.

Inferno, com o ano que ela estava tendo, era um milagre que ela ainda
era capaz de identificar o que era divertido.

Mas, felizmente, essa habilidade no a tinha abandonado.

A felicidade que borbulha dentro dela como uma fonte era inconfundvel.
H quanto tempo isso aconteceu, Dana? Quanto tempo faz desde que
voc passou por um dia de maneira to relaxada, to aliviada? ela
se perguntou enquanto observava Mulder empurrar a comida ao redor
do prato como uma pequena criana que sabe que tem que comer os
legumes antes de conseguir ter a sobremesa. 

Quando foi a ultima vez que voc fez algo tao tolo quanto usar uma
lingerie provocante debaixo de um terno, s para excitar um
homem? E to malvada em negar a este mesmo homem a coisa que voc
est esperando fazer com ele?

Ela come mais um pouco, pensando, com um toque de surpresa, sobre
seu recente comportamento. No, ela no era assim. No sempre.
No a  Dana Katherine Scully do cotidiano. E mesmo assim, a possibilidade,
ainda que extrema - de tais aes permanecia dentro dela.

E, em algum lugar dentro de sua alma, estava outro aspecto dela.
Este aspecto era minsculo, apenas compondo a poro mais minuciosa
de quem ela era. E mesmo assim,  essa essncia ardia com intensidade,
eclipsando a parte lgica dela. Foi esta parte de sua personalidade
que a fez querer se juntar ao FBI logo depois da faculdade, apesar
das restries de sua famlia e amigos.

Foi essa parte que lhe urgiu para rir com Mulder numa tempestade,
quando eles estavam na lama. A parte que a incitou, durante um
caso na Florida, a engolir um grilo vivo na boca, apenas pela
vontade de ver o olhar no rosto de seu parceiro. Se perguntassem
pra ela, ela no poderia identificar este constrangedor impulso.
No era por coragem, mas com certeza havia isso tambm.

Seus olhos vaguearam de novo para o homem ao seu lado, de frente pra
ela. Ela o viu olhando pra ela atentamente, como tinha feito durante
todo o jantar, os olhos esverdeados mostrando a fome que ele tinha por
ela, e no pela comida diante dele. Como voc me v, Mulder? ela
quis saber, sem perguntar. Quando as pessoas te perguntam sobre como
 seu parceiro, o que voc diz pra eles?

Como se Fox Mulder se importasse com as opinies dos outros. 

Ela ergueu as sobrancelhas ao pensar nisso, e voltou a olhar
para o prato. Isso no  justo, Dana - ela se repreendeu depois de
um momento. Afinal de contas, o que voc responde quando as pessoas
te perguntam sobre Mulder?

Ele  um excelente investigador.  

Ele tem um dom para juntar as pistas.

Ns formamos uma boa equipe.

Tudo verdade. 

E tudo absurdo.

Como se tais simples frases fossem capazes de dar para o ouvinte
uma idia precisa de quem era este homem.

"Voc vai comer isso?" Mulder pergunta, interrompendo seus pensamentos,
referindo-se ao prato meio cheio dela, com o que ela esteve
brincando at agora.

"Voc nem mesmo terminou o seu ainda" ela argiu, com um sorriso
leve e um rubor no rosto por ter sido pega sonhando.

"Eu no quero a sua comida, Scully. Eu s esperava que voc
dissesse no, assim eu teria um motivo para pedir a conta."

Ela riu, e tremeu a cabea. Esse humor... ela gostava. No. Ela
mais do que gostava. Ela ficava excitada com isso.
Especialmente agora que ela notou a freqncia com que ele
usava isso para assuntos importantes. 

E tudo que ela tinha que fazer era olhar em seus olhos.

E Scully fez isso. E fixou o olhar. Ele tinha olhos bonitos.
Mesmo para um homem tao bonito, os olhos salientavam-se como
sendo a melhor caracterstica dele. Ela duvidava que apenas
a troca de tom na cor deles era o que a atraa, embora ela tinha
que admitir que a cor verde que a encarava de volta era maravilhosa.

Mas ela achava que o que a atraia era mais do que fsico. Certamente
havia muito mais ali do que apenas olhos. Com certeza era brincadeira
de criana nomear as emoes que passavam pelos olhos dele: diverso ao
ler um email engraadinho dos Pistoleiros Solitrios, impacincia 
enquanto tinha que ir a outra burocracia formal do Bureau, 
calor quando olhava pra ela, horror quando era obrigado a 
olhar a brutalidade de uma cena de crime.  Mas estas eram reaes
para estmulos temporrios, e passavam como uma nuvem diante
do sol. O que demorou para ela entender, e identificar, era
a constante que lustrava neles. A essncia deste homem diante dela.

Ela no se iludia com isso. Embora o amasse, Scully reconhecia
que ele no era um santo. Mulder tinha seus momentos de cegueira,
obstinao, egosmo, e sim, pura crueldade. Mas ela sabia que
ele usava isso para fazer as coisas certas - trazer Samantha pra
casa, combater as mentiras, proteger os indefesos, e cuidar dela.
Tentar fazer o melhor. Para ser o melhor. 

"Voc est muito quieta, Scully" Mulder falou com um sorriso suave.
"Pensando em novas e excitantes maneiras de como me atormentar?"

Ela tremeu a cabea. "Por que?" ela perguntou, cruzando deliberadamente
as pernas debaixo da mesa para disfarar as emoes que tentam 
aparecer sobre a fachada tranqila dela. O som foi alto
no restaurante quase vazio. "As maneiras antigas no funcionam mais?"

Desejo chamejou no olhar de Mulder.  "Nem vou me dignar a 
responder esta pergunta."

"Qual  o problema, Mulder?" ela escarnece, doce, sentindo-se
mais segura. "Voc acha que isso..." ela esfrega uma batata da perna
contra a outra. "... " O que  a questo, Mulder "? ela escarneceu docemente, 
sentindo mais agora em posse dela, das emoes que 
ainda tido a tendncia para virar perigosamente oferta onde ele era 
interessado.  Voc acha isto. . ". Ela puxou um bezerro lentamente 
ao longo do outro.  "... te distrai?"

O som da fibra sinttica novamente aparece no ar. O homem
 frente dela parecia como se a qualquer momento ele
poderia precisar agarrar a toalha da mesa com as duas mos
para poder se controlar.

"Acho que voc pode dizer que sim" ele falou com os cotovelos
sobre a mesa, os olhos escurecendo um pouco.

"Que bom. Pois elas esto me distraindo o dia inteiro."

Ele ergueu uma sobrancelha. "Voc usou essas meias o dia todo?"

"Mm-hmm," ela fala, tomando outro gole do vinho, os olhos brilhando,
divertidos. "O dia todinho. Foi bem difcil me concentrar nas perguntas
do advogado de defesa."

"Oooh... eu gostaria de saber como o velho Adam se sentiria caso soubesse
disso."

Scully estreitou os olhos num falso aborrecimento. Mulder ergueu
as mos numa atitude defensiva, implorando silenciosamente - sinto muito,
no consegui me segurar.

"O que Alan no sabe, no vai machuca-lo" ela assegura a seu
parceiro, com um meio sorriso, se apoiando adiante, e eles estavam
quase se encontrando no meio da mesa. "Alem disso, estou usando isso
s por voc, Mulder. S pra voc."

O ar crepitou com aquela eletricidade familiar.

" mesmo?"

" mesmo."

"Ento eu acho que isso quer dizer que eu posso decidir se
voc pode ficar com elas... ou tira-las. Mais tarde."

Scully quase sufocou no bocado de vinho que ela estava tomando.
Aquele maldito homem podia virar o jogo mais rpido do que uma
moto em alta velocidade.

Mulder viu a derrota dela, e insistiu na vantagem, o sorriso mau,
o tom de voz socivel, como se ele estivesse conversando sobre
qual a cor do terno que ele devia comprar. "Bem, isso tem suas
vantagens e desvantagens. Por um lado,  muito bom no ter
nada entre... ns. Meu toque. Voc... bem, acho que voc
entendeu.  E, claro, embora eu prometa que vou ser... suave,
ns ainda corremos o risco de rasgar o tecido no calor do 
momento."

Ela tentou recuperar o equilibrio. "Voc antecipa o calor, Mulder?"

Ele elevou a boca ao ver o contragolpe dela. "Eu sempre 
antecipo o calor quando voc est metida no meio, Scully."

Ela sentiu uma onda de calor subindo pelo peito, indo at o rosto.

"Por outro lado" ele continuou, a voz baixa, cheia de promessas
e necessidade. "Tenho que dizer uma coisa a favor sobre deixa-las
onde esto. Eu te disse o que acho da sua pele... e como ela fica
perto de tecido preto. Voc arde, Scully... E a maneira como voc
me olhar quando me quer..."

"E como eu olho pra voc?" ela pergunta, a boca to seca que ela
desejou no ter tomado o vinho todo momentos antes.

"Assim" ele fala, ousando que ela negue isso. "Como agora."

E ele no disse mais nada. Ao invs disso, Mulder olha para a mo
dela sobre a mesa. Ela segue a direo do olhar, como se hipnotizada.
Por um breve momento, ela pensou que ele poderia fazer
algo tao sentimental quando pegar a mo dela em publico.  Mas ela devia
ter sabido. Este no era o estilo de Mulder. Ao invs disso, ele acariciou
o polegar sobre a pele fina do lado inferior do pulso dela, localizando
a rede de veias azuis debaixo da pele.

Continuando lentamente a carcia, ele olha pra ela mais uma vez.

"Sabe o que eu aprendi hoje  noite sobre voc, Scully?"

"O que?"

"Voc gosta de ser provocada."

Ela sentiu algo mergulhar do corao dela para o meio das pernas.

"Como voc descobriu?"

Ele sorriu ligeiramente. "Eu sou um psiclogo, lembra? Um profissional
treinado."

Ela sorriu de volta pra ele, apesar da inquietude no sangue. "Voc
est me analisando, doutor?"

"No, Doutora.  S observando."

"E o que voc v?"

"As pessoas normalmente escolhem seduzir seus parceiros da mesma
maneira como gostaria de ser seduzidas." ele falou, divertido,
explicando com cuidado.

"Ento, voc est sugerindo que eu estou excitada por minha prpria
lingerie?"

"Eu no sei. Voc est?"

Ela umedeceu os lbios enquanto pensava na pergunta. A sua honestidade
inerente reconheceu um ncleo de verdade na teoria dele, embora de maneira
relutante.

"Mas o que  mais importante" ele fala, o polegar sobre a palma dela,
indo para as pontas dos dedos, e Mulder observando os prprios movimentos.
"Eu cheguei  concluso que - quer voc saiba ou no - voc montou
esta noite... toda esta... provocao... tanto pra voc quanto pra
mim. No que eu tenha problema com isso, preste ateno. Eu
reconheo as vantagens da... antecipao. E, alm disso, eu sempre
quis saber o que te excitava."

"E se foi isso que eu quis fazer?" ela fala numa voz rouca, os olhos
azuis chiando, desafiando o homem que a conhecia to bem. "Alguma
reclamao?"

"No" ele fala, sucinto, a mo se fechando sobre o pulso dela,
olhando pra ela agora. "S um muito obrigado."

"Me agradea mais tarde" Scully paquera, dando um sorriso como o dele.
"Quando voc tiver certeza de que eu mereo o agradecimento."

Ambos se olharam por um momento, finalmente tendo alcanado a
igualdade. 

"Voc j terminou?" ele pergunta, baixo, seu olhar quase a encobrindo
devido  intensidade.

Ela acena com a cabea, com um sorriso mnimo.

"Voc sabe que se voc pedir a sobremesa, eu no vou poder
ser responsabilizado pelas minhas aes."

Isso fez ela sorrir completamente. "Ainda bem que eu nunca fui
chegada nos biscoitos da sorte."

Mulder elevou a sobrancelha, imitando ela. "Voc no precisa deles."
ele sinalizou para o garom trazer a conta. "Se voc 	tem alguma
duvida sobre o que voc vai fazer no futuro prximo, fale comigo.
Eu tive uma viso."

* * * * * * * *

Eles falaram apenas seis palavras entre o restaurante e o apartamento
dela.

Eles pagaram a conta e andaram para o carro, o ar da noite no 
sendo capaz de esfriar o que chiava entre eles.

Mulder, que andava ao seu lado, se adiantou um pouco ao chegarem
perto do carro, e colocou a mo na porta onde ela entraria.
Scully, automaticamente, andou alm dele e se preparou para abrir
e sentar quando se viu impedida pelo brao direito, forte de
seu parceiro. Ele passou o brao pela cintura dela, com uma
fora muito grande, puxando o corpo pequeno contra o dele, 
e abaixou a cabea, os lbios dele buscando o dela num beijo rpido,
forte e quente.

"Quem est mais perto?" ele murmurou contra a boca dela.

"Eu" ela sussurrou, sabendo instintivamente que a pergunta era
referente sobre qual apartamento estava mais perto.

"Vamos."

As pernas de Scully pareciam estar sem ossos, e ela entrou no
carro, incapaz de lidar com o cinto. Mulder ligou o carro rapidamente,
como ela nunca o viu fazer antes. Ele estava determinado, e muito
disposto a chegar no apartamento dela o mais rpido possvel. Ela
olhou no rosto dele aquela pinta, aqueles lbios, e tudo mais
que brilhava debaixo das luzes da rua. Mulder notou a ateno
dela, sentindo o poder quase tangvel dos olhos cor de safira dela.

Scully sabia, quase com dolorosa conscincia, de que se ele quisesse
leva-la, ali mesmo, naquele carro, numa rua da cidade, durante uma
hora onde normalmente as ruas ainda estavam cheias, ela o deixaria.
Inferno - ela daria boas vindas.

Mas ele no tentou. No pediu. Ao invs, ele simplesmente respirou
fundo, e se controlando, tirou o carro do meio-fio, indo para
a estrada.

'No me olhe dessa maneira,' Mulder	urgiu silenciosamente
para a mulher ao seu lado, dividido entre dirigir e ver a ateno
extasiada que ela estava lhe dando. No me olhe assim, com esse
olhar faminto. O olhar que eu sonhei durante muito tempo. No faa
isso e espere que eu seja capaz de pensar, respirar, dirigir. No
espere que eu viva.

No quando toda molcula de meu corpo est urgindo para ser enterrado
em voc. Se perder no calor macio e lustroso do seu corpo. Te segurar
nos meus braos, seu rosto contra meu peito, te segurando por uma
dcada ou duas, ou quando eu me cansar desta necessidade que tenho
por voc, deste desejo ganancioso que me amedronta tanto que me excita.

Ele tentou reduzir a velocidade da prpria respirao. Clarear sua
mente. Ainda bem que ele tinha o volante para agarrar, para apoiar
suas mos. Caso contrario o tremer que sacudia seu corpo mostraria
como ele estava prestes a perder  o controle. E mostrar o quanto
ele estava no limite.

Ele se sentia muito contente por seu controle no restaurante. Ele
at mesmo conseguiu virar a mesa. No que esta era uma competio entre
ele e Scully. No mesmo. Era s que ela tinha este misterioso dom
de pega-lo de jeito. Ele morria com a sensualidade que ela lhe mostrava
lentamente, assim como Salom derrubava seus vus. Mulder achava
que tinha se apaixonado por uma mulher que, mesmo sendo, sem duvida,
adorvel, era mais uma criatura de intelecto do que fsico. Ele
a achava fascinante sexualmente. Mas, ele pensou nisso enquanto 
descobria seu prprio segredo.

Afinal de contas, Dana Katherine Scully era uma menina catlica
de uma famlia militar.  Ela tinha dois irmos na marinha, e um capito
para vigiar sua virtude. Claro que esse tipo de educao deveria ter
resultado numa mulher que possuia inocncia, e uma reticncia natural
para a expresso fsica do amor.

Mas no parecia ser este o caso. Bem, no completamente. Tudo bem,
no importa quo carnal seja o abrao que eles compartilharam,
ela sempre reteve um tipo de pureza. Uma inocncia que no tinha nada
a ver com inexperincia, e tudo a ver com bondade. Mas, aquela virtude
que era uma parte dela no impedia, de maneira nenhuma, a sexualidade
natural dela. No.... Scully veio para ele de maneira livre, to
formosa, que s de pensar nisso Mulder sentia a garganta se fechando,
e os olhos ficarem midos. Ela se entregou a ele do mesmo jeito que
lhe deu sua confiana, sua amizade e seu apoio. Completamente. Sem reservas.

E ento hoje  noite...

Depois de passar um dia inteiro encarando a mesa vazia dela,
no escritrio apertado deles, legando para que ela estivesse ali
de repente, sorrindo pra ele, o cabelo vermelho-dourado dela 
iluminando o escritrio; revivendo cada detalhe vivido do tempo em
que eles passaram juntos nos braos um do outro, e que ele finalmente
conseguiu o que tanto queria. O que tanto ansiava. 

Ela estava l. Com ele. O lnguido perfume provocando os sentidos
de Mulder, o rosto perfeito, lhe implorando para passar a mo por
cima. Os lbios dela o tentando, fazendo-o sonhar em prova-los mais
uma vez, escarnecendo sobre a ultima memria de sua doura.

E ela tinha feito isso de novo.

Ela lhe deu o que ele pediu. Aquele tolo pequeno e brincalho 
pedido que ele tinha feito naquela noite.

Lingerie preta.

Um cinto de liga e meia-calas.

Jesus, e ele nem mesmo os tinha visto ainda. Bem, ele no olhou
muito bem de qualquer maneira. E mesmo assim, s de saber que isso
tudo estava l, era o suficiente para faze-lo sentir como se estivesse
tendo um horrvel caso de vertigem. O mundo l fora parecia fora
de foco. Girando com alta velocidade.

E ainda assim ele agentou, se esforando para manter o poderoso
equilbrio, e manter-se firme. 

Agarrando o controle pelas unhas.

Mas isso no ia ser bom o bastante. No para ela. Ele falou
serio quando mostrou pra ela que a pequena surpresa dela tinha sido 
projetada tanto para seu prprio prazer quanto para o dele.
E ele acreditava nisso. Sabia que Scully nunca consentiu de maneira
obvia s suas solicitaes, e que ela nunca teria feito isso caso a
idia no fosse atraente pra ela. Que ela acharia que tal plano
para excita-lo o chocaria. Claro que esta mulher acharia os aspectos
mentais do sexo - a sugesto, a provocao, a antecipao - emocionantes.
Assim como ele.

Mesmo sendo diferentes, eles pareciam sempre concordar nas
coisas mais importantes.

Bem, ela teve sucesso no esforo em faze-lo imagina-los juntos.
A ligao deles. Ela tinha deixado ele doido por isso. A ponto de loucura.
Mulder no tinha certeza de como faria isso, mas ele pretendia
deixa-la louca, tanto quanto ela o deixava. A pergunta seria:
quem ficaria louco primeiro?

* * * * * * * *
