De: krasch@delphi.com
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Assunto: *Three Little Words" (2/2) 
Sbado, 28 95 16:51:59 -0500 de oct,

Three Little Words (2/2)
Por Karen Rasch
krasch@delphi.com

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Mulder gelou, o peso do corpo nos calcanhares, dividido entre o
desejo para atirar suas frustraes no homem  sua frente, e o saber
do que poderia acontecer para sua parceira, caso ele fizesse isso.
Respirando fundo, ele olhou para Riggs com o mximo de desprezo que
conseguiu reunir. "Claro que eu sei. Voc l mentes."

"Cristo, Mulder!  Voc me faz parecer uma leitora de mos numa
feira" Riggs replicou com igual desdm. "Voc e eu sabemos que o
que fao  mais sofisticado, mais seletivo do que arrancar uma data
de anivesrio de alguem somente no ar."

"Mesmo?" Mulder falou, com desprezo, atento que tinha picado no
orgulho do adversrio dele. Talvez atacando seu ego ele poderia
levar Riggs a cometer um erro. "E como eu sei disso? Pra mim,
tudo que voc faz foi fazer contato com essas pobres pessoas, e tirar
delas tudo que voc precisava para mata-las. Uma licena, um nmero
de telefone, uma pista para saber onde eles estariam e com quem eles
estariam em dado momento. Nao sei nao--- pra mim isso parece ser uma
simples leitura de sorte."

"Ento isso mostra o quo pouco voc sabe" Riggs zombou, o brao
envolvendo o pescoo de Scully, a faca equilibrada no canto da
mandibula dela. "Talvez sua parceira tenha uma avaliao do que
eu fao. Voc  mdica, agente Scully. Claro que voc pode imaginar
as complexidades envolvidas na minha mente psiquica."

A mulher falou num tom de voz baixo, controlado, preocupada em
se mover o minimo possvel com a faca picando seu rosto. "Nao sei do
que voc est falando."

Riggs relaxou ligeiramente, e olhou pra Mulder. "Voc est dizendo
que o agente Mulder nao te contou?"

"Nao tente se valorizar, Riggs" Mulder falou, valente. "Eu s a incomodo
com coisas importantes."

"Estou ferido" Riggs respondeu, embora seu sorriso no mostrasse
essa 'dor'. "Eu pensei que nosso pequeno encontro de mentes valia a pena
ser mencionado... vendo como vocs dois so to ntimos..."

"Por que no me conta sobre como voc foi capaz 
de pegar Linda Ferguson sem ninguem te ver" Mulder sugeriu depressa,
numa tentativa to clara para mudar de assunto, que Riggs teve que
rir.

"Mas, Agente Mulder," Riggs protestou suavemente.  " isso que
estou fazendo."

Ele mexeu com Scully dentro do crculo dos braos dele, trazendo o rosto
dela contra o dele. O corpo dela descansava contra o de Riggs, as mos
dela amarradas, e empurradas contra a coxa dele.

"Sabe, eu tenho um certo talento, agente Scully." Rigga falou num
tom casual, como se ele e a agente fossem velhos camaradas. Os olhos dele
permaneceram fixos em Mulder. "Eu posso tocar as pessoas. =Toca-las=
de verdade. E quando eu fao isso, eu sei de tudo. Ou para manter o
contato vivo entre ns."

Scully lambeu os lbios, e entao percebeu, "Foi assim que voc sabia onde
Linda Ferguson morava?"

Riggs ergueu a sobrancelha, irnico. Ele bateu de leve na 
bochecha dela. "Voc, minha querida, ganhou a estrela de ouro. Sim,
foi simples assim. Um toque no brao dela, e eu sabia onde ela morava,
o nome do gato dela, o que ela tinha comido no jantar daquela noite.
E sim, agente Mulder. Eu tambm sabia a data de aniversrio dela. 14 de
agosto de 1963."

"Por que ela?" Mulder exigiu, os olhos desertos.

Riggs deu de ombros, e tremeu a cabea. "Nao foi nada pessoa. Nunca conheci
a mulher antes daquela noite. Essa  uma das regras do jogo."

Mulder olhou pra ele com supresa mal escondida. "E que jogo seria este?"

"Ah, o meu favorito. O que te d mais problemas. E mais prazer. A caa."

Mulder estreitou os olhos enquanto pensava nas palavras de Riggs, mas
ainda nao entendendo tudo completamente. "A caa - as pessoas que voc
caa fazem parte de algum jogo?"

"No s qualquer jogo, Agente Mulder," ele saiu de perto das caixas, a
febre nos olhos ardendo com entusiasmo. "=O= Jogo. O que me permite o papel
do grande caador branco, e o resto do mundo tentanto me enganar."

"Do que  que voc est falando?" Mulder perguntou cautelosamente, 
como se nao quisesse ouvir a resposta.

"Estou falando sobre a minha vida, meu querido homem do FBI" Riggs falou
suave enquanto esfregava o rosto contra o cabelo de Scully, como um gato marcando
algo como seu. "Estou falando sobre o saber. Saber qualquer coisa sobre alguem.
Voc pode imaginar como  sentir isso?"

"Nao realmente."

Riggs continuou como se no tivesse ouvido o resmungo de Mulder.
"No comeo, era incrivel. Ora, voc pode imaginar a escola, nao ?
Podendo entender o que ia estar em cada teste. Qualquer um. Quase 
conhecendo as mentes de seus colegas antes que eles agissem. Tocar a 
mo de uma menina e saber exatamente o que fazer para poder transar
com ela."

Mulder deu de ombros, determinado a nao mostrar a maravilha que sentia
por ouvir o que estava ouvindo, dizendo ligeiramente, "Parece um estranho
episdio de cincia."

Riggs luziu pra ele. "E fica mais estranho. Herdei o imprio do meu pai.
Aquisies incorporadas.  Fuses. Transaes de aes. Ofertas de 
trabalho. Tudo que tenho que fazer  estar l.  Me entrosar com o
poder, todos os chefes, e a informao  minha. O nico problema, como
todas as coisas, isso ficou velho."

Mulder tremeu a cabea. "Isso nao explica por que voc virou de um 
homem de negcios para um assassino."

Riggs acabou o cabelo de Scully, e puxou forte, a dobrando pra trs,
at que o topo da cabea dela descansasse contra o ombro dele.
Um som pequeno de surpresa e dor escapou dos lbios dela. "Explicaria,
se voc estivesse escutando."

Mulder tirou uma mo da arma, e estendeu-a para o par diante dele. 
"Eu estou. Eu estou. Eu estou te escutando. Eu quero saber. Riggs ---
Rigs! Por que voc matou estas pessoas? Voc acreditam que eles
fizeram algo para merecer isso?"

Riggs riu. "Nada. =Nadinha=. Voc no entende? Elas eram apenas
minhas presas."

Mulder piscou, a expresso dele ferida. "Na caa?"

Riggs acenou com a cabea, a expresso satisfeita. "Sim. Voc entende.
Voc estava escutando mesmo. Na caa. Eu as escolho. Ao acaso. Nao posso
dizer como fao minha seleo. ... instintivo, sabe?"

"Claro" Mulder murmurou.

" um toque. Um s toque. O tempo que eu posso segurar." Riggs
falou rpido, excitao evidente. "Eu pego o que posso , e ento os
solto."

"At que est na hora para caar," Mulder disse, concluindo.

"Exatamente".

Finalmente entendendo, Mulder pensou no que o homem diante
dele tinha dito, ento abaixou o olhar antes de fixar os olhos
nos de Riggs, proposito brilhando nos olhos esverdeados. "Ento
solta Scully. Fui eu quem voc tocou. Sou eu quem voc escolheu."

"Mulder, no!" Scully chorou, se torcendo nos braos de Riggs,
a faca na mao dele momentaneamente esquecida.

"Est tudo bem, Scully" Mulder falou, suave, dando um passo adiante.
"Estou certo, no , Riggs? Foi isso que aconteceu na delegacia. Voc me
tocou."

Tudo estava indo muito bem, Riggs pensou com prazer. O agente do
FBI estava jogando direitinho em suas mos. "Isso mesmo, agente Mulder.
Eu te toquei."

"Ento sou eu quem voc quer" Mulder falou, a voz calma, como se ele
estivesse falando com um suicida pronto para pular do telhado. "Solta ela."

"Mulder--," Scully o estava advertindo. Os olhos de seu parceiro olharam
pra ela por um momento. Ele sorriu em confiana.

"Certo de novo, agente Mulder" Riggs falou num tom cheio de mel. Ento,
ele deslizou a faca debaixo do queixo de Scully, para parar o progresso
de seu adversrio mais pra frente. "Mas no  s sua vida que eu quero."

"Do que  que voc est falando?"

" a sua alma."

Mulder parou, confuso.  Ele pensou que ia conseguir tirar Scully das
maos daquele louco. Ele achava que poderia finalmente solucionar este
problema.

Mas, ao invs, ele apertou os dentes, frustrado.
"Nao estou entendendo."

"Eu te conheo, Agente Mulder" Riggs parecia estar falando com
um aluno, escarnecendo dele. "Eu te conheo todinho. E posso apostar
que eu te conheo melhor do que a adorvel agente Scully aqui te conhece."

"Mas que maravilha. Tenho certeza de que iramos ganhar o jogo dos
recm-casados" Mulder falou, entredentes, o brao que segurava a arma
comeando a ficar duro. "S solta ela."

"No, no.  No quero excluir a agente Scully da nossa conversa" a
voz dele tinha uma falsa reprovao, os olhos selvagens, a face corada.
"Acho que voc deveria compartilhar com ela o que voc compartilhou comigo."

Mulder fez careta, a sobrancelha franzida. "Eu nao =compartilhei=
nada com voc, Riggs. Voc simplesmente pegou isso. Assim como voc
pegou a vida dessas pessoas. Mas, estou disposto a cooperar. O que voc
quer que eu diga?"

Riggs sorriu.  Frio, duro, vitorioso.  "Voc  um garoto esperto.
E vai saber o que eu quero."

Ele afastou a faca um pouco, virou na mo enluvada, a lmina pegando o
brilho da lampada sobre eles. Ento, antes que Mulder pudesse perceber o
que estava acontecendo, Riggs apertou a arma dele contra o pescoo de Dana 
Scully. A lamina abriu uma ferida de aproximadamente 
trs quartos de uma polegada. Liquido vermelho apareceu no corte raso,
e ento desceu. Um pequeno som de alarme vibrou no fundo da garganta de
Scully.

"NO!" As palavras foram arrancadas de Mulder como se uma parelha de
cavalos as levasse pra fora.

"Pense nisto como um incentivo, Agente Mulder," Riggs ronronou. "Afinal de
contas, est ficando tarde. E j falamos bastante. Precisamos ir adiante.
S diga pra agente Scully o que voc me contou, e tudo vai terminar."

"No sei do que  que voc est falando---"

Riggs podia ver que o agente do FBI estava desesperado, ambos fisica
e mentalmente,  tentando achar a informaa que iria satisfazer o homem
diante dele, que tinha uma faca. Riggs riu, querendo gritar o proprio prazer para
o mundo.

"Ora, por favor! Onde est o seu esprito esportivo?" Riggs
estava dando um falso encorajamento, a mao ainda presa no cabelo
de Scully. "Pense nisso como um quebra-cabea. No pode ser to
dificil.  isso que voc faz para viver, no ? Resolver quebra-
cabeas. Mistrios. Bem, aqui  a mesma coisa. S que desta vez, algo
importante est na linha."

"Riggs, isto j foi longe o bastante" Mulder falou, tentando argumentar,
mas a face dele indicava que ele estava perdendo a propria paciencia.
"Este nao  seu jogo. Nao pensei que voc gostava de quebra-cabeas---"

"Este  o seu problema, agente Mulder" a face de Rigs estava to dura quanto
diamante. "Voc no pensa."

A faca fez sua dana novamente contra a pele de Scully.  Desta vez,
tirou sangue da carne exposta no decote da blusa dela. Este corte,
como o outro, era pequeno, mas o liquido escarlate e grosso
apareceu depressa na superficie, e gotejou at desaparecer 
dentro das roupas da agente amedrontada. Ela chupou um suspiro 
atordoado.

Mulder trocou o peso dele nos ps, e a arma nas maos, desesperado,
procurando um local para atirar. "Riggs, Deus me ajude---"

"Eu no faria isso se voc fosse, agente Mulder" ele acautelou,
comeando a se mexer ligeiramente tambm. "E se voc escolhesse
atirar, e eu fizesse isso--"

Ele se jogou pra esquerda, levando Scully, e ento se corrigiu.

"Claro que voc *poderia* me atingir" Riggs continou, diverso nos 
olhos que provocavam Mulder. "Mas, olha s o que est na minha frente...
O que voc faria se atingisse a agente Scully?"

Como Riggs previa, Mulder olhou para sua apavorada parceira. Regatos
vermelhos e pequenos arruinavam a suavidade do marfim do pescoo e
trax dela. Mas ela nao lamentou. Nao implorou. Mulder estava
l, o casaco enorme o envolvendo como uma nevoa, os olhos com
medo, assombrados, os ombros curvados. Nem mesmo percebendo que estava
fazendo isso, ele tremeu a cabea, devagar. Riggs usou isso como sua
vantagem.

"O que voc faria se a matasse, Mulder? Se ela morresse
bem na sua frente, por uma bala atirada pela sua me? Como voc se sentiria?"

Algo na maneira como Riggs fez a ultima pergunta fez Mulder olhar de
volta para o homem diante dele. O desgraado. Ele estava sorrindo, convencido,
seguro. Ento, acenou com a cabea, como se oferecendo um encorajamento
particular e doente. Mulder pensou nas ultimas palavras do homem em sua
cabea.

<Como voc se sentiria?>  

E de repente Mulder soube.  Ele soube o que Riggs queria.

Mas era dificil. Muito dificil dizer as palavras. "Riggs... voc 
sabe... eu gosto dela--"

"Nao  bom o bastante!" A faca brilhou como um raio. Outra ferida
rasa, desta vez ligeiramente mais longa que as outras duas, derramando
sangue de novo na garganta de Scully. Desta vez ela nao conseguiu impedir
o gemido que saiu de seus labios.

Mulder rasgou o cabelo dele com a mo que no segura a Sig trmula,
e andou de um lado para o outro como um tigre numa jaula, a voz dele
alta, como um rugido. "J chega! ISSO  O BASTANTE, SEU FILHO DA P**A!
Eu a amo!  isso que voc queria ouvir? =Eu a amo="

Riggs somente sorriu.

Mulder encarou sua parceira. Riggs queria poder ver o rosto de Scully. Ela
estava tremendo agora, mos vibrando contra o quadril dele. Mas nao de medo.
Disso, ele tinha certeza.  Algo na expresso dela deve ter feito uma
pergunta silenciosa. Mulder respondeu a isso. Desta vez, foi suave, a
tristeza e desejo nos olhos assombrados.

"Eu a amo."

Riggs esperou, saboreando o momento.  

Ento, sussurrou, "Muito bom, Agente Mulder.  Eu sabia que
voc conseguiria. Agora, vamos encerrar esta pequena festa, nao ?
Jogue a arma no cho."

Riggs sentiu Scully ficar tensa em seus braos. "Mulder!" ela
protestou.

Riggs a puxou mais firme contra ele, o brao de volta na posio
original pela clavicula dela, cobrindo o sangue no peito dela.
"Faa isso, Mulder. Ou minha faca vai esculpir um sorriso novo 
no bonito pescoo da agente Scully."

"Mulder, atira!" sua parceira urgiu, a voz apertada com lgrimas.

Mulder nem mesmo pensou nas consequencias. Plido como um fantasma, ele
se abaixou para colocar a arma no chao.

Riggs quis fazer uma pequena dana de vitria.  Ele gostava deste
novo jogo. Ele pensou que esta noite seria diferente. Esperava que
poderia ser mesmo. Ele percebeu quando notou os agentes o vigiando em
sua casa, que ele poderia atrai-los para este predio, e fazer o que quisesse
com eles. Mas diferente dos outros crimes, ele nao planejou como ia agir,
nao traou todo passo.

Ao invs, ele confiou na propria inteligencia afiada, e habilidades
para improvisar. Ele gostava da sensao de liberdade. E apesar das
palavras dele para Mulder, ele nao queria terminar com isso ainda. Nao.
Hoje  noite, ele nao s ia levar vidas - mas segredos, dignidades, e 
sonhos. Ele mentiu para os agentes. A noite ainda nao tinha terminado.
Com certeza. Ele viu que teria horas de prazer enquanto decidia que os
dois amantes assistiria o outro morrer.

Riggs observou Mulder abaixando, colocando a arma no chao, 
sentindo como se estivesse vendo a ao em camara lenta, assim como
um f de esporte assiste aquela jogada impossvel, ou cesta no replay.
Ele apreciou a rendio do agente. Assim que a Sig deixasse as maos do
agente, Riggs seria declarado vencedor.

Mas antes que isso pudesse acontecer, Agente Scully entrou no jogo.
Ele estava to focalizado em Mulder, que quase se esqueceu da ruiva
delicada em seus braos. Ela usou a distrao dele em sua vantagem.
As maos pequenas, que estavam escovando perto da virilha dele a noite
toda, ficaram mais corajosas, encontrando finalmente seu objetivo.
E quando ela localizou o que estava procurando, ela apertou.

E apertou com muita fora.

Riggs gritou, alto e longo como um animal ferido.  
O corpo dele se contorceu, o brao jogado pra cima e pra longe do ombro
de Scully, surpreso. Ela aproveitou a deixa, e soltou o saco de pele
e nervos que ela tinha esmagado com tanta fora, se abaixando, preparando-se
para rolar para longe do homem atrs dela.

Mas os reflexos de Riggs eram to afiados quanto sua faca, e antes
que ela pudesse escapar, o brao dele mergulhou. Um grito saiu da 
garganta dela no mesmo momento em que a lamina rasgou o brao superior
dela. Mas, antes que Riggs pudesse elevar a arma para outro round, 
um tiro ecoou pelo lugar. Riggs voou pra trs, batendo contra os
engradados de madeira que serviram como apoio antes, e deslizou para
o chao, com um pesado baque.

Mulder ficou de p, a arma no brao, tremendo, os ps enroscados no
casaco. Scully estava deitada no chao, de lado, as maos ainda amarradas
pra trs. Vermelho crescia pelas roupas dela, manchando o brao. Ele correu
pra ela, a boca apertada em raiva quando ele percebeu que Riggs tinha
usado o cinto do casaco dela para amarra-la. Mesmo tentando ser suave,
ele balanou o brao dela, enquanto tentava solta-la.

"Scully! Scully, voc est bem?" as mos dele deslizaram sobre ela,
s para ter certeza de como ela estava.

Ela acenou com a cabea, lutando para sentar,
balanando por causa da combinao de adrenalina e perda de sangue.

"Riggs--" ela resmungou enquanto tentava ao mesmo tempo esfregar
os pulsos doloridos, e tirar os ombros do casaco dela.

Mulder foi para cima do homem, virando-o sobre o chao de cimento. Sangue
flua no peito dele, como uma forma de orquidea extica. O agente colocou
as pontas dos dedos sobre a garganta do homem. Nada.

"Ele est morto ".

Scully acenou com a cabea, e tentou, cansada, ficar de p,
mas as pernas dela nao ajudaram. Mulder correu de volta pra ela.

"Voc est maluca, Scully?" ele perguntou num tom quieto, bravo,
enquanto  a pegava nos braos, e tirava uma mecha de cabelo
da bochecha dela. Ento, como se pensando que ela fosse quebrar com
o impacto, ele a abaixou com cuidado, deitando-a de costas no chao.
"S fique aqui, ok? Eu vou pedir ajuda."

Com as maos ainda tremendo, ele tirou o celular e fez isso. Ento,
enquanto esperavam, ele ajeitou Scully to confortavelmente quanto foi
capaz, colocando-a contra uma parede discreta, longe do corpo de Riggs,
e colocando o casaco dele sobre o colo dela, para ajuda-la a nao entrar
em choque. Com isso feito, ele queria olhar pra ferida.

"O que voc fez, Scully--isso foi estpido," ele murmurou 
enquanto tirava o terno dela dos ombros.

Realmente estpido, mortalmente estpido. Quase imperdoavelmente
estpido.

"De nada" ela falou ligeiramente, a sobrancelha franzida de dor
e aborrecimento.

Mulder tremeu a cabea, concentrado em cuidar dela. Sangue tinha
saturado sua blusa, e o tecido sedoso. Embora ela estivesse tentando
ser valente, ele sabia que devia estar doendo como o diabo. Fisica
e emocionalmente exausta, Scully ficou sentada, quieta, com a cabea
contra a parede, os olhos fechados, o rosto sem cor.

"O que eu quero dizer --- Voc poderia ter morrido. Se Riggs 
tivesse movimentado a faca mais para baixo--" ele estremeceu. Nem mesmo
valia a pena pensar nisso.

"No pense que eu queria ser Joana D'Arc, Mulder" Scully brigou,
baixo, os olhos ainda fechados. "Se voc tivesse entregado a arma,
as chances seriam que ele nos mataria de qualquer jeito. Mesmo preferindo
uma faca, tenho certeza de que ele nao teria dificuldade em aprender
a usar sua Sig. Eu s nao queria morrer neste lugar. Nenhum de ns."

A cabea abaixada, Mulder pensou nas palavras, e acenou com a cabea.
Ela estava certeza. A atitude dela salvou ambas as suas vidas. Mesmo assim,
isso foi um balsamos ineficaz para suas emoes. Ele sabia que a imagem
dela caindo diante da faca de Riggs estaria aparecendo regularmente
em seus pesadeos durante os proximos anos. 

Suspirando, e querendo saber se sua parceira percebeu o quanto as maos
dele tremiam, ele se abaixou, e com os dentes, rasgou a manga da
blusa dela, agora encharcada. E ento ele conseguiu olhar para o corte.
Era dificil de dizer, mas nao parecia que a faca tinha ido fundo demais
para danificar um musculo. Mesmo assim, tinha sangue demais. Pegando o
cinto largado que tinha amarrado as maos de Scully, ele apertou isso
ao redor do brao dela, para estancar o fluxo.

"Ow!"

Ela abriu os olhos de repente, o brilho habitual deles entorpecido pela
dor. E mesmo assim, ela olhou pra ele sem nenhum rancor.

"Desculpe" ele resmungou, recuando de repente, como nunca tinha
feito antes com ela.

"Tudo bem" ela murmurou, o estudando com ateno, pegando tudo.

Mulder tentou esconder seu exagero. Nao olhando pra ela, ele pegou
o casaco dela, e dobrou como um travesseiro, e colocou atrs dela.
Pegando um leno do bolso do casaco, ele tocou de leve nos pequenos
cortes na garganta e peito dela. Felizmente, as feridas pareciam superficiais.
Durante esse ato, ele nunca olhou para outro lugar alm da mandibula
dela.

"Fale comigo, Mulder ".

O pedido rouco chamou sua ateno. Ele olhou para os olhos dela. Seu rosto
tinha, de alguma maneira, vindo para muito perto do rosto de sua parceira.

Quando falou, ele quase nao reconheceu a propria voz. Parecia
crua e sem forma para suas orelhas. "Acho que eu j disse muito por uma
noite, nao ?"

Scully o observou, os olhos cautelosos, mas quentes,
pensando nas palavras dele. Ento, lentamente, ela tremeu a cabea.
"Nao. Ainda h muito para ser dito. Por ns dois."

Mulder engoliu em seco, querendo poder apagar
o panico e embarao do rosto. Por que em momentos como este ele
sempre tinha a sensaa de que esses lasers de olhos azuis dela penetravam
mais fundo dentro dele, do que ele gostaria? "Nao hoje  noite."

Depois de um momento, ela acenou com com a cabea, tocando o antebrao dele
com a mao dela. "Nao hoje  noite. Mas logo."

Ele acenou com a cabea em retorno, ridicularmente grato
pela suspensao. "Logo."

Eles fixaram olhares, perguntas nao ditas por cada um. Finalmente, Mulder
quebrou o contato. Mas nao antes que ele levasse a mao para a bochecha
dela. Depois de segurar ali por um momento, ele se virou, com uma torao
lamentvel dos labios.

E de longe, ele podia ouvir o ganido metlico e afiado das sirenes.
E ele pensou que nunca tinha ouvido um som to gracioso em toda
sua vida.

FIM	


