xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

Nota da traduo: Esta fic est sendo traduzida sem a devida    
autorizao do autor. Contatos foram feitos, mas o email que consta  
nesta fic no foi respondido. Mas, mesmo assim, vou traduzir a fic.  
A histria pertence ao autor, e todo crdito deve ser dado a ele  
por isso. Eu estou apenas traduzindo.   
Edna Barros (ednabarros@uol.com.br)     
Para outras tradues, visite: www.wfics.hpg.com.br  

 
Translation's notes: This fic is being translated without the due    
the author's authorization. Contacts were made, but the email that consists  
in this fic it wasn't answered. But, even so, I will translate the fic.  
The history belongs to the author, and every credit should be given to him  
therefore. I am just translating.   
Edna Barros (ednabarros@uol.com.br)     
For other translations, visit: www.wfics.hpg.com.br 

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx 

Resumo: Um assassino fora Mulder e Scully a confessarem seus sentimentos um
pelo outro. Deste ponto em diante, eles lutam para manter as vidas 
profissionais e pessoal separadas mas equilibradas, at que um velho
inimigo ameaa no s o relacionamento entre eles, mas suas vidas.

THREE LITTLE WORDS (1/2)
Por Karen Rasch

Estou re-postando esta histria pois soube por vrias pessoas
que ela nunca apareceu em seus servidores. Mandei esta histria 
para um grupo h umas quatro semanas. Peo desculpas pelo uso excessivo
de 'bandwidth', mas nem mesmo Vincent conseguiu colocar esta
histria no arquivo.

Retratao: O mesmo de sempre: Scully e Mulder so de propriedade
de Chris Cartes, Dez Treze e Fox Television e esto sendo usados
completamente sem permisso. Nao  planejada nenhuma infrao ou
desrespeito aos direitos autorais. Gostaria de feedback, principalmente
para ter noticias de todo mundo desta vez, j que fiquei paranica por
ninguem ter recebido. 

Por favor, envie comentrios e crticas construtivas para krasch@delphi.com. 
Obrigada a todos que escreveram em relao a "Coming Back". Vocs no sabem
como eu fiquei maravilhada por ler suas opinies. Este  um grupo
muito encorajador, pessoal. Acho que esta histria deveria ter
a classificao PG-13, para tema adulto, um pouco de profanao
(embora eu ache que as palavras usadas aqui me dariam um "R" 
no cinema) e um pouco de violncia.

Nada de sexo. S um pouco de romance.  J que eu comecei esta
historia antes da terceira temporada, nenhum evento mitologico
est incluido aqui. Como sempre, obrigada a Helen, Capito da Brigada
UST cuja avaliao e encorajamento foram necessrios para escrever
esta histria. Eu estou orgulhosa em ser uma de suas tenentes.

Desfrute.

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

BRE Incorporated Armazm Central
Chicago
12:48 da manh

Bennett Riggs fitou o cano metlico e lustrosos da Sig Sauer
P229. O dono da arma fitava de volta, os olhos esverdeados
claros, e no oscilando, apesar do medo refletido em suas profundidades.
A angstia do outro homem agradou Riggs. Um sorriso lento e cruel esticou
os lbios estreitos dele.

"Vamos acabar com isso agora, Riggs, antes que algum se machuque."
disse o homem com  a arma, a voz baixa e calma, seus olhos nunca deixando
o rosto de Riggs. "S jogue a faca no cho."

Riggs negou com a cabea, lentamente, o cabelo preto longo encostando
no colarinho da camisa. Ele tinha que admirar a calma de seu oponentes. Se
ele nao tivesse estado dentro da cabea do homem, sentindo seu tumulto,
sua dor, seu complexo e a maneira frequentemente contraditria
no qual a mente do homem trabalhava, Riggs poderia acreditar que ele
estava totalmente controlado. Mas Riggs sabia que nao era bem assim.
Por um breve momento ele tinha visto a alma de seu adversrio. Ento,
como qualquer bom oponente numa campanha, ele foi direto na
maior vulnerabilidade de seu oponente.

E golpeou.

Ele ajeitou o aperto que tinha na jovem mulher delicada diante dele.
Ele era um homem alto, talvez apenas uma polegada mais curto que o homem
que o enfrentava. O cobre luminoso do cabelo da mulher quase nao alcanava
o ombro dele. E ainda assim o corpo pequeno dela o ajudou. O parceiro dela
no atiraria enquanto ela estivesse entre ele e o objetivo de sua bala.

Riggs a segurou com firmeza, o brao fechado pelo trax dela, a faca
encostando na garganta dela. As mos dela, amarradas nas costas,
estavam apertadas entre os dois corpos. Ele olhou pra baixo, podendo
ver a marca escura no peito dele, e ele soube que tinha feito ela
sangrar quando a atingiu com um pedao grosso de mrmore italiano
que o capaz do armazm aparentemente usava como um peso de papis.
Foi um golpe de sorte achar aquela pedra. Ele nem mesmo precisou lutar
para pegar sua arma. Ela soltou-a quando o mrmore desceu em sua cabea.
Deitada, quieta, no chao do escritorio do armazem. Ele nao ia precisar
da arma. Elas eram desajeitadas. Nao eram elegantes. Muito impessoal.

"Eu sabia que voc me seguiria hoje  noite, Agente Mulder" ele
falou, coquete, para o homem alto  sua frente. "E eu nem mesmo precisei
te tocar."

Por alguma razo, a referncia para o momentaneo encostar deles deixou
o jovem agente do FBI irritado. Ele apertou a mandbula, e de repente 
piscou os olhos, como se tentando clarear a viso. "Ento, por que, Riggs?"
ele aventurou, as mos segurando com firmeza a arma, os braos estendidos.
"Por que voc veio at ns, quando sabia que no tinhamos nenhuma prova?"

Riggs sorriu, triste, a maliciosa diverso nos olhos cinza desmentindo sua
melancolia.

"Meu querido Agente Mulder... ser que voc nunca se sentiu
entediado?"

* * * * * * * *

Bennett Riggs tinha sido sempre assim.  Quase desde nascimento.  Ele no podia
se lembrar de quando a vida tinha sido diferente de fcil. Simples.
Previsvel. Rotineira. Tediosa.

Um saco.

Parte do tdio sempre presente dele com certeza era devido ao seu talento,
um pequeno e estranho truque da gentica, que provou ser tanto maldito quanto
dadivoso. Mas uma parte da culpa tinha que ser creditada s cirscuntancias
de seu nascimento. Depois de tudo, nascido num pas de ricos industrais, com
certeza nao tinha resultado numa infancia dificil. 

Pelo contrrio: cada capricho seu tinha sido suprido. Nada era muito
estranho, ou muito caro. Se um profissional preocupado mostrasse que seu
pai e me ambiciosos, socialites, tinha substituido o amor por presentes
e privilegios, Bennet somente encolheria os ombros. Uma criana diferente,
auto-suficiente, ele teria falado para os assistentes sociais amadores que ele
tinha dado boas vindas s aes de seus pais. Ele nao precisava de amor e
nem nenhuma emoo sentimental. O poder dava isso. O poder dava prazer. Ele
foi cuidado por uma sucessao de altamente profissionais, mas emocionalmente
inacessveis babs. Como Garbo, ele queria ficar sozinho.

Foi essa mesma qualidade que ele tinha reconhecido no agente Mulder.
Aquela mesma necessidade para seprao. Pouco importava que
o homem do FBI veio de um lugar diferente, que as proprias dores
e emoes estavam num lugar diferente dele proprio, um lugar maduro,
mas contido. Ao contrrio dele, Riggs percebeu que Mulder mantinha tudo
 distancia, na erronea convico de que tal curso de ao iria 
protege-lo. E aqueles com que ele se preocupava.

Riggs olhou pra baixo, de novo, para a mulher diante dele, os olhos
azuis focalizados  frente, as costas retas, duras. Dana Scully. Dra.
Dana Scully. Parceira de Fox Mulder. Sua melhor amiga. Sua...

"O que voc quer, Riggs?" Mulder perguntou, os olhos brilhando, a arma nunca
oscilando. "Voc e eu sabemos que uma faca nem se compara a uma arma. Voc 
no vai a lugar nenhum. Desista de uma vez."

"Oh, eu tenho que negar isso, agente Mulder" Riggs disse, calmo,
o sorriso que ele usava pronto para desarmar e escarnecer contra as
vitimas dele. "Sempre achei que uma faca era uma arma mais efetiva.
Acredito que, se voc pudesse questionar qualquer um dos meus 
recentes... colaboradores, voc concordaria comigo."

Ele mexeu a lmina brilhante com a mo na luva de couro,
de forma que deitasse contra o rosto de Scully. Ento, suave, como
a caricia de um amante, ele correu a lmina da tmpora dela, descendo
pela bochecha, at o queixo. 

Para o crdito da mulher, ela nao fez um som, mas ficou de p,
completamente quieta, a respirao rpida sendo o nico sinal de sua
agitao. Riggs olhou pra Mulder, a sobrancelha elevada em desafio.
O parceiro de Scully no estava tendo o mesmo sucesso que ela em controlar
suas emoes. Suor tinha comeado a pingar na testa dele. Plido, olhos
largos com horror pouco contido, Mulder lambeu os lbios, nervoso.
Riggs notou com satisfao que seu oponente parecia estar
fisicamente doente.

"Vejo que voc entendeu meu... ponto de vista, agente Mulder."
disse o homem com a faca, dando um sorrisinho. "Se usada corretamente, uma
faca pode enfrentar com louvor uma arma. O truque  segurar sua lmina
contra algo que  valioso para o dono da arma."

Ele viu os olhos de Mulder fixando em sua parceira. 
Tristeza, pesar e confiana brilhavam nos olhos do jovem homem enquanto
ele tentava enviar uma mensagem silenciosa para a mulher diante dele.
No pela primeira vez, Riggs quis saber mais sobre a conexo entre
os dois agentes. De como um homem como Mulder, com necessidade para solido, 
com sua obsesso com seus proprios demnios e cruzada iriam permitir
que uma pessoa chegasse to perto dele, e ser to importante como
Scully era para ele. 

Ser que algum deles percebia a profundidade dos sentimentos um para com
o outro? Riggs achava que no. E aind assim, eles mostraram isso para ele,
um observador casual, antes mesmo que ele tivesse colocado a mo no 
agente Mulder.

* * * * * * * *

Ele soube desde a primeira vez que tinha colocado os olhos neles,
na noite em que eles tinham levado Riggs para aquela sala suja da 
policia de Chicago, para interroga-lo. Os dois agentes apareceram,
em sua porta, dizendo que tinham vindo para a cidade para ajudar na investigao
de uma srie de assassinatos e homicidios que tinham dominado as
manchetes dos jornais nos ltimos seis meses. Crimes que Riggs
estava intimamente familiarizado. 

No que Scully e Mulder sabiam disso. No ainda. Sete no total.
As vitimas pareciam ser selecionadas ao acaso, sem comparao de
idade, sexo, ou raa, e nenhum motivo discernvel. A arma escolhida
era uma cada com lmina sem dentes. Nenhuma pista foi deixada em
nenhuma das cenas dos crimes, que eram to variadas quanto as
vtimas. Os melhores de Chicago estavam perplexos.
 
Ento, eles tiveram uma brecha. Uma mulher, Linda Ferguson, 32 anos,
secretaria de um escritorio de advogados, foi encontrada na ruela atrs do
prdio  de apartamentos dela, Diversey Porto. A perda de sangue foi
significativa, mas ela foi encontrada viva. Quase. Ela disse para a
policia, num tom curioso, uma historia estranha o suficiente para fazer
com que um dos detetives nomeados ao caso para chamar os dois agentes
federais que ele tinha ouvido serem especialistas neste assunto.

Quando eles chegaram em Windy City, os agentes nao tinham achado muito
para irem adiante. S algumas frases resmungadas da vitima. Riggs imaginou
que ela deveria estar com a voz rachada, tensa, as palavras confusas.
<No vi ele... nem mesmo sabia que estava l... sa do meu carro...
j estava l... como ele sabia? Nao dei meu endereo, meu telefone...
no conheo ele... mas eu fiz... estava l, esperando... o homem... o do clube...
o com o toque... ele sabia... ele sabia s de me tocar... como se estivesse
dentro... dentro de mim... dentro da minha mente... eu o senti... nao podia
parar... Oh, Deus... eu no podia parar...>

No comeo, eles poderiam pensar que ela estava confusa com as
drogas e remdios que os mdicos tinham dado para ela no sofrer muito.
Mas, s porque eles no tinham outras pistas, as autoridades deviam
ter decidido tentar as alegaes dela.

Mesmo assim, ele no ficou preocupado. Ele podia juntou os fatos rapidamente.
De alguma maneira, estes agentes descobriram a atividade em que Linda Ferguson
estava na noite em que morreu. Qualquer meia dzia de pessoas poderiam ter
contado que ele tinha comprado uma bebida para uma mulher infeliz no clube
em Armitage.

Porm, esses mesmos 12 olhos de guia poderiam, sem dvida, dizer que ele saiu
horas antes do que ela. Alm desse breve encontro, eles no tinham nada
para provar qualquer conexo entre ele e a sra. Ferguson. Como sempre, ele
tinha usado luvas, e teve muito cuidado, muito cuidado mesmo para nao ter
nenhuma conexo dele com o crime cometido, e deixado pra trs. 

Alm disso, ele era um improvvel suspeito de assassinato. 
Riggs era o pilar da sociedade. O imprio incorporado dele tinha
escritorios em cinco pases, e ele possuia uma mina de ouro na
costa, ajudava em seis obras de caridade que haviam na cidade, e no havia
nem mesmo uma multa de estacionamento contra ele. Qual seria a possvel
razo para um dos solteiros mais ricos e cobiados de Chicaco pegar uma
faca e matar uma completa estranha? Eles no podiam perguntar para
a vtima, esperando que ela pudesse dar um motivo, ou, melhor ainda, uma
identidade para o assaltante dela.

Ela tinha entrado em coma antes do amanhecer, e morrido em menos de
vinte e quatro horas depois.

Ento, Riggs respirou melhor naquela noite. Nada de medo ou apreenso.
Nenhuma ameaa contra ele ou sobre seu incomum passatempo. Ele fez o que
normalmente fazia quando estava numa multido de estranhos.

Ele observava. Com cuidado. Sozinho. Zerando cada uma das pessoas. 
O comrcio lhe dava pessoas com olhos cansados e entediados. Os membros
da gangue, usando jaquetas de touro, esportivas, Nikes de $200, e as suas
atitudes mais ferozes contra os policiais. Ele escutou a cacofonia de sons
dentro do velho prdio enquanto eles iam para outra seo do local.

Mas nada tinha provocado o interesse dele to nitidamente quanto
o par de agentes que o levaram para aquele lugar esquecido por Deus.

Eles apareceram em sua cada depois do jantar, e pediram para ele
acompanha-lo para interrogatorio. O homem era alto, mais alto do que
ele, e era magro, mas gracioso. Queixo quadrado, com uma boca cheia,
os olhos velhos mudando de cor dependendo da luz que Riggs os via.
Os cabelos castanhos tinham sido varridos de sua testa, exceto uma
mecha teimosa que teimava em cair sobre sua sobrancelha.

Ele estava vestido de maneira conservadora, o terno cinza escuro, e
uma camisa azul clara mostrava o uniforme do governo. Porm, a iluso
era quebrada pela gravata, uma que dava nojo olhar, azul, preta
e um pouco de cinza junto com vermelho. No era do gosto de Riggs, mas
ele tinha que admitir que ficava bem no homem. No comeo, ele 
suspeitou que havia um rebelde dentro da alma deste g-man em
particular.

A parceira dele era outra questo. Quase um p mais curta que o homem de
p ao lado dela, ela tinha parecido ser igual a ele, se nao em estatura,
certamente em inteligencia. Riggs no demorou mais do que um momento para
discernir a mente aguda que trabalhava atrs dos penetrantes olhos azuis da
agente. O cabelo vermelho-ouro dela moldava seu rosto, e nao alcanava
seus ombros, e ele tinha quase certeza de que viu um pouco de sardas
no pequeno nariz romano dela. 

Era bvio que ela tambm leu a seo do manual de procedimentos do 
Bureau sobre vestimentas. O terno costurado, combinado com os sapatos,
eram to neutros na cor que quase nao mostravam nada. Ao contrrio do
outro agente, ela no fez nenhuma tentativa para personalizar seu
guarda-roupa. A nica jia que ele conseguiu descobrir foi uma pequena
cruz dourada num cordao ao redor de seu pescoo.

Ele foi junto, quieto, s parando para pegar seu casaco no armrio
do corredor, como proteo do ar frio de novembro, que saa do lago. A caminho
da delegavia, ele sentou no banco de trs do sedan alugado deles, e observou.
E escutou. 

A viagem nao demorou muito, e nem muita coisa foi dita entre os dois
agentes. Mesmo assim, tinha acontecido muita coisa para alguem como
com os poderes de observao que ele possuia apanhar pistas sutis
sobre quem eram estas pessoas, tanto individualmente como em relao um
ao outro.

Ele notou imediatamente que eles eram um verdadeiro time. Nenhum deles
era o lder, mas tambm no consentia autoridade. Eles nao tinham
falado muito, parecendo ser do tipo que ficavam  vontade com o
silencio que compartilhavam. Mas eles se olhavam, e seguravam cada olhar.
Com frequencia. s vezes, o olhar entre eles estava cheio de perguntas
no ditas, ou comentrios, considerando algo que eles tinham visto ou
ouvido. Outras vezes, pareciam que eles simplesmente gostavam de olhar
um para o outro.

Quando eles chegaram ao seu destino, Riggs teve mais outra oportunidade
para estudar os dois agentes. Tempo o bastante para testemunhar a proximidade
deles, o corpo muito mais alto de Mulder curvado para escutar a voz de sua
parceira atentamente, considerando com ateno a opiniao dela. Notando o
contato de olho mais uma vez entre eles, sem vacilar, desprotegido, e 
prolongado. Ver os pequenos gestos que Mulder tinha feito tentando ter uma
conexo fsica com Scully: um toque suave no brao dela para 
chamar sua ateno, a mo dele nas costas dela para guia-la por um corredor,
por uma porta. E os sorriso. Pequenos, ntimos, mas que falavam alto sem
nenhuma palavra ter sido dita.

Riggs ouviu falar sobre o lao especial que havia entre oficiais de
execuo de lei e seus parceiros. Mesmo assim, o que ele viu entre Mulder
e Scully era mais do que profissional, parecendo de alguma maneira menos
que sexual. Essa coisa de 'nao dita' o intrigava. Poucas coisas na vida o 
deixavam assim. Ele pensou em estudar o assunto conscientemente.

Ele queria aprender mais.

E teve sua oportunidade. Logo aps os agentes terem levado ele para uma
sala de interrogatorio vazia, um jovem policial de Chicago enfiou a cabea
pela porta.

"Agente Scully. Tem uma ligao pra voc, de Washington.  do diretor
assistente Walter Skinner."

A ruiva olhou para seu parceiro, consternada. Ele somente sorriu, dizendo,
"Tenha certeza de dar meus cumprimentos" com um meio-sorriso torto, ela
pediu licena e saiu da sala.

Os dois homens esperaram, cada um  sua maneira. Eles ficaram se encarando 
pela mesa em que estavam sentados, cada um  vontade com sua situao. As luzes
brilhavam acima deles.

"Tem certeza de que nao gostaria de comear?" Mulder finalmente perguntou, um
pequeno sorriso educado. "Eu sei que Scully no se incomodaria, e se acabarmos
logo com isso, eu poderia voltar para meu hotel, e pegar um velho filme de
Vincent Price no show da noite."

"Desculpe te desapontar, agente Mulder" Riggs respondeu como se estivesse
recusando um convite para almoo no country club. "Mas eu sei bem o que
devo fazer, e vou esperar meu advogado. Ele vai ficar aborrecido se eu 
o tirar da classe de aerobica dele por nada."

Mulder inclinou a cabea, aceitando graciosamente que sua tentativa nao teve
sucesso. "Bem, j que isso pode levar algum tempo, eu posso pegar
alguma coisa pra voc? Caf? Um copo de gua?"

Riggs negou com a cabea. "Na verdade, agente Mulder, eu prefiro que voc
responda uma pergunta para mim."

Riggs estendeu a mesa sobre a mesa, e colocou-a sobre o antebrao de 
Mulder, e se concentrou.

E como ele sabia que ia acontecer, imagens inundaram seu crebro.
A maioria escura, muitas dolorosas, e elas voavam por ele como um
filme em velocidade dupla, retalhos de dilogos vindo para ele como
balas.

<Eu estava esperando trabalhar com voc Srio pensei que tinham
te mando pra c pra me espionar eu nao tenho nenhuma agenda vou pode
confiar em mim eu contesto mentiras que vm com um selo oficial
Scully Mulder sou eu voc pode nao ser quem voc  eu estou tentando 
decidir em qual mentira devo acreditar eu deveria saber confiar em
seus instintos at agora voc acha que eu sou spooky eles esto nos 
separando Scully ela vai viver Mulder no h nada que voc possa fazer
eu devo mais a ela do que ficar sentado sem fazer nada Mulder eu nao me
colocaria em risco por ninguem a nao ser por voc>

No s Riggs teve instantaneos da vida de Mulder, mas tambm entendia o 
significado deles, sentindo as emoes as acompanhando.

<Uma menina de cabelos escuros, suspensa no ar, saindo lentamente pela
luz brilhando na janela.>

<Os homens em enormes tanques de gua, respirando como peixes.>

<Caindo de uma grande altura sobre neve slida, olhos queimando, corpo
fraco, algemas penduradas de um pulso dele>

<Uma mulher com cabelo ruivo brilhante e olhos azuis da cor do mar. 
Discutindo com ele, o desafiando, chamando a ateno para seus enganos,
seus erros de julgamento. Mas sempre com respeito. s vezes com afeto>.

<Aquela mesma mulher.  Uma arma na mo dela.  Pronta para ficar do 
lado dele. Apoi-lo. Morrer para protege-lo.>

<A mulher mais uma vez.  S que desta vez, seus expressivos olhos estavam
fechados. Ela estava deitada numa cama de hospital, presa a um respirador.
Ela no tinha muito tempo de vida. Era culpa dele.>

Riggs sorriu, os olhos fechados, absorvido com tudo. As recordaes do
homem o lembravam de uma febre, um sonho vvido. Foi tentador esquecer para
o que ele estava procurando, investigar mais algumas das intrigantes
imagens. Mas ele resistiu ao desejo. Ele sabia que estava perto. Muito perto
da sua busca. 

Ele manteve a mo no brao de Mulder. Ele s se permitia um toque.
Caso contrrio, a caa nao seria perfeita. Ento, ele tinha que fazer 
isso dar certo. Da parte dele, o agente do FBI ficou sentado, atordoado,
a boca aberta, os olhos fixos em Riggs, sem foco. Quando acabasse, ele nao
saberia o que tinha acontecido. As pessoas nunca sabiam. Mas ele perceberia
que algo tinha acontecido sim.

S que at l, seria tarde demais.

Riggs procurou dentro da psique de Mulder dentro de sua propria cabea,
enquanto ele olhava para o que tinha visto, procurando por uma 
perspiccia que lhe contasse o que
ele queria saber. Finalmente, ele tropeou no que queria.

<Outra mulher ruiva, semelhante  primeira, ainda assim diferente. "Por que
 muito mais fcil voc ficar correndo por a, e no apenas expressar a ela o que
voc sente? Eu esperava mais de voc. Dana espera mais. E mesmo se isso nao a
trouxer de volta, pelo menos ela vai saber. E voc tambm.>

Riggs quase tinha ficado louco de alegria com as emoes conectadas  essa
memria. Elas saram de Mulder em ondas, mais fortes do que Riggs havia 
pensado.

Ele tinha a resposta que queria.

"Obrigado, Agente Mulder," Riggs tinha dito docemente, soltando o 
outro homem de sua ofuscao. "Voc foi de grande ajuda."

* * * * * * * *

"Eu queria saber de uma coisa - voc gosta de sua parceira, Mulder?"
Riggs falou, distrado, erguendo mechas delicadas do cabelo da mulher com
a faca.

Mulder apertou os lbios. "Eu nao vou jogar este jogo com voc, Riggs."

O homem de cabelos pretos deu de ombros, sem rancos, os olhos astutos.
"Tudo bem. Eu posso ver que voc poderia achar essa pergunta bastante pessoal.
Pode esperar at nos conhecermos melhor. Por que no brincamos de outro
jogo que eu acho que voc =vai= gostar?"

Mulder se mexeu, cauteloso, a arma nas mos. "Ah ? E que jogo  esse?"

"Vinte perguntas" Riggs falou, relaxando contra a parede de engradados
s suas costas. "Claro que deve ter coisas sobre mim que voc est...
morrendo de vontade de saber."

Mulder refletiu sobre isto, ento disse com indiferena estudada. 
"Por que voc no solta a Scully, e ento ns podemos falar?
Assim que eu souber que ela est bem, ns podemos jogar o que voc
quiser."

Rpido como uma cobra, Riggs se afastou das caixas de papelo, e apertou
Scully com mais fora. A mo que estava apertando ela pelo trax foi pra 
cima, apertando nitidamente debaixo do queixo dela, o polegar e o indicador
cavando na carne macia que cercava a traqueia dela.

E to rpido quanto o movimento de Riggs, ela comeou a engasgar,
procurando ar. Com a outra mo, ele apontou a faca contra o buraco na
base da garganta dela. "=No= insulte minha inteligencia, agente Mulder.
Tenha esta cortesia comigo. E =nunca= se esquea de como eu posso pintar o chao
bem depressa com o sangue de sua parceira."

Ferido, a voz de Mulder saiu de sua boca como um deslizamento de pedras.
"Tudo bem, tudo bem. J chega, Riggs. Solta ela. Seu filho da me. Voc
me ouviu. EU DISSE SOLTA ELA!"

Satisfeito por ter feito sua observao, Riggs soltou a garganta
de sua refm. Ela tentou se dobrar na cintura, pegando a respirao. O
brao dele na clavcula dela nao deixou ela fazer tal movimento.
Ento, a jovem ruiva s conseguiu dobrar a cabea, tossindo e 
tomando flego.

"Scully? Scully!  Voc est bem? Voc pode respirar?" Os olhos preocupados
de Mulder cavaram buracos no topo da cabea de sua parceira enquanto ele
esperava, ansioso, ela elevar os olhos.

Levou um momento, mas ela conseguiu, e a voz estava spera e crua. 
"Yeah. Est tudo bem. Eu estou bem."

Mulder acenou com a cabea, e ento olhou para Riggs. A preocupao suave
que estava sumiu, mostrando uma inundao de dio no lugar.

Riggs somente sorriu. "Voc entende as regras agora, Agente Mulder?"
ele perguntou suavemente.

Mulder acenou com a cabea de novo. "Mais do que voc possa saber."

"Ento faa suas perguntas ".

Os olhos dele nunca deixaram Riggs e a mulher que ele segurava apertada
contra o peito dele, Mulder andando de um lado para o outro na sala pequena,
toda furia e frustrao aparecendo em cada movimento. Finalmente, esfregando
a mao sobre a boca, como se tirando um gosto ruim, ele falou. "Tudo bem
Riggs. Vamos jogar da sua maneira. Por enquanto. Voc quer perguntas -
ento aqui est a numero um: Voc matou Linda Ferguson?"

Riggs abaixou a cabea. "Sim."

"E os outros?"

"Claro".

Mulder estreitou os olhos. "Por que?"

"E por que no?" Riggs respondeu com um sorriso ironico, apoiando
para falar as palavras sussurradas contra a orelha de Scully. A respiraao
dele fez os cabelos dela tremularem contra o rosto dela.

Mulder se mexeu, desconfortvel, muito atento da proximidade fisica 
compartilhada por um psicopata com uma faca e sua parceira indefesa.
"Eu pensei que voc fosse me dar respostas, Riggs" ele desafiou ruidosamente,
tentando chamar  a ateno do homem de volta para ele. "No  assim que 
voc joga Vinte Perguntas? Uma pessoa faz as perguntas, a outra responde.
Bem, eu estou fazendo a minha parte. Mas voc - voc s est me dando
conversa fiada."

"Minhas desculpas," Riggs disse suavemente, medindo o agente. Mulder
morria a cada vez que ele invadia fisicamente o espao de Scully. 
Nesse tpico, o agente era igual ao cachorro de Pavlov. 
 
Voc empurra um boto, voc tem a resposta errada. Riggs vivia para ter
este sentimento de poder. Controle. A habilidade para manipular os
outros, faze-los dobrar diante de sua vontade. O psicologo dentro dele
o fazia jogar como deus com a vida de outras pessoas, e era por isso
que ele caava em primeiro lugar. A que distancia ele poderia levar
o agente Mulder? O que faria este homem se quebrar?

Riggs deu um sorriso secreto, e decidiu tentar uma experiencia. Ele deixou a
mao dele descer do ombro de Scully para descansar sobre o seio esquerdo
dela. Ele nao achou que fosse possvel, mas a mulher ficou ainda mais
rgida. A unica prova de que ele tinha uma mulher viva diante dele
e nao uma estatua esculpida em pedra era o bater rpido do corao dela
contra as pontas dos dedos dele. Um msculo no canto da mandibula de Mulder
saltou, e ento apertou-se, no que parecia ser um movimento doloroso.

"Salve suas desculpas para minha parceira" Mulder murmurou, a voz
dele baixa e cheia de inteno. "Debaixo de circunstncias normais eu no acho
que ela deixaria um cara ir to longe no primeiro encontro."

Riggs ergueu uma sobrancelha. Hmm, embora estivesse custando ele permanecer
tranquilo, Mulder estava controlando esta manobra em particular melhor do
que Riggs tinha pensado.  Ele esperava que o agente do FBI se transformasse
num Lancelot dos dias modernos, tentando defender a honra da moa pura.
Ao invs disso, o agente tinha reconhecido o gesto - era um teste. Enquanto 
doa ele ver sua parceira nessa situao, ele se controlou. O respeito de
Riggs para com Mulder subiu mais um ponto. Ele entendeu que teria que
conseguir a reao que queria, indo mais longe do que desejava.

"Totalmente certo" Riggs falou finalmente, elevando a mao para apertar
a bochecha de Scully num gesto perversamente brincalao, antes de ficar
no ombro dela de novo. Ela virou o rosto, em desgosto. "Eu fui rude. Mas
no pude me controlar. Agente Scully  uma mulher muito atraente. E eu
no pude resistir. Isso j aconteceu com voc, agente Mulder?"

"Achei que era eu quem fazia as perguntas." Mulder protestou, apertando
a Sig.

"Ah, sim, o jogo. "

Mulder concordou. "Sim, o jogo. Foi voc quem quis jogar. Ento eu pergunto
de novo - por que?"

Rigs suspirou enquanto pensava na pergunta, e relaxou de novo contra
a parede de caixas de engradados. "Por que eu posso, agente Mulder. 
Por que eu posso."

"Como?"

"Ora, por favor" Rigg falou, ronronando a resposta nos olhos duros e
irreconciliaveis. "Voc, melhor do que ninguem, sabe a resposta para isso."

Mulder apertou a arma, os olhos indo para Scully, e ento de volta para
Riggs.

"Voc j se esqueceu, Agente Mulder?" Riggs disse num tom
preocupado e amigvel. Ele cacarejou, simpatico, e enviou os proximos
comentrios para Scully. "Eu pensei que sua experiencia tivesse marcado
ele mais a fundo. Talvez eu devesse refrecar a memria dele conseguindo
te conhecer melhor."

"No!" Mulder deu um passo adiante.

Riggs o parou, sorrindo, escuro. "Ah. Vejo que voc se lembrou, 
afinal de contas."

== == == == == == == == == == == =
