Weird  Parte Final


FAN FICTION

ESCRITA POR: Bellefleur X (bellefleur_x@hotmail.com)

DISCLAIMER: Os personagens desta estria pertencem a seus 
criadores. 
Amy, 
Rosita e Edu so meus e deles no abro mo...

CATEGORIA: Shipper (ma non troppo, como sempre!), flertando 
ligeiramente 
com a Mitologia e tomando algumas liberdades para com a dita 
cuja.

CLASSIFICAO: Censura livre (aqui no tem nada que no se 
veja igual 
ou 
pior na novela das 6)

SPOILER: Mais uma ps-Rquiem. Da oitava temporada, apenas o 
nome de 
John 
Doggett e sua participao nos Arquivos X.

SINOPSE: Continuao de Weird  parte 2. A geometria estava 
certa e as 
duas 
paralelas por onde se deslocavam Sully e Weird/Mulder 
finalmente se 
encontram no infinito, com conseqncias bastante 
interessantes.

ADVERTNCIA: Essa fic continua no recomendada para 
diabticos e 
pacientes 
em dieta de restrio de acares.

AGRADECIMENTO: Um sincero obrigado a todas as minhas quinze 
leitoras 
(se 
cuida, Agamenon, que eu chego l...) pelos feedbacks que me 
incentivaram a 
continuar essa estria.

AGRADECIMENTO ESPECIAL:  Graa, pelas idias que continua me 
dando e 
pela 
estmulante impacincia que tem demonstrado em ler e opinar 
sobre essa 
tralha.
 
NOTA: Feedbacks (positivos ou negativos) so sempre bem 
vindos.





Weird  Parte Final




"O paraso est por toda parte e 
toda estrada nos leva l se 
seguirmos por ela tempo 
suficiente."
Henry Miller




Virtual Insanity Caf  Washington, DC
12/10/2005  03:15 PM

O rosto no espelho estava plido como uma folha de papel, o 
olhar 
vazio e 
sem expresso. As mos crispadas agarravam-se ao mrmore da 
pia com 
fora. 
Ela respirou fundo, uma, duas vezes. Aos poucos as paredes 
foram 
parando de 
girar a sua volta. Pronto, agora sentia-se melhor.

Lentamente, Scully abriu a torneira e deixou que a gua fria 
corresse 
sobre 
suas mos trmulas. Passou-as molhadas pela pele fria de seu 
rosto, as 
gotculas de suor brotando na linha dos cabelos. Ao sec-lo, 
percebeu 
que a 
pequena mancha arroxeada em sua testa, suvenir do desmaio da 
noite 
anterior, com a qual gastara uns bons vinte minutos pela 
manh usando 
de 
toda sua tcnica de maquiagem para disfarar, estava 
novamente  
vista. 
"Droga!" pensou, enquanto procurava na bolsa o frasco de 
corretivo.

Sentira novamente aquele mal-estar, aquela vertigem. 
Precisava marcar 
sua 
consulta anual de reviso com o oncologista, j seis meses 
atrasada. 
Desde 
que Amy comeara com suas febres sbitas, toda a ateno de 
Scully 
voltara-
se para os cuidados com a filha. Acabara por negligenciar sua 
prpria 
sade 
e agora temia o preo que poderia pagar por essa negligncia. 
Ao 
menos, o 
mal-estar no ocorrera s vistas de ningum, no gostaria de 
deixar os 
Pistoleiros preocupados com sua sade. Prometendo a si mesma 
que ainda 
naquele dia agendaria uma visita a seu mdico, ela deixou o 
banheiro 
feminino.

O salo do cyber caf no era grande, as dez mesas redondas 
dispostas 
de 
maneira estudadamente aleatria em seu centro eram rodeadas 
por outras 
tantas quadradas, encostadas s paredes, sobre as quais 
estavam os 
computadores. Uns poucos freqentadores espalhavam-se pelo 
local, 
essencialmente, jovens navegando pela Internet.

Byers e Frohike, sentados em uma das mesas redondas, bebiam 
caf fraco 
e 
morno em grandes canecas coloridas, enquanto discutiam sobre 
o ltimo 
lanamento do Jamiroquai, em XMP4.

- No, definitivamente Virtual Insanity  melhor que Space 
Cowboy que, 
por 
sua vez,  melhor que qualquer coisa que tenha sido lanada 
nos 
ltimos 
tempos. - argumentava Byers.

- Voc  um reacionrio, Byers. Vive de passado, rejeita o 
novo.  
reagiu 
Frohike, puxando a cadeira para que Scully se sentasse.  
Tudo bem, 
agente 
Scully?  indagou, notando-lhe a palidez.

Ela acenou afirmativamente com a cabea, enquanto, com os 
olhos, 
seguia 
Langly que andava a esmo por entre as mesas, espreitando os 
monitores 
por 
sobre os ombros dos freqentadores.

- Alguma coisa at agora?  perguntou ela, sorvendo um gole 
de seu ch 
gelado.

- Nada de muito concreto.  respondeu Byers.  Segundo o 
gerente, esse 
horrio em que foram enviadas as mensagens  um dos mais 
concorridos 
aqui 
do caf.  que as aulas de uma escola de ingls para 
estrangeiros aqui 
perto terminam a essa hora. Basicamente os freqentadores so 
adolescentes 
de outros pases que vm estudar o idioma e se utilizam dos 
computadores 
daqui para contactar seus amigos e familiares. A cada seis 
meses, mais 
ou 
menos, mudam-se as turmas e, com isso, as caras por aqui.

- Compreendo...  murmurou Scully, ainda olhando ao redor.

As informaes de Byers pareciam corretas. O caf comeava a 
se encher 
de 
rapazes e moas com idades que variavam dos quinze aos vinte 
anos, 
alguns 
conversando entre si no que Scully imaginou que deveriam ser 
suas 
lnguas 
natais. Iam ocupando as mesas do centro do salo e revezando-
se nas 
dos 
computadores.

- Agente Scully...  chamou Frohike, apontando para Langly. 
Este 
indicava 
com a cabea um dos computadores ocupado por um rapaz de 
cabelos 
negros.

Prontamente, ela se levantou e dirigiu-se at l. Esticou-se 
um pouco 
para 
poder ver a tela do computador. "D_Scully@fbi.gov" estava 
escrito no 
campo 
relativo ao destinatrio da mensagem cujo texto era:

"A raposa  esquiva. O galinheiro comea a ficar irritado. 
Acautele-
se." 

Era ele. Ali estava o responsvel por aquelas mensagens 
esquisitas. 
Apenas 
um milsimo de segundo depois que o dedo do rapaz pressionou 
o boto 
de 
Enviar, Scully sacou a insgnia.

- FBI.  disse ela em voz baixa.  Eu gostaria de lhe fazer 
umas 
perguntas.

A tentativa de se levantar do garoto foi imediatamente 
contida pela 
mo de 
Langly em seu brao.

- Calminha a, rapaz. A moa s quer bater um papo com voc.

- Ah, se vai conversar, libera a mquina...  reclamou uma 
lourinha 
sentada 
em uma das mesas prximas, aparentando pouco mais de quinze 
anos, que 
mascava chicletes e falava com sotaque engraado.

- Sua colega tem razo. Acompanhe-me at aquela mesa.

Scully caminhou em direo  mesa onde estavam os dois outros 
Pistoleiros, 
sendo seguida de perto por Langly que arrastava atrs de si o 
garoto.

- Por que e para quem voc estava enviando aquela mensagem, 
moleque?  
indagou Langy, sentando-se ao lado do rapaz, ainda sem 
largar-lhe o 
brao.

O menino olhava para os quatro ocupantes da mesa com os olhos 
esbugalhados, 
a boca aberta, abobalhado. Tinha cerca de dezesseis anos, 
cabelos e 
olhos 
negros, pele dourada.

- Voc est me entendendo? Fala ingls? Hablas espaol?  
perguntou 
Byers 
diante da mudez do rapaz.

O garoto acenou com a cabea que sim, engolindo em seco. 
Scully sorriu 
e 
procurou tranquiliz-lo, colocando sua mo sobre a do menino 
e falando 
pausadamente com voz mansa.

- Olhe, no precisa ficar assustado. Voc no est sendo 
preso ou algo 
assim. Ns s queremos lhe fazer algumas perguntas. Eu sou a 
agente 
especial Dana Scully, do FBI. E esses so meus amigos Byers, 
Langly e 
Frohike. Como  seu nome?

- E-e-eduardo. A-lvares.  gaguejou em resposta. - Mas pode 
me chamar 
de 
Edu.

- De onde voc ?

- De So Paulo. Fica no Brasil.  disse o menino j mais 
calmo. - Ah, 
por 
favor, no digam nada ao meu pai. Ele  capaz de me matar se 
souber 
que me 
meti em encrencas com os federais americanos. Por favor...

- Fique tranqilo.  apaziguou a agente.  S queremos saber 
sobre 
aquela 
mensagem. Voc sabe por que e para quem a estava enviando?

- Ora, porque a mulher me pediu. Ela d o texto e o endereo 
de e-mail 
do 
destinatrio e pede que a mensagem seja enviada anonimamente. 
 
respondeu 
Edu. Depois, parou e olhou para Scully por um longo momento, 
seus 
olhos se 
arregalando, lentamente.  "D_Scully"... Dana Scully? FBI? 
Ai, meu 
Deus! 
Era para voc, ento? Me desculpe, me desculpe mesmo.

Scully sorriu diante do arrependimento aparentemente sincero 
do rapaz.

- Mas quem  essa mulher?  insistiu Frohike.

- No sei.  respondeu.  No a conheo. Ela me manda um 
envelope com 
as 
informaes para enviar a mensagem e um cheque. Sabe, ela me 
paga cem 
dlares por cada mensagem enviada. Meu pai  po-duro e esse 
dinheiro 
 
muito bem vindo para complementar a minha mesada...

- E voc no achou estranho tudo isso?  perguntou Byers.

- Bem, para falar a verdade, achei um pouco, sim. O envelope 
aparece 
na 
caixa de correio de onde eu moro sem selo, nem nada, sabe? 
Mas...  
deu de 
ombros. - O mais esquisito mesmo  o caminho que o e-mail tem 
que 
percorrer...

- Como assim?  indagou Scully.

- Sabe, ela me deu uma lista de endereos IP por onde o e-
mail deve 
ser 
encaminhado e exigiu que a mensagem seguisse exatamente por 
aquele 
caminho, 
naquela ordem. Muito esquisito... Deu um pouco de trabalho 
para fazer 
o 
script, mas depois de feito,  mole,  s rodar.  completou 
exibindo 
um 
sorriso orgulhoso.

- E como essa mulher, que, segundo voc mesmo diz, voc no 
conhece, o 
encontrou?

- Achou que foi por causa dos anncios que coloquei em alguns 
quadros 
de 
avisos em mercados e lanchonetes, me oferecendo para fazer 
"trabalhos 
na 
Internet". Eu estava pensando em home pages e essas coisas, 
mas, a, 
ela me 
ligou oferecendo isso e a grana era alta, sabe...

Os quatro adultos se entreolharam, desanimados. Parecia que 
Edu no 
tinha 
mesmo muito mais a acrescentar. Afinal, era apenas um garoto 
tentando 
ganhar um trocado.

- Obrigada, Edu. Se voc se lembrar de mais alguma coisa que 
ache 
importante ou se a mulher entrar em contato com voc outra 
vez, ligue 
para 
mim, ok?  disse Scully, entregando um de seus cartes de 
visita ao 
rapaz. 
J ia se levantando, quando acrescentou:  A propsito, voc 
 do 
Brasil, 
no ?  o rapaz acenou positivamente com a cabea.  Conhece 
o Rio de 
Janeiro? Como  l?

- Uau...  disse o garoto, abrindo um largo sorriso.  L  
maneiro, 
meu!

- Maneiro!?  Scully meneou a cabea, com um ar divertido.  
Obrigada 
mais 
uma vez. Maneiro...  repetiu pensativa enquanto se 
encaminhava para a 
porta.



Washington, DC
13/10/2005  11:10 AM

Weird vagava a esmo pelas ruas de Washington a algumas horas. 
De todas 
as 
cidades por onde j passara, essa era, sem dvida, aquela 
onde ele 
sentia-
se mais  vontade. Sentia uma familiaridade com suas ruas, 
prdios, 
monumentos, como no lhe ocorria em qualquer outro lugar. 
Talvez j 
tivesse 
morado ali, quem poderia saber?

Andava sem rumo, mas, aos poucos, foi se tornando claro para 
ele onde 
seus 
ps o queriam levar. Um certo jardim de infncia freqentado 
por uma 
certa 
garotinha de cabelos vermelhos estava a apenas duas esquinas 
de 
distncia, 
ele sabia. No que aquele fosse conscientemente seu destino, 
porm era 
onde 
as pernas o conduziam.

Estacou. Queria, sim, queria muito ir at l, v-la, sua 
boquinha 
mida, as 
bochechas rosadas, os olhinhos vivazes. Mas, ao mesmo tempo, 
acreditava 
firmemente que no devia. Tinha a certeza de que, se a visse, 
por um 
instante apenas que fosse, no poderia mais separar-se de 
Amy. Deu 
meia 
volta e afastou-se na direo contrria, com passos 
hesitantes, 
perdendo-se 
novamente nas caladas da cidade.



Smithsonian Institution - Museu Nacional de Histria Natural 
 
Washington, 
DC
13/10/2005  01:30 PM

Ao lado do nibus escolar, Sally Mattern tentava bravamente 
organizar 
sua 
turma em uma fila. rdua tarefa em se tratando de um bando de 
selvagenzinhos de cinco anos de idade excitados ao extremo 
pela 
perspectiva 
de ver os tais "disnossoros" que havia no museu.

- Ai, ai, ai!  exclamou irritada.  Quem no estiver na fila 
de mos 
dadas 
com um coleguinha quando eu contar trs, vai ficar no nibus 
esperando 
o 
resto da turma visitar o museu, ok?  disse, em uma tentativa 
desesperada 
de imprimir ordem ao caos.  Um... dois... trs!

Como num passe de mgica, ao final da contagem, todas as 
dezesseis 
crianas 
estavam alinhadas aos pares numa fila bem ordenada. Sorrindo 
satisfeita, 
"tia" Sally conduziu seus alunos para o interior do imponente 
edifcio. 

Numa alegre balbrdia, foram percorrendo os diversos sales 
repletos 
de 
fsseis de animais pr-histricos. A organizada fila que 
entrara no 
museu 
havia se transformado, ao atingirem o segundo andar, num 
bando de 
crianas 
que se amontoavam em torno da guia, ouvindo-lhe atentamente 
as 
explicaes 
e, em troca, enchendo-a de perguntas a todo momento. Os 
outros poucos 
visitantes do museu no pareciam incomodar-se com a divertida 
confuso 
promovida pela passagem das crianas.

O Insect Zoo, o salo dos insetos, era o favorito de Amy. J 
havia 
estado 
ali outras vezes com sua me e o conhecia muito bem. 
Fascinada por uma 
colmia com "abelhas vivas de verdade" colocada em um caixote 
de 
vidro, a 
menina acabou por afastar-se de seu grupo sem que fosse 
notada.

- Eu acho essa colmia a coisa mais interessante do museu.  
disse o 
homem 
de cabelos castanhos que observava a vitrine parado ao seu 
lado.

- Eu tambm.  respondeu a menina sem desgrudar os olhos dos 
insetos. 
 
Minha me disse que as abelhas tm uma das sociedades mais 
organizadas 
entre os insetos...  fez uma breve pausa na qual encarou 
firmemente e 
desconhecido, estudando-o. - Mas ela no gosta muito de 
abelhas... Eu 
gosto!  acrescentou sorrindo.

- Voc tem bom gosto.  sorriu ironicamente o estranho.  Meu 
nome  
Alex. 
 completou, estendendo a mo vestida com uma luva negra.

- Eu sou Amy.  retribuiu o cumprimento.

O homem passou a mo pela gola da camisa, afastando-a do 
pescoo. 
Olhou em 
torno, como se procurasse por algo no ar, antes de encar-la 
novamente.

- O aquecimento aqui est forte demais... Est quente aqui 
dentro, no 
?  
disse aproximando-se da menina.  Acho que vou tomar um 
sorvete. Voc 
quer 
um tambm?

A criana olhou ao redor procurando sua turma de escola, mas 
eles j 
haviam 
deixado o salo sem dar por sua falta.

- No, obrigada.  Amy comeava a ficar ressabiada. - Mame 
sempre diz 
para 
eu no aceitar nada de estranhos.

- Mas eu no sou estranho.  replicou Krycek, aproximando-se 
ainda 
mais da 
menina.  Eu at conheo sua me! Ela  Dana Scully, no ?  
perguntou 
ele, segurando o brao de Amy que comeava a recuar, a 
escapar do 
estranho.

- Ei! Solte meu brao, moo...  reclamou assustada, tentendo 
desvencilhar-
se do aperto da mo enluvada em seu brao.

Krycek ajoelhou-se diante dela, segurando-a agora pelos 
ombros e 
trazendo-a 
para perto de si. Seu olhar deixava entrever toda a crueldade 
de que 
era 
capaz.

- Olhe, Amy, acho bom voc ficar bem quietinha e vir comigo 
como uma 
boa 
menina, se no quiser que sua mame fique machucada.  
ameaou com voz 
rouca, sua boca roando a orelha de Amy enquanto falava.

Abriu ligeiramente a jaqueta de modo a deixar  mostra, 
apenas por um 
momento, a pistola presa ao coldre sob seu brao esquerdo. 
Amy 
estremeceu. 
Ela sabia o que era uma arma e o mal que uma daquelas era 
capaz de 
fazer. 
Sua me j lhe explicara diversas vezes porque crianas no 
deviam 
mexer em 
armas. A menina lembrava-se de uma vez, havia alguns meses, 
em que a 
me 
chegara em casa com um brao enfaixado pendurado em um tipia 
e de que 
lhe 
contara como aquele ferimento fora produzido por uma arma. 
Desde 
ento, Amy 
temia armas. Intimidada pela ameaa contra sua me, a menina 
acabou 
por 
seguir Krycek.

- Sorria, meu bem.  disse ele ao perceber o ar nervoso da 
menina.

Caminhando de mos dadas com Krycek, a garotinha tentava 
afetar 
naturalidade, ao mesmo tempo em que procurava 
desesperadamente 
localizar 
com o olhar a professora e os coleguinhas de escola. Num dado 
momento, 
avistou a "tia" Sally ao longe, no final de um longo 
corredor, e teve 
a 
impresso de que a professora olhava diretamente para ela. 
Respirou 
mais 
aliviada, imaginando-se salva, quando a "tia" e toda a turma 
desapareceram 
por uma porta do corredor sem ao menos v-la.

Krycek andava rpido, praticamente arrastando atrs de si Amy 
que se 
esforava para acompanhar o ritmo feroz das passadas do 
adulto com 
suas 
perninhas curtas. Mas ningum parecia perceber o que se 
passava. 
Prximo  
sada do edifcio, a menina avistou o que parecia ser sua 
ltima 
esperana 
de salvao. Um guarda de segurana de cara emburrada parado 
junto  
porta 
olhava atentamente todos que passavam por ele. Numa tentativa 
desesperada 
de chamar sua ateno, Amy comeou a fazer a nica coisa que 
lhe 
ocorrera: 
caretas. Obteve sucesso em atrair a ateno do segurana, 
arrancou-lhe 
um 
sorriso. Mas, para azar seu, atraiu a de Krycek tambm.

- Engraadinha...  disse ele com um sorriso forado, 
aumentando a 
presso 
com que apertava a mo da menina.

J haviam ganho o lado de fora do edifcio e andavam pela 
calada em 
direo ao estacionamento, quando Amy viu um homem alto, 
sentado, de 
costas 
para ela, em um banco do outro lado da rua. Seu corao pulou 
descontrolado 
dentro do peito.

Do outro lado da rua, Weird sentava-se em um banco num ponto 
de 
nibus, 
imaginando para onde ir. J havia passado pelo Monumento a 
Washington, 
pelo 
Memorial de Lincoln e a Casa Branca, vagando atordoado por 
entre as 
lembranas confusas que aqueles locais lhe despertavam. 
Rostos e nomes 
iam 
e vinham em sua cabea sem que ele pudesse associ-los entre 
si. 
Garganta 
Profunda, X, uma mulher com longos cabelos louros, Diana, o 
homem com 
o 
cigarro, Melissa, Samantha... 

Depois de muito vagar, finalmente, chegara ali, ao 
Smithsonian. 
Contemplara 
longamente a imponente construo com suas altas torres de 
tijolos 
vermelhos e, depois, sentara-se para descansar. Um leve 
arrepio em sua 
nuca 
o fez girar o pescoo e olhar para trs, antes mesmo que 
ouvisse seu 
nome 
sendo gritado.

- Weeiird!  berrou a menina, arrancando com um puxo a 
mozinha do 
forte 
aperto de Krycek.

Weird levantou-se com um salto, bem a tempo de ver Amy correr 
em sua 
direo perseguida por um homem que usava culos escuros. O 
perseguidor 
agarrou a garotinha pela cintura e a ergueu do cho como se 
no 
pesasse 
mais do que uma pluma. A menina, que lutava bravamente para 
desvencilhar-se 
de sua priso, conseguiu arrancar-lhe os culos do rosto, 
revelando-
lhe os 
olhos verdes estreitados pela ira. Weird atravessava a rua 
sem se 
preocupar 
com o trfego, corria por entre os automveis sem desgrudar 
os olhos 
de Amy 
e seu agressor. A viso daquele rosto provocou uma avalanche 
de 
recordaes 
dolorosas em sua mente.

- Krycek, maldito!  rosnou por entre os dentes, subitamente 
reconhecendo 
num lampejo seu antigo desafeto.

Ao dar de olhos com Mulder, correndo por entre os carros, 
Krycek saiu 
em 
disparada para o estacionamento, carregando Amy. Mulder 
alcanou a 
calada 
prxima, no momento em que o outro homem jogava a menina para 
dentro 
do 
automvel. Ao perceb-lo a poucos passos do carro, Alex 
Krycek sacou 
sua 
pistola e disparou contra o homem que corria, pulando, a 
seguir, no 
interior do carro e deixando o local em alta velocidade.

Mulder havia se desequilibrado na tentativa de escapar do 
disparo. 
Tentou 
ainda, por um quarteiro inteiro, perseguir o automvel em 
fuga. 
Correndo 
s cegas, acabou se chocando com um pedestre que caminhava em 
direo 
contrria e caindo, estatelado, no pavimento.

- Mulder!?  tartamudeou um incrdulo Byers que se erguia do 
cho, 
limpando 
as calas.

- Sim, acho que sim...  murmurou Mulder, ainda atordoado.

- Byers, dos Pistoleiros Solitrios!  disse, indicando a si 
prprio 
com um 
gesto.  Lembra-se de mim?

Acenando com a cabea, Mulder erguera-se do cho e comeava a 
andar 
com ar 
perdido na direo em que o automvel de Krycek havia 
desaparecido. 
Sem 
nada entender, o Pistoleiro o deteve, segurando seu brao.

- Onde voc vai?

- Krycek...  murmurou Mulder, num fio de voz.  ... ele 
pegou a filha 
de 
Scully...



Sede do FBI - Washington, DC
13/10/2005  03:58 PM

- Agente Scully, eu no compreendo...  Skinner olhava para 
Scully 
sentada 
do outro lado da mesa, em seu gabinete, tentando imaginar o 
que se 
passava 
na mente da agente de cabelos vermelhos.  Por que precisa 
localizar 
Marita 
Covarrubias, depois de tanto tempo?

Scully suspirou desanimada. Tantas vezes antes, nos ltimos 
anos j se 
prestara quele mesmo papel, que j perdera as contas. No 
era a 
primeira, 
mas ela sinceramente esperava que fosse a ltima vez que 
vinha pedir 
ao 
diretor assistente Skinner informaes aparentemente 
disparatadas que 
ela 
esperava conduzirem at Mulder. Ele devia ach-la louca a 
essa altura 
dos 
acontecimentos. Que fosse! O fato  que no desistiria at 
encontrar o 
parceiro. Pacientemente, comeou a explicar tudo novamente.

- Como j lhe falei, senhor, tenho recebido esses e-mails 
estranhos...

- Que me parecem ser apenas trotes, mais uma vez...  
interrompeu 
Doggett 
com ar entediado.

Seu aparte infeliz foi silenciado pelo olhar fuzilante de 
Scully que 
comeava a se perguntar por que o convocara, tambm, para 
aquela 
reunio.

- Por favor, agente Scully, continue.  incentivou o diretor 
adjunto 
percebendo a irritao que comeava a tomar a mulher.

- Pois bem.  continuou ela.  Com a ajuda dos Pistoleiros 
Solitrios, 
consegui rastrear os e-mails at sua origem e acabei 
encontrando o 
menino 
brasileiro de que lhe falei, que foi pago para envi-los.

- Se o Congresso, ao invs de ficar se preocupando com soja 
transgnica, j 
tivesse aprovado as leis de regulamentao da Internet, 
poderamos 
enquadr-lo...  bufou Doggett, interrompendo mais uma vez.

- Doggett!?  apenas uma criana!  replicou Scully irritada. 
Tentando 
ignorar o homem sentado ao seu lado, ela prosseguiu.  O 
menino foi 
pago 
por uma mulher desconhecida para enviar essas mensagens. Uma 
mulher 
exigente que no se fez conhecer ao menino, mas deixou uma 
espcie de 
assinatura na forma do caminho que exigiu que as mensagens 
percorressem.

- Como assim?  indagou Skinner, intrigado.

Doggett tamborilava impaciente os dedos nos braos da 
cadeira. s 
vezes 
aquelas atitudes paranicas da parceira o deixavam 
profundamente 
irritado. 
Cinco anos j haviam sido gastos em buscas inteis por Fox 
Mulder. Por 
que 
ela no desistia daquela procura idiota e se convencia de uma 
vez por 
todas 
de que o homem estava morto? Por que ela insistia em 
prosseguir 
naquela 
cruzada solitria por algum que a havia voluntariamente 
abandonado? 
Por 
que ela teimava em no perceber que era ele, John Doggett, 
quem estava 
ali, 
ao seu lado, disponvel, disposto a proteg-la, consol-la, 
am-la? Os 
dedos apertaram fortes os braos da cadeira.

- Uma lista de endereos IP, - continuou Scully, - cada um em 
uma 
cidade 
diferente pelo mundo. Veja, senhor.  disse ela, indicando 
uma folha 
de 
papel sobre a mesa.  Andei pensando muito sobre isso. 
Marquei os 
pontos no 
globo e no planisfrio, procurando por padres, mas foi em 
vo. At 
que me 
ative apenas  lista de nomes em si.

- Mas o que isso tem a ver com Marita Covarrubias? Ainda no 
consegui 
acompanhar sua linha de raciocnio, Scully.

- Observe, senhor: Washington, Santiago, Atenas, 
Iekaterinburgo, 
Berna, 
Udine, Riad, Recife, Adis Abeba, Varsvia, Oslo, Copenhague e 
Washington. 

- Huumm?  Skinner olhava para a folha sem nada entender.

- Agora, remova Washington do incio e do final da lista e 
considere 
apenas 
a letra inicial de cada nome, senhor.

- S-A-I-B-U-R-R-A-V-O-C... Covarrubias, se lido ao contrrio! 
 
exclamou 
Skinner.

- Sim!  incentivou Scully.

- ...E as mensagens falam em raposa... Fox... Mulder!  
completou o 
diretor, feliz com uma criana que acabou de encaixar a 
ltima pea de 
um 
quebra-cabea.

- Isso, senhor! Compreende agora porque preciso encontrar 
Marita 
Covarrubias?  muito provvel que...

O rudo agudo da campainha do telefone celular sobressaltou 
Scully. 
Ela, 
que havia esquecido de deslig-lo quando entrara na reunio, 
como 
sempre 
fazia, ficou imediatamente apreensiva quando percebeu que a 
chamada 
provinha da escola de sua filha. 

 Desculpem-me um instante.  levantando-se e afastando-se 
para um 
canto da 
sala para atender o telefone.  Scully. ... Sim...  sua 
fisionomia ia 
se 
modificando com o que era dito do outro lado, a voz se 
tornando mais 
grave, 
preocupada. - Mas como ela pde?... No, no... Compreendo... 
Estou 
indo j 
para l! Obrigada.

Scully respirou fundo tentando permanecer calma, a agente 
especial do 
FBI 
lutando para manter sob controle a me de Amy. Os dois homens 
na sala 
assistiam quela batalha interior que se travava na mulher, 
sem nada 
dizer. 
Quando ela falou, sua voz lhe saiu rouca, carregada de 
preocupao.

- Preciso ir. Amy desapareceu durante um passeio da escola.

- H algo que possamos fazer para ajud-la, Scully?  
perguntou 
Doggett, 
reassumindo outra vez o papel de colega solcito.

Ela apenas sacudiu a cabea, negando, o olhar inexpressivo.

- V, Scully.  ordenou suavemente Skinner, percebendo a 
gravidade da 
crise. - Caso precise de algo, qualquer coisa,  s dizer, 
ok?

Ela assentiu distrada com a cabea, enquanto deixava a sala. 
Seus 
pensamentos j voavam muito longe dali, imaginando o que 
poderia ter 
acontecido  menina. Rezava com toda fora para que fosse 
apenas uma 
traquinagem da filha, mas seu corao insitia em lhe dizer o 
contrrio. 

Amy sempre fora uma criana bem comportada, obediente, um 
pouco 
distrada, 
s vezes, mas no deixaria voluntariamente de atender ao 
chamado da 
professora. Algo havia acontecido, algo srio, ela tinha 
certeza. 
Afinal, a 
contabilidade de suas perdas tinha um saldo to alto, to 
pesado, que 
ela 
tremia apenas em pensar nas possibilidades.

Lutava contra as lgrimas enquanto dirigia seu carro para o 
Smithsonian. Ia 
revivendo toda a angstia pela qual passara em Sacramento, 
procurando 
sua 
filhinha em meio s ambulncias. Mas, ao contrrio daquela 
ocasio, 
dessa 
vez no sabia exatamente aonde procurar. A menina 
simplesmente havia 
desaparecido sem deixar vestgios. O museu era apenas um 
ponto de 
partida 
para a busca. To imersa estava em seus pensamentos e 
angstias, que 
por 
pouco no ouviu o toque do celular.

- Scully.  atendeu sem convico.

- Aqui  Frohike, agente Scully.  disse a voz do outro lado 
da linha. 
 
Voc precisa vir at aqui imediatamente.

- Impossvel, Frohike. Amy desapareceu...  a voz era pouco 
mais que 
um 
sussurro.  Preciso procur-la.

-  justamente por causa disso que precisar vir aqui. 

- Ela est a?  perguntou esperanosa.

- No, mas...

O telefone ficou mudo. Irritada, Scully percebeu que a carga 
da 
bateria do 
celular havia acabado antes que ela conseguisse obter mais 
informaes 
de 
Frohike. O que ele saberia sobre o desaparecimento da menina? 
Imediatamente, tomou o rumo do QG dos Pistoleiros.



QG dos Pistoleiros Solitrios  Washington, DC
13/10/2005  04:33 PM

Vista pelo olho mgico, Dana Scully parecia ainda menor do 
que 
realmente 
era, refletia Frohike. Brincava nervosamente com os botes de 
seu 
blazer 
enquanto ouvia o estalar das dezenas de fechaduras, trancas e 
travas 
da 
porta do QG dos Pistoleiros. Quando a ltima das trancas foi 
desfeita 
e a 
porta finalmente se abriu, a mulher praticamente saltou para 
dentro da 
sala, obrigando Frohike a recuar assustado.

- Muito bem, Frohike. Desembuche!  ordenou imperativa.  
Onde ela 
est?

As grossas lentes do culos faziam com que os olhos do 
Pistoleiro 
parecessem ainda mais esbugalhados.

- Calma, agente Scu...

- Calma? Como posso ficar calma?  descontrolou-se ela.  
Minha filha 
desapareceu. Eu estou indo procur-la e voc me liga dizendo 
para vir 
para 
c com urgncia. E agora fica a me olhando com esse olhar 
apatetado. 
Tenha 
a santa pacincia, homem!  O tom de sua voz ia se tornando 
cada vez 
mais 
agudo  medida que dava vazo a todo o seu nervosismo.  Por 
Deus, 
Frohike... Diga alguma coisa!

A mo que pousou com suavidade em seu ombro, roando de leve 
seu 
pescoo, 
fez a voz morrer-lhe na garganta. No quis acreditar em suas 
sensaes. Por 
dezenas de vezes havia sentido aquele toque em seus 
pensamentos. Mas 
fora 
apenas isso, sua imaginao lhe pregando peas. Dessa feita, 
porm, o 
toque 
parecia bastante real. Ela forou-se a virar-se lentamente 
para 
encarar o 
dono daquela mo, como se temesse seu prpro gesto.

- Oi.  ele disse simplesmente, parado de p diante dela.

Vestia jeans e camiseta, emprestados dos Pistoleiros. A barba 
por 
fazer 
acentuava a magreza dos rosto cansado. Estava exatamente do 
modo como 
ela 
costumava v-lo nos loucos sonhos que sempre tivera sobre seu 
retorno. 
Aqueles em que ela atendia a porta de seu apartamento e l 
estava ele, 
parado, com um "oi" e um sorriso, como se nada houvesse 
acontecido.

Ela o fitava, muda, paralisada. Mesmo que a voz lhe sasse da 
garganta, no 
saberia o que dizer. Mesmo que conseguisse se mover, no 
saberia o que 
fazer.

- No maltrate o pobre Frohike assim, Scully.  ele sorria. 

A mo, inicialmente pousada no ombro da mulher, agora 
deslizava pelo 
brao 
dela, fazendo uma breve parada em seu cotovelo. 

 Se voc o deixasse falar, talvez ele conseguisse lhe dizer 
o que 
voc 
quer saber.  continuou.

A mo voltara a mover-se e agora segurava a mo de Scully, 
deslizando 
os 
dedos longos numa gentil carcia pelas costas da mo dela.

- Mulder...  ela pronunciou finalmente, a voz sufocada.

- Sim.  respondeu, rouco.  Embora Weird ainda faa visitas 
espordicas.  
completou, com um sorriso sem graa, envolvendo-a em um 
abrao terno 
lavado 
pelas lgrimas quentes e silenciosas que ambos no mais 
desejavam 
conter.

Ela aninhou a cabea ao peito de Mulder, aprisionando-o com 
os braos, 
como 
para que evitar que se evadisse. Ele enterrava seu rosto na 
sedosa 
cabeleira de Scully, aspirando-lhe o perfume profundamente, 
enchendo 
seu 
peito de vida com a fragrncia da mulher.

Langly e Byers, que a tudo observavam de um lado da sala, 
disfaravam, 
remexendo a esmo nos objetos da bancada a sua frente, 
enquanto Frohike 
sorrateiramente enxugava uma furtiva lgrima. 

- Amy...  ela falou finalmente, afastando a cabea do peito 
de Mulder 
e 
erguendo-a para olh-lo nos olhos.

- Eu sei...  disse penosamente.  Eu vi... Alex Krycek... 
Tentei 
impedir...  seu semblante contraa-se em desespero, 
impotncia, 
enquanto 
falava. - No consegui...

Os olhos de Scully desmesuradamente abertos fascaram irados.

- Maldito! Maldito! Maldito! 

Scully respirava com fora. Havia se desprendido dos braos 
do 
parceiro  
meno do nome de Krycek e agora andava de um lado para o 
outro pela 
sala, 
as mos outra vez brincando nervosas com os botes do casaco. 
Tinha as 
mandbulas contradas e ventos de tempestade varriam o oceano 
azul de 
seus 
olhos. Estacou de sbito, um profundo sulco vincando sua bela 
fronte.

- Covarrubias! Eu devia ter desconfiado... Aquela loura 
dissimulada 
no 
podia andar muito longe do rato que  seu amante.  sibilou.

- No entendi...

-  uma longa histria... - E comeou a relatar todo o 
episdio das 
mensagens, passando por Edu lvares e pela relao de 
endereos IP e 
respectivas cidades. 

Ele ouvia a tudo silencioso e atento. Quando o relato se 
encerrou, ela 
quase podia ouvir o rudo das engrenagens do crebro do 
parceiro 
lutando 
para processar rapidamente as informaes recebidas. Deus, 
como ela 
sentira 
saudades de observ-lo naquela atitude, totalmente absorto em 
pensamentos e 
divagaes at que se saa de repente com alguma concluso 
esdrxula...

-  a mim que eles querem, Scully. A mim...  ele disse 
finalmente, 
seu 
semblante transtornado pela crueza da constatao. 

Para reforar seu ponto, foi a vez dele relatar o episdio 
com os dois 
homens, o ataque e a tentativa de assassinato que sofrera 
dias atrs. 

 Droga!  completou ele ainda mais transtornado. - Eles no 
tm o 
direito 
de usar sua filha para me pegar...

"Sua filha!? NOSSA filha!", ela teve vontade de gritar. Mas 
controlou-
se, 
no era o momento apropriado para que tais sutilezas 
semnticas.

A concluso a que Mulder chegara, no entanto, no fora 
esdrxula em 
absoluto.

- Pode ser...  ela acrescentou pensativa.  Mas quem seriam 
"eles" e 
por 
que quereriam pegar voc?

- Eles, Scully, o Sindicato. Pelos mesmos motivos de sempre. 
Devem me 
considerar uma ameaa de alguma espcie, sei l!

- Mulder, o Sindicato foi extinto, juntamente com todos os 
seus 
membros, h 
cinco anos atrs pelos homens sem face, lembra?  ela falou 
pacientemente.

- Extinto, no. Restou o Canceroso. E Krycek.

- O Canceroso est morto, Mulder.  ela falou em voz baixa. - 
Muita 
coisa 
aconteceu nesses ltimos cinco anos...

Uma sombra de melancolia perpassou o semblante de Mulder ante 
s 
muitas 
possibilidades veladas nas palavras de Scully. Quantas 
revelaes 
indesejveis, ao menos para ele, poderiam estar ocultas por 
trs 
daquelas 
palavras... Para ele, Mulder, o relgio parara em algum 
instante 
naquela 
floresta em Bellefleur, no Oregon, e somente retomara seu 
tique-taque 
convencional havia alguns meses. O tempo para o resto do 
mundo e, 
principalmente, para Scully, o foco de sua ateno, no 
entanto, 
prosseguira 
inexorvel em seu fluxo normal. A vida continuara. 

Por exemplo, se havia uma filha, ela devia ter um pai e 
Scully, 
possivelmente, um marido. Talvez aquele seu antigo amante, o 
mdico. 
David, 
Daniel, no lembrava o nome ao certo. Talvez outro qualquer. 
Quem a 
poderia 
culpar? 

Cinco anos eram muito tempo. As coisas mudam... As pessoas 
mudam... Os 
sentimentos mudam... 

Ele procurou afastar aqueles pensamentos angustiantes de sua 
mente e 
mant-
la focada no problema imediato que urgia ser resolvido.

- Enfim, Amy est desaparecida e Krycek a levou. Disso eu 
tenho 
certeza.  
falou, procurando imprimir um tom de concluso s palavras.  
Alm 
disso, a 
nica outra pista que temos so essas mensagens que conduzem 
a Marita 
Covarrubias. Como podemos localiz-la?

- Pedi ajuda a Skinner para obter essa informao. Vou ligar 
para ele, 
ver 
se conseguiu algo.

- Ns podemos tentar rastre-la na rede.  interferiu Langly. 
 Ela 
deve 
ter algum registro, cartes de crdito, conta em banco, 
qualquer 
coisa...



Condado de Bowie, Maryland 
13/10/2005  05:42 PM 

O automvel descia vagarosamente a rua, procurando pelo 
nmero 
correto. 
435, 437, 439... 

-  essa! - exclamou Mulder, diante do nmero 441. 

Scully estacionou o veculo diante da bela casa trrea. Um 
bem cuidado 
gramado arrematado por frondosas roseiras plantadas sob as 
janelas 
estendia-se desde a calada at o prtico. Uma ampla varanda 
em cujas 
quinas pendiam delicados sinos de vento arrematava a fachada 
elegante, 
pintada em tom de salmo claro. Mulder e Scully tocaram a 
campainha ao 
lado 
da grande porta laqueada em branco encimada por uma bonita 
aldraba de 
metal 
dourado e aguardaram. 

Fora mais fcil do que eles poderiam supor obter o endereo 
de Marita 
Covarrubias. Um simples telefonema de Scully ao Diretor 
Assistente 
havia 
sido suficiente para tanto. "Fcil demais", remoa Mulder em 
seus 
pensamentos.

- Si? - indagou a rolia senhora de cabelos negros e olhos 
amendoados 
que 
lhes abriu a porta. 

- FBI. - disse Scully, mostrando-lhe a insgnia. - Procuramos 
pela 
senhorita Covarrubias. 

- Deve haver algum engano, senhora. Esta  a residncia dos 
Fletcher. 
- 
respondeu polidamente a mulher. 

- Fletcher? ... A sra. Fletcher por acaso no se chamaria 
Marita, 
chamaria? 
- perguntou Mulder, com aquele sorriso estudado que ele 
exibia quando 
queria derreter o corao das mulheres. 

O truque funcionou. A mulher de aparncia hispnica exibiu um 
sorrisinho 
tmido de virgem recatada. 

- Ah, si! - seu rosto iluminou-se em um sorriso largo. - Si, 
o nome de 
solteira de Doa Marita  Covarrubias, como no? Essa cabea 
oca falha 
de 
vez em quando. Me desculpem. Soy apenas uma pobre velha. - 
justificou-
se, 
ainda sorrindo. 

- E a senhora Fletcher est em casa? Poderamos v-la? 

- Ah, si, senhora. Doa Marita est l na copa, dando de 
comer a los 
chicos. Entrem, por favor. - respondeu, abrindo-lhes 
passagem. 

- Por favor, diga a ela que os agentes Mulder e Scully, do 
FBI, 
desejam lhe 
falar. 

- Mi nombre s Rosita. Aguardem aqui um instante que irei 
chamar Doa 
Marita, si? 

Enquanto a mulher desaparecia por uma porta de vidro com 
passos 
surpreendentemente macios para algum com seu peso, os dois 
agentes se 
entreolharam espantados. 

- Chicos? - comentou Mulder divertido. - Acho que batemos em 
porta 
errada, 
Scully. 

A nica resposta da ruiva foi uma risada abafada, uma vez que 
Rosita 
j 
entrara na sala outra vez com seus passinhos leves. 

- Doa Marita pediu que eu os leve at ela. - falou, sempre 
sorrindo. 
- 
Sigam-me, por favor. - disse, novamente desaparecendo pela 
porta. 

Os visitantes tiveram que se apressar para no perder a 
pequenina 
mulher de 
vista no interior da casa espaosa e decorada com requinte e 
conforto. 
No 
havia uma parede sem quadros ou uma mesinha ou aparador que 
no 
ostentasse 
um belo jarro com flores frescas. Todos os aposentos eram 
sbrios e 
elegantes como se sados de uma revista de decorao.

Encontraram Marita Cavorrubias, agora Fletcher, em uma ampla 
sala de 
almoo 
com paredes forradas de papel listrado em branco e verde 
musgo. Uma 
mesa 
redonda cercada por seis cadeiras laqueadas em branco 
dominariam a 
cena, 
no fossem pelos trs cadeires, cada qual com se respectivo 
ocupante. 
Trs 
lindos e rechonchudos bebs com vivos olhos negros e basta 
cabeleira 
loura 
disputavam, aos berros, suas colheradas de comida.

Quem conhecera Covarrubias como Representante Especial do 
Secretrio 
Geral 
das Naes Unidas, sempre trajada em elegantes tailleus de 
caimento 
impecvel, invariavelmente assinados por costureiros famosos, 
no a 
reconheceria ali, em seu vestido caseiro estampado de flores 
midas. 
As 
manchas de sopa de tomates espalhavam-se por seu colo, seus 
braos e 
seu 
rosto, a cada nova tentativa de alimentar os inquietos 
pequeninos. 

- Doa Marita, os visitantes.  introduziu Rosita.

- Gracias, Rosita. Voc pode ir agora.  disse, aguardando a 
sada da 
empregada.  Agente Mulder, Agente Scully. H quanto tempo 
no os 
vejo! A 
que devo a honra de sua visita?

- Belos bebs! So os seus, Marita? Que idade tm?  
perguntou Mulder, 
novamente exibindo seu sorriso sedutor.

- Obrigada! Os trigmeos vo fazer um ano no prximo ms.  
respondeu 
gentilmente.  Mas quanta indelicadeza a minha! Sentem-se, 
por favor. 
 
disse, apontando as cadeiras.

Scully sempre se irritava quando o parceiro usava daquelas 
tcnicas de 
seduo em seus entrevistados. Irritava-se, especialmente, 
quando se 
tratava de entrevistadas. Por muito tempo no quisera 
admitir, mas 
agora 
seria capaz de assumir abertamente que seu mal eram cimes.

- No estamos aqui em visita social, Covarrubias.  atalhou 
rspida.  
Onde 
Krycek est escondendo minha filha?

A expresso de espanto da loura foi real.

- Desculpe-me, mas no fao a menor idia do que voc est 
falando. Eu 
nem...

- Voc  uma pssima mentirosa, Covarrubias. Onde est minha 
filha?  
impacientou-se Scully, j avanando em atitude belicosa em 
direo  
outra 
mulher.

Assustados pelo tom da conversa, um aps o outro, os bebs 
comearam a 
chorar.

Mulder deteve a parceira, segurando-lhe o brao, enquanto 
Covarrubias 
tentava silenciar as crianas. O olhar que Scully dirigia  
loura era 
puro 
fogo do inferno e danao.

- Calma, Scully. Vamos ver o que ela sabe antes de atacar.  
sussurou 
Mulder em seu ouvido.

Em vo, Marita tentava acalmar os pequenos. Mesmo quando 
conseguia 
fazer 
com que um deles parasse de chorar, o simples fato dos outros 
dois 
estarem 
ainda em prantos era o suficiente para fazer com que o 
primeiro 
retomasse o 
berreiro. Alm do que, no mximo, cabiam dois bebs em seu 
colo, 
tornando-
se impossvel silenciar os trs simultaneamente.

Num rasgo de desespero, a me tomou o beb vestido em 
vermelho e o 
entregou 
a Mulder.

- Huey.  disse ao homem, enquanto ele o tomava no colo.

- Ssshh, nenenzinho...  murmurou ele, balanando a criana.

- Dewey.  apresentou Marita, entregando a criana de azul a 
Scully, 
que 
encarregou-se imediatamente de embalar o beb.

- E esse  Louie.  acrescentou pegando no colo o menino 
vestido de 
verde.

Mulder e Scully entreolharam-se, enquanto Marita ocupava-se 
do beb. 
Huey, 
Dewey e Louie, essa no...

Dessa vez, foi fcil acalmar os pequenos. Como que por 
encanto, 
passados 
dois ou trs minutos de embalos e palavras suaves, estavam 
calados e 
sonolentos. Um a um foram recolocados em seus lugares pela 
me que, 
vencida, acabou por chamar Rosita para terminar de aliment-
los. 
Conduziu, 
ento, os dois agentes de volta  sala onde haviam aguardado 
quando 
chegaram.

- Desculpem-me pelo inconveniente.  difcil control-los 
quando ficam 
assim.  disse, limpando os respingos de sopa do rosto e dos 
braos 
com um 
paninho.

Scully estava visivelmente irritada com aquela situao. 
Agitava-se 
impaciente ao lado de Mulder. Antes que pudesse dizer algo, o 
parceiro 
apertou forte sua mo e tomou a palavra.

- Muito bem, Marita. O que nos traz at aqui  que Alex 
Krycek 
seqestrou a 
filha de Scully e...

- Filha, agente Scully? Eu no sabia que voc tinha uma...  
interrompeu 
Covarrubias, obtendo como resposta apenas as fagulhas do 
olhar da 
outra 
mulher, cuja mo Mulder ainda segurava, tentando conter seus 
arroubos.

- Sim. - continuou ele.  E tudo nos leva a crer que voc, 
Marita, 
pode 
saber de seu paradeiro.

- No, juro que no. Por Deus, - acrescentou, fazendo o sinal 
da cruz, 
- 
podem acreditar que no sei de nada. H cerca de quatro anos 
rompi com 
Alex 
e, desde ento, no tenho mais notcias dele. Um pouco mais 
tarde, 
conheci 
Adam Fletcher, um empresrio do ramo de seguros. Um homem 
maravilhoso 
que 
me ama pelo que sou, do jeito que sou, sem interessar-se por 
meu 
passado. 
Casei-me e, depois, vieram os trigmeos... Sou outra pessoa 
agora. Sou 
uma 
mulher feliz e vivo em funo de meu marido e meus filhos.  
olhou nos 
olhos de Scully. - Acredite-me, Scully, nada sei sobre as 
atrocidades 
de 
Alex e, se soubesse de algo, o que quer que fosse, tenha 
certeza que 
voc 
seria a primeira a saber. Raptar uma criana? Ele deve ter 
enlouquecido... 
Imagino se fossem meus filhos... Que dor imensa voc deve 
estar 
sentindo... 
 completou com os olhos marejados.

Por mais incrvel que parecesse, Scully acabou por convencer-
se da 
sinceridade de Marita, quando esta tomou-lhe as mos entre as 
suas e 
as 
apertou, numa tentativa de transmitir-lhe fora e alento.

- Desculpe insistir, Marita. Mas voc que conviveu com Krycek 
por 
tanto 
tempo, no teria um palpite a nos dar sobre onde ele poderia 
estar 
escondendo Amy?  insistiu Mulder.

-  difcil... Alex  uma criatura imprevisvel...  sua 
expresso era 
pensativa.  No, no posso imaginar. Sinto muito.  O choro 
agudo de 
uma 
das crianas se fez ouvir naquele instante. - Se houver algo 
mais que 
eu 
possa fazer...

- Obrigada, Marita. Do fundo do corao...  agradeceu Scully 
mansamente.  
Vamos, Mulder?  sua expresso era de total desconsolo.

O homem assentiu com a cabea e levantou-se, envolvendo com 
um dos 
braos 
os ombros da parceira, como se a amparasse, enquanto 
dirigiam-se de 
volta 
ao carro estacionado.

Marita Covarrubias observou pela janela o casal que entrava 
no 
automvel e 
partia sob a luz sangunea do crepsculo.

- Ah, Alex, Alex...  murmurou consigo mesma.  Ser que no 
vai haver 
um 
fim?



Arredores de Washington, DC
13/10/2005  07:52 PM

O automvel percorria veloz as largas avenidas fartamente 
iluminadas 
que 
conduziam ao centro de Washington. Seus ocupantes seguiam 
silenciosos, 
ensimesmados cada qual em seus pensamentos.

Scully esforava-se por manter-se concentrada no ato de 
dirigir pelo 
caminho de volta. Lutava para manter sob controle as emoes 
que 
insistiam 
em querer domin-la. Sabia que precisave ser fria, racional, 
conservar 
a 
mente alerta, se quisesse encontrar pistas que a conduzissem 
 filha. 
Mas 
no podia evitar de ter os olhos constantemente rasos d'gua 
da 
angstia 
que a consumia. 

Por que tinha sempre de ser assim? Reencontrava o homem de 
sua vida, 
mas, 
em troca, devia dar sua filha... No teria ela direito  
felicidade? 
Por 
que Deus lhe negava esse direito? Por que estar ao lado de 
Mulder 
implicava 
sempre em perda e sofrimento para ela? 

No, no estava sendo justa. Ela o seguira por vontade 
prpria nos 
sete 
anos em que trabalharam juntos. No poderia imputar a ele as 
perdas 
que 
havia sofrido naquele perodo. Ele no a havia obrigado a 
segui-lo em 
sua 
cruzada. Ela o fizera por que assim o quisera, por 
curiosidade, por 
vaidade... No era justo querer culp-lo. Ele lhe dera o que 
ela tinha 
de 
mais precioso em sua vida: Amy. Depois, devolvera-lhe Amy das 
chamas. 
Devolvera-lhe a f na vida, no amor.

Scully tinha medo de olhar para o lado, de encar-lo. Temia 
descontrolar-
se, dar vazo ao pranto que com tanta dificuldade vinha 
contendo. No 
precisava ver seu rosto para perceber sua angstia. Ele 
sofria como 
ela.

Sentado no banco do carona, Mulder seguia imerso em 
pensamentos. As 
memrias voltavam-lhe aos poucos. A culpa, que lhe oprimia 
pesada o 
corao, voltava com elas. Quantas perdas infligira  mulher 
sentada 
ao seu 
lado por sua teimosia, seu egosmo, sua insana busca por uma 
verdade 
que 
no havia? Melissa, Emily, seu cncer... Agora sua filhinha, 
Amy... 
Quanto 
sofrimento havia causado quela mulher que amava tanto! 

Como poderia sentir-se ofendido se ela tivesse outro algum 
agora? 
Como, se 
nunca lhe dissera que a amava, se durante tanto tempo nem 
para si 
mesmo 
fora capaz de diz-lo? A vira sofrer e compartilhara de seu 
sofrimento. A 
vira fenecendo, apagando-se lentamente diante de seus olhos e 
quisera 
morrer com ela, por ela. Mas nunca, nem diante de sua 
tristeza, nem 
diante 
de sua alegria, fora capaz de pronunciar as trs palavras que 
teriam o 
mgico poder de mudar sua vida. "Eu te amo." To pouco... 
Tanto... A 
nica 
verdade que havia ficado de sua busca... Fora um fraco, um 
covarde. E 
agora 
era tarde demais para mudar aquela situao.



Rua 46  New York City, New York
13/10/2005  08:08 PM

- Sim,  verdade. Ele o fez.  dizia o homem do cachimbo ao 
telefone. 

Estava sozinho no escritrio, sentado na confortvel cadeira 
de couro. 
De 
costas para a bela escrivaninha de mogno entalhado, observava 
as luzes 
dos 
arranha-cus l fora atravs da janela. 

 Sim... Eu disse aos outros. Ele enlouqueceu. ... Concordo 
que Fox 
Mulder 
pode ser perigoso para nossas operaes, mas raptar uma 
criana... 

Seu rosto se contraiu com o que ouvira pelo telefone. Voltou-
se 
bruscamente 
para a escrivaninha, tomando uma caneta nas mos. 

  claro que no foi com nossa aprovao! No  assim que 
agimos 
atualmente! 

Batia nervosamente com a caneta na escrivaninha. 

 Como quiser...  rabiscava agora furiosamente no bloco de 
notas.  
Faa 
como quiser! Desde que no nos envolva nisso, pode tomar a 
providncia 
que 
quiser!  completou, recolocando o telefone no gancho com 
fora.

Sua expresso contrariada revelava toda sua irritao.

- Droga! Droga! Droga!  murmurou para si mesmo.



Arredores de Washington, DC
13/10/2005  08:33 PM

Estava escuro, muito escuro. A escurido era to densa que 
ele a podia 
sentir infiltrando-se pegajosa por seus olhos, seus ouvidos, 
sua pele. 
Caminhava s cegas, tropeando em obstculos invisveis que 
se 
interpunham 
entre ele e seu objetivo. Avanava penosamente em meio  
escurido, 
tentando vencer os percalos, buscando. Sabia que ela estava 
l, podia 
senti-la. Por isso avanava, a qualquer custo. 

Subitamente, a escurido total encheu-se de uma luz branca, 
to clara 
que 
queimava suas retinas. Ele conhecia aquela luz. Ele a temia. 
E, por 
essa 
razo, a despeito da intensa dor que a claridade provocava, 
no fechou 
os 
olhos. Precisava localiz-la antes que a luz o fizesse. E foi 
ento 
que a 
viu, sentada encolhida em um canto. Seus olhinhos cinzentos 
olhavam 
diretamente para dentro dos seus e pareciam dizer "Estou 
aqui".

- Mulder.  chamou Scully, tocando de leve em seu brao.  
Voc est 
bem?

Ele estremeceu, arrancado do transe. Estava plido, a testa e 
o 
contorno do 
lbio superior perolados por um suor frio. Sentia-se cansado, 
sem 
foras, 
como se submetido a um grande esforo.

- Eu a vi...  murmurou com dificuldade.

Scully aproveitou a parada em um sinal vermelho para observ-
lo com 
cuidado. Tinha a fisionomia transtornada, os olhos 
esgazeados.

- Amy?  ela perguntou com um fio de voz.

Ele simplesmente concordou com a cabea e estremeceu mais uma 
vez. No 
instante seguinte, comeou a vasculhar a rua com o olhar 
alucinado, 
agitando freneticamente a cabea, como um louco. Ela temeu 
por sua 
sanidade. O sinal abriu e ela movimentou o automvel.

- Entre  direita, Scully. Aqui!  ordenou subitamente.

Ela obedeceu, por impulso.

- Por qu?  inquiriu em seguida, a razo voltando a falar 
mais alto. 
 O 
caminho de volta ao QG dos Pistoleiros era seguindo em 
frente...

- No sei porqu.  ele disse com uma voz distante, sem 
entonao.  
Apenas 
sinto...

Haviam sado da larga avenida iluminada que vinham seguindo e 
avanavam por 
ruas cada vez mais estreitas e escuras seguindo as 
orientaes de 
Mulder. 
Rodavam por ruas desertas, repletas de galpes abandonados e 
construes em 
runas. O lado feio, triste e sujo da metrpole.

Prosseguiam vagarosamente. De tempos em tempos, o homem no 
banco do 
carona 
estremecia, para, em seguida, agitar-se freneticamente, 
procurando. E 
transmitir mais uma direo. "Direita. Esquerda. Em frente."

A campainha aguda do celular de Scully cortou o silncio.

- Mame...  disse a vozinha assustada no outro lado da 
linha.

- Amy? Voc est bem?  o corao parecia querer saltar-lhe 
pela boca 
ao 
ouvir a voz da filha.  Onde voc est?

- Estou bem, mame...

- Agora chega!  fez-se ouvir a voz de Krycek.

- Filho da me!  disse Scully, rilhando os dentes. 

Uma gargalhada ecoou no telefone.

- Agente Scully! Sempre to agradvel...  disse o homem com 
ironia. 

- Onde est minha filha, Krycek?
 
 Eu tenho uma coisa que voc quer.  ele continuou, a 
ignorando. - 
Voc 
tem uma coisa que eu quero. Proponho uma troca...

- Onde ela est?  ela quase gritava ao telefone.

- Aqui...  murmurou baixinho Mulder, segurando seu brao. 
Apontava 
para o 
parque de diverses abandonado diante do qual ela havia 
parado o 
carro.

- E ento, Dana? O que voc me diz?  dizia a voz de Alex 
Krycek ao 
telefone.  Uma garotinha bonita e inteligente como a sua Amy 
no vale 
uma 
troca?

Antes que ela pudesse responder, Mulder j havia tomado o 
telefone de 
suas 
mos.

-  a mim que voc quer, no  mesmo, Krycek?  sua voz era 
firme. Os 
olhos 
cinzentos ostentavam o brilho caracterstico do olhar de Fox 
Mulder.  
Diga 
apenas onde e quando.

A gargalhada novamente se fez ouvir do outro lado da linha.

- Mulder? No perde essa mania de parecer to estico, hein? 
 o 
sarcasmo 
das palavras destinava-se a irritar o outro homem.

- Quando e onde, Alex.  atalhou Mulder.

- Amanh, s dez da manh. No Memorial a Lincoln.

- Ok.

- E, Mulder?

- Sim.

- Sem truques ou essa bela princesinha no vai viver para dar 
seu 
primeiro 
beijo na boca...  ele acrescentou, desligando em seguida.

Scully, ao lado de Mulder, mordia os lbios nervosamente. A 
expresso 
transtornada retornara ao seu rosto. Os olhos azuis muito 
abertos 
fitavam-
no inquisidores.

- Ele quer trocar Amy por mim. Amanh de manh, no Memorial.

A decepo ensombreceu o semblante da mulher.

- Precisamos agir, Scully. E rpido.  ele continuou.

- Mas fazer o qu?  as mos acompanhavam as palavras, 
desoladas.  
No 
sabemos onde ela est...

Os olhos dele voltaram-se para o parque de diverses 
abandonado, 
perscrutando as sombras.

- Ela est aqui, Scully. Acredite.  disse apontando o local 
e 
voltando-se 
para ela.  Eu sinto.

Ela o fitava sem expresso.

- Podemos peg-lo de surpresa.

- Mulder, o parque  enorme! Est escuro.  ela 
contemporizou.  E nem 
ao 
menos temos certeza de que eles esto realmente a...

- Eu sei, Scully!  cortou ele com convico.  Chame de 
intuio, 
premonio, cognio psquica ou do que quiser. O fato  que 
eu sei! 
Da 
mesma forma que sabia durante o incndio na Califrnia. 

Abriu a porta do automvel e saltou. Ela o acompanhou, 
postando-se ao 
seu 
lado.

- Voc fica.  disse ele, segurando-a pelo brao.  Chame 
reforos.

Gentilmente porm com determinao, Scully afastou a mo que 
a retinha 
e a 
tomou entre as suas.

-  MINHA filha, Mulder, lembra? Eu vou.  afirmou segura.

Ele a encarou, olhos nos olhos, por um longo momento, sua 
expresso 
indecifrvel. Depois, deu de ombros.

- Faa como quiser. Voc  a autoridade legalmente 
constituda nesse 
caso. 
 disse, recomeando a andar em direo ao parque.

- Espere!  ela voltou ao carro e remexeu no espao entre os 
bancos. 
Quando 
se voltou para ele, tinha uma pistola nas mos.  Ainda sabe 
como usar 
uma 
destas?

- Acho que sim.  respondeu, tomando a arma e a enfiando na 
cintura, 
sob a 
camisa.

Avanaram lado a lado, vagarosamente, em silncio, pelo 
parque 
abandonado. 
Alm da claridade plida da lua cheia, a nica outra luz 
disponvel 
provinha da lanterna de bolso de Scully. Seu facho iluminava 
parcamente o 
cho para que no tropeassem nas pilhas de lixo e escombros 
pelo 
caminho, 
mas no era suficiente para iluminar os brinquedos. Estes, 
quebrados e 
depredados, pareciam sados de um conto de terror. 
Parcialmente 
ocultados 
pelas sombras, os cavalinhos do carrossel haviam se 
transformado em 
grgulas pelo jogo de claro-escuro da parca iluminao.

Avanavam lado a lado, como nos velhos tempos. Obstinados, 
destemidos, 
investigando, procurando. Manacos, aliengenas, espritos, 
demnios, 
conspiraes. Esquiva, fugidia, intangvel, inexorvel, a 
verdade, l 
fora. 
Desta vez, no entanto, era diferente. O que buscavam era 
real, era 
vivo. 
Era parte de cada um dos dois de mil maneiras diferentes. Sua 
pequenina 
Amy. Uma verdade em carne e osso, a nica e absoluta verdade.

Avanavam lado a lado, os passos, os gestos em sincronia. 
Como sempre 
fora. 
Como nunca deveria deixar de ser. Como se no houvessem 
estado um dia 
sequer separados. Parceiros, amigos, almas complementares.

Mulder seguia guiado pelas sensaes mais que pelos olhos e 
pela 
razo. A 
cada passo, as vibraes de Amy iam se tornando mais intensas 
em sua 
cabea. Scully havia abandonado toda sua racionalidade para 
apenas 
acreditar, incondicionalmente, nas sensaes do parceiro. De 
repente, 
parecia-lhe a coisa certa a fazer e sua intuio a compelia a 
aceitar 
a 
situao.

Mulder estacou, estendendo o brao ao lado para conter 
Scully. 
Debalde. Ela 
havia parado ao mesmo tempo que ele. Sincronismo.

- Aqui.  ele murmurou com voz rouca.

Os restos do que um dia havia sido o Tnel do Amor jaziam 
diante dos 
agentes. As paredes de folhas de flandres cuja pintura 
descascada 
retratava 
coraes e cupidos e flores e cisnes pareciam bizarras no 
contexto dos 
fatos. Os carrinhos, que outrora transportavam os casais 
apaixonados 
atravs dos cantinhos romnticos e escuros do brinquedo, 
amontoavam-se 
quebrados na boca do Tnel.

Com um sinal, Mulder indicou a Scully que procurasse uma 
outra entrada 
nos 
fundos da estrutura. Ela obedeceu sem discutir, a confiana 
no 
parceiro 
maior do que nunca. Transpondo com cuidado os montes de 
carrinhos, ele 
penetrou no interior do brinquedo.

Estava escuro, muito escuro. A escurido era to densa que 
ele a podia 
sentir infiltrando-se pegajosa por seus olhos, seus ouvidos, 
sua pele. 
Caminhava s cegas, tropeando em obstculos invisveis que 
se 
interpunham 
entre ele e seu objetivo. Avanava penosamente em meio  
escurido, 
tentando vencer os percalos, buscando. Sabia que ela estava 
l, podia 
senti-la. Por isso avanava, a qualquer custo. 

Tateando pelos corredores tortuosos, ele foi guiado por suas 
sensaes 
at 
que estacou. Amy estava ali, ele sabia. Por mais que se 
esforasse, no 
entanto, a escurido era profunda demais para que seus olhos 
se 
acostumassem a ela e conseguissem divisar um vulto que fosse. 
Ele 
aguou os 
ouvidos. Havia mais algum ali, podia ouvir-lhe a respirao. 
A 
tentativa 
de avanar mais um passo em direo ao som converteu-se no 
estrondo de 
coisas caindo quando Mulder tropeou num obstculo invisvel.

O facho de uma potente lanterna atingiu em cheio seu rosto, 
cegando-o, 
ao 
mesmo tempo em que ressoava nas trevas a gargalhada 
sarcstica de Alex 
Krycek.

- Tinha certeza que voc tentaria nos fazer uma visita 
surpresa, 
Mulder. 
Pena que no tive tempo de preparar um ch!  exclamou com 
ironia, 
sempre 
mantendo a lanterna apontada para os olhos do agente.

- Weird.  fez-se ouvir debilmente a voz assustada de Amy.

- Fique calma, meu bem.  disse com doura na esperana de 
tranquilizar a 
menina. Ao que acrescentou: - Liberte a menina, Alex. Voc j 
tem o 
que 
quer. Eu estou aqui.

- Eu ia fazer exatamente isso, sabe, Fox?  respondeu da 
escurido a 
voz de 
Krycek. - At que me ocorreu que, com os pais que tem, Amy 
pode ser o 
primeiro hbrido humano-aliengena bem sucedido que 
conhecemos. Ela 
pode 
ser a resposta para todas as pesquisas que o Sindicato vem 
desenvolvendo a 
anos.

Os olhos de Mulder faiscaram de dio.

- Ela  uma criana, seu desgraado. No  uma cobaia para 
suas 
experincias.  urrou, tentando novamente avanar em direo 
 luz da 
lanterna. Uma vez mais, tropeou caindo com estardalhao na 
pilha 
invisvel 
de escombros.  Voc j tem a mim. Leve-me para suas malditas 
experincias, 
mas deixe-a ir, Alex. Eu imploro...  suplicou aflito.

Outra vez a gargalhada de Krycek cortou a escurido.

- Tolo prepotente  o que voc , Mulder.  sua voz era 
glida.  Voc 
no 
vale absolutamente nada para mim, Fox. Mas essa princesinha 
aqui pode 
ter 
um valor incalculvel... Pensando bem, voc at vale algo, 
sim. S que 
morto...  o clique da arma sendo engatilhada ecoou nas 
trevas.

O facho da lanterna comeou a se deslocar da cabea para o 
peito de 
Fox 
Mulder e depois de volta a cabea, como se passeasse em busca 
do ponto 
certo para o tiro fatal.

Subitamente, a escurido total encheu-se de uma luz branca, 
to clara 
que 
queimava as retinas de Fox Mulder. Ele conhecia aquela luz. 
Ele a 
temia. E, 
por essa razo, a despeito da intensa dor que a claridade 
provocava, 
no 
fechou os olhos. Precisava localizar Amy antes que a luz o 
fizesse. E 
foi 
ento que a viu, sentada encolhida em um canto. Seus olhinhos 
cinzentos 
olhavam diretamente para dentro dos seus e pareciam dizer 
"Estou 
aqui".

Mulder saltou gil por sobre as pilhas de escombros e lixo 
at 
alcanar Amy 
e proteg-la com seu corpo, tentando escond-la, afast-la do 
crculo 
de 
luz. Com a garotinha nos braos, ele tambm encolheu-se num 
canto, sua 
respirao forte e ofegante, as batidas agitadas de seu 
corao 
retumbando 
em seus ouvidos. Foi somente quando ouviu a voz de Krycek que 
se deu 
conta 
do que acontecia.

- Ei, no! Vocs esto pegando a pessoa errada. No sou eu,  
a ele 
que 
vocs querem.  gritava Krycek agitado.

Os estampidos de muitos tiros soaram, abafando os gritos de 
Krycek, 
terminando por restar apenas o clique do pente descarregado 
da 
pistola. 
Mulder atreveu-se, ento, a olhar em direo  luz, a tempo 
de ver 
Alex 
sendo arrastado  fora para o centro do crculo por dois dos 
aliengenas 
sem face. Apenas um instante depois, um zunido alto encheu os 
ares e a 
luz 
desapareceu, levando consigo os trs homens.

- Mulder.  chamou Scully de um canto, somente identificvel 
pela 
fraca luz 
de sua lanterna.

- Mame!  exclamou Amy, levantando a cabea que jazia 
enterrada no 
peito 
de Mulder.

- Scully, aqui,  sua direita.

Orientada pela voz do parceiro, ela os encontrou. Amy, 
envolta pelos 
braos 
de Mulder, tinha a cabea apoiada em seu ombro e acariciava 
seu rosto 
magro. Ele mantinha os braos solidamente em volta do corpo 
frgil da 
menina, enquanto carinhosamente beijava-lhe a testa e os 
cabelos. 
Scully 
levou a mo trmula ao rosto da filha numa suave carcia, 
como 
quisesse 
certificar-se de que ela era real. A seguir, repetiu o gesto 
com o 
parceiro. Sim, era real. Finalmente.

Com a parca luz de sua lanterna, ela guiou-os para fora do 
Tnel do 
Amor. 
Somente no exterior, tomou a filha nos braos e a apertou 
forte contra 
seu 
corpo, os olhos azuis deixando correr livremente a torrente 
de 
lgrimas, 
agora de alvio e alegria, que vinha represando desde cedo.

Mulder observava a cena calado. Uma vez mais, colocava-se 
voluntariamente 
no papel de espectador, quando, em seu corao, desejara 
ardentemente 
ser 
protagonista. Desejou que no fosse tarde demais, que fosse 
possvel 
mudar 
o passado, que nunca houvesse sido levado pela curiosidade a 
examinar 
aquele crculo de luz em Bellefleur, cinco anos atrs. 
Desejou ter 
dito e 
feito coisas que jamais fez ou disse naqueles sete anos que 
antecederam sua 
abduo. Mas era tarde.

No percebeu que o local ia aos poucos enchendo-se de agentes 
do FBI, 
at 
que a voz serena de Scully o despertou.

- E Krycek?  perguntou ela.

- Foi levado...  ele respondeu com um suspiro. - ... pelos 
homens sem 
face. Mais uma vez no haver evidncias...

- O rudo intenso... A luz...  disse ela, compreendendo 
finalmente o 
que 
havia visto e ouvido.

Mulder apenas assentiu com a cabea, voltando a suas 
divagaes. Uma 
frase 
dita por Krycek voltava a sua mente como um incmodo 
visitante. "Com 
os 
pais que tem, Amy pode ser o primeiro hbrido humano-
aliengena bem 
sucedido que conhecemos. Com os pais que tem..." Sua me era 
Scully, 
no 
havia como negar os cabelo ruivos, o queixo diligente. Mas 
quem 
poderia ser 
o pai de Amy? Pelas palavras de Krycek, certamente um 
abduzido... 
Skinner!

- Mulder?  voc?  ouviu a voz de Skinner s suas costas.

Encarou o diretor assistente procurando em suas feies 
alguma 
semelhana 
com a menina. O homem apertou sua mo com fora, depois o 
envolveu em 
um 
abrao caloroso, como se quisesse garantir que era Mulder, em 
carne e 
osso. 
Seus olhos sorriam com sinceridade por trs das lentes dos 
culos. 
Algo, no 
entanto, cimes talvez, congelava a expresso de Mulder 
impedindo-o de 
sorrir de volta. Skinner dirigiu-se, em seguida, a Scully e 
Amy. Um n 
apertado formou-se na garganta de Fox Mulder.

- Como ela est?  perguntou o diretor, alisando os cabelos 
da menina.

- Estou bem, tio Walter.  respondeu a garotinha com um 
sorriso 
cndido.  
Ele me salvou.  completou, apontando Mulder.

"Tio Walter", o n se desfez momentaneamente na garganta de 
Mulder e 
ele, 
finalmente, conseguiu retribuir o sorriso caloroso de 
Skinner. Ao 
menos, 
no era ele.

- E voc, como est, Dana?  indagou uma voz masculina que 
Mulder no 
reconheceu. O tom era gentil, preocupado, quase amoroso.

- Ok, John.  respondeu Scully, com um sorriso cansado.

"Dana... John..." As garras do cime outra vez se cravavam no 
corao 
de 
Fox Mulder. Lendo o olhar de Mulder e Doggett, Skinner 
adiantou-se, 
apresentando os dois homens.

- Fox Mulder, John Doggett que assumiu os Arquivos X junto 
com a 
agente 
Scully depois de seu desaparecimento.

Apertaram-se as mos. O cumprimento de Doggett era firme, 
seco. Seu 
rosto 
de linhas duras e os cabelos cortados muito curtos deram a 
Mulder a 
impresso de um homem rgido, ctico. Olharam-se nos olhos 
por um 
interminvel momento. Mediam-se, avaliavam-se, desafiavam-se. 
Dois 
cavaleiros, com suas lanas em riste, cada um em sua 
extremidade da 
cancha, 
nos instantes que precedem a uma justa. Ambos sabendo que 
apenas um 
poderia 
permanecer vivo ao final do embate. A tenso no ar era quase 
palpvel.

- Oi, tio John. Tem um caramelo?

A pergunta da criana esfacelou a tenso em um milho de 
pedaos. "Tio 
John", pensou Mulder aliviado.

- O que aconteceu aqui?  perguntou Skinner, despindo-se da 
faceta de 
amigo 
e outra vez incorporando o diretor assistente do FBI.

- Alex Krycek, o Sindicato, aliengenas sem face... Nenhum 
rastro, 
nenhuma 
evidncia... O habitual.  falou Mulder com ar blas.  Vai 
constar 
tudo no 
relatrio da agente Scully, senhor.

Skinner o olhava com os lbios retorcidos em um meio sorriso 
divertido. "O 
Mulder de sempre." Doggett no conseguia disfarar o ar 
desaprovao. 
"Nem 
um pouco profissional."

- Vamos para casa.  Scully chamou Amy que, j no cho, 
comeava 
timidamente a se aventurar em exploraes da rea longe da 
me.

A menina correu de volta ao grupo e agarrou a mo que a 
mulher lhe 
estendia. Como Mulder no se movesse de onde estava, a 
criana segurou 
sua 
mo e a puxou com fora.

- Venha!  ordenou autoritria.

Ele apenas a seguiu, o contato da mozinha quente na sua 
enchendo de 
vida e 
calor seu peito amargurado. 

- A propsito, agente Mulder...  chamou Skinner, quando os 
trs j 
haviam 
se afastado alguns passos.  Feliz aniversrio.

- Obrigado, senhor.  respondeu Mulder com um aceno de mo, 
voltando-
se 
para o diretor.

- Eu havia me esquecido. Me desculpe, Mulder. Feliz 
aniversrio.  
Scully 
colocou-se nas pontas dos ps e depositou um suave beijo na 
bochecha 
do 
parceiro.

Seguiram seu caminho. Quando desapareceram nas alias do 
parque, 
Mulder 
levava Amy escanchada em sua cintura, gargalhando feliz como 
se 
voltasse 
para casa aps uma alegre ida ao parque de diverses. Scully 
caminhava 
ao 
seu lado, uma das mos segurando seu brao, conduzindo homem 
e criana 
por 
entre os escombros.

Doggett e Skinner os observaram at sumirem nas sombras.

- Fim da linha, amigo.  murmurou Skinner, meneando a cabea.

A John Doggett restara apenas o sabor amargo da derrota.



Arredores de Washington, DC
13/10/2005  10:45 PM

O clima tenso que imperara no automvel durante o retorno da 
casa de 
Marita 
Covarrubias estava novamente presente. Apenas a tagarelice de 
Amy que, 
alheia ao constrangimento dos adultos, palrava alegremente no 
banco de 
trs, perturbava o silncio. A pequena contava feliz o que 
vira no 
museu de 
histria natural numa algarvia  qual os adultos no davam a 
mnima 
ateno.

Mulder remoa em pensamentos as palavras de Alex Krycek. "Com 
os pais 
que 
tem... Com os pais que tem..." Tinha cimes. Queria Amy e 
Scully para 
si, 
mas elas j pertenciam a outro. Tinha cimes. Queria gritar, 
implorar 
que 
ela deixasse o outro homem, que seguisse com ele, que fosse 
sua. Tinha 
cimes. Tantos, to intensos que no lhe permitiam recordar-
se do que 
acontecera no motel em Sacramento quando ele ainda era Weird. 
Tinha 
cimes.

Sentia-se vazio, tentando imaginar como refazer sua vida. 
Sabia ser 
impossvel retom-la do ponto onde a havia deixado. O mundo 
continuara 
a 
girar, o tempo passara. Talvez conseguisse de volta seu posto 
no FBI. 
No 
nos Arquivos X, parecia claro para ele que estes j tinham 
novo dono. 
Um 
cargo burocrtico talvez, preenchendo papelada. Qualquer 
coisa para 
ajud-
lo a sobreviver, a passar os dias com a mente mergulhada em 
uma 
ocupao 
qualquer. Para no enlouquecer. De cimes.

Scully o observava pelo canto do olho. O sentia distante, 
querendo 
fugir. 
Tantas coisas ela precisa lhe dizer, tantas explicaes 
precisa dar, 
tantas 
estrias precisava contar. Ela podia compreender a 
necessidade que ele 
tinha de ouvir, de saber. As coisas se jorravam em sua 
cabea, 
borbulhavam 
em seus lbios. Mas no sabia por onde comear. Ele tinha os 
olhos 
tristes 
como poucas vezes ela havia visto. Ela queria confort-lo, 
resgatar em 
seu 
rosto aquele lindo sorriso de menino. Mas no sabia como 
faz-lo.

Amy continuava em seu descontrado monlogo no banco 
traseiro, quando 
Mulder, voltando-se para ela, pegou de leve em sua mo. A 
garotinha 
calou-
se instantaneamente, tocada pela gravidade da expresso no 
semblante 
do 
homem.

- Voc pode me dar uma carona at os Pistoleiros, Scully?  
sua voz 
era 
monocrdia, inexpressiva.

- Voc quer ficar l?  indagou ela, a despeito da obviedade 
da 
pergunta.  
Fique conosco...  acrescentou num murmrio.

Ele pareceu no ter ouvido a ltima frase.

- Acho que vou pedir a eles um canto para passar a noite...  
o tom 
era 
desanimado, o semblante sombrio.  Afinal, no devo mais ter 
um 
apartamento, tenho?

Ela suspirou.

- No. Uns meses atrs, quando Amy ficou doente, as despesas 
ficaram 
muito 
altas para que eu pudesse continuar pagando dois aluguis.  
ela se 
desculpou, encolhendo os ombros.

Mulder a olhou, surpreso.

- Voc manteve meu apartamento alugado por cinco anos? Vazio?

Ela concordou com a cabea, seu olhar fixo na rua.

- s vezes eu ia at l, tirava a poeira, dava de comer aos 
peixes... 
Amy 
ia comigo. Ela adora seu aqurio...  a voz de Scully 
denotava 
cansao.

- Por qu?  ele a encarava incrdulo.  Por que fez isso? 
... Manter 
meu 
apartamento?

- Tinha certeza de que voc voltaria.  suspirou Scully. Sua 
voz era 
baixa, 
rouca.  Fique conosco...  ela insistiu, - ...ao menos at 
conseguir 
outro 
lugar...

Mulder balanava a cabea, atnito. Seus olhos vagavam do 
rosto de 
Scully, 
para a rua,  para Amy e de volta  parceira.

- No... no compreendo... Por qu, Scully?

Ela enfiou o p no freio com fora, parando o carro 
bruscamente no 
meio da 
avenida deserta. Esmurrou o volante com fora, o olhar fixo 
na rua 
vazia  
sua frente.

- Droga, Mulder! Porque amo voc!  voltou-se e o olhou nos 
olhos.  
Amo 
voc. Deus!  assim to absurdo?  to difcil de entender?

Pronto! Ela havia dito. Dissera o que estava entalado em sua 
garganta 
por 
toda uma vida.

Ele permaneceu imvel por longos instantes, a respirao 
suspensa, o 
olhar 
perdido na imensido dos olhos azuis de Dana Scully. Ela 
havia dito, 
ele 
mal podia crer em seus ouvidos. Ela havia dito o que ele 
sempre 
esperara 
ouvir. Ele queria tom-la nos braos, beij-la loucamente, 
gritar ao 
mundo 
que ela o amava. Mas permanecia esttico diante dela, os 
braos e as 
pernas 
e o rosto formigando estranhamente. Quando por fim conseguiu 
vencer a 
inrcia que o dominava e mover-se, tomou o rosto da mulher 
que amava 
entre 
as mos e aplicou-lhe o mais terno dos beijos.

- Voc vem para casa com a gente, no vem, papai? Por 
favor...  
suplicava 
Amy.

"Com os pais que tem... Papai..." Um abduzido. Ele?

Como que atingido por um raio, Mulder quedou paralisado. Os 
lbios 
formavam 
palavras mudas que a boca entreaberta no conseguia 
pronunciar. Os 
olhos se 
transformaram em dois imensos discos cinzentos, transbordando 
dvidas 
e 
incredulidade. Scully apenas acenou com a cabea 
afirmativamente, 
sorrindo.

"Papai..." Um abduzido. Ele!

O lindo sorriso de menino que ela ansiara tanto poder rever, 
minutos 
atrs, 
estampou-se na face de Fox Mulder, to radiante, to 
resplandecente 
que 
pareceu iluminar a noite.

- Vamos para casa.  falou ele.



Georgetown  Washington, DC
13/10/2005  11:13 PM

A chave girou na fechadura, destrancando a porta do 
apartamento de 
Scully. 
Ela entrou, acendeu a luz e jogou a bolsa sobre o aparador. 
Estava 
exausta. 
As sombras escuras sob seus olhos eram acentuadas pela 
palidez de seu 
rosto. Seu corpo implorava por um bom banho morno e pela 
quente maciez 
de 
sua cama.

- Onde a coloco?  sussurrou Mulder parado atrs dela, 
trazendo Amy 
adormecida e enfim quieta em seu colo.

Num instante, ela se recordou porque, a despeito do cansao, 
sentia-se 
to 
leve, como se seus ps mal tocassem o cho. Sorrindo, o 
conduziu at o 
quarto da menina.

Um aqurio, seu aqurio, dominava a cena, repleto de 
peixinhos 
coloridos, 
alegre, cheio de vida. Ele sorriu ao reconhecer o enfeite em 
forma de 
disco 
voador que subia e descia do fundo ao sabor das bolhas. Uns 
poucos 
brinquedos, alguns bichinhos de pelcia e bonecas, estavam 
cuidadosamente 
organizados em um canto do quarto. Muitos, muitos livrinhos 
infantis 
amontoavam-se sobre praticamente todos os mveis.

Com cuidado, Mulder depositou a menina sobre a cama cujas 
cobertas 
Scully 
acabara de afastar. Examinou-lhe o rostinho infantil. Tinha 
teias de 
aranha 
presas aos cabelos, um bocado de poeira nas bochechas, mas 
dormia 
feliz. A 
me livrou-a das roupas sujas das aventuras do dia e vestiu-a 
com o 
pijama 
favorito, aquele cor-de-rosa com ursinhos. Quando ajeitava as 
cobertas 
em 
torno da menina, no entanto, ela despertou, meio confusa.

- Est tudo bem, querida. Volte a dormir.  sussurrou Scully, 
beijando-lhe 
a testa.

- Boa noite, mame... E boa noite, papai...  sorriu 
sonolenta para 
Mulder 
que assistia a tudo de um canto do cmodo.

Ele se aproximou e beijou-lhe ternamente o rosto, seu corao 
dava 
pulos de 
alegria dentro do peito.

- Durma com os anjos, meu bem.  disse com a voz embargada.

J com os olhinhos fechados, a menina abraou uma boneca que 
ele 
reconheceu 
como Samantha e adormeceu imediatamente, o sono tranqilo dos 
inocentes.

No pequeno espelho sobre a cmoda de Amy, Scully pde 
observar que as 
teias 
de aranha que ela to cuidadosamente removera dos cabelos da 
filha 
tambm 
espalhavam-se por seus prprios cabelos. Sorriu ao reparar, 
pelo 
reflexo, 
que uma delas mantinha-se teimosamente suspensa na ponta do 
nariz do 
parceiro parado atrs dela. 

- Acho que seria uma boa idia se voc tomasse um banho.  
disse, 
removendo 
a teia com cuidado e a exibindo como um trofu.  Tenho 
algumas de 
suas 
roupas guardadas em meu armrio...

- Ora, ora, ora, agente Scully... Que espcie de fetiche  
esse?  
ironizou 
ele.

Ela sorriu, timidamente.

- Achei que seria um desperdcio dar aos pobres aqueles seus 
ternos 
carssimos, Mulder. Os estava guardando para meu futuro 
genro, quem 
sabe?

Com uma das mos, ele segurou o queixo de Scully, a obrigando 
a olhar 
para 
cima.

- Desconhecia esse seu lado econmico.  disse inclinando-se 
para 
beijar-
lhe suavemente os lbios.  Mas o adoro... Que tal se 
economizssemos 
gua, 
tambm, tomando um nico banho os dois, hein?  completou com 
a voz 
carregada, empurrando-a gentilmente pelos ombros em direo 
ao 
banheiro.

- Mulder, Mulder... Pelo tom de sua voz, no me parece que 
iremos 
economizar coisa alguma...  ela acrescentou feliz.



Mais tarde...

- Estou faminta. E voc?  indagou a ruiva vasculhando a 
geladeira.

Ele pensou muito antes de responder, esforando-se para 
lembrar-se dos 
gostos gastronmicos da parceira. Algo lhe dizia que no 
combinavam 
exatamente com os seus. Um brilho de reconhecimento perpassou 
seus 
olhos, 
simultaneamente com um franzido irnico dos lbios.

- Contanto que no seja um daqueles seus gelados de arroz 
integral, eu 
comeria qualquer coisa.  respondeu em tom jocoso.

As respostas de Scully foram uma pequena careta e uma risada 
gostosa. 
Incrvel como ela ficava ainda mais bela quando estava assim, 
 
vontade...

- Ok... Tenho uma lasanha congelada aqui.

- timo para mim!

Ele sentava-se no sof da sala ainda um tanto desconfortvel 
com a 
nova 
situao. Sentia-se de certa forma intruso na intimidade, na 
vida de 
Scully. Observou a mulher enquanto ela colocava a comida no 
microondas 
e 
movimentava-se de um lado para o outro, pegando pratos e 
talheres.

- Vai ficar a sentado a noite toda enquanto a criadagem 
prepara a 
mesa 
para o banquete, majestade? - ironizou Scully, com uma 
profunda 
reverncia. 
 Pegue os copos, por favor... E h uma garrafa de vinho na 
porta da 
geladeira...

Ela percebera o desconforto de Mulder e tentava p-lo  
vontade.

- Guardar vinho de p na geladeira, Scully?  ele perguntou 
franzindo 
a 
testa.  Muito me admira voc fazendo algo assim...

- Com a palavra Fox Mulder, o sommelier...  atalhou ela com 
expresso 
marota.

Uma lasanha e alguns copos de vinho depois, Mulder sentia-se 
relaxado, 
em 
paz consigo mesmo. Ele e Scully riam e conversavam 
abobrinhas, as mos 
dadas por sobre a mesa, como dois adolescentes.

- Voc realmente precisava ter visto a cara de mau que Langly 
fez, 
segurando o garoto pelo brao no cyber caf!  ela deu uma 
risada. O 
abatimento que suas feies exibiam quando entrara em casa 
aquela 
noite 
fora substitudo por bochechas rosadas e um par de olhos 
brilhantes.  
"Ela 
s quer bater um papo com voc, rapaz."  continuou, 
engrossando a voz 
na 
tentativa de imitar o Pistoleiro.

Mulder olhava para ela distrado. Ela quase pde ouvir o 
"click!" no 
crebro do parceiro. Os olhos cinzentos se estreitaram, o 
cenho se 
franziu.

- Me ocorreu uma coisa agora, Scully. Sobre os e-mails que 
voc 
recebeu...

- O que tem eles?  mal podia esperar para ouvir outra teoria 
maluca 
de 
Mulder.

- Se no foi Marita Covarrubias, quem foi o mandante?  o 
computador 
que 
ele chamava de crebro funcionava to intensamente que Scully 
juraria 
ouvi-
lo zunindo.  Aquela relao de cidades... voc ainda a tem?

- Agora, Mulder?  perguntou desanimada.

- Por favor...  l estava ele usando aquele seu jeito 
sedutor...

Ela remexeu sua bolsa at pescar de l uma folha de papel 
meio 
amassada que 
entregou a ele. Mulder pediu uma caneta, que ela lhe entregou 
com um 
suspiro, e depois ficou olhando para o papel por 
interminveis 
minutos, 
resmungando e rabiscando. 

Scully comeava a sentir as conseqncias do dia agitado e 
das taas 
de 
vinho. Suas plpebras estavam pesadas, ela apoiava o queixo 
na mo, 
ainda 
assim, porm, cabeceava.

- Achei, Scully! Veja!  ele exclamou alto, quase gritando.

- Sshh... Amy est dormindo.  reclamou a mulher.

Ele se desculpou enquanto estendia a folha rabiscada para 
ela.

- Veja!  disse postando-se ajoelhado ao lado dela.  O 
remetente no 
est 
no nome das cidades, mas dos pases onde elas se situam. 
Observe...

"Santiago		 Chile
 Atenas		- Grcia
 Iekaterinburgo	- Rssia
 Berna		- Sua
 Udine		- Itlia
 Riad			- Emirados rabes
 Recife		- Brasil
 Adis Abeba		- Etipia
 Varsvia		- Polnia
 Oslo			- Noruega
 Copenhague		- Dinamarca" dizia a lista.

- C-G-R-S-I... No... no percebi onde voc quer chegar, 
Mulder.

- Esquea esse "I" de Itlia, rearranje as iniciais e voil! 
C.G.B. 
Spender! O Canceroso, Scully. ELE enviou as mensagens.  ele 
completou 
com 
um sorriso triunfante.

- Spender est morto, Mulder. Eu j disse a voc.  atalhou 
impaciente.  
Pergunte a Skinner, se no acredita. Ele foi ao funeral do 
Canceroso...  
seus olhos pesavam. Ela suspirou exausta.  Ah! Deixa para 
l.  
tarde. 
Vamos dormir...

Ele deu de ombros e sorriu em resposta. Piscou um dos olhos.

- Dormir? Eu tinha outros planos para essa noite...

O olhar de Mulder era insinuante enquanto suas mos 
massageavam 
languidamente a nuca dolorida de Scully que, ronronando como 
uma 
gatinha 
manhosa, sentia-se desmanchar sob as mos gentis do homem 
amado. A 
noite 
prometia...



Mount Pleasant, Pennsylvania
14/10/2005  05:56 PM

As copas j quase nuas das rvores do lado de fora da janela 
sacudiam-
se 
com o vento forte e glido que se encarregava de arrancar-
lhes as 
ltimas 
folhas. Fazia frio l fora. Dentro da sala, no entanto, as 
chamas 
brilhavam 
na lareira, fazendo estalar as achas midas de lenha e 
enchendo o ar 
com 
seu cheiro acre. Sentado numa confortvel poltrona de couro 
prxima ao 
fogo, o homem falava ao telefone. 

- Fiz o que tinha de ser feito. Krycek se excedeu, no havia 
outra 
soluo. 
... Ele foi  til aos nossos propsitos por muito tempo, sim. 
Mas 
ultimamente o poder lhe subiu  cabea. Que lhe sirva de 
lio.

O timbre levemente agudo da voz sintetizada era, por vezes, 
incmodo 
aos 
ouvidos.

- Sim, voc certamente merece um prmio da Academia por sua 
performance no 
caf, Edu. Eles nem desconfiaram! ... Seu tempo acabou? ... 
Compreendo... 
Mas voc j tem algum preparado para deixar em seu lugar, 
no  
mesmo? ... 
Huumm... Alberto Rodrigues  o nome dele? ... Dezesseis anos? 
... 
Sim... 
No, se a Organizao o recomenda, estou de acordo... Apenas 
avise-o 
que 
aguarde um contato meu antes de qualquer coisa.

De repente, o homem foi acometido por um acesso de tosse que 
o deixou 
sem 
flego.

- Me desculpe.  disse ao telefone, quando conseguiu retomar 
precariamente 
o ritmo de sua respirao. - A propsito, tenho um ltimo 
servicinho 
para 
voc antes de partir. Sim, para ela mesma. O texto  o 
seguinte: "A 
grande 
e a pequena raposa esto a salvo agora que o rato caiu em sua 
prpria 
armadilha. Mas no convm descuidar-se. Lembre-se: a verdade 
est l 
fora." 
... Obrigado e adeus.  completou, recolocando o fone no 
gancho.

A mo magra e ossuda estendeu-se at a mesinha prxima onde 
repousava 
o 
mao de Morley. Tomou um cigarro da embalagem e o acendeu, 
tragando 
com 
prazer a fumaa mal cheirosa.

- Ah, esse fantsticos e prestativos meninos do Brasil...  
murmurou 
C.G.B 
Spender para si mesmo com um sorriso satisfeito.

Tinha o rosto magrrimo, a pele malicenta e olheiras 
profundas. Atado 
ao 
pescoo na altura da garganta, um minsculo sintetizador 
captava e 
ampliava 
o volume de sua voz. Num cacoete, coou, com a mo 
desocupada, a 
pequena 
cicatriz avermelhada na base de seu pescoo. Sua garantia de 
vida 
contra o 
cncer.

- Alex Krycek...  seu rosto se crispou numa mscara irada.  
Achou 
que 
podia fazer mal  minha netinha? Idiota! Mas, Fox... Preciso 
fazer 
alguma 
coisa para que no interfira novamente nas operaes do 
Sindicato...





T O   B E   C O N T I N U E D . . .











[Calma.  brincadeirinha... Continua aqui embaixo.]






















Rio de Janeiro, Brasil
26/10/2005  06:00 PM

Fox Mulder contemplava absorto a pequena Amy brincando na 
areia da 
praia  
sua frente. Ela corria para um lado e para o outro na beira 
d'gua, 
soltando gritinhos de xtase quando as ondas molhavam seus 
pezinhos. 
Seus 
cabelos ruivos presos em maria-chiquinhas acentuavam-lhe o ar 
de 
menina 
sapeca.

Fora excelente aquela idia que Scully tivera de usar parte 
dos 
pagamentos 
atrasados que o FBI devia a Mulder para fazerem aquela viagem 
ao 
Brasil. A 
despeito da crnica antipatia que Bill Scully nutria por ele, 
as 
pequenas 
frias pareciam estar fazendo muito bem  mulher de cabelos 
vermelhos. 
Ela, 
que andava plida e abatida e exibia olheiras profundas ao 
deixarem 
Washington, tinha outro aspecto agora, a pele levemente 
dourada, as 
bochechas coradadas enchendo-se de carne outra vez. Quanto a 
Bill 
Scully, 
no era um incmodo to grande que sua simptica famlia e um 
bom hote 
 
beira mar no pudessem compensar...

- Um centavo por seus pensamentos.  disse Scully, pousando a 
mo 
levemente 
sobre seu brao.

- Ah! No me vendo assim to barato.  respondeu ele com uma 
careta. 
Depois, mais srio, quase tristonho, indicou com um ligeiro 
movimento 
do 
queixo a menina que brincava feliz com o mar.  Pensava no 
tempo de 
vida 
que me foi roubado com essa estria toda. Nesse limbo no qual 
estive 
mergulhado por sei l quanto tempo, vagando... sem rumo, sem 
nome, sem 
lembranas... Vazio. Sozinho.

A mo de Scully procurou sua mo e os dedos se entrelaaram 
com fora. 
De 
seu prprio modo, ela compreendia-lhe os sentimentos. Tambm 
ela 
experimentara aquele vazio, aquela solido da qual ele 
falava, pelo 
tempo 
em que Mulder estivera desaparecido. Por outro lado, tivera 
Amy como 
alento, a fragilidade da criana a compelindo a lutar, sua f 
inabalvel a 
impulsionando adiante pelo caminho.

- Por outro lado... - acrescentou Mulder com aquela 
sobrancelha 
erguida que 
pontuava a ironia em sua voz.  Por outro lado, esse limbo me 
poupou 
da 
parte ruim dessa estria.

- E qual seria essa "parte ruim"?  perguntou Scully 
intrigada.

- O que vi na casa de Marita Covarrubias, o berreiro 
incessante, as 
mamadeiras no meio da madrugada, as fraldas sujas, o 
regurgitar 
daquela 
sopinha de beterraba nos momentos mais imprprios...  
respondeu ele 
com 
uma risadinha.

- Voc certamente no perde por esperar.  ela acrescentou, 
tomando a 
mo 
de seu parceiro e a pousando gentilmente sobre seu ventre.

Mulder voltou-se para ela, lentamente. A incredulidade fazia 
seus 
olhos 
parecerem querer saltar das rbitas, a boca entreaberta. 
Atnito, seu 
olhar 
saltava sem parar do rosto para o ventre da companheira e de 
volta 
para os 
olhos e para a barriga outra vez, uma, duas, mil vezes. As 
articulaes de 
seus dedos retesados se desenhavam muito brancas contra a 
pele de sua 
mo 
que repousava com a suavidade do toque de uma borboleta sobre 
a 
barriga de 
Scully, mal a tocando. 

O sol se punha por trs do Morro Dois Irmos, tingindo o cu 
de tons 
de que 
iam do rosado ao vermelho vivo. Do alto do Corcovado, o 
Cristo 
Redentor 
estendia suas mos abenoando a cidade. Por um instante, 
Scully teve a 
impresso de que a esttua gigantesca sobre o morro dirigia 
seu olhar 
para 
ela, que a abenoava tambm.

Por fim, como que atingido em cheio pela compreenso do fato, 
Foc 
Mulder 
engoliu em seco e piscou os olhos algumas vezes, como se 
despertasse. 
Seus 
olhos se fixaram nos de Dana Scully, sua eterna parceira, 
amiga, 
amada. Seu 
rosto se iluminou num sorriso resplandecente.

- Amo voc, Dana Scully!

O paraso, finalmente, estava  vista.



F I M



NOTAS FINAIS: 


NOTA 1: Cabe aqui uma explicao. Como foi dito na parte 1 da 
fic, a 
amnsia de Mulder foi do tipo "ps-traumtica" ou 
"retgrada", segundo 
a 
prpria Dana Scully M.D.! Pesquisei um pouquinho na Internet 
sobre 
essa 
manifestao da doena antes de escrever e o que descobri que 
essa  
uma 
forma de amnsia comum em vtimas de acidentes ou de 
violncia. Ela 
no 
encontra no tratamento com as drogas conhecidas um bom 
resultado. As 
memrias do indivduo afetado retornam paulatinamente e h 
casos em 
que um 
novo episdio traumtico acelera esse processo. Mas como no 
sou 
mdica, 
ento... Fantasiando um pouquinho, foi isso o que tentei 
descrever na 
fic 
atravs dos sonhos de Weird / Mulder e das recordaes 
despertadas 
pelos 
locais a ele familiares em Washington. Se no for bem assim, 
passo a 
palavra aos doutores de planto.

NOTA 2: Huey, Dewey e Louie, para quem no se lembra, so os 
nomes em 
ingls dos sobrinhos do Pato Donald, Huguinho, Zezinho e 
Luizinho aqui 
na 
Terra Brasilis. Na ocasio em que escrevi a cena da visita 
dos agentes 
 
casa de Marita Covarrubias, eu estava escrevendo, ao mesmo 
tempo, uma 
fic 
cmica denominada "Trash People" com a Sky e fiquei meio 
contaminada 
por 
essa onda trash. Da a idia de castigar a "loura sonsa" com 
trigmeos 
pestinhas como os sobrinhos do Donald. Mil perdes aos fs da 
mooila.

NOTA 3: Dessa vez acabou mesmo. No vai ter Parte 4 (eu 
acho...). Peo 
sinceras desculpas e agradeo do fundo do corao a todos que 
esperaram 
pacientemente pela continuao (ou devo dizer pelas 
continuaes?) 
dessa 
fic e mandaram os feedbacks to fundamentais no encorajamento 
de seu 
desfecho. Sorry, se o final no foi do jeito que alguns 
esperavam, se 
ficou 
meio previsvel ou coisa e tal. Mas foi a idia que me 
ocorreu para 
terminar esta estria. Se algum tiver outra sugesto, que se 
sinta  
vontade para escrever uma "Weird  Parte Final  Soluo 
Alternativa". 
;) 
Podemos at instituir um "Voc Decide" das fanfics, que tal? 
Eu vou 
adorar 
ler!


