SEEDS
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Captulo 21, Eplogo
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Apartamento de Scully
22 de novembro de 2000
6:35 da tarde

 vspera de ao de graas em Georgetown e a neve cai, fresca e
brancA.

Tal contraste para trs semanas antes de quando o ar cheirava a
fumaa com o aroma pungente do outono, quando as folhas crepitavam
no meio fio das ruas perto do apartamento de Scully, nas cores
canela, salva e mel. A metereologia disse que isso era uma frente
fria que veio do meio meio oeste, no feriado.

Mas ela sabe que no  s isso. E prefere explorar suas prprias
conclusoes sobre o assunto, mas tudo que ela pensa cai, decididamente,
para as teorias 'muldersticas' e seus contedos. Por causa da 
interpretao dele, outra parte da cincia dela foi levada para longe.
E agora, ela descansa os fatos em seu corao, junto com seu corpo,
que est curando lentamente.

"A alma se comunica freqentemente conosco por eventos
sincronsticos" Mulder insistiu de novo ontem  noite, quando
eles estavam sussurrando na cama. " a natureza dos padres
psiqucos que esto dentro de ns, lutando para alcanar o
nvel consciente, para se alinhar com os padroes fsicos
do mundo exterior at eles alcanarem o cume---"

"Ento, na sua opinio, eu alcancei o meu cume?" a 
pergunta dela foi feita com inocente ceticismo e suave,
no se referindo a sexo, mas os dedos dela brincaram com
o rosto dele, provocantes, uma carcia familiar enquanto eles
conversam.

Ele beija a palma da mo que o acaricia, ignorando a tentao
para zombar dela, e continuou seu ponto de vista.

"Estou convencido de que seu padro psiqucos alcanou um
nvel bastante forte para fazer uma manifestao externa. Suas
vises. Neste caso, a casinha de Legos. A data e o alinhamento
do tempo entre Benjie Tillman e sua depresso por Emily coincidiu
com o pulo do demnio do assassino que descansa no sangue de
Cokely."

"Sua teoria parece surpreendentemente astuta ".

Ele acena com a cabea. "O poder no podia funcionar dentro
da mocidade e inocncia de uma criana, ento, quando a oportunidade
apareceu, isso pulou, como um trem fora dos trilhos, para uma vtima
mais madura, mais merecedora de posse. Mal atrai o mal, Scully. Por acidente,
isso redescobriu sua vtima original, Alice Eberhardt Marshall, na
festa de aniversrio de uma criana. Uma reunio psquica, se voc
quiser."

"Ela enganou Cokely em 42, e escapou por todos estes anos." ela
fala, dando sua opinio. "Vitimologia ao contrrio. Eu ainda chamo
isso de uma horrorosa recompensa, Mulder."

"Mas, considerando o que a justia potica se satisfaz por tal 
convergncia..."

"... isso veio com um preo" ela concluiu, colocando a mo
dele sobre os seios dela, sobre a pele morna do trax, onde a mo
dele poderia ajudar a curar o que o corpo dela estava tentando sanar
durante duas semanas.

Recuperao oferece o tempo abundante para ela pensa e meditar,
vagando sozinha no apartamento. Diferente da confisso de Alice,
ela s tem vagas lembranas daquela noite terrvel em Aubrey.
Imagens de malcia, escurido, com o pequeno corpo de Benjie
Tillman e o flash descendente de uma navalha. A presso sedosa
da pequena mo de Emily, e sua voz. Sensaes profundas de dor
e sufocamento, desespero... ento a misericordiosa liberao.

Graas a Deus que um cirurgio plstico chegou ao hospital 
Memorial minutos depois da chegada dela  emergncia. Os dedos
habilidosos dele suturaram os cortes no trax dela com uma linha
muito fina e a habilidade consumada de um artista. A cicatrizao,
ele prometeu mais tarde, seria quase nenhuma naquela rea alta do
corpo, e que seria difcil algum ver, a no ser se estivesse
procurando especificamente pela marca.

Mulder, ela imagina, teria sorrido quela observao,
embora na ocasio ela somente sentiu simples gratido por
ser uma das sobreviventes de mais sorte. Assim como Mulder, quando 
B.J. o atacou h seis anos. Diferente de Linda Thibodeaux, que ainda
estava na UTI, cicatrizada, e semi-letrgica.

Eles foram separados durante o tratamento na emergncia. Tiraram
radiografias, as costelas foram prensadas, o corte fundo na cabea 
fechado e cosido. A pele irritada foi untada e coberta at que Scully
se sentiu como se estivesse dentro de um casulo de gaze e sedativo.

Acordando horas depois, e virando o rosto de lado, ela encontrou
a camisa de boto de Mulder e o peito dele, respirando. A santificada
proximidade dele, assim como seu beijo na testa dela, abriram as 
comportas. Scully apoiou-se contra ele e chorou muito. Lgrimas 
pesadas molhando toda a camisa dele.

Em vinte e quatro horas eles estavam num avio, voltando para
D.C.

Leva de quatro a seis semanas para as costelas fraturadas ficarem
estveis, e ela sabe disso. Mas com apenas duas semanas, ela est
impaciente por causa da inatividade, dando passeios inquietos
no apartamento, em busca de exercicio, e paz de mente. Fraturas
na quinta e sexta vrtebra e um pulmo contundido  um preo pequeno
a pagar pela propria vida, Mulder lembra. A me dela concorda
vigorosamente.

Embora incapaz de abraar sua filha toda quebrada, Margaret Scully
foi solcita. Ela pairou, ansiosa para fazer as coisas de me,
dando pequenos confortos e uma panela de sopa caseira. Quando
a primeira noite veio, ela no fez nenhuma oferta para passar a noite
com ela. A inteno de Mulder para ficar era evidente, fora de ao,
e at possessiva, enquanto ele ficava de p ao lado da cama de
Scully, monitorando suas necessidade. A mala dele, ainda com as etiquetas
de vo, estava perto da porta do quarto, e ali permaneceria.

Os toques casuais deles e sinais de intimadade no foram desapercebidos
por Margaret, e Scully sabia disso. Depois de beijar o rosto machucado da
filha, ela deu um beijo semelhante em Mulder, antes de ir para a porta.

"Pode deixar que eu vou cuidar muito bem dela."
Scully ouviu ele falando com a me dela no corredor, srio, tranquilo.
"No se preocupe com nada."

"Mas me ligue, Fox, se voc precisar de mim." foi a resposta direta
dela. Fechando os olhos, de puro esgotamento, Scully sentiu a
aceitao tcita da me para a nova profundidade da sociedade deles.
E que, apesar do trabalho tumultuado e perigoso que eles compartilhavam,
tudo estaria bem, mais uma vez, na vida de Dana Scully, por causa da
presena protetora  e amorosa de seu parceiro. E de seus cuidados
tambm.

De repouso, para se recuperar, ela enfrentou um regime de 
exercicios teraputicos de respirao, para ser executado vrias
vezes por dia, todos os dias. Segurar um travesseiro contra o peito,
apertando com fora, para fazer presso e diminuir a dor, respirando
profundamente para ampliar a capacidade pulmonar e impedir o nascer
de fluidos. Ela conhece o procedimento, e as consequencias de respiraes
rasas. Pneumonia no  uma opo que ela quer considerar.

Mulder a observou de longe na primeira noite.  Ela se acorcundou
na cama, de pijama, ps afastados para se equilibrar, abraando um
travesseiro contra o peito. Dando uma respirao funda, e apertando o
travesseiro com fora, ela s teve como resultado um gemido doloroso.
Depois da terceira vez, ele cacarejou impacincias, e jogou  o travesseiro
longe, se ajoelhando entre os braos e joelhos dela.

"Agora, me aperte com fora," ele tinha instrudo,ento, submissa, ela
abraou o corpo largo com os braos e o apertou com fora, abafando
os pequenos gemidos dela de dor e falta de ar contra o pescoo e ombro
dele. Amando-o cada vez mais, grata pela proximidade dele e seu
envolvimento abnegado nas coisas que causam dor a ela. "Parceiros em
tudo, Scully" ele tinha murmurado a explicao.

Tanto para curar, e ambos lucraram...

Mulder se ocupou em fechar o caso, e em estar nas reunies obrigatrias
no Hoover, continuando de onde eles pararam, h vrias semanas.
Durante esta quase-ausncia, ela est em casa, trabalhando para descarnar
o final para o caso em Aubrey, e fazer algumas pesquisas, mas fora isso,
quase nada mais. Limpeza da casa e preparar refeies estava fora
de cogitao. Como ele tem feito desde o retorno deles, Mulder
chegava na hora do jantar, trazendo comida e seu charme sem igual,
socivel.

Inquieta e faminta, ela anda de novo pelo apartamento, e ao andar
pelos cmodos quietos, ela percebe a neve nas janelas.
Ela aumenta o termostato no quarto, e se aperta no suter que veste.
A luz da rua comea a acordar nesta hora, polvilhada com neve, e
outras familias comeam a entrar no calor de suas casas.

Scully sabe o bvio: que a cada caso ela e Mulder aceitam o
risco significante. Cada tragdia  suportada por eles de
maneira madura - e ela redefine seu prprio equilibrio, seu
senso de f, ou perde parte disso. Olhando para trs, ela v
que Mulder sempre foi o que esteve mais afinado com o lado escuro
de um Arquivo X. Sendo um profiler, ele  adepto a sentir as ondas
manacas do comportamento, e reage para evitar o pior na hora da
desavena.

Por outro lado, ela sempre ficou de p, avaliando o cho
que se move aos seus ps, pesando convico contra o ceticismo
de uma cientista antes que a fundao se desmorone debaixo do
peso dela.  A evidencia que a tocou to recentemente - os
sonhos de um menino, uma casinha de brinquedo, a gratidao
protetora de uma criana amada que vem alm da sepultura - deveriam
ser reverentemente ordenados e catalogados, mas Scully ganhou deles
um senso de resoluo, aceitao e conforto.

Alice Marshall morreu na cena daquela noite escura e cheia
de neve, por causa das duas balas de Mulder. A primeira bala era
para incapacitar, mas a segunda foi para matar. O demnio dentro
da mulher mostrou ser impossvel de se parar, apesar de uma
advertncia verbal e um tiro limpo no ombro.

Sofrendo, tendo machucado a cabea. Tenente Brian Tillman confirmou
que Alice Marshall confessou o papel de culpa que teve na morte
da irm Kathy, em 1942, pelas mos de Harry Cokely.  Ele tambm
tinha mandado o filho jogar a casinha como uma bola de ferro na 
velha para proteger uma agente federal, ganhando valiosos minutos
at que a ajuda pudesse chegar a tempo.

De acordo com notcias que Mulder trouxe pra casa, os planos
imediatos do tenente incluem uma licena bem grande, procedimentos
de divrcio, aconselhamento psicolgico para ele e seu filho, e
recoloo para longe de Aubrey.

"Ele  um homem solitrio, com um bom corao" Scully murmurou,
fazendo Mulder olhar pra ela. "Ele perdeu muito de sua vida em mulheres
que s o machucaram e decepcionaram. Elas no puderam dar a ele o
que ele queria, por uma srie de razes."

"Incluindo a presente companhia?"

Ela carranqueou.  "Essa  uma pergunta gratuita, Mulder... voc sabe a
resposta."

"Mas eu ainda gostaria de ouvir a sua." ele pegou a mo dela.

Na semana passada eles descobriram que Janine Tillman apareceu na pequena
cidade de Lincoln, Nebraska, onde, por um ano, ela estava com um 
amante, um homem que compartilhava com ela um padro semelhante de
abuso. Cansada, e bem ciente do fim de seu casamento, ela aceitou tudo
o que era necessrio para despachar os procedimentos. Levando o conselho
de seu advogado - e de seu filho - Tillman se recusou, relutante, a
acusa-la de abusos contra crianas, e de negligncia, escolhendo 
no optar por este lado da lei.

E sobre a conexo enganosa que Scully compartilhou com Benjie Tillman
durante estas duas semanas, ela quer saber agora se o menino vai 
continuar sendo recipiente para advertncias sussurradas, ou novas
casinha. Ela acha que no, pensando jusamente nas teorias de Mulder
sobre sincronicidade e que o ciclo chegou ao fim para o menino.

"Jung reivindica que eventos sncronos so freqentemente associados com
perodos de intensa transformao," ele explicou durante uma
das trocas sussurradas entre os lenis. "A reestruturao 
interna produz ressonncias externas, como quando
um estouro de energia mental  propagado para o exterior,
para o mundo fsico. Neste caso, o seu evento, e o de Benjie, 
ocorreram no mesmo prazo e no mesmo espao."

Mesmo no comprando muito esta idia, Scully se assusta 
ao perceber que sente falta de Benjie Tillman, e de suas 
atenes amveis e infantis. Esperanosamente a voz do menino
vai perder aquela rouquido, a pele dele vai ficar curada e ele vai
dar sorrisos largos e juvenis, rindo  vontade, como um menino de
cinco anos deveria agir.

Assim como Emily, se ela tivesse sobrevivivo. Assim como ela
fez agora, brincando feliz nos pensamentos de Scully, e em seus
sonhos  noite. Quando Mulder a acorda, e murmura sua preocupao,
ela esfrega uma lgrima, mas se sente bem, capaz de responder com
honestidade, usando os braos dele ao reseu redor como uma
manta de segurana. Que eles esto falando sobre isso agora,
mesmo depois de tudo,  uma evidncia da cura emocional e da
confiana entre eles.

As paredes de solido auto-impostas esto comeando a cair, 
lentamente...

Sua viagem pelo apartamento a leva para a cozinha, e ela
v a comida sobre o balco branco e limpo. Um pacote de 
carne temperada e recheada, uma lata de oxicoco - isso
com a insistncia de Mulder. Eles no foram para a casa
de Maggie Scully, para seu tradicional jantar de Ao de
Graas, preferindo ficar em casa para Scully se recuperar,
e para celebrarem o presente da vida. Mesmo assim, sua me
teimou em mandar uma torta caseira de ma, decoraada, e
Mulder estava impaciente para que as sementes se secassem,
e ele pudesse comer tudo.

Scully sabe que se ganha algumas coisas somente esperando. Relacionamento
 uma delas. Ela respira com cuidado, passando uma mo sobre os seios
dela. Os mamilos se apertam aos estmulos, e ela suspira.

Pode acontecer hoje  noite para eles, se seu corpo permitir
invaso to tentadora. O desejo  vivo e vigoroso, mas carne
e osso ainda podem ser menos que cooperativos para tal propsito.
Mulder, agindo como amigo intimo e amante, tem sido paciente
e criativo durante estas ultimas semanas, suave com mos, boca
e lingua.  Ele l o corpo dela como um sbio e conhecedor. 
As sementes sexuais que brotaram entre a ultima primavera alcanaram
seu florescimento em Aubrey, e agora esto aparecendo as primeiras
frutas, ela nota nesta nova profundidade da devoo que eles
compartilham.

Tirada de sua meditao, ela ouve a chave de Mulder na porta,
e se vira para cumprimenta-lo. Ele pra na entrada, sacudindo
as ltimas sobras de neve, tira os sapatos e vai para a cozinha.
Seus olhos parecem escuros e hesitantes enquanto ele se aproxima,
no fazendo nenhum movimento para toca-la. Colocando o casaco dele,
e a bolsa enorme com comida chinesa, ele segura um envelope de
correspondncia para ela.

"Isso chegou no escritorio hoje" ele diz, olhando seu rosto.

"O que tem a dentro?"

"Foi enviado para a agente especial Dana Scully, ento achei
que voc deveria fazer as honras."

O envelope parece vultoso entre as mos dela. Olhando para
o endereo do remetente, ela l o nome 'Tillman' e fecha os
olhos brevemente. "Mulder..." ela adia, inclinando a cabea.

"Abra, Scully."

Ela tem medo - e admite isso, no sabendo se a mensagem  do
pai ou do filho, e por que logo agora, s portas de um feriado?
Mas, com curiosidade inata, e a necessidade para saber a verdade
a fez querer abrir o envelope. Ela pega uma faca fina do bloco no
balco, abre o envelope e deita tudo sobre a mesa diante deles.

Oh, Deus, ela pensa, congelada. No, isso no pode ser...

Sobre mesa est um papel, com um trabalho de montar, com cores
vibrantes, coladas para ajustar no desenho. Dourado, laranja, 
amarelo, vermelho. Tem outro papel, um prateado, onde est colado
uma faixa preta, colarinho branco e no outro... lgrimas a cegam,
e ela aperta a ponta do nariz com uma mo, protegendo os olhos
da viso.

Mulder est ao lado dela num momento, a mo dele nas costas
dela, encorajando-a. "O que foi? Fotos?"

Scully treme a cabea. "No. Colagens. Eles so colados nas janelas
na escola primria." Benjie devia estar indo para as aulas, 
compartilhando nas alegrias da infncia, destemido, com seus amigos.
Ela sente, pelas cores luminosas e formas largas, que existe uma sensao
de paz e bem-estar.

As lgrimas alcanam a garganta dela, engrossando suas palavras, e Mulder
d um beijo rpido na tmpora dela antes de ver os presentes diante deles.

"Ei, Scully, olha s..." ele abre o primeiro, desamassando o papel.
A chapa da fivela brilha. "Um menino peregrino com uma arma. Nada 
mal." pegando o prximo, ela ouve ele rir. "Aqui tem uma indiazinha,
segurando uma folha de milho. Pelo menos eu *acho* que  uma folha
de milho. Parece um pouco longo demais, roxo..."

"Mulder..." ela ralha, desviando-o do questionvel territrio
para onde ele est indo.

Ele a aperta mais contra si, acariciando o quadril dela com a
mo. "Aqui, abra este ltimo."

" um peru" ela murmura, tocando um olho e ents estendendo as duas
mos para abrir o pssaro completamente. O rabo era um monte de 
pedaos de papel multi-cor, um papel amarelo para o bio, e um
grande e vermelho para o corpo. O corpo... ela engoliu, e piscou
ao ver o que era. O esboo do pssaro era a mao aberta de uma criana,
como o pescoo sendo o polegar e cabea, a palma um corpo gordo, e os
dedos dando a base para as penas do rabo.

Isso  exatamente o que ela precisava, estava faminta por isso, 
durante estas longas semanas de novembro. Mas quem poderia saber?
Um frio salpica seus braos com arrepios, e ela ergue o queixo 
para ele. "Quem fez isso, Mulder?"

Ele olha o nome. "Tillman,  o que diz. Deve ser de Benjie. Acho que
a mo do tenente  bem maior do que essa, Scully."

"Eu sei que foi Benjie quem os fez. Mas vamos supor que ele foi
guiado por outra pessoa. E se... e se foi *ela* quem pediu a
ele para fazer isso - para mim?"

"Voc acha que ele ainda poderia estar 'recebendo' Emily."

Honesto, ele diz o nome em voz alta na quietude da cozinha.
Ela sente a mo dele sobre a dela, perdendo o contato de olho.
"Scully, existem verdades que nunca vamos poder saber. No importa
de qual criana voc sente que veio este desenho. Ambas so preciosas
para voce. De qualquer maneira, voc  alvo do carinho delas e
seu presente guardio."

As palavras dele fazem sentido, mas pesar tremula no trax dela,
e lgrimas aparecerem. Como antes, a vida ferve at a crosta,
sobre nunca saber os verdadeiros 'porques' e 'ondes' do rapto
e infertilidade dela, de coisas to dolorosamente preciosas para
ela. Se foi o pequeno Benjie Tillman que mandou isso pra ela, ou
sua prpria criana, to apreciada e saudosa, ela percebe que a
diferena  desprezvel. Ela pondera durante algum tempo sobre
os esforos criativos que Emily poderia fazer, enfeitando a janela 
da sala de aula, ou aqui em casa...

Ela sente uma sbita necessidade por Mulder. Ela puxa a boca dele
para a dela, saboreando seu gosto e cheiro de macho. Sempre 
consciente do dano dela, ele descansa as mos nas laterais do corpo
dela, at que o beijo termina, num puxar suave e mtuo dos lbios.

Ele cheira um pouco o cabelo dela. Pigarreando, ele
respira fundo do cheiro dela, antes de se afastar, os olhos
cheios de emoo suprimida.

"Ento, Scully... onde voc vai pendura-los?"

"Ali, eu acho. Na geladeira."

"Durex ou im?"

"Um..." Ela pensa depressa, e engole. "Im. Tenho alguns na
gaveta da pia." virando, ela fala sobre o ombro, "No espere
por mim. Voc pode comear a jantar se quiser---"

Mas ele j se foi, um passo  frente, levando a bolsa de comida para
a sala. Liga o abajur, a televiso, e Scully ouve ele abrindo o saco
de papel, tirando as caixinhas de comida que eles vo dividir na
mesa de centro.

Mas  muito mais do que isso - Scully percebe, piscando contras
as lgrimas de gratido e amor. Ele entende e atende a necessidade
dela para ter privacidade.

S Mulder mesmo, para conceder este tempo para ela,
na cozinha. Estes momentos frgeis, mgicos, em que ela vai 
comungar sobre os presentes de suas crianas, e sobre a solido,
antes de acompanha-lo no jantar.

* * * * * * * * * * * *

Fim

Traduzido em 02 de junho de 2003.