SEEDS 19
BY MOUNTAINPHILE

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Captulo 19
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Aubrey, Missouri,
9 de novembro de 2000
9:12 da manh

Scully aceita conforto como ela come sobremesas - de maneira
rara, e em mordidas medidas, auto-indulgentes.

No  um comportamento incomum, considerando seu recente
encontro com o sobrenatural na casa de Tillman. Uma
filha morta- - Emily - supostamente se comunicando com ela
pela boca de um menino, outra criana que suporta o clima da
morte durante cinco longos anos.

Bobinando intimamente, ele tentou protege-la com o proprio
corpo. At mesmo Benjie ficou assustado pela reao que causou,
incitando Mulder a secar a lgrima de seu rosto. Uma boa criana.
No assassina, mas com um receptor interno que ainda
operava com o assassino, e o menino no estava fora de perigo.

No mesmo...

Tillman estava plido, perto da cozinha, na extremidade da ao.
Mulder ficou surpreso por ele ter dado um espao respeitoso pra eles.
Se ele tivesse dvidas sobre a veracidade do que tinha testemunhado,
o tenente guardou isso para si, enquanto entregava, em silencio,
os casacos dos agentes para Mulder.

Dois homens, acenando duro, trocando consentimento silenciosos
antes de Mulder guiar Scully pela entrada. Ela queria correr,
embora a linguagem do corpo mostrasse congelamendo, quando ela
agarrou a mo de Mulder, e se movia como um fantasma ao seu lado.
Cabelo protegendo o rosto, cabea abaixada, ela confiou nele para
leva-la ao isolamento.

Conhecedor de tragdias, Mulder conhece sua parceira melhor
do que ela possa perceber. Ele empatiza com sua necessidade para
estar sozinha e se reagrupar depois deste golpe sobrenatural, e debaixo
da linha da cintura.

Eles chegam ao meio fio, e s ento ela se solta dele, como
um veleiro rasgado por um vento repentino.

"Scully?"

Ela treme a cabea. Sua respirao sai em nuvens no ar frio
da manh, enquanto ela agarrava a manivela da porta do
passaeiro e d um puxo. Trancado. Nunca parando de olhar
pra ela, ele d a volta no Corola at o lado do motorista, e
procura, desajeitado, pela chave automtica em seu chaveiro, hipnotizado
pela tenso que v nos movimentos robticos e repetitivos dos
puxes dela na porta.

Por cima do carro, ela parece minscula e compacta em sua jaqueta
esporte escura, o cabelo tremendo com os esforos dela
de escapar, desaparecer.

"Vai abrir num minuto" ele resmunga, metendo os dedos grandes
nos minsculos botes, em sua distrao e pressa. "Voc quer
seu casaco?"

De novo ela s d um tremor, olhos fechados.

"Aqui... toma... me deixe..."

"S abra a maldita porta, Mulder!"

A resposta dela empola a pintura sobre o teto do carro, e ele sente
a paranpoia estridente. Dificelmente Tillman vai estar vendo eles
agora, e Mulder lana um olhar por cima do ombro, suspeitando que
o homem devia estar agora acalmando seu filho, provendo as mais mancas
desculpas sobre o que tinha acabado de acontecer.

As fechaduras se abrem, e o carro a engole. Castigado, ele entra
e se vira para colocar os casacos no banco de trs, ento se volta
para avaliar o estado dela, esticando a mo. "Scully, escute..."

"Dirija."

Ele morde o lbio e obedece, fazendo uma volta em forma de U
lisa, dentro da rua ao lado da casa de Tillman. Com destino no
especificado, eles passam escolas, o hospital, ento lojas e bairros,
rumo ao centro de Aubrey. Scully ainda est quieta. Seu nariz e a pele
do rosto mostram um suave cor-de-rosa, enquanto ela puxa os pedaos
feridos para serem ligados.

Quando eles alcanam o permetro da cidade, ele pisca nas duas
direes, e guia o carro pela pradaria aberta. E se lembra
de anos antes, onde o carro foi adiante numa estrada no
Texas, no quente crepsculo. Montando seu cavalo pessoal, e
arrastando Scully com ele. Membro de uma trupe para o 
fim, ela aguentou a viagem, ciente de que os prximos dias
significariam para ela - para eles, na verdade - termos
de sacrificio e repercusso.

Tais fenmenos pessoais os afetam a ambos profundamente; seis anos
depois eles ainda esto sentindo os aftershocks do primeiro
rapto dela por Duane Barry. A revelao de Benjie  evidncia
disso.

Esta manh, na casa de Tillman, ela sentiu outra forte dose
de sua sede impetuosa para procurar a verdade. Ele abriu, de
boa f, a caixa de Pandora, e infringiu as regras ao ar, s
custas dela. A urgncia de Scully para se distanciar  compreensvel.

Este panorama o faz lembrar da casa de sua juventude, a maneira
como a zona rural ondula ao redor deles como inchaes do mar.
H poucas perturbaes, mas no horizonte as nuvens cinzas
aparecem. Como uma ovelha grvida - ele j ouviu algum falando
este termo, talvez sua me. No de Scully--

"Encoste."

Ele no olha pra ela. No precisa. No momento em que ele pra
o carro no acostamento, e mata a ignio, ela se vira pra ele.
Este  o lado de Scully que ele almeja, o que o acalma em meio a
dor dela, o abenoa com a proximidade dela. Braos embrulhados ao
redor do pescoo dele, a face enterrada em seu ombro. Com um 
suspiro recproco e profundo, os dois se confortam.

Um cume duro do console do Toyota os separa, mas ela no liga. 
Scully  flexvel no abrao dele, os braos firmes e resistentes, 
mas ela no chora. Ao invs, Mulder sente uma nova fora - um
novo ego - retidos no amasso inconsciente dos dedos dela em
seu pescoo, o rosto apertado contra o seu. Os seios dela
parecem pequenos travesseiros contra suas costelas.

"Do que voc precisa? Conta pra mim, que eu fao pra voc"
ele sussurra com fervor. "Mesmo se isso significar te levar
de volta para DC."

O gemido dela de dissenso abre os olhos de Mulder. Ela se
afasta para olhar pra ele, uma mo deslizando para aperta a lapela
do terno. "No, isto est fora de questo. Isso seria admitir 
derrota, e ns temos trabalho para fazer. Temos um caso para 
terminar aqui."

"Que se dane o caso-"

Ela treme a cabea lentamente, e seus olhos se
enchem de lgrimas, pouco ligando quando as lgrimas descem
pelo seu rosto.

"Mulder, me escute... se fizermos isso, pessoas inocentes vo
continuar morrendo. E aquele menino no vai ficar melhor do
que antes."

"Voc  a minha primeira preocupao, Scully. Antes de todos
os outros."

Ainda negando, a curva da bochecha dela, lembra o da criana
chorona que ele consolou h apenas alguns minutos, e ele
 incapaz de desviar a imagem, ou rejeitar o senso jurado de
seu dever. Dividido entre o bem-estar dela, e a obrigao
comum deles, ele leva a pele molhada dela entre sua palma, 
o polegar ignorando as gotas que caem pelo rosto macio.

"Eu vou ficar bem" ela repete. "Ns dois vamos ficar bem.
Mas, se todos estes eventos esto relacionados, como voc
teoriza e acredita... se existe uma relao sncrona de
verdade entre os eventos que aconteceram no passado e o que est
acontecendo agora, ento eu preciso ficar aqui.
Preciso estar aqui, para ver isso ter um final. Buscar sua
resoluo natural. Ns devemos isso para todos os envolvidos. *Eu*
devo isso a mim mesma, Mulder."

"Eu vou te apoiar em tudo que voc decidir."

"S existe uma escolha. Ns dois sabemos qual ."
O indicador dela passa pelos lbios dele, que fazem beicinho; satisfeito,
ele v o comeo de um fraco sorriso quando ele beija o dedo.
"Meu Deus... ns estamos estagnados" ela sussurra. "Sempre acabamos
na mesma estrada, sempre, e sempre..."

"Doidos para sofrer."

"Bem... eu ia sugerir outro fato."

"Karma ruim?"

"Nem mesmo perto, Mulder."

Depois de tantos anos falando verses idiomtica do mesmo
idioma, a analogia que ela insinua  sobre a parceria dedicada,
e f que  contundida frequentemente. Ele sente nublar
 resoluo pedregosa que v em seu olhar, uma mistura de medo,
ousadia, confiana e Scully-fora que o deixam orgulhoso. 
Impulsivamente, ele se apia para beijar-lhe a bochecha.

"S nao se esquea de uma coisa... sonhos so respostas para
perguntas que ainda no sabemos como perguntar" ao olhar confuso dela,
ele explicou. "Foi isso que eu disse para B.J. h seis anos...
e algo que voc reiterou a mim durante o caso John Lee Roche,
quando tive vises de garotinhas mortas. Quando eu estava 
convencido de que um daqueles coraes de pano era de Samantha.
Lembra?"

Os olhos dela brilham e ela acena com a cabea. Mulder pega a mo
pequena que descansa em seu peito, e beija os dedos dela devagar,
os olhares presos um no outro.

"Talvez agora seja a hora de voc ter as respostas pelas quais
voc est procurando, fazendo as perguntas certas."

"Talvez sim" ela concorda, mas ele ouve uma nota baixa
de incredulidade na voz dela.

"Onde est a casa agora?"

Ela abre o porta-luvas, mostrando o pequeno bloco, branco e
verde. "Vou manter isso no bolso do meu casaco. Deve ser eficar
o suficiente para evitar o proposito de algum, voc no
acha?"

"Para mim, est timo. Mas eu gostaria de manter isso do lado
de fora da cama, pois no vou ficar me atormentando sobre esta
maldita coisa."

Um sorriso aguado, outro suspiro raso.  "Estou pronta para voltar,
se voc estiver." ela fala.

Mas primeiro ele sente um puxo urgente na nuca. Os dedos dela
puxam sua cabea pra frente, e agora suas bocas se encontram, lbios
com mtua necessidade. Estendendo a lngua sobre a dela, a absorvendo,
ele prova fora, fortaleza, e a receptividade desta mulher que se
tornou sua constante em vida.

Depois de alguns momentos intoxicantes, eles buscam ar. Mulder se
afasta, abre os olhos e v que uma camada branca e fina cobriu o 
pra-brisa do Corola, como uma manta fofa puxada sobre o carro. 
Sentindo urgncia, ele sente que este desenvolvimento poderia
somar outra dimenso para a procura deles no assassino em Aubrey.

"Vamos voltar ao caso, Scully" ele murmura, 
olhando pra frente. Ele liga o carro, lanando neve em nuvens
enquanto o vento a arrebata para longe.

* * * * * * * * * * * *

Delegacia de polcia de Aubrey
9 de novembro de 2000
11:04 da manh

"Grude na criana como cola" foi as palavras que Mulder disse
pra ele esta manh.

Brian Tillman logo percebeu que no tinha escolha exceto levar Benjie
de novo para a delegacia, com ele, caso quisesse fazer alguma coisa
no caso. Desta vez, ele trouxe comida para criana, junto com uma manta
e um colcho para um cochilo.

Os Legos so indispensveis.  Tillman olha seu pequeno filho
manipulando os blocos com um novo temor e avaliao.
Este sentimento se estende aos agentes do FBI - para as habilidades
de Mulder de entender as habilidades sobrenaturais que Benjie parece
possuir, e para sua parceira, pela conexo ambgua que ela tem com
seu filho, por um passado secreto, que ela esconde. Pelo menos, at
esta manh.

Uma me?  No podia ser. Ele olhou para Dana Scully vrias
vezes, com um olho treinado e perspicaz, e at para o declive
cncavo da barriga dela sobre a cala comprida. A cintura fina.
A exaltao agradvel dos seios, que acentua sua forma feminina.
No, aquele no  o corpo de uma mulher que inchou devido s
propores do parto, at onde ele possa determinar.

E se for verdade, ento Mulder  o pai da criana?  Ele 
protetor como inferno, compartilhando a estranha experincia, mas
a criana devia estar morta, caso contrrio as contribuioes de 
Benjie no teriam o impacto de uma sesso ritual.

Ele olha para baixo, para seu filho, brincando no tapete. Ser que a
criana realmente sentiu algum 'do outro lado', restransmitindo a 
mensagem de uma outra criana? A misteriosa criana da agente Scully...?

Ele aperta os dentes e esfrega o bigode com uma mo nervosa. Nah, de 
jeito nenhum isso  uma considerao plausvel. O nascimento *ou*
a maldita conexo psquica---

"Ei, bom te ver, chefe."

Joe Darnell enfia a cabea no escritrio. Ele sorri para
Benjie, que est ocupado construindo um pequeno vafo, e ento
volta a olhar para Tillman, entrando. "Nada para informar,
exceto algumas batidas em sinais vermelhos, na cidade. Acho que
a neve surpreendeu todo mundo."

"Voc adivinhou bem. At mesmo meu carro reclamou."

"Alguma noticia de casa? Janine ligou--?"

Tillman responde bruscamente no negativo, indo para a sada, 
levando Darnell, que pra na entrada. "S mais uma coisa,
Brian, mas acho que nem vale a pena mencionar, mas..."

"Mas o que?"

"Bem, a segurana no hospital ligou dizendo que eles esto
tendo problemas ultimamente com pessoas entrando sem autorizao
na unidade de tratamento intensivo. Aconteceu de novo esta manh,
e agora eles esto bem irritados, pois essa pessoa conhece os
procedimentos."

"Quem foi?"

"A antiga coordenadora voluntria, Alice Marshall. Eles encontraram
ela ao redor do quarto de Linda Thibodeaux, bem quando a mulher
estava mostrando sinais de melhoria. Eles a tiraram de l, e a mandaram
pra casa depois de uma boa bronca. Acho que eles esto pensando em
substitui-la."

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Aubrey Comunidade Biblioteca
9 de novembro de 2000
3:15 da tarde

Mulder esperava encontrar uma biblioteca sexagenaria vagando cegamente
pelos livros. Algum da mesma gerao que as primeiras vitimas de
Cokely, e que poderia ter alguma idia sobre o que aconteceu s familias
dos defuntos.

Para seu desnimo, ninguem por ali parecia estar com mais de trinta
anos.

Scully achou que eles teriam sorte no palcio de justia, mas Mulder
vetou. Agora, ela est inclinada a concordar com ele. Ela estava
cavando to fundo na pesquisa do jornal local sobre os acontecimentos
em Aubrey - localizando matrimnios, formaturas, internaes, nascimentos
e mortes por volta dos cinquenta anos, que ela no percebeu que
vrias horas haviam se passado, e que ela estava s.

Mulder estava vagando,  procura de periodicos, referncias
de arquivos, genealogias, homens ancies, o banheiro dos homens,
qualquer coisa para se afastar da tediosa tarefa que est 
frente deles. Com a ateno de uma criana no jardim de infncia, 
ele foge. Ela v que ele no  o nico fazendo isso - um grupo de
crianas est dando risadinhas, e olhando para a janela, vendo a
neve.

Fadiga ocular provoca uma martelada em sua cabea. Mexendo o traseiro
sobre a cadeira dura, ela empurra o culos de leitura sobre o nariz
para centsima vez, e percebe o segundo em que Mulder se materializa
ao cotovelo dela. Agora, os sapatos dele esto cheios de neve
derretida, saturando o tapete florido, o casaco branco com confete
de neve.

Em deferncia para o local atual, ela fala baixo. "E o que *voc*
estava olhando l fora, estranho?"

"O palcio de justia."

Ela est de frente pra ele, no pelas noticias, mas pela voz
dele, que chama a ateno de todo mundo. "Mulder, fale baixo!
E o que aconteceu sobre sua idia de que 'seria uma perda de tempo?'
Que no valia a pena---"

"E no valeu. Nem fiquei dez minutos. Comparado ao palcio de justiam
ns estamos sentados no meio do local mais feliz de Aubrey, Missouri,
e isso no quer dizer muita coisa."

Ela xinga fora uma impacincia e olha quando o celular dele toca,
fazendo todos olharem pra eles com recriminao. Murmurando
no telefone, ele se vira e d uma piscada charmosa, para desativar
alguma raiva dos protetores da biblioteca. Quando ele fica de p, e
se curva sobre o ombro dela, a voz dele fica baixa.

"Era Darneel. Natalie Warner ligou para a delegacia, e quer
falar, mas s sobre algumas condies, imediatamente."

"*Condies?* Tenho certeza de que ela foi bem especfica
sobre quem ela espera encontrar."

"Yeah, bem..." ele d de ombros, se desculpando. "Eu ia te pedir
pra vir junto, e ver se podemos reparar alguma coisa enquanto estivermos
l. Quer vir, Scully? Chutar alguns traseiros? Jantar cedo depois?"

"No, pode ir. Quero terminar aqui. Esperanosamente, os nomes
Eberhardt, Bradshaw, e Van Cleef vo aparecer em algum lugar."

"Voc est bem?"

A pergunta faz ela viajar. Inundada com um calor sbito, ela
acena. 

"Parece que voc vai encontrar alguma coisa" ele olha para
a tela, no mais que dez segundos, antes de fazer uma careta
de desgosto. "Eu vou te esperar at voc acabar aqui, ou a 
entrevista acabar, o que vier primeiro. O que me lembra tambm..."

"Hmmm?"

Ele se apia pra cima dela, sussurrando em sua orelha.
"Sobre a entrada de ontem, servida no Motel Conestoga.
Suculenta. Meu prato favorito, na verdade."

Respirao mexe com o cabelo dela, sentindo calafrios
pelo corpo enquanto escuta, forando-se a pensar. Fingindo 
indiferena, ela pigarreia antes. "Voc est se referindo 
minha receita, Mulder?"

"Boa palavra para isso. Hoje  noite eu posso comer duas vezes...
ou trs" ele ronrona. "Faa um porco de mim, Scully. Quero dizer, o
cardpio no mudou..."

O canto da boca de Scully tremem. Sabendo que ele v cada
reao minuciosa dela, Scully lambe os lbios sedutoramente, mas
ela nunca deixa de olhar o que v na tela. "Quem pode garantir?
O cardpio *pode* oferecer opes mais variadas, depedendo do
capricho e da flexibilidade muscular do chefe da cozinha."

Mulder no responde, somente ri, e aperta a mo dela rapidamente.
Olhando por cima do ombro, segundos depois, ele j foi embora.

* * * * * * * * * * * *

Aubrey, Missouri,
9 de novembro de 2000
4:12 da tarde

Os postes iluminam o crepsculo, que chegou cedo devido 
primeira neve da estao. Sem nuvens no cu, nada para delinear o 
cu e a terra. Uma neblina grossa e branca ondula sobre a cidade,
trazendo ventos nas ruas de Aubrey. Inesperadamente.

A ligao igualmente inesperada de Tillman testa
a boa vontade de Scully mais do que o tempo.

Com a bateria do carro morta, ele prefere no esperar por
outra oportunidade na delegacia por causa da sonolncia de
Benjie. Um pedido bastante vlido, mas Scully cheira
alguma coisa.  a segunda vez que ele liga para o celular
dela, esta semana, mas o tom de desculpa, miservel, suaviza
o que ela est sentindo desde o encontro esta manh.

Saindo da biblioteca, a dor de cabea persistente, 
ela est com fome, e seu corpo dolorido est comeando a acordar
e reclamar. O que ela quer fazer, nesta noite nevada, ao invs
de se reunir com seu parceiro na residncia dos Warner, 
ir para o quarto de motel, tomar alguns tylenols, e entrar debaixo
das cobertas quentes da cama. E Mulder.

Na delegacia de polcia Tillman se oferece para dirigir,
mas Scully est com pouca tolerncia para cavalheirismo ou
postura. Cautelosa para com sua propria dignidade e privacidade,
ela objeta e espera enquanto ele carrega o porta-malas com
sua carga. Na segunda viagem, ele carrega seu filho, dormente,
e ela sente um aperto na garganta, com compaixo relutante,
ao homem que, de repente, se torna pai solteiro.
Ela espera que a nova perspectiva, e despertada responsabilidade
no tenha vindo tarde demais para Benjie.

Ela escuta o trinco do cinto de segurana, os poucos
sussurros de pai para filho enquanto ele coloca a criana
no banco de trs. Como esperado, Tillman escala na frente, ao
lado dela. A estratgia dele fica mais clara quando ele ajusta
o banco para acomodar as pernas mais longas dele, e passa o cinto
por sobre o casaco.

"Obrigado por ter se desviado do seu caminho" ele soma,
alerta, enquanto eles entram no trfego da tarde. Ela sente
que, quando ele est com uma mulher no carro, ele  quem
fica atrs do volante, o que est no controle. A recusa
dela em entregar as rdeas na nevada sbita s aumenta a
apreenso dele.

E no sem causa. Indo com cuidado pela cidade, uma mini-van
desliza para eles, pela linha central. Scully desvia no reflexo
praticado, para evitar a coliso, mas como resultado, o Corola
desliza de lado, num mar de seda branca.

Impassvel, ela vai com a derrapagem,  acariciando o volante
com suavidade consumada, com mos experimentadas, como os
de um amante. No momento certo, ela pisa no acelerador, um
toque mgica, e guia o carro de volta, num encaixe confivel.

Tillman exala.  Ele olha rapidamente para o menino dormente,
e ento sorri para ela, com alivio e aprovao, dentes
brancos aparecendo na obscuridade do carro.

"Estou impressionado, agente Scully. Por que  sempre o seu parceiro
que dirige?"

"Por que no final das contas as falsas percepes  que determinam
o que todos acham ser verdade?"

"O-kay". Tillman esfrega o bigode e pondera.  Com os olhos
colados na estrada, Scully pode sentir o olhar dele se movendo
sobre ela, com o calor lento e ntimo de uma vela iluminada.
"Vou aceitar esta resposta - ou reprovao, se  isso que voc
quer."

Enrugando os lbios, ela ergue a cabea e tenta, com dificuldade, 
apagar da memria a calcinha exibida ao pblico, sobre a cama dela.
"S leve o que voc v, Tenente."

"No, no posso mais fazer isso. Fiz isso por anos, e olha s
onde acabei. Depois do que aconteceu esta manh..."

"Foi altamente pessoa, e no  da sua conta."

A voz dela est apertada, cortante. Tillman olha pra fora,
antes de se focalizar nela de novo. "Envolveu o meu garoto, 
me envolve tambm. Mas, eu sinto muito" ele fala suavemente,
"por me intrometer. Especialmente ontem  noite... eu deveria
ter pensando antes de ir at o motel. Droga - meus malditos 
impulsos..."

As bochechas dela queimam a esta confisso honesta.  " melhor
voc falar isso com o seu padre, do que a mim" ela murmura,
escondendo a dor da afronta, e as lgrimas distantes.

"No tenho padre, agente Scully. E pra ser
mais preciso, duvido que alguem me ouviria, levando-se em conta
o meu registro" uma exalao xingada, dedos nervosos sobre o
painel. "Isso no s se aplica a padres... mas mulheres tambm.
E  por isso que estou falando com voc, pois acho que nunca
mais vou ter esta oportunidade de novo."

Oh, Deus, no, ela reza, querendo fechar os olhos dela, mas no
ousando fazer isto nas condies perigosas que esbofeteiam o carro.
Se existe uma nave aliengena espreitando em algum lugar l
em cima, ela quer que aparea agora, com cada molcula que possui.

"Tem sido dificil para eu expressar certas coisas,
mas eu gosto de falar claramente. Com voc, eu sinto que posso.
Por favor, me oua desta vez."

Do banco de trs vem uma choradeira, membros
se mexendo, mas a criana ainda dorme. "Sinta-se  vontade."
ela fala, com verdadeira brevidade. Ela tolar o cabelo
que cai sobre seu olho direito, pois isso os separa ainda
mais. Pode falar, ela pensa, mas s falar.

"Voc no faz idia de como voc me fez se sentir esta
semana..." ele comea, a voz baixa e recuada, uma caracteristica
que ela no percebeu em Tillman at este momento. "Sua ateno
para meu filho e os conselhos que voc deu para aliviar os
sintomas dele..."

Ela olha pra ele, v que ele est falando com as mos, 
as palavras saindo num esforo doloroso.

"Eu sou mdica" ela o lembra.

"Eu sei.  Voc tambm  uma mulher de compaixo, diferente de
tantas outras em minha vida. Aquele presente para Benjie---"

"---provou ser um erro descarado de julgamento da minha parte."

"No. Foi decente, e humanitrio. Foi bom." ele
pega a frase anterior dele, e Scully treme. "Eu s queria dizer...
bem, tenho que dizer o quanto desfrutei trabalhar pessoalmente
com voc esta semana... estar perto de voc..."

Os instintos de Mulder estavam certssimos, ela percebe de repente.
Perceptividade ntegra, abastecida por machismo ciumento.
"Ele gosta de ter voc perto dele... muito" ele tinha dito,
logo depois de repreende-la sobre o presente para Benjie.
Dardos primeiros, abraos depois. Parece que aconteceu h sculos,
ao invs de alguns dias.

"Eu..." Tillman hesita na extremidade, escolhendo as palavras.
"Eu queria... que as circuntancias pudessem ter sido diferentes
entre ns. Que eu poderia ter te conhecido numa poca melhor,
e em outro lugar."

"Circunstncias so o que so.  Irrefutveis". Quando ela
comeou a se parecer tanto com Mulder? Esse pensamento,
e esta conversa, faz ela sentir um n no estmago.
"Com toda franqueza, tenente - diferente dos recentes 
assassinatos e do dilema de Benjie, eu no alteraria nada do
que aconteceu."

"At mesmo depois do que eu testemunhei esta manh?"

Ao ouvir isso, Scully fica sem voz. Ela pisca forte, virando a
cabea para fazer uma curva, grata que esta viagem iria
terminar logo. Os eventos da manh, a histria por trs deles,
pertencem exculsivamente a ela e a Mulder. Ela no ia permitir
que este homem ao seu lado compartilhe nada da vida dela, 
mesmo depois dele abrir a propria alma, e corao.

"Agente Scully... Dana... " ele aventura.

" Scully," ela diz claramente, lhe dando um olhar severo.
"E  melhor permanecer assim, tenente."

Ela pra o carro na frente da casa, com cuidado.
Neve acumula ao redor deles, e ento plana ao vento.

Eles ficam quietos durante alguns momoentos, vendo os flocos
de neve danarem. Tillman quebra o beco sem sada.

"Quero que voc saiba que no pretendi te ofender. S expus a
verdade, como eu vejo."

No banco de trs, o menino se estica, e boceja como um
passarinho. Ele esfrega os olhos e chora num contentamente
inquieto. "Papai?"

"Sem problema" Scully fala, e seu esprito fica em branco enquanto o
homem se torce para atender  criana, abrindo o cinto de 
segurana. Com isso, ele sai, pega a criana nos
braos, e abre o porta-malas para pegar suas coisas.

Os braos e pernas de Benjie oscilam, o corpo mole como um
cachorrinho dormindo contra o peito do pai.

"Obrigado, agente Scully, pela carona... e pelos poucos
minutos do seu tempo" ele soma, ajeitando o menino nos braos.

O rosto dela esquenta  hesitaao dele. O minimo que ela pode
fazer  ajudar o homem a entrar, aliviando algum do fardo que ele
carrega. "Aqui, deixe-me ajuda-lo."

Ele acena com a cabea, agradecendo, e ajeita o menino nos
braos. Devagar, ele vai para a porta da frente, enchendo o tapete
de bem-vindo com neve, deixando a porta aberta para ela.
Do lado de fora, Scully luta com a bagagem dela, que  o colcho
e as bolsas de plsticos cheias de brinquedos e lanches.

Fechando a porta do carro com o corpo, ela
ofega ao vento - a casinha no bolso do casaco uma mancha dolorida
em seu quadril. A dor  afiada, mas passageira. Ela
decide ignorar isso, seguindo as pegadas de Tillman, sentindo a
carne palpitar.

Nenhuma luz do lado de dentro. Tudo est escuto, cortinas puxadas
contra o clarao precoce da luz do poste. Sombras brincam com as
percepes dela, e a escurido permanece. Ela est imvel na
entrada, esperando, apertando, desajeitada, as bolsas na mo.

"Tenente Tillman? S me diga onde eu devo colocar---"

Ela cai adiante, o grito de agonia preso na garganta.
A ltima coisa que Scully v antes de perder a conscincia no
cho atapetado  o rosto de Benjie Tillman, boca aberta, e 
olhos gelados, numa expresso de horror indescritvel.

* * * * * * * * * * * *
Fim do Captulo 19


