SEEDS
BY Mountainphile
NC-17 em alguns captulos
CATEGORIA:  MSR, X-File
mountainphile@yahoo.com
http://www.geocities.com/mountainphile
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Captulo 18
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Residncia dos Warner
9 de novembro de 2000
7:28 da manh

"Voc  malvada!"

Natalie Warner d um trago profundo do seu segundo cigarro
desta manh. Ela vira para enfrentar a brava acusao
de sua pequena filha, cruzando os braos, e se inclinando
contra a beirada do balco.

Uma nuvem petulante de fumaa prefacia a resposta dela.  "Me conte
uma novidade."

"Quero que Kari venha aqui para brincar hoje!"

"Voc a v todos os malditos dias na escola. Voc brinca com ela
no recreio. Voc fica sentada perto dela horas a fio falando sobre
quem sabe o que. Se voce me perguntar, isso  mais exposio do
que uma pessoa precisa para Kari Marshall, e seus cachos petulantes,
muito obrigada!"

"Viu s? Voc  uma bruxa!"

"Se acostume com isso, espertinha. Olha s o fiasco que voc deu no
seu prprio aniversrio, pelo amor de Deus. Quando as coisas
se acalmarem, talvez voc possa chama-la na semana que vem. 
Ainda no decidi."

"Pai-?" Shawna levanta a voz, enfurecida.

"Fale com sua me sobre isso" ele fala, 
entrando na cozinha. Pasta na mo, ajeitando a gravata, ele
 um tpico macho auto-absorvido em sua abdicao.

"Oh, droga!" Shawn grita, girando. Ela chuta o cho. "Por que pais
agem assim? Os pais de Kari so iguais a voc tambm! Ela fala que a
av dela  assim tambm!"

"Novidade pra mim. Pensei que Alice Marshall era o presente de Deus
para todas as crianas do mundo." Natalie joga a cinza na pia,
sentindo o trax se apertar. Ento, percebendo a declarao de
Shawna, ela murmura, "Bem, bem, bem..."

Greg Warner escuta, enchendo uma xcara de caf com pressa, 
vestindo o casaco ao mesmo tempo. Ele d para a esposa um
olhar ambivalente. "Algum aqui est de olho nos Marshalls
por causa dos recentes eventos?"

"Fique quieto, Greg---" ela assobia sobre o ombro. "Pelo
menos espere a criana sair de perto."

"A *criana*," Shawna fala da entrada, um olhar de pura
condescendncia e uma mo sobre o quadril. "Est saindo para
*mijar*, se voc quiser saber."

Tomando um gole do caf, devagar, ele espera at que sua pequena
filha loira some pelo corredor. Ento, ele retoma, "Alguma noticia
da videira?"

"Isso no  da sua conta, buster."

Ele ridiculariza enquanto coloca a xcara de porcelana na pia,
e procura sobre o balco as sobras de um caf nada nutritivo. 
"Bem, admita, Nat. As semelhanas do que est acontecendo agora
e do que aconteceu anos atrs est deixando todo mundo nervoso.
Est em todos os jornais. Quando mais perto algum est da ao,
mais eles sentem isso."

Natalie fricciona os dentes antes de dar outra tragada. Ela
no precisa de Greg se intrometendo em seus dominios. Alguns
segredos no deveriam ser perturbados, ou pelo menos deveria
serem tratados  distancia, com tempo e respeito.

E mesmo sendo deslumbrante, o Agente Mulder faria um bem
maior a todo mundo se ele levasse aquela bunda maravilhosa para
viajar - e levar aquela pequena vadia ruiva da parceira dele junto.

"S a deixe na escola, e v trabalhar, ok? E cale a boca - quanto
menos for dito, melhor."

"Famosas ltimas palavras..."

Ela d um olhar furioso para o marido enquanto ele
saqueia o bolso do casaco procurando as chaves do carro,
fria e medo fazendo ela ferver em silncio. Com o rosto 
apertado como uma ameixa seca, ela pisa para apertar o cigarro
na pia coberta de lixo.

* * * * * * * * * * * *

Residncia de Tillman
9 de novembro de 2000
8:15 da manh

Mulder viu esta expresso na face de Tillman antes,
na tarde da invaso na casa de Harry Cokely.

O quarto estava escuro por causa das cortinas, e apenas a luz azul
da televiso clareava o ambiente. Tinha cheiro de homem velho, 
e muitos cigarros, e de onde Mulder estava, no tapete, o sabor
azedo de meias no lavadas. A navalha de B.J. estava na garganta
dele, os olhos dela largos como pires, no escuro. "Pare!" Scully
tinha ordenado, a voz de ao, Sig elevada e apontada. Flanqueando,
Tillman apontava a arma, por puro reflexo, mas a face dele tinha
aquele olhar de desespero. Atordoado.

Seis anos depois, uma semana no caso ressuscitado, e
nada mudou. O comportamento do homem  assustado de novo,
Mulder imagina, e por uma boa razo - mais uma mulher na vida
dele  suspeita no mais detestveis dos crimes que o departamento
de policia de Aubrey j confrontou.

"Obrigado. Obrigado por virem. Aconteceu uma coisa" Tillman
fala, um eco da noite anterior.

Do que Mulder pode imaginar, o homem lamenta a sua tola misso,
indo como um macho protetor para o Motel Conestoga e atrs de
Scully, depois que Darnell o tinha avisado para se afastar. Que 
esperana ele tinha, durante a fraqueza dela, alm de voluntariosa
seduo? Mas, ele terminou com o vento batendo as velas do barco
dele para longe, depois que Scully chamou Mulder do chuveiro,
e este segurava a toalha pingando...

Tillman sabe o que eles compartilham depois do trabalho. Ilogicamente, 
Mulder sente-se numa posio melhor para pechinchar seu proprio
programa de trabalho.

Eles so conduzidos para a cozinha morna, cheiro de caf,
alm dos desenhos da manh, e do sof onde Benjie est sentado,
de pernas cruzadas. Curioso, o menino se vira para olhar eles
passando. Os olhos dele so largos e luminosos, como os da me.
Ambos os agentes lhe do um sorriso tmido.

A reunio no os leva para a cozinha, mas sim para o quarto de 
costura. Tillman parece agitado. Ele olha primeiro para Mulder, e
ento olha para Scully, notando as contuses avermelhadas que
arruinam a pele plida. Ele pigarreia vrias vezes, mos nervosas,
at esfregar o bigode.

Scully, Mulder observa, permanece composta e contida, usando uma
mscara de distncia profissional. Exposio pessoal para esconder
as fraquezas dela o faz apreciar ainda mais a fonte de fora que ela
, para ele e para ela. O que ela  capaz de fazer quando a situao
exige uma cabea fresca e uma jogadora do time. Ela amolece um pouco
ao ver Benjie, mas puxou a mscara de volta antes de sentar na
cadeira. Senta-se com todo cuidado, atenta s suas muitas contuses.
Intimamente, ele assume que ela estar conformada de que Tillman
sabe agora deles.

Acordando esta manh, Mulder a ajudou no banheiro, os msculos
dela duros e as contuses picando a cada movimento.  Depois de 
engolir mltiplos analgsicos, o chuveiro quente e a suave 
massagem de Mulder fazem o truque, especialmente quando ela insistiu
que ele a unisse debaixo do chuveiro. Mulder adora a resilincia
desta mulher, e a resoluo dela em voltar a montar o cavalo depois
do tombo. A habilidade dela, sem igual, de fazer os joelhos dele virarem
borracha num aguaceiro de golpes oportunos e bem colocados.

Sem dvida nenhuma ela tem queda para a aluna catlica, 
e para controlar a cobra.

Tillman fecha a porta, deixando apenas uma fresta, perturbando 
Mulder. Ele sabe que, quando esta reunio estiver concluda, Scully
ainda vai enfrentar o menino e a casinha de brinquedo. Outro
compromisso, num nvel mais pessoa, e que ele est forando ela
a cumprir. Uma dor de cada vez, ele falou ontem  noite, conferindo
os vrios ferimentos dela, legando para cada um curar e desaparecer
com um beijo.

O sentimento ainda  verdadeira, mas a realidade nesta manh
 muito mais imponente.

"Ento" ele comea. "O que voc tem, Tenente? Voc disse que
tinha novidades relacionadas ao caso."

No quarto quieto ele senta com Scully, vendo o homem torturado
misturas as rugas da testa, antes de falar algo que no vai 
surpreender Mulder. Os agentes j pressupuseram estes fundamentos.
Esposa sumida, e sem pistas de onde ela est. No toma remdios
que deveria tomar, e bebe demais. Ressentimento pelo amor do marido
pelo filho que nasceu do adultrio que ela no sabia. Nada de novo
at a.

Mesmo assim, quando Tillman relaciona a conversa que teve, e sussurra
as palavras 'casa de loucos' e 'me de verdade', Scully fecha os
olhos, tremendo a cabea lentamente.

"Espero que voc no esteja querendo colocar uma busca pela
sua esposa." Mulder fala, sentindo o prximo movimento do Tenente.
"Coicindncia no  o suficiente para assumir que haja culpa. No
neste caso."

" maldio que incrimina a mim," replica Tillman.  O homem
parece desfigurado por tenso prolongada e falta de sono. Ele
esfrega os olhos mais uma vez at que eles ficam midos. "Me
recusei a acreditar no bvio h seis anos, e olha s o que ganhei.
Enganado. Por algum em quem eu confiava. Algum perto de mim---"

"Um jogo de circunstncias diferentes" Mulder aponta. Com a ajuda
relutante de Darnell ele j tinha verificado a rvore familiar
de Janine superficialmente e a achou limpa. "E s para que no hajam
mais surpresas ou enganos, quero que voc saiba que eu entrei em
contato com B.J. durante..."

"Voc o que?"

"Mulder visitou a priso na semana passada" Scully fala pela
primeira vez. "alm de ter tido numerosas conversas por telefona
com B.J - a pedido dela, e com a autorizao de seu mdico, se
isso te deixa mais tranquilo."

"Ela deveria ter sido completamente omitida deste caso, maldio!"

"Ela no seria omitida, Tillman" Mulder fala. "Ela est sendo afetada
por esta coisa, igual ao seu filho - igual ao filho *dela*. Mas,
ao contrrio dele, o local onde ela est a impede de agir pelos
movimentos do assassino. Voc mesmo viu isso - Benjie  atrado
toda vez, como um rato para o Flautista."

A meno do nome do filho desarma o homem.  Cobrindo o rosto
por um longo momento, ele parece um corredor de maratona, tentando
levar as informaes, e respirando para se acalmar. Finalmente, 
ele ergue os olhos para Mulder, completamente derrotado."
"Cristo... o que eu devo fazer?"

"Voc j est fazendo o que deve ser feito. Grude naquele menino 
como cola, especialmente  noite... fique certo de que ele esteja
seguro at que possamos definir razoalmente quem  o assassino."

A zombaria de Tillman  amarga.  "E voc est convencido de que no
 minha esposa--"

"Agente Mulder tem uma teoria," oferece Scully "de que o 
assassino possa ser um parente de uma das vtimas de Cokely.
De antes."

Ambos os homens a encaram com descrena - Mulder, satisfeito por
ela ter tomado a iniciativa para puxar este coelho da cartola
dela - se ela concorda ou nao com a teoria so outros quinhentos -
o que importa  que ela exibe isso diante de Tillman como uma
maneira para desviar sua acusao desencaminhada, e comprovar
a confiaa e aceitao que ela tem para as tcnicas investigativas
de seu parceiro. Falar com Darnell, como ele fez,  uma coisa.
Agora, aplicar o prprio selo de endosso para Tillman,  outra.

"De antes? Quando?"

"1942," ela prov sucintamente. "Voc se lembra dos detalhes do
caso. Trs mulheres jovens assassinadas, dois agentes federais, 
Chaney e Ledbetter, desaparecidos." ela enumera a lista de vtimas, 
para os quais o tenente responde com vrios tremores confusos da
cabea. "Estes nomes no te fazem lembrar de alguma coisa?"

"Voc mora por aqui h bastante tempo, do que entendo." Mulder
pega a linha. "Cada membro ou descendente das famlias Bradshaw, Eberhardt
e Van Cleef no podem ter, inexplicavelmente, desaparecidos da rea
e do conhecimento publico. Para mim, isso  improvvel. Aubrey no 
 nenhum buraco negro."

"No me lembro de ninguem. Isso foi antes do meu tempo, agente
Mulder. E no tive a necessidade para saber."

"Isso  inaceitvel," Mulder fala, pegando o olhar de sua parceira.
"As fofoqueiras de planto tem uma pista, mas ningum fala.
A lder delas deixou isso bem claro da ltima vez que nos encontramos."

"Voc est falando sobre a mulher do Warner? Ela  a responsvel por
espalhar a histria de 'semente ruim' pela cidade inteira, sobre
meu menino. Ela  a responsvel por fazer a vida de Janine um inferno
aqui na terra ---" Tillman pausa numa confuso sbita. A probabilidade
de que sua esposa transferiu a raiva frustrada dela para o filho dele
parece aturdi-lo. "Voc est insinuando que a teoria de lao
sanguineo no  valida neste caso? Que voc acredita que meu filho
 inocente das suspeitas, apesar da me dele ser quem , e do que ela
fez?"

"E o bisav dele" Mulder soma. "Mas, sim, isso  exatamente o que estamos
dizendo."

"Ento, por que Benjie tm estes sonhos?  Por que ele est debaixo
do controle do assassino?"

Mulder olha para Tillman e sorri  ironia. "Talvez  por isso que
este caso esteja classificado como um arquivo X."

A conversa pra, e todos pensam. Enquanto isso, Mulder olha sobre
o ombro, para a sala, e ouve o desenho animado. Ento, ele olha
para o rosto bonito e contundido de sua parceira, antes de
falar com Tillman.

"Preciso te pedir um grande favor, Tenente..." ele comea.

* * * * * * * * * * * *

Com Mulder guiando seus movimentos, Scully anda com passos
lentos pelo simblico deserto. Purificaao pelo fogo. Uma viagem
para a verdade, e ela percebe isso. A verdade dela, enganosa, dolorosa
e privada.

Ele queria que ela acreditasse que a criana enigmtica segura um
segredo especial para ela.

Juntos, ele entram na sala, a mo forte de Mulder nas costas dela,
fortalecendo-a neste passeio para o desconhecido. Ela deveria estar
acostumada a isso, depois de anos tentando adivinhar o sexto sentido
dele, e sendo testemunha de seu radar de paranormal. A propenso infalvel
dele para guia-la na escurido, em lugares proibidos, em que ela no entraria
sozinha.

E o menino... quantas vezes ela falou com ele na ltima semana?
A relaao deles, como est, evoluiu da posio clinica e oficial de
agente e criana, indo para algo mais transcendente e constrangedor.
O primeiro instinto de Scully era de que ela deveria ser
totalmente profissional. Antes, ela se sentia segura em sua integridade
burocratica. Agora, ela se sente esticada como uma corda bamba, equilibrada
entre Benjie e o segredo estico que ele segura.

Ela se maravilha novamente sobre a mudana da criana, depois de
mnimos cuidados.

A pele dele no est mais esfolada e crua. Mas os olhos esto 
abatidos, e o queixo, contra o peito. Ela se lembra do choque
que agarrou seu corao quando ele elevou a cabea no dia da
primeira reunio, a picada que sentiu quando ele se empurrou
pra longe do toque dela. Tanta vergonha, tanto medo para algum
to jovem...

Uma investigao de homicdio no tem nada a ver com exorcismo
pessoal, mas Mulder sugeriu que existem conexes sncronas entre
este menino e a ansiedade dela deste comeo de novembro. Poderes
psicolgicos e sobrenaturais, como este drama.

"Hi, querido" ela sussurra para Benjie, e senta devagar no sof de
dois lugares, oposto a onde ele est. Ela est atenta de Mulder
pairando ao seu lado, e sabe que ele teve uma comunicao anterior
com esta criana. Eles se conectam de maneiras sutis, que ela no
percebeu at agora. 

"Hi". Benjie pisca olhos grandes e preocupados, e examina o rosto dela,
a cabea inclinada. Com a sobrancelha franzida, ele acusa Mulder.
"Voc no deu pra ela."

"A casa?  Yeah, eu dei. No se preocupe."

O menino faz beicinho e olha para Scully.  "Mas voc se machucou."

"Sim, eu me machuquei, mas s um pouco" ela concorda, humilde, e toca
de leve o arranho na testa com um dedo, forando um sorriso.
"Mas no  nada srio. Parece muito pior do que ."

Ele treme a cabea. "Aposto que  *muito mais* pior do que parece.
 sempre assim."

"Quando voc est machucado,  isso que voc est falando?" ela
esclarece.

A resposta de Benjie, junto com o pequeno aceno, faz ela querer
chorar, sentindo umidade nos olhos. Por favor, ainda no...
eles disseram pouco mais de duas frases um para o outro, e ela
j sente o autocontrole peneirando entre os dedos dela, como
areia.

... areia, acumulada num caixo pequenino, escarnecendo de sua aflio.
Comprovaa de que a vida de Scully, como agente do FBI, ostenta o
status de que ela  uma candidata inadequada, desde o comeo, para
adotar uma criana, embora Emilly tivesse o mesmo DNA. Sua prpria
carne e sangue, como Mulder tinha to veemente explicado em defesa dela.

E l no caixo, onde o cadver de uma pequena menina tinha se
deitado... estavam gros de areia, uma fasca dourada, o colar
que ela tinha dado para sua filha como um presente. Outra prova
que volta e a escarnece...

"Voc sabe muito sobre isso, no ? Sobre estar machucado." ela
sussurra para Benjie.

Ele acena com a cabea de novo. "E voc tambm."

Assustada, ela olha de lado para Mulder, que est apoiando a
conversa pelos dois, absorvendo a conversa com a sede de uma esponja
seca. Boca apertada num arco melancolico, os olhos dele radiam ternura
e algo profundamente protetor. Durante estes momentos, ele est
dando duro em seu trabalho - de proteger a retaguarda dela.

"Eu vou estar ao seu lado" ele tinha assegurado.
E ela no fica surpresa quando sente a presso morna e sbita da mo dele
sobre a dela.

Ela balana de volta ao menino, surpresa no tom de voz. "Por que
voc dizz isso? O agente Mulder disse alguma coisa para voc?
Te contou alguma coisa---?"

"No," Mulder interrompe, tremendo a cabea junto com o menino.
"Benjie me disse uma coisa que te interessa.  o motivo dele ter
feito aquela casinha em primeiro lugar. No foi idia dele."

"Ela me pediu pra fazer a casinha" o menino sussurra e
as palavras parecem uma lana incandescente contra o trax de Scully.

"Quem? Quem  *ela*?"

Benjie sente a intensidade e tremor na voz dela, e olha
para Mulder, em busca de confiana. Tranquilizado, ele
se torce e sussurra. "Eu a vi nos meus sonhos. Era diferente dos
outros sonhos assustadores que eu tenho. Ela me disse para fazer
isso para voc."

"Quem? Uma mulher?"

A esperana que Scully agarra  que talvez fosse B.J, de alguma
maneira absurda, que estivesse falando com o filho dela.
O prprio sistema de convico dela sofreu uma cirurgia sem giaul
durante o tempo dela com Mulder. Scully poderia aceitar
a realidade das transmisses de mensagens que acontecem de maneira
inexplicvel, desafiando convenes. Ela mesma se lembra das vises
que teve, quando o agente Fox Mulder foi declarado como morto,
mas no estava. Sentimentos de deja vu e intuio psiquica. 
A voz de Melissa, urgente, do outro lado da linha dois na
casa de Bill, em San Diego.

"Ela estava chorando.  Ela disse que voc precisava de um lugar para
se esconder." Benjie fala num murmurio claro, com medo. "Ela
era... uma pequena menina."

"Oh, meu Deus--"

Sentindo a adrenalina, ela tenta ficar de p, se sentindo tonta,
e corando no rosto e testa. A mo rpida de Mulder previne a fuga.
Ele se move para mais perto, deslizando um brao pelas costas dela,
a apoiando, apertando o quadril inclume dela com firmeza no dele, 
como se estivesse colado com ela. Com um contato to ntimo, ele
pode sentir o desespero dela, o corao batendo de maneira selvagem
e apavorada.

"No! Isso no..." ela praticamente assobia as palavras para Mulder.

"Fique, Scully. Voc precisa ouvir isto.  Voc tem que estar disposto
aceitar, acreditar ".

Ela ouviu vrias verses daquela frase, s vezes latida para ela
em frustrao, outras vezes apenas implorando, em meia-voz. O joelho
dela reage para fugir, e entrar na rota mais rpida para negar tudo
o que ela est ouvindo da boca desta criana. Isso  verdade ou
apenas uma mentira bem elaborada?  sonho ou mensagem plausvel
alm da sepultura? Fenmeno sncrono... ou pura coincidncia?

Apertando o brao de Mulder, a determinao dela oscila, 
esmigalha, e a sala balana diante dela.

"Continue, Benjie" Mulder incita, mais um comando do que um
pedido.

Os olhos do menino se enchem de lgrimas e ele treme a cabea.

"Ei... estou falando srio" a voz de Mulder amolece. "Diga para a agente
Scully o que voc viu no seu sonho. Conta pra ela como era a menininha."

Ainda assim Benjie hesita e ela sente os dedos de Mulder apertando
debaixo das costelas dela. Dobrando a cabea para ela, ele bloqueia
o rosto dela para a criana, os olhos dele queimando sem chama num
fogo inquieto. Inevitvel.

"Scully, fale pra ele que ele pode continuar..."

A respirao dele  mida e calmante na testa dela.
Ela exala, tremendo, e fecha os olhos  compaixo suave 
comunicada nesse toque. O corao de Mulder  forte e bom;
ela agarra essa linha de vida como agarrou o pescoo dele
depois do estranho ataque de Nascimento, no apartamento dele,
a camisa dela cheia de sangue, corao intato e batendo dentro
do peito dela.

Outro momento e ela est mais segura. Ele sai do caminho e ela
d outro passo hesitante.

"Querido, est tudo bem" ela fala, acenando com a cabea para a
criana solene. " verdade. Voc pode me contar tudo que viu no
sonho" esticando a mo, ela acaricia o cabelo dele, num gesto 
de conforto maternal. "Eu quero saber como ela era."

"Mas voc vai chorar..."

Controle a ilude, mas ela agarra isto. Ela sorriu para a preocupao
franca e pueril do menino, tocando de leve uma lagrima fugitiva
que desliza do olho dela, para provar o que vai dizer. "Eu posso chorar
sim... mas est tudo bem. Quantos anos tinha essa menina do seu sonho?"

O menino pensa antes de falar, relutante. "Ela parecia ter idade para
estar no jardim de infncia. Ela no me disse, mas  o que eu acho."
ele focaliza e pisca. "As bochechas dela eram fofas, e ela tinha os
cabelos curtos. Mas no curtos..."

"Como o meu?"

Ele olha e acena com a cabea, olhando pra ela. "Mas no to vermelho.
Estava cortado aqui---" quando o menino move um dedo, de fora a fora na
testa, sobre as sobrancelhas dele, Scully faz o impossvel para manter o
controle. Mais uma vez ela sente o aperto suave de seu parceiro, ao
seu lado.

"Ela queria que voc estivesse segura, e ela estava chorando," ele repete.

"Ela disse o nome dela?"

Quando Benjie treme a cabea, dizendo no, Mulder d um tapinha
satisfeito no ombro do menino. "Est tudo bem. Acho que a agente Scully
sabe quem . Bom trabalho, Benjie..."

Scully acena com a cabea, em acordo e alvio, atenta de que
sobreviveu a outro fogo, outra dor mais profunda. Emily, a criana
que nunca deveria ter existido - oferecendo proteo do alm, se
ela aceitar o sonho do menino como verdade. Verdade ou fico,
ela ainda tira uma ponta de consolao desta vez.

Repentinamente inquieto no sof, a criana fita Scully com
olhos enormes. "Mas  verdade mesmo?"

Ela hesita, olhando para Mulder, e ento de volta para o menino.
"O que  verdade mesmo, querido?"

"Ela..." ele pausa, torcendo-se em pesar inseguro, ento
se fora a continuar. "A menininha disse que voc era a me
dela. A me de verdade."

O mundo suspira e cai ao redor de Scully; ela tenta segurar o que
sobrou cobrindo a boca com as maos trmulas, e cai contra o apoio
firme do ombro de Mulder. O baixo gemido e o abrao rpido diz pra
ela que isso  novidade para ele tambm. Que a criana lhe revelou
apenas detalhes do curto dilogo deles no escritorio da delegacia,
salvando a granada explosiva para agora.

Eles no esto sozinhos em sua confuso. De algum lugar atrs
deles, eles escutam um grunhido masculino de surpresa, mas Scully
est alm de notar.

Benjie comea a lamentar tambm, com medo da reao dos adultos
diante dele, as bochechas vermelhas com lgrimas. "E-ela... ela
disse... que voc tentou ajudar ela..." ele treme. "E que agora
ela quer te ajudar..." tropeando, ficando de p, Benjie coloca uma
mo no joelho de Scully.

E ela se acha respondendo ao toque inocente desta criana.

Os dedos so suaves e puros, e ela agarra a mao dele. midas e
confiantes, como a pequena mo de Emily durante aqueles dias curtos
e perigosos. O rosto doce e redondo aparece em sua memria, por
um vu de lgrimas. O sorriso timido dela, srio, uma careta de dor.
Medo, suor, incompreenso.

Scully puxa com fora, e Benjie cai nos braos dela. Balanando-se
pra l e pra c em angstia, olhos fechados, apertados, ela segura a
bochecha molhada de Benjie contra a dela por alguns momentos preciosos.

Ela sente a presena firme de Mulder nas costas. 
Ele fica, como disse que ia, e a protege at ela sentir-se pronta
para enfrentar o mundo externo novamente.

* * * * * * * * * * * *
Fim do Captulo 18