SEEDS
BY MOUNTAINPHILE
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Captulo 17
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Estacionamento do lado de fora do apartamento de Darnell
8 de novembro de 2000
6:32 da tarde

"Eu estou... eu vou... ficar bem..."

Faris, como prolas gmeas e luminosas, avanam lentamente pelo
crepsculo na rodovia distante, mas nada sobre o veculo suspeito.
Nada se move no solitrio estacionamento, exceto as ondas
minsculas da reao e tremores profundos do corpo desgastado
de Scully. Ela luta para respirar, os lbios separados.

Mulder chega ao lado dela num instante, mas no  aplacado
pelas falas enganadoras. Quando ele ouviu o grito apavorado dela,
ele tinha corrido pela porta da frente como uma locomotiva sem freios,
corao na boca, arma na mo. Com muita frequencia ela finge
frieza e controle onde nada disso existe, escondendo a angustia
to facilmente quanto um pato nada na gua. Porm, esta noite  diferente.

"No se mexa" ele ordena suavemente, se abaixando ao lado dela,
atento ao alfasto frio debaixo do corpo de Scully.

Ele coloca uma mo debaixo de seus ombros, pensando
que seria prudente verificar algum ferimento mais grave,
mas as declaraes dela persistem, expelidas em suspiros sufocados.
Arranhes e contuses aparecem na tmpora dela, queixo e mo,
escuros com sangue.

"Respire lentamente, devagar." ele encoraja, esfregando crculos
nas costas dela. "Devagar." a respirao dela  forada, 
rasa, um ofegar agonizante, e olhando para o rosto vermelho
dela, Mulder quer assumir e encher os pulmes para ela,
enquanto Scully tenta respirar. "Hospital?"

"No! Deus... no..." outra pausa abafada e outro suspiro spero.
"Eu vou... ficar bem" ela morde o lbio, olhos arregalados e
implorando.

"Voc viu quem fez isto? Deu pra ver o carro---"

Ela treme a cabea, frustrada, se forando para escapar do abrao,
e Mulder entende que ela quer ficar de p, para se recompor e 
recuperar uma semelhana de dignidade antes que Darnell se aproxime
deles, saindo do prdio. Confiando no julgamento dela, mas ainda
fielmente protetor, Mulder a ajuda a ficar de p. Ela balana, e ele
a segura firme.

"Mas que diabos...?" Darnell est com a arma puxada, olhando
para cada lado do estacionamento, e ento para o rosto sangrento
de Scully, e o trax dela, respirando com dificuldade. Ele fica
confuso. "Voc est bem, agente Scully?"

Ela acena com a cabea, olhos fechados, e se inclina mais contra
Mulder, que intervm. "Ela no viu o carro vindo." ele explica. "O
bastardo atropelou ela e fugiu."

"Ento, sem identidade do motorista, ou placa do carro? Vocs
querem uma carona para o hospital? Agente Scully?"

A pergunta mal recebida ricocheteia na noite; Mulder sente
Scully enderecer debaixo de suas mos, e ele treme a cabea.
"Obrigado, mas no  necessrio. Estou levando ela de volta
para o motel, para se limpar. Sem ligaoes."

"Mas--"

"Leia meus lbios, Darnell. No fale com ningum, ou eu esgano
o seu pescoo. Entendeu bem?"

O homem, para o crdito dele, acena e d um passo pra trs,
guardando a arma. No precisa ser muito inteligente para ver o lao
protetor entre os dois parceiros,ou a maneira terna e suave que
Mulder a segura dentro de seu abrao. Scully expele alguns suspiros
severos, espordicos, cabea curvada, oferecendo para Darnell uma
viso eclipsada de seus ferimentos.

"Eu vou checar as coisas por aqui, para ver se algum viu ou
ouviu alguma coisa. Bem, acho que minhas frias terminaram oficialmente."
Ele volta para o apartamento dele, ainda lhes dando um olhar e um aceno.

* * * * * * * * * * * *

"Aqui est a sua prova, Mulder" ela fala, soluando suavemente ao
seu lado. "Aquela maldita casinha no fez nada para me proteger."

Ele no responde nada enquanto dirige, um n no estmago, enquanto
observa a maneira com que a cabea de Scully est inclinada no banco,
inclinada para a janela. Ela fecha os olhos diante de um farol de
um carro na direo oposta, as juntas brancas contra o casaco preto.
Frgil como cristal, ela parece pronta para quebrar,e ele jura pegar
todo pedao - o que deve acontecer hoje  noite.

"Seu quarto? Ou o meu?"

"O meu" ele ouve o sussurro. "Rpido."

Ele est um passo  frente dela, manobrando nas ruas escuras
com um p no acelerador e a sutileza de um piloto de um carro
das 500 milhas de Indianapolis. Mas ele tem outro sentido de urgencia,
como se estivesse tentando se distancias dar foras inevitveis
e que surgem atrs deles com a fora de um tsunami.

Ele jura que no vai permitir que este caso ou seu efeito em
Scully arruinem o que eles ganharam ou parar o progresso que
ela tem feito em sua propria resoluo pessoal. Acelerando contra
os sinais vermelhos, ele pra perto do quarto, e a ajuda, um brao
ao redor dela enquanto ele abre a porta do quarto de Scully.

Escurido os cumprimenta, misturado com o cheiro da limpeza
e a marca familiar dos artigos de toalete de Scully. Colocando-a
dentro, ele acende o abajur da cama e avalia a verdadeira situao.

Cobrindo o rosto com as mos trmulas, o corpo dela
treme, ameaando se dobrar sobre si mesmo. A respiraao parece
normal, mas os nervos e msculos dela tremem.  Ele pensa que ela
deveria ter ficado em DC, segura, inclume e sem ser molestada, onde
seu luto anual estaria completado at agora. Mas, ao invs disso, ela
o acompanhou at Aubrey.

"Aqui... deixe-me dar uma olhada" ele sugere, persuasivo. Ela treme a
cabea, o rosto escondido com cabelo despenteado. Os dedos dela cobrem uma
contuso ao lado da testa.

"Mulder... s me segure durante um minuto ".

Reao sufoca a voz dela, deixando-a apertada e ofegante. O corpo
pequeno parece se perder no abrao dele, um chumao de cabelo peneirando
na boca dele e contra o queixo enquanto ele a aperta ela mais perto.
Mulder tenta acalmar o tremor do seu corpo, balanando-a de lado a lado,
enquanto ela o abraa. Ele tenta alisar os tremores fundos, evidncia
dos soluos que ela suprime. Ela  inflexvel como concreto, mas ainda
assim  frgil como uma borboleta, e isso queima o peito dele.

Logo ela se endireite, e o afasta, terminando o momento de
fraqueza.

Olhando, ele se senta, e no vai permiti-la repetir aquela
noite. Egosta, ele no vai renunciar ao progresso ganho durante
esta ltima semana, juntos.

"Nao estou indo embora" ele informa, acariciando a sobrancelha
pegajosa. Para justificar sua obstinao, ele segura os dedos sangrentos
dela diante de seu rosto. "Voc se machucou. E ainda tem mais. Me diga
onde est doendo, e eu vou checar cada um deles."

Ela oscila em indeciso, olhos vermelhos. Ento, consentindo, dando
um minsculo aceno, ela olha pra baixo. "Meu quadril direito..." ela
murmura, testa franzida. "Este cotovelo..."

"Vamos ver um machucado de cada vez."

Aceitando a ajuda dele, ela encolhe os ombros e tira o casaco e o terninho,
antes de prestar ateno  blusa onde os dedos dela esto duros sobre os
pequenos botes. Mulder faz isso, com suas mos seguras, descendo entre os
seios dela, at que a camisa abre debaixo do olhar entorpecido dela.
Mulder est atento, e preocupado, e fica murmurando apoio. Momentos depois,
ela est de p diante dele, de suti e calcinha, tremendo, enquanto 
ele se ajoelha para examinar a contuso magenta enorme que mancha o
quadril dela.

"Di muito?"

"Acho que vou viver" ela sussurra de volta.

"No foi isso que perguntei."

O desafio dela lhe d um formigamento de confiana, um gosto 
pungente da velha Scully, e ele sente a mo dela sobre o cabelo
dele, as pontas dos dedos acariciando seu couro cabeludo. Mgico. 
Mulder d um beijo sobre a contuso, suave, o corao inchado de
alvio.

"Para fazer melhorar" ele explica, quando ela olha pra ele, 
fazendo uma pergunta com os olhos. "Garanto que d certo sempre."

Demorando sobre a pele sedosa, ele quer pastar seis polegadas sudeste,
e afundar o nariz no delgado ninho fragrante, e inspirar a essncia
dela. Mas agora, no era tempo. Ele pra de pensar nisso, e suspira.

"Deus," ela diz, tocando de leve a hemorragia rasa no rosto com uma
mo trmula. "Eu preciso de um espelho."

"Voc precisa de um banho" ele corrige, ficando de p, sobressaindo sobre
ela. "Ento, vamos lidar com tudo que encontrarmos. Parece um bom 
plano?"

Ela acena e d as costas pra ele, que abre o suti. Livres, os seios
dela balanam, mamilos brotando debaixo dos braos dela, que
esto cruzados. A calcinha desliza pelos quadris,joelhos e ele 
tira tudo, ajudando-a a tirar os sapatos e as meias finas que alcanam
at os joelhos, antes de guia-la, toda nua, para o banheiro.

Eles ainda nao fizeram isso, ele pensa. A coisa da gua - economizando,
tomando banho juntos. Uma coisa bem triste, pois brincadeiras na
gua podem promover uma unio mais ntima e um jogo ertico de grau
mais alto. Ele est aberto para tentar mais disso no futuro. E pra
ser sincero, at este caso em Aubrey, a maioria das transas dele
ou foram na cama ou no sof, e raralmente envolvia gua.

Mas esta noite no  hora para brilhar novas idias. Ela
tem uma situao mais precria agora, e outra amanh, com o 
filho de Tillman. Ela vai precisar de toda sua fora, controle e
f que possui.

Ficando de p, do lado de fora, com as mangas encharcadas, ele
desliza um pano mido sobre a sobrancelha de Scully, descendo
at a curva lisa da coluna at as ndegas rosas. Dando golpes macios
e contnuos, como um massagista, ele lava o sangue, e a tensao. 
Acalmando-a, mantendo-a forte, no perdendo terreno. Debaixo
do som da gua, e do ritmo planejado de Mulder, Scully se apoia
com as palmas achatadas contra os azulejos, o cabelo gotejando,
uma proteo ao rosto dela. Ertica como o inferno, ele decide.

"Sente-se melhor?"

"Mmmm, sim," ela resmunga pela torrente de nervos e carne tensa.

"Eu tambm estou disposto a fazer a frente, quando voc estiver
pronta para se virar."

Ele pega um olhar rpido de um sorriso.  "To altrustico..."

"Esse sou eu...sem intenes."

Encantado, ele dobra mais a cortina. Enquanto ele espera, ela
sente a proximidade dele e apoia as costas contra o trax forte,
encharcando sua camisa. Olhos fechados contra a gua, ele
beija a pele morna da orelha dela, vendo rapidamente o seio
macio e o mamilo atrevido de cereja. Uma sugesto de ferrugem
aparece na nvoa mais embaixo, e a ereao dele fica rgida,
fazendo ele morder o lbio.

Ela vira a cabea, hesitante, e as bocas se unem e se derretem.
Os lbios dela esto macios e trmulos contra os dele,
se rendendo  boca invasora de Mulder, mas no oferecendo a dela
em retorno. A mo dele pra sua viagem pelas costelas dela
quando ele percebe que ela ainda est enrijecida como arame, lutando
para se recuperar do acidente. Tremendo, apesar do calor do
chuveiro, ele termina o beijo.

Por enquanto,  o bastante saber que ela ainda est com ele -
e que eles no perderam um precioso terreno.

"Onde est seu sabonete?" ele mantem a voz baixa, dedos lisos
na cintura dela enquanto ele olha pra trs, procurando o pedao
de sabo pelo banheiro cheio de vapor.

"Pia" ela murmura e se curva adiante contra a gua, se
apoiando na parede, enquanto ele sai para pegar o 
sabonete.

S ento ele ouve as batidas fortes na porta do quarto dela.

Scully est inconsciente  intruso, com as percepes entorpecidas
pelo cabelo molhado que est grudado em suas orelhas, o barulho
do chuveiro e os nervos chiando. O som das batidas desconcerta
Mulder. 'No chame ningum', ele se lembra de ter dito para Darnell.
Ser que o homem acha que visitas pessoais  uma alternativa
aceitvel?

Impelido por raiva, ele d passos largos e rpidos para a porta,
abrindo de repente e com fora, e d de cara com o rosto assustado
de Brian Tillman.

Ele  a ltima pessoa que Mulder espera ver bloqueando a entrada
de Scully. Mos em punhos, boca apertada como um zper debaixo do bigode,
a pele dele parece azul por causa da luz nen e ele est preocupado.
Parece que a mesma coisa est se passando na mente de Tillman sobre
ver Mulder ali.

"Onde ela est?  Ela est bem?"

Eles se olham atravs do limiar da porta, ambas as expresses
cautelosas. Mulder olha para os carros l fora, e no v mais ninguem,
ento volta a olhar para o rosto esticado de Tillman. Mulder agora
 um obstculo intransponvel na entrada, se sentindo como um
lobo protegendo sua companheira ferida, e se sentindo quente
por estar na posio alfa masculina preferencial dentro do quarto dela.

Posse - ele se lembra por alguma razo inane -  nove dcimos
da lei...

Paralisados, os dois homens medem as vantagens de cada um, o ar
gelado sendo alimentado com a testosterona que verte pela
porta aberta. "Ela vai ficar bem" Mulder fala lentamente. "Aparentemente
a mensagem para que ela no fosse perturbada no chegou a ser
enviada."

"Eu recebi a mensagem... mas tinha que ver pessoalmente. Darnell
disse que ela ficou ferida depois de ser atropelada. Sangrando."
Ele pra, irritado, carranqueando pra Mulder. "Ela precisa ir para
um hospital."

"Ela  quem decide, Tillman, e  o direito dela recusar tratamento.
Preciso te lembrar de que ela  mdica?"

"Mdicos so os piores pacientes do mundo."

Mulder sorri maliciosamente.  "Sugiro que voc no diga isso para
ela..."

"Ento, se afaste, agente, e me deixe falar com ela - ela tambm
deve fazer uma declarao formal para a policia, sobre o que aconteceu---"

"Eu vou te dar uma declarao" Mulder insere, respirando fogo
pelas ventas, como um drago. Ele aperta o batente da porta com
fora, e a voz dele fica dura como pedra. "Larga do p dela, e d o fora daqui!"

Tremendo, atento ao ar frio, e de sua camisa ensopada, Mulder no tem
nenhuma inteno de deixar este intruso de Missouri molestar sua 
parceira na condio em que ela est. Tillman, Mulder nota, corre um olhar
calculado sobre a roupa encharcada de Mulder, e mangas arregaadas,
o cabelo umido. E nota o pano mido ainda gotejando na mo dele.

O olhar intruso de Tillman passa por Mulder - e vai para a colcha
lisa onde est o casaco dele, sufocando o de Scully. Tillman
olha a roupa dela amontoada no tapete, perto da cama, onde ela
os deixou, pea por pea. E nota o suti de renda, e a calcinha
tipo biquni, que parecem sobreviventes num sugestivo mar para
o banheiro.

Uma evidncia que ela normalmente esconde com cuidado meticuloso -
at a emergncia desta noite...

Sons mudos vem do banheiro, e penetram a neblina pesada dos alfas,
e esses sons ficam simultaneamente audveis para os dois homens.
A voz dela, melanclica e inconfundvel em sua urgencia, chamando
Mulder, que Chuveiro-sons emudecidos penetram a neblina de alfa pesada e
fique simultaneamente audvel a ambos os homens.  A voz dela,
melanclico e inconfundvel em sua urgncia, pede fora
Mulder, que percebe que, em nenhum momento, nenhum dos dois
mencionou o nome de Scully, e que no foi necessrio fazer isso
nem uma vez.

"A ficha caiu, Tenente?" arrepios cobrem o corpo de Mulder,
cuja afronta o mantm chiando. "Da prxima vez, tenha as bolas
para perguntar diretamente ao invs de delegar isso para algum
da sua gente. Seu detetive merece mais considerao do que isso...
e no caso de voc estar querendo saber, ele no gosta de 
ficar bisbilhotando por a."

Os dentes de Mulder comeam a bater com o frio, mas muito de leve.
Ele aperta o pano molhado para se acalmar, querendo cuidar das necessidades
de Scully.

Ela vai querer as bolas *dele* numa funda quando souber o que
aconteceu - esta fachada de homem das cavernas que ele est adotando
enquanto Brian Tillma encara a intimidade do mundo privado deles.
Ainda assim, Mulder se sente justificado para fazer isso, sentindo
satisfao ao mostrar a verdade, certo da confiana dela por ele.

"Entendi" Tillman parece conformado, mas no menos tenso.
Ele acena com a cabea, como se mostrando derrota. "Certo. Mas, escute
bem - eu ainda preciso falar com vocs dois o mais rpido possvel.
Aconteceu outra coisa hoje  noite. Novos desenvolvimentos que podem
estar relacionados com o caso. Estou falando srio sobre isso."

"Amanh de manh  cedo o bastante? Planejavamos ir ver o
seu filho amanh."

Nuvens de medo aparecem nos olhos do homem. Ele hesita antes de acenar
com a cabea de novo, esfregando o bigode com um nervoso indicador.
"Yeah, acho que vai ter que ser assim..."

Outra chamada, vinda do banheiro, chama a atenao de Mulder,
que olha por cima do ombro.

"Parece que voc est sendo chamado. Melhor cuidar desse
assunto, agente."

"Eu vou. Tillman... espera--"

"Yeah?"

"Eu sinto muito sobre..." ele pigarreia. "...sobre tudo e sobre
como estes eventos te perseguiram durante esses anos. Acredite
em mim."

Processando a implicao em silencio, Tillman aperta o chapeu
na cabea. "Cuide bem dela", ele ordena, grunhindo, virando 
e indo para o escuro do estacionamento, e para seu carro.

* * * * * * * * * * * *

Motel Conestoga
8 de novembro de 2000
8:09 da noite

"*O que* te deu na cabea, Mulder? Responda."

"Foi..."

"Foi o que?" a voz dela estava gelada, vindo das profundidades
da cama. O mero pensamento de que Brian Tillman cobiou a roupa
intima dela, roupa ntima de um dia, descartada, que ela deixou 
no chao, foi o suficiente para provoca-la de novo.

"...foi coisa de homem" ele fala depois de uma pausa prolongada, 
a explicao fraca pretendendo mais esclarecer do que conciliar.
Mas ele permanece preocupado com sua tarefa, sentado ao lado dela,
sem camisa. Com olhos solenes, ele busca o rosto e ombros dela
por contuses frescas, e teima em puxar o lenol para fazer um
exame mais completo dos ferimentos dela, agora limpos.
Ela fecha os olhos, preparando o corpo para o frio.

"No," ela contradiz com calor, "Foi uma competio de posse - e urina -
e no *meu* quarto, e no menos. Ns tinhamos concordado em manter assuntos
particulares em segredo, especialmente no campo. *Jesus*, Mulder..."

"Parece que voc est se sentindo bem melhor. Braos pra cima."

Ela concorda, tremendo do frio. O quarto dela ainda parece
uma geladeira depois da porta aberta durante a visita no
anunciada de Tillman, mas as mos mornas de Mulder esto acalmando 
a pele do cotovelo dela. Dedos fortes e preocupados testam o local
do impacto, onde ela bateu no asfalto atravs das camadas das roupas
de inverno.

Felizmente ela  um obstculo formidvel e mais inteligente do
que a maioria das pessoas, rolando pra longe do carro num 
reflexo automtico. Graas a Deus pela adrenalina. Graas a Deus
por treinamento rigoroso, exato, e graas a Deus por um grosso
casaco. Graas a Deus que o parceiro dela estava por perto e a
protegeu de olhos espreitadores de estranhos.

Exceto no prprio quarto dela. Deus. Ela treme a cabea
devagar, exalando um assobio exasperado. "Voc sabe... estou
tentando ver isso de maneira filosfica, mas  meio difcil."

"Ei... se voc quiser dormir sozinha,  s dizer. Acho que posso
aguentar o celibato por mais alguns dias. Levando-se em conta
tudo que aconteceu..." ele fala, sondando uma costela como um
mdico, e ignorando a pele arrepiada dela. "... voc teve sorte
hoje. Eu prefiro mil vezes contusoes do que osso quebrado."

Os dedos dele brincam com o corpo dela, antes que Scully possa
responder. Ele embala cada seio com cuidado, sendo puxado pra
cada um deles. Respirao quente acaricia a pele de Scully, que
fecha os olhos e espera o inevitvel, e sentir o calor mido da
boca dele a qualquer segundo.

Mas ele s suspira sobre o mamilo e puxa o lenol
mais para baixo, para checar mais de perto o quadril.

"Voc gosta disso, no ?" ela observa as aes dele, com
surpresa torta, notando a intensidade do controle dele. Ele
parece apreciar cada polegada de carne que vai sendo exposta,
cada membro revelado ao ar, deixando-a vulnervel para ele.

"Brincar de mdico? Uma das minhas brincadeiras favoritas
desde a infncia, Scully. Como voc adivinhou?"

" bvio.  Sua auto-restrio  admirvel, a propsito."

Ele pisca. "S estou sendo profissional. Provando que no sou o
oportunista tarado que pareo, embora voc pense isso."

"Mulder, eu nunca pensei assim - nunca."

Picado pelo tom auto-depreciativo e sarcstico, ela procura
toca-lo, no longe de onde os dedos dele descansam, sobre os
cachos do cabelo pbico dela, que estavam midos e frios
do chuveiro. Uma lembrana palpvel que o tempo trouxe
uma mudana dramtica entre a parceria deles, e que este
homem possui agora uma parte da nudez dela, um investimento que
tranca ela para qualquer outro licitante. O exame de Mulder
sobre o corpo dela vai alm de simples carnalidade, e luxria.

Ele provou isso pelo presente dele na semana passada, na noite
do medo anual de Scully. Embora escondido no disfarce do ato
sedutor e sexual, ela entendeu sua inteno, a real mensagem de
conforto e prazer que ele deu pra ela naquela noite. Tudo de uma
vez, nada  mais do que devoo terna e sincera. Como agora.

"Est tudo bem" ela sussurra. A pele dele  quente e familiar
debaixo dos dedos dela. "Eu sinto muito. Deixa isso pra l."

"Do que voc est falando?"

"Da nossa visita inesperada... Tillman, pra ser mais exata. E
esta estranha competio de machismo que voc tem feito com
ele por minha ateno, que so insultantes,e completamente fora
do reino da razo. *Ns* temos uma relao duradoura, Mulder - o
lao, a histria, a conexo. Voc  e eu - e eu te amo, sem
dvida nenhuma. De quantas maneiras mais eu vou precisar
dizer isso? Essa verdade deveria vencer qualquer ameaa ou
insegurana que voc encontrou aqui em Aubrey durante este
caso. Quando tudo acabar aqui, ns vamos voltar pra casa.
Juntos."

"E vivermos felizes para sempre..."

Ela carranqueia pra ele. "Por que voc est sorrindo?"

"Por causa da sua posio lgica e pragmtica sobre tudo
isso, Scully. Isso me lembra de uma famosa citao de
Ben Franklin cuja perspiccia, eu suponho, deve ter ocorrido
de experincia pessoal."

"E qual ?"

"Ele disse: 'Oua a razo, ou ela vai fazer voc *senti-la.*'"

Ela ridiculariza em voz alta.  "Ento  melhor voc trazer logo
esse seu traseiro aqui pra cama."

Tirando os sapatos e a cala, ele sobe ao lado dela na cama,
o colchao se curvando ao seu paso. O sorriso de Mulder permanece, olhos
ternos e divertidos na luz fraca, lbios fazendo beicinhos enquanto 
ele d um beijo nela. "Voc ainda gosta de me surpreender." ele
murmura.

Ele lhe empresta o calor da nudez dele. Com infinito cuidado,
ele a abraa, no querendo causar desconforto adicional, mas faminto
pelo toque. Bondade a enche, e ele entende. O beijo deles  hesitante
no comeo, e ento fica mais quente, fervendo com estimulao, at que
tudo explode numa chama.

A ereo dele, dura e inflexvel, aperta contra a barriga dela.
Mulder responde ao calor do sexo dela com uma sutil e tentativa
presso. O aperto da carne inchada contra a contuso
fresca prova ser uma barreira muito grande para intimidade,
e ela  incapaz de sufocar um grito de dor.

"Oh, Deus" ela arqueja, afastando a cabea para respirar.
"Mulder, eu no sei..."

"Mas *eu* deveria saber. No pretendia agir to precipitadamente.
Tem que ser outra coisa de homem." ele suspira, deita o corpo, 
e puxa a cabea dela contra o ombro dele.

"Mas eu queria tambm - eu sinto muito, Mulder."

Ele treme a cabea, cheirando nela como um cachorrinho. "Relaxe,
Scully. Voc vai precisar de toda sua energia amanh, j que vamos
falar com Benjie logo cedo."

"Voc no poderia ser mais especfico?"

"Melhor voc ouvir isso direto da boca do cavalo."

"Deus..." ela respira, fechando os olhos molhados, e suspirando contra
o pescoo de Mulder. "Um caso de copycat, com dois cadveres, o assassino
ainda solto, e... e agora isso."

"Como eu disse, uma dor de cada vez. E eu estarei sempre 
ao seu lado."

Ele apaga o abajur ao lado da cama, mergulhando-os numa escurido
temperada apenas pela luz plida do banheiro, e a tira de luz
que entra pelas cortinas, do estacionamento. Este  o 'shui feng'
dela, seu lugar de perfeito equilibrio, na cama, apertada entre os
braos musculosos de Mulder. Ela nunca esperou ganhar tal conforto,
tal paz de mente, e compartilhar um lugar to privado com outra
pessoa.

S falta uma coisa para ficar perfeito.

"Mulder." ela comea. "No sei se eu vou conseguir dormir."

Olhos srios, ele beija a testa dela, o polegar acariciando o
rosto dela numa carcia rtmica e tranquilizadora.

"Acho que posso precisar de um antdoto para insnia..." ela sussurra
contra a orelha dele. "...se eu quiser ter um sono decente esta noite."

A mo dele pra seu movimento sobre a bochecha dela. Do fundo da garganta
de Mulder, ela ouve um riso. Logo ele est apoiado sobre um cotovelo, 
atento e sorrindo, como um idiota, atravs das sombras. "Voc est
brincando comigo, no ?"

"Eu brincaria sobre isso?"

Scully fica pasma ao ver o que um gro de encorajamento faz
para Mulder, quando o assunto  sexo. As mos dele parecem 
imediatamente onipresentes. Polegares escovam os mamilos dela
com tenso primorosa, palmas e dedos misturando os seios dela
com a mais delicada das carcias. Ela sente ele estender uma
mo debaixo do lenol, para pentear de leve o sexo dela. Enquanto
Mulder examina a boca dela com a lngua, seus dedos comeam
a golpear e se insinuam entre os lbios inferiores sensveis
do sexo dela.

"E eu nunca passaria a honra" ele ronrona, incessante em sua
adorao pelo corpo e seios dela. Beijos se revezam com as mos, 
e ele finalmente se posiciona numa posio mais confortvel, entre
as coxas macias e abertas, atento para os machucados dela, e para
seu prazer tambm.

Scully o observa entre um vu de lgrimas. 
Se abaixando de joelhos e cotovelos, Mulder sorri enquanto abaixa
a cabea contra o sap macio dela, inalando a fragrncia. 
Ao primeiro toque molhado e caoador, Scully treme, relaxa contra
o travesseiro, e fecha os olhos...

* * * * * * * * * * * *
Fim do Captulo 17

