SEEDS
BY MOUNTAINPHILE
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Captulo 16
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Hospedaria da aldeia, Aubrey,
8 de novembro de 2000
1:28 da tarde

"Conte sua teoria" ele murmura, tentando entrar por ela. Ao estilo
dele, Mulder mexe a reaao dela com uma colher enigmtica que ela 
no pode afastar, puxando uma opiniao dela que Scully est relutante
em formular.

Embora eles estivessem sentados numa mesa do canto, ela ainda se 
incomoda com o publico. Mulder podia pensar de maneira diferente,
mas Scully sabe que sua sensibilidade implora por privacidade, e ela
lamenta que ele nao virou o carro para o motel deles, se ele tinha
algo reservado para discutir.

Ao invs disso, quando o legista finalmente a entregou para ele, na 
delegacia de policia, Mulder bloqueou sua entrada, e a conduziu de
volta para o Corola alugado.

L, ele colocou a minscula casa branca no colo dela, vendo sua reao
enquanto os guiava para um novo restaurante, para almoarem. Numa voz
montona, ele descreveu a verso resumida do que aconteceu entre ele
e o garoto no escritrio de Tillman.

Ela precisa de comida e no da tolice dele neste momento. E isso nao
era um teste na qual ela tem que dar uma resposta rpida. "Pense 
rpido---" algo que seus irmos gritava enquanto jogava a bola
de beisebol pelo quintal. "Cabea pra cima, Dana!" e ela aprendeu
a impedir tudo que eles lanavam pra ela, ou sofria as consequencias.

"Conta sua teoria..." o que o parceiro dela estava fazendo agora 
a mesma coisa. Desta vez ela pensa em se arriscar a uma penalidade,
que talvez  prefervel do que seguir a bola.

Depois que o garom se afasta com o pedido deles, Scully fixa 
a pequena casa de Lego ao lado de seu prato, soltando o 
objeto lentamente, com calma deliberada.

"Esta no  uma boa hora, confie em mim" ela avisa, fresca com
uma autpsia muito sofrida, com o corao dela ainda cru com a
perda. E ela ainda tem vises da criana fazendo esta casa,
as mos infantis trabalhando duro para forma-la. E ela 
est irritada e vulnervel para isso. 

"O tempo  curto."

"Assim como a minha tolerncia para isso, Mulder."

Ela pra, e ele no percebe o que a manh deu pra 
ela. Ento Scully percebe que ela no compartilhou
isso com ele, e ento, ele no teria como saber.

"Este caso no tem nada a ver comigo" ela enfatiza. "Estamos
bem claros sobre isso?"

"Tem coisas neste caso que pula direto em voc, e te morde no
traseiro, quer voc queira ou no."

Ela indica o brinquedo ao lado do prato. "Olhe... isso  muito
gentil. Um gesto de agradecimento de um garotinho muito 
grato. Nada mais, nada menos." de repente ela fica com sede,
e toma um gole de gua antes de continuar. "E eu tambm posso
especular para onde voc vai com isso."

"Ento, me mostre."

O sorriso lnguido dele poderia atingi-la, se ela no
estivesse protegida contra dardos invisveis. "Voc est
convencido de que  algum tipo de amuleto. Um talism. Um
fetiche que pode proteger do mal ou trazer o bem. Porm, 
eu acho altamente improvvel - de que um menino de cinco
anos, que estuda no jardim de infncia de Aubrey, Missouri,
vai saber borrifar..."

"Ele no est fazendo isso, acredite em mim."

Ela pisca.

"Voc poderia dizer que ele est fazendo um favor para algum" Mulder
explica com a mesma obscuridade enlouquecedora, misteriosa.  "Assim
como a me dele, acho que Benjie  mais sensvel para elementos
sncronos do que eu percebi antes. Vises sobre o que o assassino
est sentindo---"

"Espere um pouco... tempo!" ela fala, erguendo a mo. Ele pra,
surpreso. "Voc percebe o que est fazendo, Mulder? Voc  o
clssico exemplo de alguem que caiu vitima para apofenia."

Com um sorriso apertado ele murmura. "Parece uma doena 
sria. Melhor sacudir minha memria..."

"Apofenia--- uma percepo espontnea de conexes... a tendncia
para associar objetos ou idias aparentemente sem conexo.
Em casos extremos demonstra como a psicose ntima pode
ser unida  criatividade... apofenia e gnio criativo, entre
psiclogos, pode ser visto como dois lados da mesma moeda."

"continue."

"Meu Deus, Mulder..." Ela esquenta o assunto, protelando 
o fim do show. "Olhe para a proliferao de chamados
'testes' por analistas... como Rorschach, que  projeao, e totalmente
aberto a conjecturas. Ainda existem as pessoas que vem
o abuso de criana ou insinuao sexual atrs de todo problema
emocional. Um analista pensou que ele tinha apoio para
a teoria da inveja do pnis, s porque mais fmeas do que
machos no devolvem o lpis que usaram depois de um teste."

Aquele exemplo faz Mulder dar um riso macio. "Se eu fizer
um comentrio aqui sobre 'pnis-lpis', voc ficaria
ofendida?"

Ela ignora o comentrio. "Outro analista escreveu num dirio
prestigioso que rachaduras na calada representam vaginas
e que os ps so pnis - e a velha histria sobre no pisar
nas rachaduras  uma advertencia para ficar longe do 
orgo sexual da mulher."

"Pobre coitado. E idiota."

"O que quero mostrar, Mulder,  que apofenia  considero um
tipo de erro que fora padres de associao onde no existe
nada. Isso tambm poderia explicar a proliferao de
fenomenos como numerologia, a maioria das formas de adivinhao,
e outras coisas que reinvindicam ser paranormais ou sobrenaturais.
Incluindo sua concluso sobre esta...casa."

Ele pega a casa, segurando entre eles, como um tero, sem
piscar os olhos.

"Cristo, Scully... voc pode atirar este jargo psicologico
se quiser, mas eu vou atirar o meu: 'afinal de contas, depois
de tudo que voc viu, depois de tudo que descobrimos juntos, sobre
a conspiraao..."

Ouvir a diatribe familiar faz ela ficar com vontade de rolar
os olhos, mas ela contm o desejo sobre a distinta acuidade
que ele envia sobre a mesa. Girando a casa entre as mos como
se para estimular seus pensamentos e palavras, ele murmura.
"Tudo desde hipnose de regresso para a existencia de homenzinhos
verdes..."

Ela forma um arco com a sobrancelha, e ele pra para explicar.

"As percias psquicas de Harold Piller, usados juntos com
a procura para a menina dos La Pierre, o prprio filho perdido dele...
e Samantha. Lembra?"

"Me lembro de recusar a aceitar esta pseudo-cincia."

"Como voc pode chamar isso de conversa fiada, depois de tudo
que voc experimentou? Benjie Tillman se sentiu compelido a 
construir essa casa pra voc, para voc se proteger do mal
que ele sente e para a qual ele reage como um barmetro, e
voc rejeita o seu valor. Scully... do que  que voc est
com tanto medo?"

"Eu nao estou--" ela franze a testa, exasperada, e a voz dela
mergulha, no limite. "Nao estou com medo nenhum. Eu estou banindo
um pouco desta 'conversa fiada', como voc chama isso, para sua
propria perspectiva. Nada mais. Ns temos um caso dificil para resolver
aqui e me recuso a deixar que me lado pessoal-"

Ela pra para tragar abaixo uma bola de emoo que ameaa
sufoca-la. Deus, no aqui... o gelo est rachando debaixo
dela, gua fria crescendo a seus ps enquanto ela luta, 
com desespero insano, para se segurar em algo seguro e
reconhecvel, tangvel, antes de deslizar e afundar.
Antes dela se afogar no mar bravo de seu proprio ceticismo,
co-entrosado com a verdade que ela nega to freneticamente.

Ela reagiu assim h vrias noites, sendo segurada nos
braos protetores de Mulder, na cama dele e no calor que
seu corpo provia. Uma conversa sussurrada sobre suas
lembranas de Emily, e ela sentiu sendo tragada pela
propria perda, compelida a fugir de volta para seu quarto. 
S quando ele acalma sua angstia, expondo a covardia dela,
com a paciene devoo de uma alma gmea,  que as verdadeiras
e desinteressadas intenes emergem.

A cura dela. O bem-estar emocional dela, para ambos. Considerando
o registro dele durante sete anos, ela deveria estar disposta a
confiar no julgamento dele agora.

"Eu disse que poderia controlar este caso" ela sussurra, xingando
a umidade que sente nos olhos, e o calor nas bochechas, certa
de que est corada. Envergonhada por tal emoo nua num lugar
publico, ela olha para a parede, queixo apertado contra o pescoo.

"Voc tambm mostrou que eu estaria aqui, com voc." ele
soma. "Nada mudou sobre isso."

"Obrigada. Estou confiando nisso muito mais do que voc possa
entender." ela pisca lentamente e olha pra Mulder.

No sendo visto, Mulder desliza a mao sobre a mesa, para
agarrar-lhe o joelho. Como em outros tempos de crise, a preocupao
dele  comprovada por alguma pequena e furtiva tentativa
de conforta-la. Os dedos mornos dele se alargam, puxando ela
de volta, completamente no toque dele.

Equilibrada entre eles na mesa, a pequena casa branca, com
a nica porta verde, age como uma sentinela.

O aperto dele no joelho dela  agora uma carcia corajosa, 
o dedo polegar circulando a patela, antes dele tirar a mo
e as duas agora esto sobre a beirada da mesa.

"Scully... eu tinha uma coisa que precisava te contar. Que eu
senti que voc deveria saber" ele se encosta na cadeira, olhando
pra ela. "Vejo que no  hora pra isso agora. E no sou a pessoa
certa para compartilhar isso."

Uma onda de medo tremula contra o corao dela e ela empurra
isso pra longe. "Do que  que voc est falando? Do caso?"

"Comunicao sncrona..." ele fala, as palavras pesadas com
o significado.

"Deus, Mulder, voc est sendo deliberadamente obtuso comigo?"

Ele treme a cabea, olhos fixos nos dela, escuros e intentos com
pensamentos no ditos enquanto a comida quente desce de repente entre
eles. A pequena mesa para lotada com pratos e cheiros gostosos. 
Preocupao batalha contra a fome. Ela olha enquanto Mulder
hesita, olhando-a por cima da comida. S quando ela acena com
a cabea, dando permisso,  que ele comea a comer com gosto.

Quando ao seu frgil apetite - j sumiu como um devaneio. A salada
Csar com galinha grelhada que ela pediu no faz nada
a no ser encher o prato, e virar seu estmago num n to duro
e inflexvel como a pequena casa de plstico de Benjie.

* * * * * * * * * * * *

Residncia de Tillman
8 de novembro de 2000
3:12 da tarde

Seu filho parece cansado esta tarde, mesmo sem a desculpa
das aulas no jardim de infncia ou passeios de nibus. Depois de
levar a criana flcida do carro para o sof da sala de estar,
Tillman retrocede para reavaliar a situao.

Chamar uma bab de novo? Ele ficou aborrecido ao encontrar
o agente Mulder numa conversa profunda com Benjie, abaixado
no tapete do escritorio dele na delegacia. Sem permisso de novo,
como se a vaga conexo entre o agente e o menino deveriam lhe
conceder algum tipo de imunidade. Tal descuido deixa Tillman
irritado consigo mesmo, assim como o fato de que Fox Mulder
se orgulha de possuir uma mentalidade de renegado que o faz
evitar os habituais protocolos durante uma investigao.

Por outro lado, a parceira dele  a mais acessvel dos dois. Dana
Scully, patologista, mdica, agente do FBI. Uma pessoa conservadora,
e equilibrada para seu parceiro. Tillman podia ver que, apesar
do conhecimento dela, ela segue, sem pensar, o parceiro, a cada passo.
Um time investigador com impressionantes percias e uma admirvel
porcentagem de casos resolvidos, considerando o caso que eles
controlam. Tillman fez a parte dele na pesquisa tambm.

Mas ela tambm possui o corao de uma mulher, comprovado pelo
presente generoso para Benjie na outra manha. Aquele gesto mostrou
interesse pessoal, uma distancia enorme das 'regras do livro'.
Uma avenida promissora que ele deveria explorar num futuro muito
prximo, se ela se mostrasse receptiva... mesmo com o
ainda discutivel envolvimento pessoal com Mulder. 

O som do telefone na mesa o tira de suas meditaes, e ele
atende antes que Benjie acorde. "Tillman."

"Brian?  Jen. O que est acontecendo a?"

A voz alta e curiosa da cunhada parece uma pomada anestsica
depois de dias de mesagens sem resposta e comunicao. Jennifer,
irm de Janine, que morava em Lincoln, Nebraska, onde a familia
de Janine morava. A irm mais jovem, bem-ajustada, que se 
casou com um mdico, criou filhos, tem uma casa no suburbio, que
tambm provinhaum refugio temporario para sua irm mais velha,
afligida com a necessidade de desaparecer.

"Jen, obrigado por me ligar de volta. Voc estava
fora da cidade?"

"Desde a semana passada. Dave tinha um seminario sobre geriatria
em Omaha, ento todos ns fomos juntos para fazer algumas compras
e confirmas faculdades sobre seu sobrinho mais velho."

"Voc pode coloca-la no telefone?"

"Quem, Brian? Voc est falando de Janine?" ambos param com a total
incredulidade na voz dela. "Por que? Ela no est aqui. Era isso
que eu queria falar logo. Pra ser sincera, nao a vejo desde
que ela me visitou no dia do trabalho, no aniversrio de 50
anos de Dave."

"*O que?!?"

"Isso mesmo. Ns chegamos em casa, e encontramos um monte de 
mensagens suas, e eu fiquei preocupadssima. Como est Benjamin?"

Ele d um olhar cauteloso para seu sonolento filho,
de pernas cruzadas no sof. A cabea est inclinada contra o brao
do sof, olhos fechados com fadiga. O rosto de corao, e a sobrancelha
suave lembram, para Tillman, a verdadeira ascendncia - de B.J,
com o sorriso secreto e intenso dela. Da perda dela para os dois,
e o sangue defeituoso correndo pelas veias do filho deles...

Desespero sbito o deixa spero. "Como esperado, j que sua irm
sumiu faz quase uma semana." ele resmunga no telefone."

"Oh, Jesus!  Oh, meu Deus--" as exclamaes dela s servem para
deixa-lo mais furioso, e ele aperta os dentes. "Escute, Brian,
vou fazer algumas ligaes. Ela tem conhecidos por aqui. Vou
conferir pra voc, e te ligo de volta assim que souber de alguma
coisa. Tudo bem?"

"Tudo bem" ele responde automaticamente, entorpecido
pela fato do que a coincidncia do desaparecimento de Janine
possa mostrar numa hora to incriminadora em Aubrey.
"Voc no parece bem, Brian. E agora eu estou preocupada mesmo.
Vou ligar para o antigo mdico dela, para saber se ele teve
notcias. Acho que ela falou com ele antes, no ano passado, ou
no ano anterior."

 estranhamente confortante ouvir coisas de sua esposa,
sobre seus habitos irregulares, e comportamento estranho, os
lapsos mentais. Ele solta uma respiraao trmula, esfrega o rosto,
e acena.

Ele sente os olhos midos, e os esfrega com a mo.

"Obrigado, Jen.  Agradeo qualquer ajuda que voc puder me dar,
para localiza-la. Eu--eu gostaria de manter a policia do lado de fora,
manter as coisas quietas."

 bem irnico essas palavras virem de sua boca, mas 
sua cunhada sabe as reras, e tem anos de experiencia.

"Bem, claro! E, Brian? Esta no  a primeira vez que tivemos
que fazer isso, e as coisas terminaram bem, no ?"

"Infelizmente sim... voc tem razo."

"Papai?"

Uma voz embriagada chama a atenao dele de volta para o sof.
"Tenho que ir, Jen. Yeah, certo, e obrigado por sua ajuda."

Ele coloca o telefone no gancho, e ento vai depressa para o
lado de Benjie, abraando o pequeno corpo. Braos curtos o apertam,
surpreendendo-o com sua fora, e Tillman quer saber sobre a tristeza
que est dentro dos olhos azuis. "Estou aqui mesmo, Benj. Parece que
voc precisa dormir mais um pouco."

"No faa isso, papai" Benjie fala em sua voz rouca e 
fraca, antes de esconder o rosto.

"No faa o que?"

"No tente acha-la." o menino sussurro contra o brao do pai.

Tillman tenta manter a conversa leve, achando que a criana
estava dormindo, e no sabe do que est falando. "Achar quem?"

"Janine."

Ele sente um aperto frio contra o peito, e ento, calor
de irritao parental ao desrespeito que ele percebe
do filho. " -mame- pra voc, filho---"

"No, no ."

Numa onda exasperada, ele tira o filho das almofadas, colocando-o
de p, para enfrenta-lo. A cabea de Benjie treme lentamente, apesar
da desaprovao de seu pai. Tillman agarra as mozinhas, a pacincia
dele no limite. "Que tipo de bobagem  essa?"

"Ela no me deixa..." a criana chora, e lgrimas enchem seus
olhos, fazendo-os parecerem maiores, mais azuis, mais lmpidos.

"No te deixa o que?"

"Ela..." Benjie oscila, pausa em apreenso, e ento continua.
"Ela me faz chamar ela de Janine, fica brava comigo se eu chamo
ela de me. Ela diz que eu no sou o filho dela de verdade... s seu.
Mas quando voc chega em casa..." ele cheira, esfrega um olho.
"Eu tenho que fingir... ou ela fica brava de novo."

Ele encara o menino, mudo, espantado.

"Ela disse para no te contar" Benjie continua, confisses
caindo de seus lbios assim como as lagrimas no rosto. "Ou
ela vai me mandar pro lugar dos malucos."

"Que lugar dos malucos?"

Ele encolhe os ombros e lamenta. "No sei onde . Mas ela
disse que minha me de verdade mora l--"

Com uma careta e um gemido de angstia Tillman abraa seu
filho contra o peito, doente pela duplicidade terrvel que tem
crescido durante anos em sua propria casa. O sonho dele, sua
esperana, foi quebrada - que esta criana, nascida da infidelidade-
teria uma vida feliz, bem-ajustada, longe do legado profano que ele leva
consigo para o futuro.

"Meu Deus, filho... ela te contou isso? H quanto tempo?"

O menino d de ombros, incapaz de expressar quantidade de tempo.
Um longo tempo, ao que parecia - um longo, longo tempo, Tillman
reconhece, fechando os olhos, e apertando seu filho contra seu corao.

* * * * * * * * * * * *

Apartamento de Darnell
8 de novembro de 2000
4:38 da tarde

 mais uma casa de solteiro, apesar das predies de Mulder
para o contrrio - Scully decide enquanto olha para o modesto 
domnio de Darnell.

O apartamento  adequado para um homem solteiro ou extravagante,
ou muito divertido. Um sof exagerado, com um tapete com depresses em
todos os lugares certos que sugere que ele se transforma, com frequencia,
numa cama. Abajures e almofadas em cores variadas, sem combinao. Ela
nota o sorriso apreciativo de Mulder, a maneira como ele esquadrinha as
pilhas de revistas, fitas empilhadas no videocassete, os cartazes, e
a cozinha escassamente equipada.

"Sentindo-se em casa?" ela murmura as palavras, esperando zombar dele.
A resposta de Mulder foi imediatada, tambm sussurrada, e entregue com
as pontas dos dedos nas costas dela, esquentando sua alma.

"No mais..."

"Caf?" Darnell, um pouco desajeitado com suas habilidades de anfitrio,
sai da rea da cozinha. "Fiz um pouco h umas trs horas. Mas tem
coca-cola, gua... cerveja?" Mulder escolhe caf, enquanto Scully
se conforma com gua da torneira, com gelo. A visita deles no 
social, mas sim uma tentativa da parte de Mulder para pegar mais
informaes sobre as vtimas anteriores do Assassino do Golpe,
voltando para 1942.

O que Joe Darnell pode saber  pouco, mas Mulder sente que ele
 algum em que se pode confiar.

Os anos 40 eram a poca de Linda Thibodeaux e a poca onde
Harry Cokely comeou seu reinado de terror em Aubrey, matando
trs mulheres. No muito tempo depois, dois agentes do governo
localizaram o assassino, Sam Chaney e Tim Ledbetter, 
e sumiram da face da terra. O mistrio sobre o desaparecimento dele
ficaram desconhecidos e inexplorados at 1994, quando a D.J. Morrow,
recentemente grvida, comeou  a ter sonhos e vises que a levaram 
para a sepultura de cada homem e revelou que eles sofreram o mesmo
destino que as vtimas anteriores, e precipitou na quada de B.J. para
a influncia dos impulsos assassinos que originaram de seu av
biolgico, Cokely.

Mulder tem certeza de que a resposta est no passado. Ele
acredita que existe uma conexo sobrenaturalentre o presente
assassino e as vtimas antereioes. Se um irmo ou parente de
alguma vtima, ele no sabe, mas sabe que ele est erguendo
o estudo da vitimologia para novos nveis sugerindo que o mal
de Harry Cokely saltou de seus trilhos para habitar em
algum diferente da sua prpria conexo gentica e sanguinea.

"Como? Por que?" as perguntas de Darnell so legtimas.
Scully tambm gostaria de ouvir as respostas.

"No sei, ainda". Mulder diz, batendo as juntas com os dedos.
" por isso que preciso saber se qualquer uma das vtimas de 1942
tem algum irmo sobrevivente que ainda mora em Aubrey. Eles
teriam cinquenta e oito anos. Fcil de prender, se soubermos quem
so... voc no acha?"

Darnell ri da piada, mas Scully segura pouca esperana na fcil
resoluo. A fofoqueira de planto, Natalie Warner, lavou as mos
e se distanciou. Linda Thibodeaux descansa letrgica, agarrando a
vida no hospital. Darnell, pelo que se v, sabe de alguns fatos
sobre as vtimas de 1994, e ele os compartilhou ontem  noite
com Mulder, mas  de pouca ajuda, por enquanto.

"Poderamos tentar o cartrio" ela aventura,
colocando nova energia na discusso. "Ou talvez a maternidade tenha
informao sobre os moradores mais antigos." ela pausa. "At mesmo
o Tenente Tillman ou outros na delegacia podem se lembrar de algo
no caso original."

Mulder treme a cabea, no oferecendo contato visual com ela. "Scully,
ns penteamos aqueles arquivos. Voc e eu, gastamos horas na
delegacia, e no achamos nada."

Sentada aqui, escutando os dois homens conversando, 
e discutindo o bvio, faz ela ter a sensao de cansao
e desamparo.

A gua em seu copo ficou morno, mas Mulder concorda em tomar
caf fresco. Ela se desculpa, e vai usar o banheiro, que est
razoavelmente limpo, e ostenta um espelho da altura da porta.
Voltando, ela encontra seu parceiro e o detetive ainda conversando
facialmente, como dois homens que ficaram colegas um com o outro, 
num perodo muito curto.

A tarde derrete no comeo da noite, e o cus fica escuro e 
roxo. Mulder coloca teorias sobre a mesa como um sortimento de
mercado de pulgas. Darnell acena, bebe, e escuta, claramente no
sendo intil, como Scully esperava, e certamente no tendo a
descrena do idiota de dias anteriores.

Quando a recente e pouca aquisio que Scully recebeu
de Benjie Tillman entra na conversa, ela presta ateno, 
querendo saber o que Mulder espera ter compartilhando tal coisa
com o homem que  o brao direito de Tillman. J sensvel, ela
acha a revelao intrusa, e irritante. Ela quer que eles saiam
deste lugar, imediatamente.

Alm disso, a misteriosa mensagem que Mulder indicou durante
o almoo ainda permanece uma fonte de ansiedade para ela.

Escutando a breve exposio dele sobre o poder de amuletos e
talisms, ela bajula quando Darnell fala sobre suas prprias
experiencias com um p de coelho num chaveiro. Quando ele fala sobre
escolher nmeros da sorte na loteria semanal, ela se torce e decide
que todas as coisas 'boas' com certeza tem que ter fim.

"Acho que voc quer ver a casa, no , Detetive? Depois disso,
ns vamos embora."

O olhar de Darneel vai dela para Mulder, e ele acena, hesitando.
"Uh, claro. Se  o que voc diz que , eu com certeza, quero olhar
de perto. Quero dizer, se no for problema."

""Nenhum problema mesmo" ela o assegura, mentindo
entre os dentes enquanto se levanta para vestir o casaco de l. Pretendendo
ser rpida, ela veste o sobretudo, e no abotoa. "Est l no
carro; Volto logo."

Crepsculo cobre a cidade com um filtro cinza, postes com as luzes
acesar, e faris sendo ligados como flashs de cmeras. Quando Scully sai,
tudo parece quieto, frio, desanimado. Nenhum sinal de neve, mas o vento
envia rajadas de advertencia, erguendo seu cabelo e cercando seu pescoo
com dedos frios que a fazem tremer enquanto ela sai da calada para ir
ao carro deles.

A respirao dela lana nuvens pequenas de desgosto. Por que o maldito
brinquedo em adquirido mais ateno nas ltimas horas do que---

Luz apunhala sua vista, ofuscante, seguido pelo rugido de 
um guincho de motor de carro. No tendo tempo para pensar, ela
reage explosivamente, com uma adrenalina desesperada - uma onda
induzida por treinamento profissional, e instinto de sobrevivncia.

Ela sente o baque contra o quadril enquanto ela sai do caminho do
carro, rolando sem parar, como uma boneca de trapo lanado pelo asfalto
duro.

* * * * * * * * * * * *
Fim do Captulo 16


