SEEDS 14
AUTOR: Mountainphile
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Captulo 14
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Hospital Memorial
7 de novembro de 2000
8:04 da noite

Scully tira a mo cansada da testa, olhando para a mulher na cama. Elas
esto sozinhas por um momento, ela e Linda Thibodeaux. O doutor e as
enfermeiras completaram outra verificada sobre sua paciente, conferindo seus sinais
vitais e estabilidade. Tubos e mquinas prolongam a vida da mulher num longo e lento
respirar artificial enquanto ela fica deitada, inconsciente.

Ela est esperando pelo corpo de Viola chegar ao necrotrio para poder
fazer o mesmo exame externo que ela fez antes no corpo da infeliz Gwen DiAngelo.
Mulder preferiu ficar na cena do crime, em Edmond, com o legista e a equipe
de investigao. Ele foi inflexvel em sua opiniao para que Scully acompanhasse
Linda para o hospital, para proteger e assegurar a sobrevivencia da nica testemunha
viva que tinham.

Scully estava aborrecida por deixar isso acontecer. Ao invs de sentir 
esperana e otimismo, ela se sente murcha, desapontada com sua propria 
inabilidade para proteger estas mulheres de seus inimigos. Ela est 
frustrada pelas circunstancias em Aubrey que a atrai para o principal
alvo deste caso. Por estar emocionalmente dividida nesta poca do ano.
Por sua fraqueza e sentimentalismo. Por almejar o toque de seu parceiro.

Mas ela est grata por Mulder no estar aqui e ver isso. Se ela pudesse
poupa-lo de uma dolorosa reprise, ela iria.

A semelhana entre Linda Thibodeaux e Teena Mulder 
incrivel deste ngulo, na luz anmica do quarto. Cabelos curtos, brancos.
Mos sobre a manta branca, enrugadas. Tubos na boca e no nariz. J  difcil
Scully ter que enfrentar fantasmas do passado, e ainda aguentar Mulder
sujeitado a outro trgico deja v de sua vida.

O celular toca em seu bolso. Com um aceno para a enfermeira, ela vai para
a rea de espera atender a chamada. "Scully."

"Alguma mudana?"

Mulder parece ansioso e preocupado, o zumbido da cena do crime
ao fundo. Ambos esto bem atentos de que Linda segura a chave para 
a identidade do assassino, e que  crucial que ela recupere a consciencia.
Embora fosse tarde demais para Viole Rains, este ciclo predatrio tinha
que ser parado antes que algum mais morra, ou se torne um alvo.

"No... nenhuma mudana. J determinamos que  isquemia aguda, com um possivel
ataque do corao. Ela est estvel depois dos exames, mas no est fora de perigo."

"Voc sabe a hora?"

"Voc est pensando em dano traumtico. Em um ataque, trs horas  o tempo
delineado. Quando o fluxo de sangue para o crebro fica suspenso, algumas
celular do crebro morrem imediatamente, enquanto outras permanecem no limite
de morrer. Essas clulas quase mortas podem demorar a morrer por vrias horas.
 por isso que saber a hora e qual o tratamento a ser aplicado  to crucial."

"Assim como foi para minha me."

Ela fecha os olhos ao ouvir estas palavras, focalizando na voz dele.
Ele nao est presente, mas pode saber e pressentir. As sensaes daqueles
dias escuros do colapso de Teena Mulder voltam  sua mente, assim cmo a
adrenalina, o perigo e a espera. A inabilidade de Mulder para
levar as mos curativas de Jeremiah Smith para sua me. Os soluos altos
de derrota, seu corpo curvado, o peso da cabea sobre o ombro dela. Mos 
apertando as costas dela depois de ver sua me deitada, letrgica...

"Sim," ela concede, esperando que ele v adiante.

"Velhos fantasmas, Scully. Para ns dois."

A avaliao sucinta dele a faz suspirar no telefone. Ela
escolhe guia-lo para um assunto menos doloroso. "O corpo est
a caminho?"

"Acabou de sair para o necrotrio. E voc sabe o que mais? Aquela me
de todas as dores de cabea me pegou h meia hora. Eu vou sair por
um minuto para comer alguma coisa. Tillman j ligou para Darnell para
atualiza-lo sobre o assunto."

"Isso  bom."

Ela no descobre nenhuma malcia escondida na voz dele, nenhuma sugesto de
controle.  "Ele disse que Benjie tentou sair de novo. Assim como ontem  noite."

"Voc est sugerindo, de novo, que as tentativas dele para sair de casa
esto ligadas ao assassino? Comparando seus movimentos?"

"Benjie  um barmetro vivo para os impulsos do assassino.
Igual  me dele. O que quer dizer, ao que tudo indicao, que o
assassino devia matar ontem  noite --- quando eu fui atacado."

Ela abaixa a voz dela e vira as costas para a enfermeira que passa,
e aperta o telefone na orelha. "Por que te atacar, ento?"

"Voc nao est vendo o principal: no deveria ter sido eu... alguma
coisa no plano do assassino deu errado e ele no continuou. Viola foi
a vtima escolhida desde o comeo, mas escapou. O trabalho s precisava
ser terminado."

A honestidade cruel dele faz Scully sentir arrepios nos braos, e ela
se lembra de seu proprio trauma emocional que aconteceu mais cedo, este
ano. Ela tambm se tornou a presa de um louco, vigiada e presa como
refm, certa da morte, como Viola. Numa horrvel cmera lenta, ela se
tornou juiz, jri e executora quando puxou o gatilho da arma dela, e
apagou permanentemente a existncia de Donnie Pfaster.

("Voc foi a que escapou...")

No - ela se considera uma sobrevivente ao invs de foragida, mas Scully
decide no pensar nisso. Aquele caso foi fechado h muito tempo atrs.

Uma enfermeira sai do quarto de Linda, passando por Scully e dando-lhe um 
triste sorriso e um tremor com a cabea. O gesto desperta a proteo dela para
com seu parceiro.

"Mudando de assunto - voc precisa descansar um pouco, Mulder. O
legista j concordou em me dar uma carona quando acabarmos aqui. No se
esquea, voc tambm sofreu um trauma na cabea. Essa dor s est dizendo
que voc precisa ir mais devagar e cuidar de si mesmo."

"Eu prefiro que voc cuide de mim mais tarde..."

Ele  incorrigvel, ela decide.  A insinuao dele para a seduo de ontem  noite
a faz ficar com um calor momentaneo, e um pouco de embarao. Ele respondeu um
bufo suave, o som confortando a alma de Scully. 

"Espero que voc esteja sozinho" ela murmura.

"Muito sozinho. Ei, antes de eu ir... deixa te contar sobre a medalha de prata que
ganhamos."

"Que medalha de prata?"

"Outro sobrevivente, Scully: o cachorro. Voc acredita nisso? O velho Chefe
apanhou e foi cortado, mas alguem o levou para o veterinrio e parece que
ele vai ficar bem."

Com os olhos midos, ela respira fundo e morde o lbio para este presente 
pequeno, mas misericordioso.

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Residncia de Thibodeaux
7 de novembro de 2000
8:15 da noite

Hora de sair, Mulder determina.

Ele entra no carro, aliviado por se livrar do vento frio e forte,
e a casa violada, com cheiro de morte e sangue. Sua cabea bate forte,
como um martelo. Passando o cinto de segurana, ele se assusta com o 
baque na janela.

Darnell est olhando para dentro, luzes azuis e vermelhas brilhando atrs dele,
esperando o vidro ser abaixado. "Te encontro l daqui a pouco." ele fala.
"No Grill, certo?"

"Isso mesmo."

Jos Darnell tem o tempo de sobra de um solteiro e energia para gastar
hoje  noite e parece que seu crebro ser ter o estmago dele enchido e seu
crebro escolheu.  O restaurante  um lugar pblico, melhor para uma reuniao
do que o quarto de Mulder - a primeira opo de Darnell - onde o envolvimento
pessoal dele com Scully pode ser averiguado de alguma maneira. Ela chega
a ser meticulosa em no deixar tais pistas, mas ele est pouco disposto a se
arriscar aqui em Aubrey.

Mulder pondera como pode associar o celibato com o detetive, quando ele
ocupou aquele mesmo barco solitrio. Quando o interruptor clicou? Quando ele
e Scully se tornaram amantes? ou anos antes disso, quando ela evoluiu
no proprio conceito dele, e passou a ter mais importncia?

Ela  a nica em seu mundo em que ele confia sem sombra de dvida.
E agora - uma vantagem somada - eles compartilham o sexo que os iludiu durante
tanto tempo.

Outro de seus truques - ou um truque que eles aperfeioaram o perfil de parceiros
menos queridos do FBI. Nada foi fcil para eles, principalmente em relao aos
sentimentos. Respeito e camaradagem anularam aquela qumica inicial em 92. Negao,
flerte, e danando em volta do assunto do envolvimento fsico eram maneiras
mais simples para controlar isso mais tarde.

Se lembrando das atenes solcitas que ela lhe deu ontem  noite,ele admite
que eles viveram anos luz dentro de poucos e curtos meses.

O celular toca enquanto ele anda pela estrada rural da pequena cidade de
Edmond, parando para conferir o espelho retrovisor antes de atender.
Quando ele viu os nmeros exibidos no display, ele se preparao para
a confrontao inevitvel.

"Fox Mulder."

"Agente Mulder, aqui  Klaus Reinholdt, mdico de B.J.
Tentei falar com voc no motel, sem sucesso, entao fui forado a
usar este nmero que voce me deu depois."

Ele xinga levemente no receptor. "Por que voc demorou tanto? Estava
esperando um tipo de comunicao ontem  noite--- isso poderia ter
evitado outra tragdia."

"O que voc quer dizer com isso?"

"No estamos brincando aqui, doutor. Estou falando sobre assassinato.
Outro ataque que deveria ter acontecido ontem  noite, mas foi adiado
para hoje. Se voc no fosse to escravo do sistema, e to egoista
sobre proteger sua reputao sobre sua paciente, uma mulher ainda poderia
estar viva."

"Outra pessoa foi assassinada?"

A incredulidade ingnua do homem aumenta a dor de cabea de Mulder.
"Quanto mais vamos falar antes que voc coloque B.J. no telefone?"

"Espere, por favor..."

Chiando com impacincia ele passa dois carros lentos na estrada.
A inesperada irritao causada por Reinholdt faz sua cabea pesar.
Momentos depois, a voz de B.J. enche seu ouvido, trmula.

"Oh, Deus," ela gorjeia, "Queria falar com voc h dias, agente Mulder.
Eu tive mais vises. E ontem  noite, elas ficaram mais claras, mais sinistras...
como h seis anos, quando tudo comeou."

"Voc pode descreve-las pra mim?"

>Ele imagina a priso, vendo B.J. sentada perto de Reinholdt, os dois tornozelos
presos, ps debaixo da cadeira. Cabelos curtos, uniforme verde da priso,
olhos fitando com intensidade enquanto ela fala. Olhando por uma neblina
de imagens internas medrosas e tortuosas.

"... como ver por culos, pela perspectiva de outra pessoa. Vendo
o que ela v, sentindo o que ela sente. Acho que deve ser o assassino que
eu sinto, certo?"

"Parece que esta  a tendencia que prevalece. Comeando pela ultima
noite, o que voc sentiu?"

"Inquietude, como se precisasse ir para algum lugar. Como se estivesse sendo
chamada ou puxada contra minha vontade. Cheia de ms intenes. Faminta e
cheia de cobia para algo acontecer, mas no tenho certeza do que."

"Vises?"

"Sim... " Ela traga e hesita.  "No conheo o lugar, mas era como uma velha
garagem ou depsito. Ento, muitas rvores, como uma floresta. Me lembro de
sentir raiva e frustrao muito forte, e eu queria bater em alguem. Qualquer
um."

Do outro lado, Mulder ouve a revelao, e treme da dor entre seus olhos.
"Fale sobre hoje  noite. O que voc viu e sentiu."

"Por favor, Agente Mulder... primeiro me diga se aconteceu alguma coisa
horrvel ontem  noite. Sinto que alguem pode ter se machucado - ou morrido."

"Certa nas duas coisas" ele murmura, passando outro carro. "Uma mulher
foi assassinada esta noite, mesmo M.O. de antes, na casa de Linda Thibodeaux,
que foi levada para o hospital depois de sofrer um ataque. Mas ela conseguiu
dar um tiro no intruso antes de desmaiar."

Ele ouve o choro na linha, e ento escuta Reinhold tentando acalma-la.

"B.J. controle-se!" a voz de Mulder estala com autoridade, e o choramingar
dela diminui enquanto ele esucta ela colocar o telefone na boca. "Preciso saber
se voc pode identificar o assassino. Voc  capaz de ver ou sentir quem ?"

Ele est irritado por causa da dor, e tambm por se sentir meio acomodado com
poucas dianteiras. Esse assunto s vai parar quando algo enorme acontecer, e
este caso poder ser fechado. E ento, ele e Scully podem sair daqui.

"O assassino usa algo escuro.  Preto, eu acho" ela responde, a voz macia
e parada. "Como eu fazia, quando fui atrs de Cokely e da sra. Thibodeaux.
Isso  tudo que sei. E, oh, Deus--!" ela fala, tremendo. "Espere! Uma
antiga navalha, com cabo branco. Elas no sao mais feitas assim.  quase
uma antiguidade. Posso ve-la rapidamente. E a sensaao que a pessoa
sente---"

"Macho ou fmea?"

"Eu no sei! Oh, Agente Muldr! Por favor, pare esta pessoa.
E por favor mantenha meu Benjie seguro. E Brian..."

* * * * * * * * * * * *

Ele tinha tomado metade da cerveja at que Darnell entrou no Grill e veio
para perto dele, na mesa nos fundos do restaurante. O atendente sorri atrs do
balco e sugere que eles tomem uma bebida.

"Hamburguer pra mim" Darnell fala, tirando o casaco e luvas.

Mulder sorri e aponta para a testa, mostrando os pontos. "Se voc
tiver algum Tylenol escondido a, eu seria um homem muito feliz."

Inseguro se esta ordem  protocolo aceitvel diante de um detetive
de Aubrey, o empregado olha para Darnell, desconfiado. Ele acena com a cabea.
"Claro. Traga o remdio e mais outra coisa tambm."

Mulder decide por caf, esperando que a cerveja root-beer entre em 
ao. Cheiros tentadores esto ao redor: batatas fritas, cebolas, queijo
mussarela... seu estmago geme. Indo com Darneel, ele escolhe o que 
Scully, com desdm, marca como 'leoburguer', com muita batata frita.

"Tem certeza de que voc vai conseguir comer isso?" Mulder fica meio
receoso de como o estomago do detetive vai suportar carne vermelha, mas ele
pediu molho caseiro de churrasco.

"Eu como isso desde que isso aqui foi inaugurado, ento posso tentar hoje."
o detetive murmura, balanando a cerveja dentro da garrafa. "Mas felizmente estou
aqui para descansar. E para ajudar voc e a agente Scully."

"Isso  muito gentil - ento, suas mini-frias ainda estao ativas,
mesmo com este caso?"

"Exceto pelas poucas horas que trabalhei nesta noite. O tenente no gosta
que faamos isso, mas se ele precisa de ajuda... bem, nao tenho problemas
em fazer isso. No tenho ninguem me esperando em casa, mesmo, diferente de
alguns de vocs."

Mulder sobe e desce a cabea em reflexo, e ento sente um ar frio de
consciencia. No, ele no est imaginando coisas quando v o outro homem lhe
dar um ar fixo e ento se afasta. Ele toma outro gole de caf, pensando nas
implicaes do que Darneel disse, evitando seus olhos, e vendo uma
televisao pequena atrs do bar, onde dois jogadores de basquete
competem pelo dominio da bola debaixo da cesta.

Ele no esperava que Darneel pescasse com rede arrasto to valentemente na lagoa
de outro homem, a menos que ele esteja fazendo isso como um favor para
um terceiro. Tillman? Com a vigilncia elevada, Mulder se inclina pra trs e olha
para o detetive bem de perto. "Voc sabe que s voc pode dar um jeito nisso."

"Acho que voc tem razo. Assim..." ele bate na toalha de mesa com dedos nervosos,
e olha para fora, para o estacionamento. "Onde est a agente Scully? Ainda
ocupada no necrotrio?"

Mulder j inspecionou tudo na chegada, indo para perto do motel para
ver se as cortinas de seus quartos estavam escuras ou iluminadas. E agora ele pensa
que Darnell pode ter feito a mesma coisa. Scully no voltou de sua horrvel tarefa
no hospital, ento ele no sente nenhuma culpa em comer sem ela. Ao invs disso,
ele est numa conversa de duplo sentido com o detetive, e que est interferindo com
seu apetite.

"Ela est com o legista" ele fala, direto. "Fazendo o trabalho dela. Enquanto
isso, - e este  o real motivo de estarmos aqui - eu queria sabe se voc no 
poderia me dar alguma informao que no est nos arquivos que lemos esta tarde."

"Claro, pode perguntar."

"Duas mulheres, Kristy Carlisle e Verna Johnson, foram atacadas e assassinadas
pela detetive B.J. Morrow em novembro de 1994.  Kristy estava em seu apartamento, e Verna
na piscina vazia do YMCA. As duas mulheres tem seus arquivos pessoais l, mas no existem
muitas informaes sobre as famlias. Minha pergunta : voc sabe se alguma destas
mulheres tem algum parente que ainda mora aqui em Aubrey ou na vizinhana?"

Darnell carranqueia, mordendo o lbio enquanto pensa. A comida chega, quente
e cheia de vapor, e Mulder permite que ele morda o hamburguer e beba antes
de responder.

"Bem... eu me lembro de que  Kristy Carlisle nao tinha familia por aqui.
Ela tinha se mudado para Aubrey h um ano, eu acho... nao tenho certeza
de onde ela veio." ele pausa e engole. "Tinha um namorado, que ficou 
devastado quando ela... foi morta. No sei se ele ainda est por aqui."

"Voc poderia descobrir?"

Encolhendo os ombros, Darnell cora e olha pra comida dele. "U, acho que
poderia fazer isso sim."

"E sobre Verna Johnson?"

"Bem, Verna  outra histria. Ela trabalhava na escola secundria de
Aubrey quando morreu, e morou aqui toda sua vida. Uma verdadeira habitante."

"Famlia? Irmos?"

"Yeah, me e pai.  Ela tinha uma irm mais nova, autista, eu acho.
A familia deve ter se mudado, pois nao ouvi mais nada sobre eles faz tempo."

Darnell parece ansioso para atacar a comida, ento Mulder se junta a ele,
apreciando os sucos da carne quente e tempero de churrasco, comendo com
po. Batatas fritas no prato, perfeitas. Ele esbanja no catchup, como uma
criana, sabendo que Scully veria isso tudo com uma tolerancia divertida, e
erguendo a sobrancelha dela.

Ele d o catchup para Darnell, que nega com a cabea, desgostoso. "Depois
do que vi hoje, esquea. J vi sangue o bastante para durar uma vida. Droga..."
ele coloca o hamburguer no prato, respirando fundo antes de elevar a comida,
lentamente.

"Voc se acostuma. Confie em mim - fica cada vez mais fcil."

Se o olhar dele fosse alguma indicao, Darneel achava que ele era maluco.
"Bem" o detetive continua. "O tenente apareceu durante o dia, fazendo 
trabalho burocratico. Ele quer estar no meio desta coisa, como estava
em 94. Aquele caso quase o comeu, especialmente depois de saber que B.J
era a culpada. E ento..."

Mulder arrebata a frase. "E ento eu valsei dentro com minha parceira,
como agentes do FBI, e juntei dois mais dois. Identificando a namorada dele
como suspeita, resolvendo o caso, e revelando a gravidez secreta. Ser que
ele tem ressentimento por mim?"

Darnell acena com a cabea, relutante. "Mas ele precisa muito da sua ajuda.
Em primeiro lugar, voc  perito em controlar crimes como este, e j conhece o
caso. Mas ele tambm gosta de estar por cima das coisas, e no parecer um
bobo. E sua... bem, sua associao pessoal com B.J. no ajuda muito."

Mulder no responde quela observao.  Se intimidade
entre colegas de trabalho na fora em Aubrey parece precipitar sua
prpria marca de destruio, ele no quer ser parte disso. Outro motivo para
resolver logo isso e voltar para DC.

"Ele acha que Benjie deve ficar bem no escritorio dele por algumas horas do
dia, brincando com os brinquedos que a agente Scully deu pra ele."

O nome de Scully novamente.  "No tem bab desta vez?"

"Nah, ele est nervoso em fazer isso de novo. No posso culpa-lo. O menino
 bem fcil de se cuidar -"

"Exceto quando no est passeando por a durante  noite" Mulder aponta.

"Yeah... sabe o que  mais engraado? Brian nunca soube que o menino era sonambulo.
Acho que s vezes Benjie saa cedo pela manh, mas no era uma rotina estranha de zumbi.
Estranho."

"Boa palavra para isso. Escute" Mulder se apoia pra frente, com ar de
conspitao, puxando a ateno de Darnell para longe do prato dele.
"Estou falando srio sobre estes detalhes, pois isso pode jogar alguma luz
sobre a identidade do assassino."

"Voc acha que  um parente?"

"Estou disposto a ter qualquer nmero de teorias a esta altura. A propsito...
voc conhece algum que possa ter uma navalha antigua, com cabo branco, registrada?"

"Uh... no.  De onde voc tirou essa idia?"

Ciente do 'Calcanhar de Achilles' de Darnell, e cansado de suas tentativas para
pescar em territrio pessoal, Mulder decide dar o troco. Ele enfia uma batata
frita dentro do catchup, erguendo a batata e vendo com interesse enquanto a
gota viscosa e vermelha desce lentamente da batata para seus dedos. Ele
espera at ver que Darnell parece estar hipnotizado pelo espetculo 
ensanguentado, e ento coloca a batata na boca e mastiga.

"De um contato no lado de dentro.  Isso  tudo que vou dizer por enquanto. Mas
sempre vale a pena pagar um perito quando voc precisa de respostas."

Realizao amanhece dentro de Mulder como um lmpada incandescente que clica
e brilha; ele se acha sorrindo em antecipao para a reao de sua parceira
por uma sbita e ultrajante inspirao. Tirando a carteira, ele fica de p,
apetite satisfeito, por enquanto.

Darnell, engolindo, nervoso, coloca o hamburguer que comida pra baixo, com
um suspiro derrotado, e Mulder pisca para a face plida e suada do detetive.

"Sempre v para algum que te conhece" ele diz. "Alguem que s fala entrelinhas,
caando outras informaes."

* * * * * * * * * * * *

Motel Conestoga
7 de novembro de 2000
12:09 da manh

O estacionamento est adormecido, e o ar denso a recebe quando ela
destranca a porta e entra no quarto escuro.

Ela exala em alvio. Este lugar, este quarto, lhe permite retirar
todas as coisas horrorosas que ela viu durante o dia. O quarto-lar dela
lhe d boas vindas, e a atrai para entrar em seu santario, e renovar as
foras.

Ela  pega de surpresa por encontrar Mulder enrolado na cama dela, 
como se ele pertencesse ali, como uma instalao.

Monopolizando os travesseiros, seu corpo est embrulhado como um
casulo, uma crislida de lenois, cobertores e colcha. Ele devia estar
esperando por seu retorno h horas, e sucumbiu ao sono. Devia ser um crime
acorda-lo agora, ela admite. Alm disso, ela se acostumou a dividir.

O cabelo dele est eriado contra os travesseiros quando ela se inclina
sobre a cama para ve-lo melhor. Ela fica bbada no cheiro dele.  o que
ela precisa agora, de verdade - a forte presena de um amante, de um homem em
sua vida, um corpo quente em sua cama. O corpo de Mulder. No necessariamente
para agradar ou obter prazer neste momento, mas para saborear e apreciar,
absorver o conforto que emana da sua incondicional proximidade.

Ela boceja, e treme de frio. To cansada...

Montculos de roupa crescem no cho enquanto ela tira tudo. Muito cansada
para fazer qualquer outra coisa, ela rasteja para debaixo dos lenois,
para onde ele est deitado como um feto. O corpo dele esquenta a cama como um
tijolo quente, aquecendo o ninho deles.

"Voc est aqui..." as slabas inarticuladas so faladas na escurido. Sem necessidade
para luz, ele aparece, puxando-a contra si.

Scully se conforma aos contornos musculosos de Mulder, passando uma perna
entre as dele, assim seu corpo se molda contra o dele debaixo das cobertas.
O cabelo pbico dele coa a barriga dela, o membro macio pulsando em
reconhecimento bem-vindo. "Shhh..." ela sussurra. "Volte a dormir."

Ele a segura mais perto, obediente e contente como se ela fosse um bichinho 
de pelcia em seus braos. Uma mo vaga para acariciar-lhe o rosto, e enquanto 
a outra segura sua cabea, e ele esfrega o cabelo nela, em movimentos circulares
e sonhadores. Satisfeito, ele suspira e relaxa, roncando suavemente.

"Te amo" ela respira contra a garganta de Mulder, achando que ele est
completamente adormecido.

Mas os braos e pernas dele a apertam, e ela escuta o macio zumbido de aprovao
que ele oferece, a levando para o sono junto com ele.

* * * * * * * * * * * *
Fim do Captulo 14


