SEEDS 13

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Captulo 13
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Residncia de Tillman
7 de novembro de 2000
10:15 da manh

Scully sustenta um indicador com a unha bem feita, colocando diante do rosto da
criana.

"Mantenha seus olhos no dedo, querido" ela intrui, e Benjie faz isso.
O olhar azul e aguado dele tenta combina o movimento hipnotizante do dedo
dela, mordendo o labio, concentrado.

Seguindo o exemplo de Mulder, ela se prepara para fazer estes pequenos
jogos pseudo-mdicos para enganar pai e filho. Ambos so cooperativos.
Tillman, vestido com roupas menos casuais do que algumas manhs atrs, est
olhando mais para ela do que para seu filho. Benjie, por outro lado, tem que
achar que isso  apenas outra tarefa enigmtica feita por uma figura de
autoridade, outro adulto em sua vida.

Ela coloca o menino no sof, as pernas oscilando, legos empilhados em seu 
colo como uma manta de segurana quebrada aos pedaos. Simblico. O caf
da manh est no ar: toucinho, ovos e leite, ela sente pelo cheiro. 
Provavelmente preparado pelo Sr. Mame, ele mesmo.

 exatamente o que Mulder pediu no Grill esta manh, quando ele
acordou, olhos espertos, prontos para lutar contra o mundo. Ela nao
estava to espera quando acordou, sentindo os efeitos do pouco sono,
e de vrias junes vigorosas em sucesses ntimas. No que ela estava
reclamando, longe disso...

Massagem Vulval era o novo aquecimento? Oh meu, sim--ela no iria
insistir para saber onde Mulder consegue essas novas informaes, mas 
a tentativa certamente leva ao prazer. Graas a Deus por um homem que
no tem medo de fazer uma pequena pesquisa por conta prpria.

Pesquisa  o que o est ocupando agora na delegacia de Aubrey. 
Focalizando nas vitimas em cada caso, ele se sente compelido a voltar
aos arquivos, e encontrar as linhas perdidas, o denominador comum escondido,
e que poderia unir as vitimas, e dar uma nova luz ao mais nosso dos assassinos.

Tillman, com relutncia, sai da sala para atender um telefonema
pessoal. Ao invs de esperar pelo pai para continuar, ela devide aproveitar
a breve e bem recebida ausencia.

"Benjie," ela comea, a voz baixa. "Voc se lembra de ontem  noite?
Voc poderia me contar como foi?"

O menino mexe os blocos de Lego sobre seu colo, e d de ombros.

"O que voc est fazendo agora?"

"Uma casa ".

 evidente que ele nao quer falar sobre seu mais novo projeto de
construo, ento ela passa para assuntos mais importantes. "Voc se vestiu
ontem  noite, nao foi?"

Ele acena com a cabea, e olha pra ela. "Depois que papai dormiu.
Ele nao me ouviu at que eu estava quase saindo."

Estas frases mais longas so msica para as orelhas de Scully, fazendo ela
sorrir, encorajada. "Quem te disse para se vestir... e sair?"

"*Isso* falou".

Ela engoliu diante da franqueza dele, preparando-se para entrar nestas
reas desconhecidas sem a ajuda de Mulder. "O que  *isso*? Por acaso tem um
nome?"

"Acho que no" a voz rouca de Benjie fica mais baixa, e ele toca os
blocos em seu colo. "Fala comigo, mas eu no ouo nada. Eu s... sei."

"Bem, para mim, parece que voc o obedece. O que acontece se voc
no fizer o que *isso* manda? Se voc falasse no?"

Medo brilha nos olhos do menino, e seu labio treme. "Eu no posso. 
muito assustador. E mau. Faria coisas para---"

Ela chega mais perto, a mao tocando o brao da criana numa caricia
tranquilizadora. "Para o que?"

"Machucar as pessoas"

"Voc quer dizer, como Viola, a motorista do nibus?  E Sra. DiAngelo?"

Ele acena com a cabea, olhos nadando num mar de apreenso medrosa, e ele
ergue uma mo para esfregar os olhos. Ele pisca e isso faz com que as
lgrimas corram por suas bochechas avermelhadas.

"Qual  o problema, meu bem? Do que  que voc est com medo?"

"Machuca..."

O toque timido dos dedos do menino chega nas costas da mo de Scully.
Mesmo no querendo, ela sente um frio correr pelo corpo quando ela escuta
as proximas palavras sussurradas por ele.

"Machuca as pessoas que so gentis comigo."

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Delegacia de polcia de Aubrey
7 de novembro de 2000
10:47 da manh

"Caf, Agente Mulder?"

Ele vira a cabea muito depressa a tempo de ver a garrafa cheia de 
liquido, vapor saindo. Dor apunhala entre seus olhos, e ele enruga a testa, ao
mesmo tempo em que sorri, aprovando a oferta.

"Uh, claro. Obrigado."

A policial lhe d um copo de papel disponivel e enche com o liquido quente,
e Mulder d um gole. Preto e picante - o ingresso para ele poder consumir
a manh entre as pastas de papeis que amontoam sua mesa. "Isso deveria estar
qualificado como um grupo legitimo de comida" ele fala, agradecendo.

"Por aqui, j ." ela fala. "Nossa, deve ter sido uma pancada e tanto."
ela fala, olhando para o rosto dele.

"Tocou meu sino, mas est tudo bem."

Sorrindo, ela volta para a recepo, que parece ser o centro nervoso
do departamento. Ainda dividido nos cubiculos que ele se lembra h seis
anos, o lugar parece mais fresco, mais eficiente. Poucos policiais e detetives
esto nas mesas, atendendo a telefonemas. O zumbido constante deixa Mulder
satisfeito com o ambiente, enquanto ele pesquisa.

O zumbido cessa por um momento, incitando ele a olhar pela porta aberta, 
curioso.  Scully, de volta mais cedo do compromisso que tinha com
Benjie Tillman. Mulder nota que as cabeas se voltam para ela, os
olhares seguindo ela, e ele sente orgulho estourar dentro do peito, sabendo
que todo policial no local sabe a conexao oficial dela com ele.

Porm, a conexo privada entre eles  outro assunto, e no  da conta
de ninguem.

Ele assiste.  O cabelo de sua parceira, macio e brilhante, flutua enquanto
ela anda entre os cubiculos, escovando a gola do casaco escuro dela. Labios
cheios e lustrosos sorriem de volta, com civilidade nervosa para poucos,
mas bvios policiais que sorriem como palhaos e se mexem nas suas cadeiras
para seguir o progresso dela.

"Andando na passarela, hein?" 

Scully sorri maliciosamente  saudao dele e remove o casaco, sentando-se
na cadeira da frente. "Isso quase me deixa com saudades do nosso escritorio
no porao" ela fala "onde o isolamento  a norma, e visitas s param quando
esto desesperadas ou precisando de alguma coisa."

"Voc faz isso parecer como se trabalhassemos em algum lugar numa cela
de Tunguska."

Ela arqueia a sobrancelha e ele concede o sentimento. "Ento," ela suspira. 
"Como est sua cabea?"

"Est pulsando. Mas estou longe da me das dores de cabea que voc predisse
depois de tomar um pouco das drogas boas" ele ergue a xcara para provar seu
ponto de vista.

"Voc teve um galo disto no caf da manh, Mulder ".

"Viu? Tem que estar dando certo."

"Assim como seu encanamento?"

Ele sorri e toma outro gole, nao revelando quantas viagens ele fez
ao banheiro na ltima hora. "E como est Benjie? Voc voltou muito mais
rpido do que eu esperava."

No  a imaginao dele que ela parece preocupada e
ligeiramente distante.  Testa enrugada em pensamento, ela
hesita tempo o bastante para ele perceber e colocar a xicara meio cheia perto das
pastas de arquivos.

"No, ele est bem," ela qualifica, notando a reao dele.
"Funo motora normal, coordenao visual normal. Apetite normal.
Brincando normalmente, e aguentando as coisas, mas  sua maneira. Mas ele
ainda  um garotinho cansado, com medo, e carregando um enorme fardo."

"Ele falou com voc?"

Ela focaliza na mo dela, esfregando as costas da mo enquanto fala. 
"Tillman saiu da sala para atender um telefonema, e eu aproveite para perguntar
para Benjie sobre ontem  noite... sobre o que motivou ele a querer sair
de casa, e o que ele sentiu ou sabia sobre *isso*."

"Ento, como ele identifica essa fora que o controla?"

"Ele repetiu tudo que disse a voc na outra noite. Que *isso* diz para ele
o que ele deve fazer, e que ele 'sabe', sem ouvir a voz. Parece como se ele
 um peo num jogo de xadrez, movido de longe por um mestre invisvel."

"Parecido com o que B.J. est sentindo, exceto que ela est atormentada,
e por estar presa, enquanto o menino---"

" jovem, livre, e disponvel. Para ser honesta, ainda nao estou pronta
para saltar neste trem sobre fora demonaca que voc est rolando.
Poderia haver outras causas, Mulder-- psicolgicas e fisiolgicas, que 
podem ter muito a ver com os outros sintomas dele e o que tem acontecido
a ele na ultima semana."

Desanimado, ele coloca a xcara de lado, e apoia na cadeira.

"Isso ainda no explica porque temos uma mulher morta, e outra
ferida. Pense nisso, Scully... o menino no tem a fora para executar
os assassinatos. O verdadeiro assassino, por fora sobrenatural ou paranormal,
convoca o menino, assim ele est presente durante o ataque e o assassinato
subsquente. Por que? Para lanar suspeitas sobre ele, para te-lo participando
de, alguma maneira doente, nos eventos que esto acontecendo de novo. Este
assassino, esta fora,  a mesma que ocorreu em '94 e nos anos '40, e os descendentes
diretos de Harry Cokely e Linda Thibodeaux so os jogadores principais."

Scully fica quieta, as mos apertadas, evitando olhar pra ele.

"J ouvir falar do termo 'Sincronicidade'?"

Ela d um suspiro impaciente.  "Eu poderia aventurar dar meu
entendimento sobre isso, mas prefiro que voc fale sua verso, e me
economize tempo e energia."

"Carl Jung cunhou o termo original. Na sua forma mais simples, 
uma significante coincidncia de dois ou mais eventos onde
algo diferente de chances e probabilidade esto envolvidas.
Um evento sincronstico acontece quando reconhecemos que dois ou
mais eventos aparentemente sem conexo se assemelham a um ao outro e captura
nossa ateno, Scully ".

"Se voc est falando sobre esta sucesso de assassinatos, e que isso parece
ocorrer periodicamente com o passar do tempo, envolvendo indivduos sem nenhum
ponto de conexo--"

Energizado agora, ele se senta adiante, empurrando as pastas de papis 
para o lado.

"Parece ser mais fundo do que isso. Sincronicidade  associada com uma
ativao profunda de energia dentro da psique, como se a formao de padres
dentro da mente consciente  acompanhada por padres fsicos do mundo exterior.
Frequentemente Sincronicidade  associada  perodos de transformaes,
como por exemplo: nascimento, mortes, amor, psicoterapia, intenso trabalho
criativo, e at mesmo mudana de profisso."

Ele pausa, pensando no que ela disse. "No foi acidente quando Benjie
Tillman foi forado a confrontar o mundo exterior comeando a escola neste
outono, e este episdio em sua vida se tornou um catalisado para foras 
psiquicas ocultas e seu proprio envolvimento sincronstico na cadeia de eventos
que tm se desdobrado."

Existem outros eventos sincronticos de que ele est atento, mas que no 
menciona por enquanto com medo de alinear sua amiga e parceira. A aflio
perodica causada pelo nascimento imprevisto da garotinha dela.
O alinhamento tmido da admisso de que esta criana estaria estudando 
no mesmo ano que um garotinho emocionalmente contundido em Aubrey, Missouri.

Muitas coicindencias correlatas, mas ele nao ousar menciona-las. No
ainda, e no para Scully.

Ela olha em dvida pra ele, e fala. "Jung no  a autoridade final aqui, Mulder.
Em todo caso, j que o palpite dele nao pode explicar em teoria quem 
o assasino, acho que voc tinha razo em querer dar uma olhada nas vtimas."

"Como assim?"

"Foi uma coisa que Benjie me disse esta manh. Ele est com medo de
desobedever o impulso que o controla, como deixar a casa ontem  noite,
porque ele disse que *isso* vai reagir com vingana. Ele disse que
*isso* machuca as pessoas que so gentis com ele."

Mulder abafa um grunhido irnico porque mais uma vez, Scully, com
seu porte e esperteza oportuna, tirou um coelho da cartola dela
num momento crucial.

"Tudo bem... entao vamos aceitar isso e olhar para Viola Rains" ele concede.
"Tudo que descobrimos depois de falar com ela no hospital  que ela 
defendia Benjie no nibus."

"Mais do que isso... ela parecia tomar conta dele. Pela propria admisso
de Linda Thibodeaux, Viola agia como os olhos dela, vigiando seu neto. Quem
mais saberia sobre isso?"

"No sei" ele admite. "Mas e sobre Gwen DiAngelo?
Ela foi bab dele apenas durante uma tarde, enquanto Janine Tillman estava
sumida. Isso no parece ser to incriminador ou a chave do envolvimento."

Scully est a ponto de responder quando Joe Darnell entra na delegacia
e acaba com o zumbido suave ao redor, passeando e acenando para um
de seus poucos colegas. Ele acena mais uma vez, e procura, at encontrar
o local onde os dois parceiros esto sentados, conversando.

"Me disseram que voc ia tirar uma folga hoje" Mulder comenta,
arrastando a cadeira para o lado e olhando.

"Agentes" Darnell fala, dando para Scully um rpido aceno. "Sim, sou eu,
pra varia. Mas eu recebi uma ligao do laboratorio sobre alguns resultados.
Achei que vocs gostariam de conferir" ele soma, exibindo um grande envelope
amarelo.

Scully aceita isto primeiro, tirando uma pgina. Ela l, faz carranca, e
passa para Mulder. Os resultados so o que ele esperava no comeo: o sangue
achado em Benjie Tillman pertence, sem dvida, a Gwen DiAngelo.
A digital tirada do cho da cozinha dela logo aps o assassinato
 exatamente igual  sola do tnis da escola de Benjie.
Sem surpresas.

"No prova nada, a no ser que o menino estava l" ele fala, jogando o
relatrio intil sobre a mesa. " o melhor que temos at agora?"

"Por enquanto. Estamos esperando o resultados da toxicologia
e da autpsia. Quanto  impresses digitais na cena--" Darnel d de ombros.
"O assassino deve ter usado luvas, ou limpado tudo."

"E sobre as amostras de fios de cabelo?" Scully pergunta, a sobrancelha
ainda erguida.

"Nada ainda. A mulher mantinha a casa limpa, e sem bichos de estimao.
Nem muitas visitas, considerando que ela morava ali h trs meses.
Sem visita de familiares e no havia muitos amigos para falar dela."

O ltimo comentrio traz um sorriso  face de Mulder; Darnell no
tirou essa observao do bolso. "A vizinha ao lado lhe deu mais
informaes sobre as quais deveramos saber, detetive?"

Scully olha de um homem para o outro.  "Que vizinha?"

"Uh... uma mulher nomeada Natalie Warner," Darnell explica depois
de hesitar um momento. "O agente Mulder foi muito gentil em
organizar uma entrevista com ela outro dia. A propsito, agente..."
ele d um sorriso para Mulder. "Como vai a cabea?"

Mulder sustenta um triunfante polegar, e entao soma um indicador,
apontando a arma imaginaria para o detetive. Darnell, mesmo
com o estomago fraco,  um cara legal. Ele pode levar uma piada,
e reter o humor sobre o incidente, algo que Tillman no faz.
Sua parceira, Mulder nota, pega a identidade da vizinha e
escolhe no perguntar sobre a conversa dos dois homens.

"Bem, estou indo embora" Darnell fala, virando-se para a porta.
Parando por um momento, ele volta e sorri para o rosto sombrio de
Scully. "Eu s queria te dizer, agente Scully... achei incrivel
o que voc fez por Benjie Tillman, sabendo o quanto aqueles
brinquedos so importantes pra ele. A criana est no cu, por
sua causa. Sei que o Tenente ficou impressionado pela
sua considerao e sua generosidade. Foi muito gentil da sua
parte." 

* * * * * * * * * * * *

Ela quer pegar Darnell pelas orelhas e sacudi-lo at
ouvir os dentes dele batendo.

Mas, ao invs, ela sorri, falsa, o obrigado dela, e o observa
saindo. Debaixo do olhar fixo e silencioso de Mulder, o corts
obrigado dela desintegra como gelo no fogo. Ela sente como
se o relgio voltou no tempo, para um passado no muito distante,
quando, depois de uma misso infrutfera, que no rendeu nada
a no ser dois dias perdidos, e emoes cansadas entre eles, Mulder
a olhou da mesma maneira.

Scully acena com a cabea quando Mulder diz que eles esto dando um
intervalo.

"Est frio" ela observa, fechando o casaco enquanto eles vo para
o carro. Mulder d passos largos e rpidos, planejados para faze-la
correr atrs dele.

"E vai ficar ainda mais frio." 

A raiva que queima sem chama dentro dele contradiz suas palavras;
a porta do lado do motorista  batida com fora. Ela no sabe o quanto
desta reao  atribuda  ferida na cabea dele, mas ela no tem
certeza - s sabe que nunca viu Mulder num estado to perturbado, e
no com ela. Scully nem sabe para onde esto indo, at que ele
acelera o carro pela rodovia, a caminho do motel deles.

De volta ao Conestoga, ele navega entre os carros parados para
almoo. O silencio reina, frgil como vidro. Quando ela sai do
carro, ele a segura pelo brao, guiando-a para o quarto dele.
Ele abre a porta com uma mo, empurra com vigor, e ento fecha,
batendo a porta com fora atrs deles.

Ela pode ouvir a respirao pesada dele, a irritao saindo em
ondas do seu corpo. As costas dele parecem largas e quadradas,
invulnerveis. Quando ele gira, parece que ela leva um tapa no rosto.

"Como deveramos chamar isso, Scully - O toque pessoal do 
FBI? Atendimento ao consumidor? Ento agora ns estamos saindo,
e fazendo compras para dar presentes aos suspeitos? Onde diabos
vamos registrar isso no relatrio de despesas?" 

No tendo nenhuma resposta engenhosa, e enfurecida pela confrontao
dele, ela fica quieta. Ele bufa, impaciente, e comea a andar
entre a cama e o banheiro.

"Cristo, por onde devo comear...? Pense nas possibilidades
que deixamos passar durante todos estes anos. Talvez um harm para
Eddie Van Blundht... e mais um fgado para Eugene Tooms, certo?
Voc se lembra de Peetie, o mdico-bruxo dos Apalaches? Provavelmente
voc deveria ter comprado pra ele uma boneca vodoo, depois que
voc atirou nele. Ou... que tal um pacote de cigarros Morleys
para o Canceroso - timo para essas longas viagens de estrada
pela Pennsylvania-"

"Pra com isso, Mulder!"

Ela estava defensiva antes, mas agora, ela est furiosa. Ela aperta
as mos em punhos, ao ouvir o tom sarcstico da voz dele.

Mulder continua. "Voc pensou na sabedoria por trs do
que voc estava fazendo?"

Abrindo os braos, gesticulando, ela revida. "Agora mesmo, estou
pouco ligando se foi inteligente ou no da minha parte. Aquele
brinquedo restabeleceu um pouco de segurana e senso de normalidade
para a vida de um garotinho apavorado. Eu tomei uma deciso, e a
executei. Est feito." 

Uma pausa. "E mesmo que voc desaprove, estou muito contente
por ter feito essa escolha."

"No estou julgando sobre o que voc escolheu fazer---"

" mesmo?! Ento por que voc est me dando este sermo?"

"Voc me irritou, s isso. Voc escondeu de mim uma coisa muito
importante. De novo. Pensei que tnhamos feito progresso sobre
isso. Que diabos aconteceu com a honestidade, Scully? Confiar
um no outro?" 

Ao ouvir a decepo na voz dele, a garganta de Scully fica
apertada e seca. Antes de reagir, ela deveria ter se lembrado de
que tal ato poderia fazer as feridas cicatrizadas sangrarem. 
Ela engole, e o som  audvel dentro do quarto escuro.

"Existem conseqncias para todas as coisas que fazemos em
um caso, tanto para o so quanto para o doente. Voc sabe disso
tanto quanto eu" ele lamenta, a voz mais baixa do que antes.
"Depois do que Benjie compartilhou com voc esta manh, voc
pode ter se feito um alvo, um objetivo. Voc entende o que isso
significa? Mas, ei..." ele sacode a mo. "Est feito, 
como voc mesma disse."

Ainda aborrecida com a reao muito extrema de Mulder, ela
percebe a preocupao latente dele. "Agora voc me escute ---
no vou caminhar sobre ovos ou ter voc monitorando cada movimento
meu. Eu sei que voc est preocupado sobre como este caso est
me afetando, e do que estou passando, mas apesar do que voc
possa pensar, eu estou bem" Dignidade arrepiada, ela se vira e
cruza os braos, a picada das acusaes dele ainda doendo.
"Ento, o que mais est debaixo disso?"

"O que quer dizer " voc?

"Ora, por favor! Tem que ter mais alguma coisa te aborrecendo 
do que a minha compulso em ajudar o menino e no te falar sobre
isso. O que ?" ela est de frente pra ele, procurando no escuro, 
mentalmente. "Tillman?"

A suposio fortuita bate o alvo em cheio como uma seta que
passa pela armadura. Ele est atordoado pela preciso do tiro dela.
Ela acertou na primeira tentativa, e o fato envia um choque direto
ao corao de Scully.

"Mulder..."

Ele faz pouco caso, tremendo a cabea, pouco disposto a reconhecer
a verdade to depressa, e to abertamente. Preocupao e respeito
para com o ego dele faz Scully pisar mais perto, e pegar em sua mo.
S para conectar, mostrar a ele que ela, de todas as pessoas, pode
empatizar com ele. Felizmente, Mulder responde, circulando o
pulso dela com dedos ternos, mas ainda assim, possessivos. 

"Ele gosta muito de ter voc por perto." ele afirma, dando uma
manca explicao. "Voc pode no notar isso, mas eu noto."

"Ele provavelmente no  o primeiro durante estes longos sete anos
em nosso trabalho... e isso no significa nada, claro. Voc
viu os policiais na delegacia. Voc est to aborrecido com algo
que nunca seria recproco?" 

"Eu no sou imune no que se refere a voc. Especialmente agora, 
depois que nos tornamos..."

Sim, ela entende o que a intimidade traz, a forte emoo que
 gerada dentro do corao de uma alma gmea. Mas intimo, mais
protetor. Estudando as mos unidas, atenta da honestidade 
absoluta e seriedade que aparece em Mulder, algo incha dentro
do trax dela. Sempre a cura para ele, Scully o abraa, passando
os braos ao redor do corpo grande num abrao tranqilizador 
de solidariedade. 

O abrao dele, em resposta, quase tira a respirao dela.

"Eu amo voc, Mulder" ela sussurra contra a batida do
corao dele. "E ns dois vamos ficar bem." 

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Residncia de Thibodeaux
7 de novembro de 2000
6:08 da noite

A luz da varanda da frente  uma visao bem-vinda.

Linda Thibodeaux agarra o volante com mos speras, subindo na calada
sem pavimento para seu quintal. O vento estava forte. Com outra noite caindo
 sua frente, ela agradece pela companhia de Viola e a proteo que vem
a mais com a sua presena.

Ontem  noite o vento soprou e o rdio trouxe notcias desanimadoras:
Um alerta para um intruso em Aubrey, um agente do FBI atacado. Foi o agente
Mulder, ela descobriu, sentada perto do rdio enquanto Viola dormia.
Quando uma ligao furtiva para o hospital lhe deu a notcia de que a
condio do agente no era considerada sria, ela respirou um suspiro de ao
de graas.

Ela coloca os antebraos nas alas das sacolas de mercado e entra
pela porta dos fundos. Engraado - Chefe no est aqui para lamber as mos
dela ou latir, saudando-a. Mas ele gosta tanto de Viola, que eles dois deviam
estar ocupados vendo televiso.

A varanda dos fundos parece escura demais, e nenhuma luz est acesa dentro
da casa. Viola estava dormindo? Estranhamente ela sente-se forada a deixar as
luzes desligadas e com o corao batendo a mil, ela anda p ante p
pelos espaos familiares que ela conhece como a palma da mo. Nao existe
barulho, a nao ser gemer infernal das brisas, o bater dos galhos de rvores,
o som de--

O que pode ser?  Grunhidos? Havia alguem grunhindo e ofegando na sala,
barulhos de esgasgamento. Ela abafa um grito apavorado, mesmo assim
continua andando na direo do desconhecido.

Chefe est imvel, deitado perto da porta da frente. Um monto peludo
no cho, a cabea mergulhada numa piscina escura.

Com um soluo desesperado, Linda agarra o batente para nao cair no
chao. Ela cai lentamente sobre o tapete, sua mente incapaz de aceitar
a cena surrealista, processando imagens instantaneas.

Uma forma escura pelo quarto.

Foi assim h cinquenta anos, quando ela escolheu ficar em casa numa
noite fatal. Pensando estar sozinha dentro do conforto de sua casa, se
preparando para a cama. Ouvindo o mal rir atrs dela, vendo com horror
quando Harry Cokely apareceu, olhos brilhando... a mo spera batendo na
boca dela, a outra rasgando sua blusa, o estupro... o brilho da navalha--

Ela v uma figura encapotada, agachada sobre um corpo no cho. Cala de moletom e
blusa florida. Oh, Deus... Viola! Os braos da coisa se movimentam pra
cima e pra baixo, com movimentos de rob, o *thunk* de metal contra carne e 
osso. gua preta esparramada como tinta sobre o tapete, esparramando mais
ainda. Cheiro de sangue. Manchas escuras disto na parede, manuscritas, 
espirradas sobre a moblia. Para cima e para baixo, de um lado para o outro,
numa horrorosa cacofonia de movimentos que a leva  beira do terros quando se
lembra de memrias cheias de dor, agonizantes sobre ela.

Quando ela cai, a figura pra, e olha pra cima. Vira para ela, navalha molhada
e brilhante na noite escura.

Com distncia estreitada, roupas pretas no se tornam nada mais
que bolsas plsticas de lixo, imensamente manca, buracos cortados na
cabea e braos. Plstico escuro cobre a cabea da figura, mos protegidas
com ltex. Chegando perto dela, erguendo seu queixo...

"NO!"

Dor aperta seu peito e ombros, o corao treme, fazendo ela respirar
rpido, dando suspiros. Ela no pode respirar, se mover, exceto para
apalpar o velho revlver do bolso do casaco enquanto o especto abre a boca
e d um riso horroroso.

"NO! Por favor no faa isto! Voc no---!" a pontaria de Linda
oscila, mos subindo e descendo debaixo do peso da arma, o corao
falhando.

Cascuda, baixa -- ela ouve a voz cantando, escarnecendo.

"Algum tem que levar a culpa... ningum escapa pra sempre...
e *voc* j jogou o jogo... no , pequena irm?"

"PARE!"

Lgrimas toldam a viso dela e com um ltimo aperto desesperado ela
se agarra na gatilho. O tiro ecoa na noite, e  a ultima coisa que ela
escuta antes de afundar na escuridao.

* * * * * * * * * * * *
Fim do Captulo 13

