xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Nota da tradução: Esta fic está sendo traduzida com a devida autorização do autor. Esta história pertence ao autor, e os feedbacks deverão ser enviados para ele, de preferência em inglês. Caso você não saiba escrever em inglês, terei o prazer de traduzir seu feedback, e passa-lo para o autor, e caso ele responda, te devolver este e-mail. Edna Barros (ednabarros@uol.com.br) Para outras traduções, visite: www.wfics.hpg.com.br www.fics17.hpg.com.br Translation's notes: This fic is being translated with the due the author's authorization. This storie belongs to the author, and the feedbacks should be correspondents for him(her), preferably in English. In case you don't know how to write in English, I will have the pleasure to translate your feedback, and send it for the author, and in case he answers, to return your e-mail Edna Barros (ednabarros@uol.com.br) For other translations, visit: www.wfics.hpg.com.br www.fics17.hpg.com.br xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx De: Jô-Ann Lassiter <70302.3654@compuserve.com> 13 1998 23:39:03 Esta história está baseada em personagens criados por Chris Carter e 1013 Productions. Usados sem permissão. Nenhuma infração é pretendida aqui. TÍTULO: LIKE A TURTLE IN ITS ON BACK. AUTOR: Jô-Ann Lassiter 70302.3654@compuserve.com PALAVRAS CHAVES: Mulder/Scully UST/Romance RESUMO: Depois de vários golpes o seu ego masculino, Mulder começa a questionar o equilíbrio da relação dele--profissional e pessoal--com Scully. NOTA DA AUTORA: Início da quinta temporada, por volta de "Detour" Esta é uma historia focalizada no personagem, mas é construída junto com a investigação de um AX, então, existe um enredo e existem os bandidos (mais ou menos) que vocês podem odiar. Existe angústia, mas não é extrema o suficiente para ter esta classificação. Existe um pouco de Mulder-tortura, e um pouco de Scully-tortura, e muita tensão sexual não resolvida. Romance, também. Esperem por isso. Agradecimentos: Para Gerry, Lauren, Jill e Jackie pela beta-leitura. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx LIKE A TURTLE IN ITS ON BACK (1/7) por Jô-Ann Lassiter 70302.3654@compuserve.com Concord, New Hampshire, Quarta-feira 11 de março 3:45 da tarde "Então nós ficamos na 93 até a Rota 135?" Mulder olhou para cima, para a mulher de cabelos cinzas atrás da mesa. Antes que a assistente do SAC pudesse lhe responder, uma voz falou. "Pedindo orientações, Spooky? Eu pensei que você sabia estas coisas." Agente Bill Massone se apoiou contra a armação, braços dobrados pelo tórax. "Bem, eu não sei, e eu estou dirigindo" Scully estalou para o agente, sorrindo maliciosamente. Ela estava 'por aqui' com a cidade e com seus agentes rudes, com suas maliciosas observações. Olhando para seu parceiro, Scully viu os lábios dele apertados, e sabia que as observações sobre 'Spooky' estavam começando a irrita-lo. Os comentários não tinham diminuído nas duas horas em que eles estavam lá, e Scully não sabia como ele conseguia agüentar. Ela teve que admitir que estava orgulhosa dele; se fosse com ela, ela não achava que teria sido capaz de se conter, e dizer onde eles poderiam enfiar sua piadas. Ela ainda não entendeu o motivo por que o SAC de Concord insistiu para eles pararem no escritório regional ao invés de ir direto para a policia local, que pediu a ajuda do FBI. O SAC estava abertamente hostil para seu parceiro, e ele mostrou que não estava nem um pouco satisfeito com Mulder sendo colocado na chefia da investigação. Mais cedo, quando Mulder mencionou para Scully que já conhecia o SAC, Ralph Freitas, Scully perguntou como ele era. E ela teve que concordar com a avaliação de Mulder: O homem era um Imbecil de marca maior. E já que a atitude do SAC refletia o tom no escritório, o resto dos agentes eram igualmente Imbecis também. Pelo menos para Mulder, e para ela. Só o pessoal administrativo - uma pessoa só - parecia possuir uma mente e opinião próprias. Anne Gibbon, assistente administrativo de Freitas, continuava impressionando Scully com sua atitude nem um pouco sutil para colocar os agentes em seus lugares. "Não preocupe, Agente Massone," Gibbon entonou agora, toda cortes e profissional. "Eu vou atende-lo no seu pedido para um mapa do seu bairro assim que eu acabar de atender a estes agentes". Levou toda concentração de Scully para ela não mostrar no rosto o que estava pensando. Ela não ousou olhar para seu parceiro. "Eu devo pegar um mapa com as instruções numa folha anexa em vermelho para você, ou um comum é o suficiente?" A face de Massone ficou vermelha, e Scully ficou satisfeita ao ver o interesse Mulder no embaraço do outro agente. "É um apartamento novo. Eu já te disse isso." Massone resmungou. "Sim, senhor" Anne disse, crítica. "Eu vou providenciar cem tipos de instruções diferentes" ela sorriu, brilhante. "É o suficiente?" Scully não entendeu o murmurio de Massone antes que ele voltasse para o escritorio, e batesse a porta. Incapaz de se conter, Scully soltou uma risada. Mulder se virou para a mulher mais velha e sorriu, tímido. "Obrigado." Ela acenou com a cabeça, dando para ele o mapa para Massachusetts/New Hampshire. "Prontinho, agente Mulder. Você tinha razão. Fique na 93 até a saída 43 em Littleton, e então siga as direções impressas." ela lhe deu uma única folha de papel. Um canto da boca de Mulder subiu. "Não vamos acabar no apartamento de Massone, vamos?" Gibbon riu. "Não faria isso com vocês. Vocês são uma brisa de ar fresco nesta fossa de escritório." Mulder ergueu as sobrancelhas, mas não disse nada. "Há quanto tempo você trabalha aqui?" Scully perguntou. "Trinta e dois anos". Scully tinha certeza de que a surpresa dela estava refletida em seu rosto. "Freitas está aqui só há seis meses" Mulder disse. Então num tom de voz mais suave. "E não foi promoção." Gibbon acenou com a cabeça, entao disse num tom por demais conspirativo: "Ele tem um problema em trabalhar com mulheres." "Mesmo?" Scully disse, genuinamente surpreendida. "Não tinha notado isso." "É porque ele tem um peixe maior para fritar" Anne deu um olhar simpatizante para mulder. Scully soube imediatamente ao que ela estava se referindo - a 'Spooky-Festa' estava em sua capacidade total - e o coração dela doía por ele. "Só me chame de cavaleiro com a armadura brilhante." o sorriso de Mulder era cansado. Scully sorriu para ele. "Sir Mulder ". O sorriso dele veio fácil desta vez. "À sua disposição." ele fez um movimento de arco com o braço, e então virou-se para Gibbon. "Eu vi a maneira como ele trata as mulheres. Como você agüenta?" "Fico fora do caminho dele, e ele fica fora do meu" ela sorriu. "Daqui a uma semana e meia, eu me aposento, então eu estou sendo..." ela deu um olhar de puro mal para a porta fechada onde Massone estava se escondendo. "... engulo ele." Desta vez foi Mulder quem riu, e Scully ficou contente em ver isso. Ela colocou uma mão sobre o braço dele. "É melhor irmos andando." Mulder acenou com a cabeça, então se virou para Anne. "Viagem de duas horas?" Gibbon acenou com a cabeça. "No mínimo." Mulder hesitou. Gibbon apontou para os fundos do escritório. "Está todo mundo no fim do corredor. Primeira porta à direita. Banheiro das mulheres é a porta seguinte." ela disse para Scully. "Obrigado" os agentes disseram, indo na direção que ela indicou. Scully deu um suspiro de alívio quando eles estavam longe da vista do resto do escritório. "Espera por mim um pouco, Mulder?" ela perguntou, quando eles chegaram à porta. Ele acenou com a cabeça, olhando para trás, pelo caminho que vieram. "Não é o mais amigável dos lugares, não é?" Ela tremeu a cabeça. "Não." então ela abriu a porta e entrou. O banheiro estava vazio, como ela sabia que estaria. Anne Gibbon era a única funcionaria no escritório, e ela estava na mesa dela. Depois de usar o banheiro, Scully olhou para o espelho, decidindo que ela estava apresentável o suficiente para a viagem ao norte. Ela não queria manter Mulder esperando por muito tempo nesta - como Anne colocou de maneira tão eloqüente - fossa de escritório. "E você tenha a certeza de me manter informada a cada passo." a voz pertencia a Freitas. A mão de Scully gelou na porta parcialmente aberta. Ela podia ver a postura rígida de seu parceiro através da fresta da porta. A voz de Mulder era dura. "Pelo que sei, nós íamos trabalhar independente do seu escritório." "Nós? Ah, você e aquela garota." "Agente Especial Scully é uma mulher, Freitas" Scully podia te-lo beijado, se não pelas palavras dele, mas pelo tom de voz desafiador. "Não pensei que você notasse essas coisas, Spooky" uma voz nova, que Scully reconheceu como sendo do agente especial Ronald Stiles se juntou à rixa. "Olhe, isso está ficando cansativo. Podemos cortar essa chatice de Spooky? Minhas habilidades como profiler não tem nada a ver com este caso" Mulder estava ficando definitivamente aborrecido. "Habilidades de profiler?" Stiles perguntou. Mulder deu para Stiles um olhar indulgente, e então olhou para Freitas. "Parece que seus garotos não fizeram a lição de casa." O agente de DC tremeu a cabeça. Tsk. Isso reflete em você, Ralph." A voz de Freitas crepitou razoavelmente. "Nunca te ensinaram a mostrar respeito, Mulder?" "Ensinaram sim" Mulder respondeu, acenando com a cabeça. O ar estava ficando mais eriçado quando Mulder não disse mais nada. "Você me manterá informado, senhor". "Ficarei contente em fazer isso" o 'senhor' não dito pendurou no ar entre os homens. "Digo para meu superior que você está contra-mandando a ordem dele?" "=Eu= mesmo digo pra ele" Freitas rosnou. Ele estalou os dedos, e Stiles pegou um bloco. "Quem é ele?" "Walter Skinner". Silêncio morto. Então o tom sufocado de Freitas. "Mas como..." Mulder apertou as mãos na frente do corpo, e esperou. "Pode ir na frente, 'Spooky'." O tom de voz do SAC estava tenso. "Eu deveria-" "Não." Freitas empurrou Mulder de lado, e Stiles o seguiu. Scully abriu a porta totalmente e andou para seu parceiro. "Pronto?" ela perguntou, suave. Mulder acenou com a cabeça. A raiva que ele tinha mantido à distancia durante a confrontação estava rastejando nos olhos dele. Scully lhe deu um olhar que dizia 'eu sei' e ele soltou um suspiro. "Vamos embora daqui." ele disse. Eles pararam e se despediram de Anne Gibbon, desejando-lhe sorte com a aposentadoria, e mais sorte para sobreviver o tempo que faltava no escritório de Concord. Ela riu e disse que ia conseguir, e lhes desejou sorte também. Scully tremeu quando eles saíram no vento frio de março. Mulder fechou o casaco aberto, e a seguiu para o carro alugado deles, esperando no lado da porta do carona até que ela abriu o veiculo. Ela tentou ajustar o banco dela pra frente enquanto ele deslizava para dentro ao lado dela. Ela sabia quem tinha movido o assento para trás. Mulder fez isso quando eles voltaram de Boston. E embora ela soubesse que ele não pudesse sentar sem chegar o banco para trás, ela ainda lhe deu um olhar aborrecido. "Se estiver preso, eu posso dirigir o resto do caminho" ele disse. Finalmente ela conseguiu virar a manivela, e o assento deslizou para frente. "Consegui" ela disse, vitoriosa." Mulder relaxou visivelmente, e só então ela percebeu como ele parecia cansado. Ela achou que ser o alvo das piadas de todo mundo provavelmente te cansavam. "Por que você não tenta dormir, Mulder? Não vou precisar de suas habilidade com o mapa até chegarmos em Littleton." ela tentou esconder a preocupação dela, deixando um brilho brincalhão aparecer em seus olhos. Ele deu um sorriso cansado, mas apreciativo, e deitou o banco do carona até que estava quase reto. Scully achou o caminho até a interestadual sem problemas. Até que eles saíssem de Concord e Freitas, Mulder estava dormindo. * * * * * 6 da tarde Parada de Puffin Lancaster, New Hampshire, Ele sentiu o carro correr menos quando eles entraram no desvio. Olhando para fora da janela, ele só viu escuridão, e seus olhos vaguearam para o céu. Sem lua, nem estrela. Só nuvens pesadas. "Onde estamos?" "Rota 40. Algumas saídas antes de nossa parada final." Eles já tinham andando duas horas de estrada de Boston para Acordo, e provavelmente ainda tinham mais duras horas para onde eles estavam indo. Ele sabia que o tanque devia estar na metade. "Gasolina?" "E comida" ela deu um olhar para ele. "Você está com fome?" O estômago dele estrondeou. "Acho que sim" ele disse, um pouco envergonhado. "Bem, o sinal disse gasolina *e comida*. Esperemos que eles queiram dizer um restaurante de verdade, e não apenas uma lojinha com sanduíches de lingüiça." Eles viram o posto de gasolina finalmente - umas cinco milhas pela estrada, e Mulder olhou para Scully quando o único outro prédio em visão era uma lojinha de conveniência. "Eu coloco a gasolina. Você paga e pega a comida?" ela pergunta, saindo do carro. "Tudo bem" ele notou Scully esfregando o pescoço, e rodando os ombros. "Que tal se eu dirigir o resto do caminho?" Ela olhou, cansada, tirando a bomba. "Mm, yeah. Obrigada" ela olhou pra cima dele. "Mulder, venha aqui." Um pouco hesitante, ele deu um passo para ela. "Alguma coisa errada com meu cabelo?" Um sorriso cansado. "Você parece um galo arrepiado" Ela o agarrou pelas lapelas, puxando-o para baixo. "Venha aqui". Resignado ao seu destino, ele abaixou a cabeça para que ela pudesse alcançar com facilidade. Ele tinha que admitir que ter Scully batendo de leve na cabeça dele não era precisamente desagradável. "Pronto" ela disse, com um último tapinha. "Pronto?" ele se endireitou e olhou pelo vidro da janela. Ela acenou com a cabeça, e ele começou a andar para a loja. "Mulder!" ela chamou. Ele suspirou. "Yeah?" Ela sorriu. "Desculpe. Pergunte se tem banheiro feminino? E pegue a chave, caso tenha um?" "Tudo bem" ele andou para a entrada e abriu a porta. Os dois homens atrás do balcão estavam rindo de alguma piada em particular, e ele esperou, paciente, até que um deles se acalma-se para antende-lo. "Precisa de ajuda, moço?" "Vocês tem um banheiro feminino aquí?" Os homens trocaram um olhar. Um deles soltou uma gargalha, e o outro quase não conseguiu se controlar. "Yeah, nós temos um. Mas você vai precisar da chave para entrar lá, moço." a voz dele estava tremendo com ironia, e Mulder teve um click do que eles estavam achando graça mais cedo. O agente sentiu o rosto ficar vermelho. "Não é pra mim." ele olhou pela janela, vendo Scully, de pé, com uma mão na bomba, e outra no quadril dela. Ela parecia ter nascido para abastecer carros. "Oh, claro, claro" o homem falou, piscando para seu amigo, olhando para Mulder em seguida e lhe dando a chave. "É lá atrás." Mulder pegou a chave e abriu a porta um pouco mais vigorosamente do que necessário. Até chegar perto de Scully, ele tinha vontade de jogar a chave pra ela, mas ela sorriu pra ele, e Mulder ficou bravo com ele mesmo por querer culpa-la por aqueles dois ignorantes lá dentro. "Aqui está sua chave." "Obrigada, Mulder". Ela fechou a bomba e tampou o tanque. "Já acabei aqui. Você pode pagar agora" eles andaram para a loja juntos, mas se separaram na entrada. Ele entrou, contente em notar que nem Mike nem Ike estavam pertos dele, pois cobiçavam um turista na outra janela. Olhando mais perto, ele sentiu repulsa ao ver que o objeto da fascinação dos dois era sua parceira. Bem, ele pensou, indo para a parte de trás da loja - eles não iam fazer nada demais com ela, contudo que só olhassem... Mulder estava estudando o conteúdo de dentro do refrigerador quando Frick e Frack capturaram sua atenção de novo. "Ela é uma gata e tanto, não é, Ted?" "Com certeza. Nenhuma maravilha que aquela coisinha minúscula tem aquele cara embrulhado ao redor do mindinho dela." A mão de Mulder que estava alcançando uma lata parou no ar. O homem ainda sem nome riu. "Falou e disse. Cara, aquele ali é o cachorrinho dela." Ted riu. "Você viu como ela ajeitou o cabelo dele lá fora como se fosse a mãe dele, e ele o garotinho dela?" Frack riu. "E ela sai do carro e enche o tanque como uma profissional." "Provavelmente o filhotinho não sabe fazer isso. Aposto que ela não quer que ele suje as mãos brancas como lírios dele." Mulder retirou o braço dele e olhou para suas mãos. Certo, elas não eram cheias de calos, mas suas unhas estavam limpas, mas brancas como lírios? Algo na frase o irritou de maneira errada. "E ela manda ele pra cá, pra pegar a chave do banheiro! E ele fez isso!" "Cara, isso foi muito engraçado. "Vocês tem um banheiro feminino aqui?" ele recitou a frase, mas imitando uma mulher. Mulder trincou os dentes enquanto os homens caíram na risada. Um flash de luz branca, e um trovão alto, iluminaram a loja. Mulder olhou e viu o aguaceiro que estava caindo. "Ei," Frick disse, exausto de tanto rir. "Aposto que ele está a caminho do banheiro, agora mesmo, com um guarda-chuva, na altura dela." "Oh, jeez, Rob, pára com isso. Estou sentindo uma fisgada aqui do lado de tanto rir." Mulder sentiu o rosto ficando vermelho de novo. Ele tinha pensado nisso. Scully tinha acabado de voltar ao trabalho depois de uma semana com uma forte gripe, e ele estava preocupado dela ficar ruim de novo se pegasse a chuva fria. Mas como ele poderia fazer isso agora? Esses dois palhaços achavam que ele era fresco, e servil para Scully. E ele não era. Ele sabia que não era. Outro trovão, e Mulder agiu. Agarrando sanduíches embrulhados em plásticos, algumas bananas, e dois chás gelados, ele foi corajosamente para a frente da loja. "Merda" Frick disse, debaixo da respiração, cutucando Frack nas costelas. "Acho que ele nos ouviu." Frack olhou para Mulder, então olhou de volta para Frick e sorriu. "Yeap. Acho que sim." Frick contou os artigos de Mulder, sem olhar pra ele. "Vinte e três e setenta-cinco, com a gasolina" ele observou e olhou nos olhos de Mulder. Frick estava dançando com diversão. "=Você= está pagando pelo gás, não é, moço?" "Sim," Mulder murmurou. Ele não sabia se estava com vergonha ou com raiva. Tudo que ele sabia era que queria dar o fora daquela loja. Ele jogou duas notas de dez e quatro de uma sobre o balcão. "Fique com o troco". Agarrando as compras, ele saiu da loja. Até que chegasse ao carro, ele estava encharcado. A bolsa de papel rasgou quando ele a colocou sobre o banco da frente, e o chão se cobriu de comida. "Que beleza" ele murmurou. Ele ainda estava fumando por causa daqueles imbecis, e com a precisão com que eles colocaram a relação dele com sua parceira. Será que ele estava levando esta coisa de igualdade longe demais? Será que ele estava cedendo demais? Será que ele deixava ela fazer dele gato e sapato? Ele viu o guarda-chuva no banco de trás. Aquilo o irritou mais do que tudo: que ele pensou em fazer isso, e que eles previram que ele faria isso. Ele seria um bobo se fosse atrás dela agora. A risada zombeteira deles tocaria em suas orelhas por um longo tempo. De jeito nenhum ele arriscaria esse tipo de humilhação. De jeito nenhum mesmo. Um pouco de água não a mataria. Ele esperou por um tempo, e deu um longo suspiro quando pegou o guarda-chuva. Ela estava esperando por ele. "Estava esperando que você viesse" ela disse, o sorriso dela cheio de gratidão e afeto. "Eu quase não vinha" ele admitiu. Scully olhou nos olhos dele. "Os caras da loja cismaram com você?" A boca dele caiu aberta, então ele fechou-a com firmeza. "Não." A mão dela o tocou ligeiramente. "Eu os vi me olhando quando eu passei pela janela. E também te vi abaixar na parte de trás da loja." Ele suspirou. "Mais alguma coisa?" Ela hesitou. "Bem... você estava um pouco irritado quando me trouxe a chave." Mulder suspirou. "Lembre-me de nunca jogar pôquer com você" ele estendeu o guarda-chuva pra ela, e se abaixou algumas polegadas, assim o guarda-chuva estava mais perto da cabeça dela. Ela se aproximou mais dele, o pegando de surpresa ao beija-lo no rosto. "Eu sei o quanto custou você vir até aqui" ela falou, baixinho. "Vamos" ele disse, suavemente, ouvindo o pequeno tremor na voz dela. "Só estamos ficando mais molhados e com frio se ficarmos aqui." Eles correram para o carro, e ela não protestou quando ele abriu a porta, e então esperou, segurando o guarda-chuva sobre ela enquanto ela entrava. Ele ligou o motor, ligou o aquecedor e então foi pegou a chave do banheiro feminino, dando um aperto na mão dela. "Volto logo." Quando ele entrou na loja, Mulder estava com um olhar fixo e duro, e 'acidentalmente' mostrou a arma dele, para abafar qualquer gracinha que Frick e Frack poderiam ter separado para ele. Ele deixou a chave no balcão, e então voltou para o carro, e para sua parceira. * * * * * Fim Parte 1/7 LIKE A TURTLE (2/7) por Jô-Ann Lassiter 70302.3654@compuserve.com xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Colebrook, New Hampshire, Delegacia de polícia Quinta-feira, 12 de março, 8:30 da noite "Ei, Mulder, alguns de nós vamos beber alguma coisa, e atirar uns dardos. Quer vir?" Sua parceira parecia surpresa com o convite. Embora ele parecia estar se dando bem com os locais, interação social era algo praticamente desconhecido. "Uh..." ele hesitou e olhou para ela. Ela sorriu, encorajando-o, e ele voltou ao oficial que fez o convite. "Tudo bem" ele voltou para olhar para ela. "Scully?" Imediatamente o zumbido da conversa amigável morreu. Mulder nao parecia notar isso enquanto esperava a resposta dela. "Um, nao. Eu estou meio cansada, Mulder. Mas você pode ir." O olhar de preocupaçaõ dele estava junto com o óbvio desejo dele para unir-se aos outros pelo menos uma vez, e Sculyy pediu silenciosamente para ele ir, que ela estava bem, mas ela nao queria acompanha-los. Com um leve aceno, Mulder prometeu nao que chegaria tarde, e a atmosfera confortável voltou. O que era isso? Uma epidemia? Antes foi em Concord, e agora esta pequena cidade nos limites de Vermont/Quebec. Scully se sentiu um pouco doente quando percebeu que nao estava imaginando coisas, depois de tudo. Estes homens - oficiais da lei - nao estavam dispostos a trabalhar com mulheres - pelo menos nao de maneira igual, no trabalho ou na diversão. Ela olhou para seu parceiro. Ou ele estava ignorando o óbvio, ou nunca passou pela cabeça de Mulder que ela seria tratada por menos do que o respeito que ele sempre lhe dava. Ela suspirou, certa de que seria o segundo motivo. Mulder podia ser muito cego às vezes. Ele foi até ela, e a puxou de lado. "Você tem certeza de que nao quer vir?" Ela tremeu a cabeça. "Estou exausta, Mulder. Só quero rastejar pra cama." "Só um pouquinho, por favor? Scully, eles =querem= que a gente vá." Ela olhou para ele, e sorriu, cansada. "Eles querem que =você= vá, Mulder." Ele lhe deu um olhar cético, o padrao, para ela. "Nao, eles nao querem isso. Eles querem nós dois junto com eles." Ela nao sabia se deveria bater nele, ou abraça-lo. "Eles nao querem isso. Pense nas conversas. Lembre-se do dia inteiro. Nem todos os homens são tão esclarecidos como você." Ela esperou enquanto ele se lembrava das ultimas horas; e seus olhos mostraram o horror quando ele percebeu tudo, e Mulder encarou seus =novos= amigos como se eles tivessem vendido a melhor amiga dele - o que, em efeito, eles fizeram. Ela sabia o que estava vindo. "Vá" Scullt falou, firme, o afastando dela. "Eu nao quero ir mais." ele falou baixinho. "Mulder, eu quero que você vá com eles ". Suspeita flamejou nos olhos dele. "Por que?" "Porque você já que disse que ia. Eu conheceço esses tipos. Se você der pra trás agora, eles vão ficar te perturbando o tempo todo. E eu nao quero somar nada a isso." Ele parecia que ia protestas, mas a boca dela gelou antes de falar qualquer coisa, e ele simplesmente acenou com a cabeça. "Ei, Mulder, Você está pronto?" Oficial Max Randall gritou pela sala. "Yeah. Yeah, eu estou indo". Ele deu para Scully um olhar como se era =ele= quem estava vendendo seu melhor amigo. "Eu sinto muito, Scully" ele disse, suave. "Te vejo depois no hotel, ok?" "Ok" ele cavou no bolso da calça, e pegou a chave do carro alugado deles. "Você fica com ele. Eu volto de táxi." Ela teve que sorrir. "Mulder, duvido que esta cidade tenha um táxi ". Ele piscou. "Será?" Randall apareceu atrás do parceira dela, e o bateu nas costas; Mulder quase pulou de susto. "Ei, calma Mulder. Cara, você é nervoso. Parece que precisa mesmo relaxar um pouco" ele olhou para Scully, e então voltou a olhar para Mulder. "Você vem ou nao?" Mulder mostrou a chave. "Nós só estavamos combinando o transporte." Randall pegou a chave da mão de Mulder e colocou-a dentro da mao de Scully." "A mocinha leva o carro. Eu te dou uma carona para o seu motel" ele olhou para Scully. "Certo?" Scully sentiu o sangue correndo pro rosto enquanto ela girava para Randall. "Em primeiro lugar, nao sou nenhuma 'mocinha'. Eu sou uma agente especial da Agencia Federal de Investigação. Segundo: você não vai dar uma carona para ele se você vai beber. E terceiro..." ela olhou para Mulder e viu quando ele olhava para ela com orgulho. "... divirta-se" ela disse para ele. Ela precisava dizer pra ele que estava grata pelo apoio e por empatizar com ela. Mesmo assim ela estava livida, e com medo de que ele pensaria que isto estava sendo dirigido a ele. Considerando que esta era a ultima coisa que ela queria, Scully simplesmente deu as costas para os dois, e saiu. Ela sabia que Mulder entenderia. * * * * * Bar de Dublin COLEBROOK, NH, 11:17 da noite. "Ei, garoto, onde você aprendeu a atirar assim?" Mulder girou, muito depressa, e olhou para o orador, o chefe de policia Bill Dwyer, e quase pousou no colo do homem. Talvez aquela terceira cerveja fosse demais. Quando Dwyer o pegou e o corrigiu, risadas ecoaram nas orelhas dele, mas Mulder nao notou. Era uma risada de camaradagem, de rir =com=, e não =para=. Era uma risada que Mulder tinha ouvido poucas vezes em seus trinta e seis anos. E ele gostou. Muito. Ele sentiu um pouco de culpa quando percebeu que ele estava gostando destes homens, os mesmos que trataram tão mal sua parceira. Parte dele se sentiu um traidor, enquanto a outra se divertia na alegria completa de se ajustar com os outros. Como ele equilibraria estes sentimentos pela manhã, ele nao fazia idéia, mas agora, ele só ia aproveitar. Ele sorriu malvadamente para Dwyer quando ele atirou o quinto dardo em cheio no alvo. "Quatro anos em Oxford" Quando Mulder viu o olhar em branco do chefe, ele completou. "Inglaterra. De onde eles inventaram dardos." A luz entrou nos olhos de Dwyer. "Ah, um atirador! Agora entendo por você nao aceitar minha aposta. Você é um cara honrado, Mulder" o agente viu a piscada de olho, e estava quase preparado para o que veio a seguir. "Mesmo se você aceita ordens de uma mulher." O bar ficou quieto para ouvir a resposta de Mulder, e ele com certeza nao ia desapontar ninguem. "Se pareço estar levando ordens de Scully, é isso mesmo que aconteceu. Quando estamos trabalhando na area dela, como pericia, e autopsias, eu aceito o conhecimento e experiencia que ela tem. Se nós entramos numa área na qual eu sou especialista - perfilando, por exemplo, então os papéis são invertidos." ele olhou para o grupo de seis homens da lei. "Ela é minha parceira e minha amiga; isso nao vai mudar. Se isso é problema pra vocês, pode falar agora, e eu vou embora." "Ei, Mulder, pega leve. O chefe aqui só estava querendo rir de você. Todos nós temos esposas e namoradas." "Vocês as tratam da mesma maneira humilhante com que vocês trataram a Scully?" Eles pareciam surpresos. Cada rosto de cada homem dentro daquele bar mostrava uma expressao de confusão. "Como assim?" Randall perguntou, e Mulder nao viu nenhuma hostilidade, só curiosidade honesta. "Nós fomos muito educados com ela." "É exatamente isso. Vocês estão tratando ela como uma mulher, e nao como uma oficial da lei." "Bem, inferno, cara, ela =é= uma mulher." Mulder sorriu. "Eu sei disso. Mas ela também é uma agente do FBI." "Nós só nao estamos acostumados a trabalhar com mulheres... sabe?" Mulder encolheu os ombros. "Acho que sim". Mas ele nao achava isso. "Olha, de agora em diante, nós vamos trata-la como um dos rapazes. Isso vai te deixar contente?" Ele pensou por um minuto, e entao acenou com a cabeça. O que ele realmente queria era que eles tratassem ela como Scully, mas ele achou que isso bastaria. "Então, está tudo certo. Vamos voltar para o jogo. Você está no meu time, Mulder, certo?" * * * * * Hospedaria de Castlenook COLEBROOK, NH, 12:31 da manhã "Alô" Scully resmungou no que ela esperava ser o celular dela. "Oi, Scully." Ao ouvir a voz inarticulada de Mulder, ela acordou completamente. "Mulder, onde você está? Você está bem?" "Yeah", ele disse, e ela poderia ouvir uma cacofonia de vozes masculinas no fundo, cantando. "Acho que já tive muito contato masculino hoje, por uma noite. Você poderia vir me pegar?" "Claro" ela falou, tirando a calça do pijama, e vestindo uma calça jeans. "Me diga onde você está, e como eu chego aí." "Na rua abaixo da delegacia de policia. Quatro blocos. Sinal grande, verde, poste com quatro lampadas na frente. Você nao tem como nao ver." Ela vestiu o casaco sobre o pijama, e entao calçou os sapatos. "Estou saindo agora mesmo, Mulder." "Okay. Estarei na frente, te esperando." "Tudo bem" ela desligou e abriu a porta. O sinal era visível no segundo em que ela entrou na Rua Principal. Era, sem dúvida, a maior luz verdade que ela já tinha visto. Como prometido, Mulder estava esperando por ela na calçada. Ela parou no meio-fio, e ele andou para o carro, instável, e então entrou. "Obrigado por vir," ele disse baixinho. "Nao confiava em mim para achar o caminho no escuro." Surpresa ao ouvir Mulder admitindo isso, Scully o olhou com atenção. Seus olhos estavam envidraados, e parecia que ele ia dormir a qualquer momento. "Você está bem, Mulder?" Ele ergueu os olhos para ela, e Scully notou que isso era um esforço muito grande para ele. "Eu estou bêbado, Scully." Ela sorriu, simpatica. Scully sabia que ele odiava ficar bebado, odiava perder o controle, e era por isso que ele raramente bebia. "Eu sei, Mulder. Mas você está se sentindo bem? Você parece um pouco..." "Verde ao redor das brânquias?" Ele tragou. "Pensei que estava bebendo cerveja comum, mas acho que eles queriam se divertir com o garoto da cidade grande." Todos os alarmes começaram a soar na cabeça de Scully. "O que eles te deram?" Ele suspirou. "Bebiba local. Billy's Shoot. É gostoso, e te acerta em cheio uma hora depois" ele apoiou-se contra a porta, os olhos fechados. "Eu sei que vou ficar doente esta noite." Ela se sentiu péssima. Foi ela quem o encorajou a participar, e eles fizeram ele de bobo. Esses imbecis! Ela tinha uma idéia de como rasgar os corações deles pela garganta. E isso porque ela estava se sentindo particularmente generosa. O que ela nao era. Talvez ela só chutaria nas bolas deles, ao mesmo tempo. Ou talvez nao; um de cada vez seria muito melhor. "Scully, nós podemos ir?" Ela voltou a olhar para Mulder. "Eu sinto muito. Claro que sim" ela engrenou o carro e fez o retorno. Ele gemeu ao súbito desvio, e ela bateu no ombro dele de leve. "Desculpe. Acho que vou fazer curvas mais lentas, agora" ele acenou com a cabeça, miseravel, e a imaginação dela começou a juntar várias torturas que ela julgava serem boas para os homens da policia. "Scully?" As visoes de vingança sumiram, e ela olhou para ele, cabeça abaixada, encarando as maos no colo dele. "Quero que você saiba que estou agradecido. Eu também quero que você saiba que eu me sinto podre, estou furioso, e provavelmente nao vou ser uma pessoa muito sociavel pela manhã." "Eu nao te culpo" ela falou suavemente. Quando ele virou o rosto para ela, Scully tirou a mao do voltante, e ofereceu-a para ele. A mão dele estava fria e úmida quando ele agarrou a dela. Scully estava com medo de que ele ia mesmo ficar doente. Se já nao estava. * * * * * Mulder não sabia o que ele teria feito se Scully nao tivesse aparecido. Provavelmente, ele estaria deitado sobre a sarjeta, ou, se fosse estupido - e ele tinha que admitir, ele podia ser inacreditavelmente estupido - batido o carro em cheio, num arvore. Ele estava surpreso ao sentir o quanto isso doía. Ainda mais num lugar tão longe. Depois que ele tinha jurado que nunca iria se desproteger de novo, ele permitiu ser conduzido com um cordeiro. A parte triste era que ele nunca notou, até ser morto. Ele foi para o mundo, aproveitando sua posição como um extraordinario jogador de dardos, e então, minutos depois, querendo saber por que ele nao conseguia atingir o alvo. O dardo em sua mao era estranho, e ele tinha certeza de que queria mata-lo. Mas ele matou isso primeiro, e quando ele olhou, seu mundo caiu dentro de si mesmo. Seus amigos nao estão rindo =com= ele mais. O olhar ferido dele só tinha alimentado a risada deles. Mulder se xingou por ter baixado a guarda. E eles eram malditos por faze-lo sentir que podia baixar. Olhando para Scully, ele achou que ela estava sentindo isso também. Só havia espaço na vida dele para um amigo de verdade, e Scully já tinha preenchido este espaço. Quer ela gostasse ou nao, ela estava presa com ele. Mulder sentiu a mao de Scully sobre a dele, carne contra carne. Pele sobre pele. Ele apertou a mao dela, e ela apertou de volta. Ação e reação. Mexendo a cabeça contra o apoio do banco, ele abriu os olhos. Ela encheu toda sua visão. Outro apertao, e de novo ela apertou de volta. Encorajando. Ele sorriu. Scully olhou pra ele, e sorriu de volta. "Mulder? Você está bem?" Para toda ação, há uma reação igual e positiva. Ele quis saber se quando ele a beijasse, ela o beijaria de volta. De repente, Scully arregalou os olhos, abriu a boca, e o olhou como se ele fosse uma carcaça de animal, apodrecendo. "Que é?" Ele a encarou. O que estava acontecendo? Por que ela estava olhando assim pra ele? Era quase como se... oh, Deus. "Nada," ele resmungou. "Eu estava pensando. Mas meu cérebro não está funcionando direito." "Grande novidade..." ele a ouviu murmurando. De repente, Mulder se sentiu acuado. Pelo carro, pela mao dela que estava segurando a dele, pela sua vida toda. As atividades da noite giraram em sua mente até que ele tinha que soltar tudo. "Pare" ele resmungou. "O carro. Eu preciso sair." Mulder nao podia olhar pra ela, mas a complacencia dela lhe dizia que ela já esperava por isso. Eles até pararam antes dele dizer o motivo. A porta do carro nao queria colaborar com ele, e Mulder estava frenetico, com medo de sujar o interior do carro, e foi quando Scully abriu a porta do lado de fora. Ele correu além dela, e tão longe quanto podia, antes de cair de joelhos, vomitando tudo sobre a grama coberta de neve. Até mesmo enquanto ele vomitava os intestinos dele, Mulder ouviu os passos dela sobre a camada fina de elo. Ela nao disse nada, mas ele sentiu o calor dela quando Scully se ajoelhou ao seu lado no chao molhado, colocando uma mao confortadora nas costas dele. Ele estava se sentindo tremulo e atordoado, mas a presença dela lhe deu paz de mente, pois ele estava preocupado de que seus proprios braços nao o aguentariam, e que ele enfiaria a cara dentro da propria bagunça que ele tinha feito. Mas ele sabia que ela nao deixaria isso acontecer. Embora ele a tivesse chateado com o que tinha dito, ela ainda cuidaria dele. Se ele estivesse em controle de suas ações, ele ficaria mortalmente envergonhado; só como estava, ele sabia que se sentia horrivel, e que ela o manteria seguro, livre de ferimentos. Mesmo se fosse ele mesmo que os provocasse. Ele podia sentir a cerveja subindo por dentro dele, podia sentir o gosto enquanto subia, e isso o deixou mais enjoado. Jesus, quanto tempo ele tinha? Ele sentiu o braço de Scully passando ao redor dos ombros dele, e ele sabia que algo tinha mudado - ele só nao sabia o que. "Vamos, Mulder. Vamos. Escute minha voz. Concentre-se. Isso mesmo. Você pode me ouvir? Respire fundo... respire fundo. Isso... isso mesmo. Respire." Ele deve ter concordado porque os músculos de estômago dele deixaram de apertar, e ele poderia respirar sem querer vomitar. Mas sua cabeça ainda estava girando, e quando ele se apoiou nela, ele os derrubou para trás, no chao. Mulder podia senti-la debaixo dele, mas ele estava impotente para fazer qualquer coisa a nao ser respirar, e só isso já era um esforço e tanto. "Mulder!" ela tentou sair de debaixo dele, e ele tentou sair de cima dela, mas estava exausto, incapaz de mover um musculo. "Eu... preciso... de alguns.... segundos... para respirar..." Ela parou de lutar, e ele sentiu a mao dela escovando o braço dele. "Tudo bem" ela falou, num sussurro. Ele estava tão exausto, e Scully estava tão macia e quente debaixo dele que ele poderia dormir ali mesmo na beira da estrada, se nao fosse por uma voz pequena e mesquinha que ficou falando, sem parar, que Scully estava ficando molhada por ficar deitada na neve. Usando a pouca coordenação motora que tinha, Mulder rolou pro lado, livrando-a, e deitou o rosto no chao molhado. Na verdade até era bom, o frio o estava revitalizando, ajudando-o, mas nao o suficiente para faze-lo ficar sóbrio. Ele precisaria ficar algumas horas na neve para isso. Mulder tremeu quando se lembrou de que se ficasse ali, ele iria pegar uma ulceração. "Mulder?" A voz dela estava cheia de preocupação, e ele fez um esforço enorme para elevar a cabeça. "Yeah?" a garganta dele doía. "Mulder, nós temos que voltar para o carro" a voz dela estava tremula. "Você ainda está passando mal?" Verdade seja dita, ele se sentia como se pudesse - e provavelmente iria - vomitar a noite toda, mas ele recolhe a pouca reserva de força que tinha e se focalizou na meta dele de tirar Scully do frio. "Yeah," ele respondeu, "Mas eu posso aguentar até voltar para o hotel." "Bom saber, porque eu estou congelando". Ele soube que ela estava congelando sim, e foi por isso que ele conseguiu ficar de quatro. Mesmo assim, ele parou. Como alguem poderia ficar de pé, quando nao podia sentir as maos e pés? Eles nao estavam lá. Ele podia ver eles lá, mas como faze-los funcionar? "Um... Scully, eu, uh... preciso de uma ajuda pra subir." Ela passou um braço ao redor dele, o puxando pra cima. Os joelhos de Mulder falsearam, e ela o pegou pela cintura, lhe impedindo de cair. A pressao do braço dela contra o estomago dele foi demais, e ele xingou quando sentiu perder o controle. Saindo do aperto dela, ele tropeçou alguns pés antes de cair de joelhos e sujar o chao de novo. "Oh, Mulder... " Ela estava se ajoelhando perto dele. "Eu sinto muito. Eu deveria saber que nao devia te agarrar ali." Ele pensou que provavelmente ele estava com sorte por nao poder responder, pois ela o teria ferido se ele devolvesse a resposta que tinha àquela observaçao. Como antes, ela ficou quieta ao lado dele, a palma nas costas de Mulder, até que elterminou. Entao ela o segurou suavemente quando ele suspirou, seco, e ela esfregou o rosto dele, encorajando para ele respirar progundamente. Ela o cutucou pra lone do chao imundo e fedorento, e ele mostrou sua gratidao nao caindo sobre ela quando ele desmoronou. "Ei". as mãos dela estavam nas bochechas dele, e ele abriu os olhos. Mulder se sentia como a escória do mundo. Toda aquela preocupação por uma aflição de que ele tinha causado. E agora ela estava tremendo muito. "Eu estou bem. Entre no carro, e lique o aquecimento. Eu vou estar lá em alguns segundos." Ela negou com a cabeça. "Você precisa da minha ajuda ". "Eu estou bem. Agora entra o carro antes que você fique doente de novo." "E deixar você deitado na neve? Nao." Droga, ela era teimosa! Mesmo nao tendo capacidade para isso, Mulder ficou de pé. "Pronto. Nao estou mais deitado na neve." ela o olhou por um momento, esperando ele cair. A raiva dele começou a aumentar, e mesmo sabendo que ela nao tinha culpa, foi toda focalizada nela. "Entra na po**a do carro, Scully!" A explosão dele não a perturbou em nada. Ela ficou de pé uns bons dez segundos antes de se virar, indo para o carro, e entrando. Ela nem mesmo bateu a maldita porta. Mulder seguiu lentamente. Ele estava tremendo com fúria, e não sabia o motivo. Ela nao tinha feito nada. Ela nao merecia ser o alvo do que ele estava sentindo. Mesmo assim, ele achava que sim, e isso o assustou. Ele não podia entrar no carro ainda. Ele diria algo odioso. Ele sabia precisamente onde e como enfiar e virar a faca com o esforço minimo, tendo o efeito máximo. Às vezes a proximidade deles trabalhava contra ele. Mulder sabia o que ela gostava, e o que ela temia. Ele sabia o que a machucaria. Então ele foi para o carro, mas passou além. O ar frio era bom, e quando mais ele andava, mais sua cabeça clareava. Depois de uns vinte minutos, pela primeira vez ele pensou que, embora estivesse andando numa rodovia escura, ele podia ver a estrada debaixo de seus pés. Respirando fundo, ele girou, e olhou para trás. O carro parou, a porta dela abriu, e ela saiu. Seus olhos se encontraram por um segundo, e foi o suficiente. Até ele chegar no carro, Mulder sentia vergonha pelo proprio comportamento. Se ele tivesse um rabo, com certeza estaria enfiado entre as pernas. Ele puxou a tranca, e entrou no carro. Ele nao olhou pra ela. "Você está bem?" "Yeah. Eu estava... eu só tinha que me acalmar." De canto de olho, ele a viu acenando com a cabeça. Erguendo o rosto, ele olhou para ela, e sorriu. Scully olhou nos olhos dele, e sorriu de volta. Ele não a machucaria por nada neste mundo. * * * * * Fim da Parte 2/7 LIKE A TURTLE (3/7) por Jô-Ann Lassiter 70302.3654@compuserve.com Hospedaria de Castlenook Estacionamento (leste) COLEBROOK, NH, 1:12 da manhã Scully estava indo para Mulder, mas parou. "Oh! Achei que você estava dormindo." Ele tremeu a cabeça. "Nao, só me sentindo péssimo." Eles saíram do carro, e ela seguiu Mulder para a porta dele. Ela esperou por ele abri-la. "Mulder, me dá sua chave." Mulder olhou para a porta aberta, e então para ela, confusão no rosto. Gradualmente ele entendeu. "Eu já me sinto melhor, Scully". Mas mesmo assim, ele lhe deu a chave. "Eu sei que sim - agora." Ele suspirou. "Você não vai acampar no meu quarto a noite toda, não é?" "Só depende de você" O olhar tonto tinha sumido, assim como a fala inarticulada dele. "Você parece bem lúcido, mas nao acho que o que te deram ainda acabou com você." Ele cobriu o estomago com a mao, e fez careta. "Acho que você tem razão." Ela sorriu, simpática. "Dez minutos?" Isso era mais do que tempo suficiente para ele trocar as roupas molhadas, e tomar uma ducha rápida. E ao que parecia, olhando a aparencia dele, era o tempo que ela julgava que o próximo round iria atingi-lo. "Scully, você não precisa---" "Mulder, você sabe quantas pessoas morrem sufocadas pelo proprio vomito a cada ano?" sem esperar pela resposta, ela continou falando. "Eu sei, e eu nao vou deixar você se tornar um deles" ela o apunhalou com os olhos, e então agarrou o braço dele suavemente. "ok?" Ele não recuou do olhar dela, embora ela pudesse ver o embaraço nos olhos dele. "Ok" ele falou, suave. Scully o apertou rápido antes de deixa-lo ir. Um calafrio correu pela espinha dela, e ela correu para o proprio quarto, tirando os sapatos e roupas molhadas, quase antes que a porta estivesse fechada. Contente por ter trazido um conjunto de moletom - ela preferia nao desfilar na frente de Mulder usando pijama - ela o vestiu, suspirando em extase quando a lã morna acariciou a pele dela. Conferindo o tempo - sete minutos - ela pegou a bolsa médica dela, a chave, e foi para a porta. Antes mesmo dela colocar a chave na porta, ela o ouviu. A porta do banheiro estava fechada, então ela bateu antes de abrir um pouco. "Mulder? Está tudo bem com você?" "Scully?" o tom dele tinha um quê de melancolia, então ela abriu a porta com cuidado. Ela ofegou quando o viu nu, molhado, ainda na banheira, apoiado na beirada, vomitando todo o banheiro. Ele estava tremendo como vara verde. Correndo para ele, ela jogou a bolsa dela num canto e pegou a toalha onde ele tinha deixado. Ela o secou melhor que pôde, e então pegou uma toalha limpa, e colocou-a nas costas dele. A mao dele estava procurando o papel higienico, cegamente. Ela guiou-o para sua meta, e então o ajudou a rasgar um pedaço generoso. Evitando olhar pra ele, Scully nao viu enquanto ele corria o papel sobre o nariz e boca dele, e ela encheu um copo com água, dando para ele. Mulder pegou sem olhar pra ela, bochechando algumas vezes antes de tomar um gole. Ela olhou para o corpo nu dele. "Você quer que eu espere lá fora até você se vestir?" "Yeah, mas... " Ele finalmente olhou pra ela, e Scully ficou chocada ao medo que viu. "Fica mais um pouco?" "Ei... " Ela escovou o cabelo fora dos olhos dele. "Eu só queria te dar um pouco de privacidade. Eu fico o tempo que você quiser." Ele engoliu, e acenou com a cabeça. Ficando de joelhos, Mulder agarrou a toalha que cobria suas regioes baixas, tentando amarra-la na cintura. Scully tocou os dedos dele, e ele deixou a tarefa para ela. A toalha ficou nos quadris dele, e enquanto ela lutava para ajeitar a toalha, o braço dela bateu a ponta do penis dele. Ela sentiu Mulder ficar rigido. "Desculpe" ela murmurou, sentindo a temperatura subir alguns graus. "Está tudo bem" ele falou, suave. "Estou muito doente para apreciar isso agora." Ela bateu de leve no quadril dele, sobre a toalha. "Eu sei. Pobrezinho." A mão dele apertou no ombro dela, e ela observou. Os olhos de Mulder seguraram gratidão, amor, desejo, e a maioria de tudo - pesar. Ela o amava mais por dentro naquele momento, do que ela tinha amado em todos esses cinco anos. "Venha" ela o ajudou a sair da banheira. A calça de moletom dele e roupa intima ainda estavam intactas na pia do banheiro, e ela pegou tudo. "Você está firme o bastante para se vestir?" ele acenou com a cabeça, e ela lhe deu as roupas, e um bocejo gigantesco. Scully cobriu a boca, surpresa. "Desculpe." Ele escovou as costas da mão sobre a bochecha dela, muito ternamente. "Por que você não se deita? Se eu precisar de você, eu te chamo." Ela sentiu os olhos começarem a se fechar. "Yeah... acho que vou mesmo..." ela olhou pra ele. "E você?" Mulder lhe deu um sorriso doente. "Acho que vou ficar aqui por algum tempo. As coisas... ainda não estão firmes." Scully sentiu pena dele. Era improvável que ele conseguisse dormir hoje à noite. Ela apertou o braço dele em condolência. "Deixe a porta aberta - assim eu vou poder te ouvir." A face dele deu mancada numa careta. "Eu vou dormir melhor assim, Mulder." Ele tremeu a cabeça. "Só você, Scully, acharia consolo em me ouvir vomitando." "E só você, Mulder, acharia conforto comigo cantando." Ele riu. "Tem razão." com uma mão suave nas costas dela, Mulder a empurrou para a porta. "Agora, vá dormir um pouco." a mao dele continuou ali até que ela estava além de seu alcance. Scully pensou que se ele não estivesse comprometido a passar a noite no chao do banheiro, ele a teria seguido direto na cama. Pobre homem - ela deveria partir e- Ela se virou depressa--e parou de repente. Mulder a estava fitando, olhar sonhador, o braço contra ele, de maneira protetora. Ele parecia envergonhado, preocupado, confuso e ferido. Ela não sabia o que mais a deixava irritada; a expressão dele quando ela o pegou, ou o olhar de filhote chutado que ele usava agora. "Esqueci minha bolsa" ela resmungou, passando por ele, indo ao banheiro. Pegando a bolsa, ela procurou dentro até encontrar um vidro de AKA Seltzer. "Eu queria... isso pode te ajudar." ela ofereceu o vidro como uma mostra de paz; agora, desejo nos olhos dele era algo que ela nunca pensaria ver. "Obrigado," ele disse, pegando o remédio da mão dela. Scully podia ver que ele estava chateado, mas ela estava cansada demais, e ele estava muito doente para lidar com emoções agora. "Boa noite, Mulder" ela falou, pisando ao redor dele. "Boa noite, Scully" foi cortada quando ela fechou a porta. E durante a noite, quando ela colocou um travesseiro debaixo da cabeça dele, e colocou uma manta sobre ele, Mulder resmungou no sono, mas desta vez as palavras dele não a chocaram. Ela tirou o cabelo dos olhos dele, e apertou os lábios contra sua testa. Não era exatamente uma resposta, mas teria que ser assim. Por enquanto. * * * * * Cena do crime Pântano de Quabbin Colebrook, New Hampshire, Sexta-feira, 13 de março, 8:07 da manhã Depois de um olhar rápido ao corpo, Mulder decidiu explorar o terreno circunvizinho. Afinal de contas, cadáveres nao eram o forte dele. Até mesmo tremendo de frio, Mulder agradeceu o dia cinzento, nublado. Luz solar brilhando na expansão vasta e branca da neve com certeza o teria matado. Quando Randall os chamou esta manhã às sete, Mulder tinha acabado de cair numa poltrona, finalmente livre do banheiro. O detetive perguntou como ele estava se sentindo, e então falou sobre a mais recente vítima. Na sua melhor voz eu-não-estou-morto-muito-obrigado, Mulder ignorou as perguntas sobre sua saúde, e pediu orientação de como chegar à cena do crime. Scully tinha acordado quando o telefone tocou, e depois de uma pequena confusão sobre quem estava no quarto de quem, ela saiu para se vestir, e Mulder caiu na cama. Foi um dos maiores - e melhores - erro que ele já tinha cometido em toda sua vida. A cama era macia, morna - calor de Scully. Rastros de sua parceira estavam em todos os lugares, e ele se espojou neles como um porco na lama. Quinze minutos depois, ela estava de pé, sobre ele, brigando com ele sobre estar dormindo. Ela lhe ofereceu a mão, e ele não recusou; quando um homem acorda no meio de um sonho e encontra uma mulher pairando sobre ele, ele perpetua isso como poderia. Ele tomou um banho rápido e a encontrou sentada na cama bagunçada dele quando ele saiu. Antes de saírem, Mulder pendurou o sinal de "Não arrume" para a empregada, na porta. * * * * * Cena do crime Pântano de Quabbin Colebrook, New Hampshire, 8:18 da manhã Scully estava no elemento dela, e ela sabia disso. O corpo tinha todas as pistas que eles precisavam. Até mesmo Mulder admitiu que Dwyer tinha agido precipitadamente, falando sobre coisas paranormais num caso onde não tinha nada disso. Seu parceiro tinha acabado a ronda ao redor, e agora estava de pé atrás dela, olhando para qualquer lugar, menos para o corpo. Ela não sabia que ele nao estava bem até que ele perguntou se ela nao se importava em dirigir. Scully não tinha percebido de como doente ele ainda se sentia, até que ele olhou para o cadáver - ela nunca viu ninguem ficar branco tão de repente desde que Jake Warren desmaiou no primeiro dia em que ela deu aula em Quantico. Um rápido olhar para Mulder, que lhe acenou, dizendo que estava bem, e ela tirou o incidente da mente. Até agora. A mão dele no cotovelo dela foi uma cortesia bem-vinda; ela tinha ficado dura com o frio, ficando abaixada sobre o corpo por tanto tempo, na neve. "Você está bem?" ele perguntou quando ela agarrou os braços dele para se firmar, e ficar de pé sobre as pernas ainda entorpecidas. Ela o deixou leva-la para o carro. "Estou congelando." "Acabou por aqui?" ele perguntou. "Acabei". Ela olhou pra ele. "E você?" Um aceno. "Eles não precisavam de nós aqui. Um escoteiro com uma lupa quebrada poderia juntar toda as provas. Bem -- e você também" ele sorriu, e ela ficou contente ao ver que a cor dele tinha melhorado, embora não muito. "Como você está indo?" Ela sorriu, grata, quando ele abriu a porta do motorista para ela. "Eu ainda estou um pouco tremulo". Ele foi para o lado do passageiro, enquanto ela se ajeitava atrás do volante. "Acho que você notou minha atuação como Gasparzinho, não é?" Engrenando o carro, e saindo, ela acenou com a cabeça. "Eles nao precisam de nós aqui" ele estava se repetindo, e quando Mulder se repetia, era porque ele estava bravo ou envergonhado, provavelmente ambos. Mas se ele pensasse isso mesmo, ele nao teria ido ontem à noite. E esta manhã. Ela notou que ele fez tudo sozinho, nunca estabelecendo contato com os oficiais, exceto algumas palavras concisas com Dwyer. O comportamento dele era uma indicação perfeita de que ele nao tinha perdido os risos silenciosos, os olhares furtibos que os oficiais nem mesmo tentaram serem sutis em esconder. "Por que não voltamos para o motel?" ela disse. "Vai levar algumas horas até arrumarem tudo." até a chegada dela, as autópsias estavam sendo feitas no hospital equipado mais perto - 65 milhas ao sul. "Nós podemos tomar café da manhã." Ela o ouviu tragar. "Nao estou com fome, e, pra ser sincero, nao acho que posso cheirar comida neste momento." Ela estava com medo disso. "Ainda? Pensei que você estava se sentindo bem." "E estou" ele olhou para as maos dele, no colo. "Um pouco." "Você dormiu bem ontem à noite?" "Acho que dormi algumas horas." ele esfregou a área lombar. "E tenho algumas dores para provar isso." ele olhou para ela, tentando dar um sorriso. "Uh... obrigado pela manta e pelo travesseiro." Ela devolveu o sorriso. "De nada" ele estava tremendo quando ela o checou algumas horas depois, e ela se sentiu culpada por estar rodeando ele, depois que ela tinha dito para ele deixar a porta aberta, e com a janela meio aberta. Ele olhou de volta para as maos dele. "Eu posso tomar um pouco de chá e torrada, se comermos no quarto." "Acho que você vai se sentir melhor, Mulder" ela disse suavemente. Ele não olhou, e se ela nao tivesse virado para ele no mesmo segundo, ela nao teria visto isso, pois o sorriso foi embora tão depressa como veio. Mas não havia como negar: Mulder se sentia amado, e ele tinha atribuido isso a ela. E ele tinha todo o direito de se sentir assim. * * * * * Hospedaria de Castlenook Sexta-feira, 13 de março, 9:42 da manhã Haviam tempos em que Mulder se sentia como se nao tivesse um amigo no mundo todo. E então haviam tempos assim. Mesmo se sentindo mal, ele estava notavelmente eufórico. Em sua vida, nao tinham muitas pessoas que se preocupavam com o que acontecia com ele. Até mesmo nos dias da seção de crimes violentos, quando ele era o melhor do jogo, ninguem dava a mínima se ele estivesse doente. O que importava era que ele pudesse trabalhar. E ele sempre trabalhou. Scully ligava. Ele ainda trabalhava quando nao se sentia bem - e ela também - mas eles se cuidavam, um nunca permitindo o outro forçar os proprios limites. Onde Scully foi amada durante toda sua vida - se não pelos amigos, mas pela familia dela também, ele tinha sido desprezado e ridicularizado. Ele nao achava que ela tinha alguma idéia de como a devoção dela por ele o afetava. Embora ele tivesse sido santificado com o amor dela por anos, cada vez que ela fazia isso, sua presença ainda o fazia ter o caroço dentro da garganta. Na verdade, ele já estava acostumado com isso. Às vezes ele nao tinha o bastante dela. E às vezes isso o assustava até a morte. "Mulder?" Ele olhou pra ela. "Coma sua torrada antes que fique fria." Ele acenou com a cabeça, e mordeu. E quis saber se ela podia ver o sorriso no coração dele. * * * * * Hospedaria de Castlenook Sexta-feira, 13 de março, 11:16 da manhã Scully começou a acordar quando o celular tocou bem na orelha direita dela. Ela procurou, desajeitada, na jaqueta de Mulder, até que conseguiu pegar o aparelho. "Scully." A voz masculina do outro lado parecia surpresa. "Ah... Agente Scully? Eu pensei que este era o numero do agente Mulder." "Sim, é o telefone dele" ela murmurou, se sentando, tentando alisar as rugas da jaqueta dela, que tinha sido usada como travesseiro. "Você quer falar com ele?" "Ah... não. Não precisa. Eu só queria dizer pra ele que o material está todo pronto para a autópsia." Scully sentiu a irritação crescer. "É mesmo? Eu não sabia que o agente Mulder iria executar a autópsia." A voz riu. "Da maneira que ele estava ontem à noite, acho que ele nao vai ser capaz de executar =nada=." depois de uma pausa, a voz continuou. "Eu posso estar errado, claro." Entendendo de repente o significado do que o homem estava falando, e a razão por ele achar isso, Scully apunhalou seu parceiro com um clarão. Mesmo ele estando dormindo pacificamente na propria cama dele, enquanto ela estava virando em muitas sombras de vermelho, Scully queria moe-lo até chegar ao pó. "Eu digo a ele que você ligou" ela falou, nao se incomodando em perguntar quem era. Apertando 'end', ela foi até Mulder e o empurrou. "Hunh?" Abrindo os olhos, ele olhou para ela. "Hora de irmos?" "Um de seus amigos chamou". Ela encontrou os olhos dele brevemente, mas estava muito brava para manter contato. "Meus amigos?" "Um de seus amigos da delegacia de policia pediu pra te dar uma mensagem." "Huh?" Ele estava esfregando os olhos e testa, e ela sabia que ele estava com dor de cabeça, da maneira que ele olhava pra ela por olhos meio fechados. "Que mensagem?" "Sua baía de autópsia está pronta". Ele se sentou rapidinho. "O que você quer dizer com a =minha= baía de autópsia?" "Ele disse para dizer pra =você=, então, quem mais eu posso pensar que vai fazer a autópsia, a não ser você?" Ela o ouviu xingar debaixo da respiração dele. "Mas que idiotas..." ele olhou pra ela. "Eu sinto muito, Scully. Eles deviam ter te chamado, e não a mim." "Não brinca, Sherlock." Esperando que ele fosse defensivo, ou respondesse da mesma maneira, ela ficou surpresa quando ele somente suspirou. "Você tem toda razão por estar chateada." Ela suspirou também. "Você sabe que não é com você que estou brava, Mulder. Você é apenas o alvo mais disponível. E você é do mesmo sexo que esses..." ela mordeu, não falando algo que uma moça de familia falaria. O que ela sabia que era uma mão confortante, foi colocada sobre o ombro dela, e ela tirou isso fora como se fosse um inseto chato. Os olhos de Mulder mostraram preocupação. "Que mais ele disse?" Ela estava dividida entre o afeto por ele, pois ele era Mulder, e a fúria por ele ser homem. "Ele te ligou no seu telefone. Me acordou. E eu atendi." Levou menos que um segundo para a luz piscar nos olhos de Mulder, e ela se ressentiu com a mentalidade masculina que lhe permitiu chegar àquela conclusão sem qualquer outra idéia. "Oh," ele disse. Uma tristeza mais funda que ela nunca viu antes nos olhos dele, apareceu. "Essa idéia te deixa tão preocupada assim?" ele perguntou, numa voz baixa. A própria idéia não a preocupava; ela nao podia dizer honestamente, pois nunca pensou nisso. Mas, Deus a ajudasse, ela estava aborrecida que esses macacos pudessem pensar que ela e Mulder estavam dormindo juntos. "Eu vou tomar uma ducha," ela murmurou, caminhando rapidamente pela porta de ligação entre os quartos. Ela estava sendo injusta com ele, ela sabia, mas ela ainda estava vendo vermelho. A falta de resposta para ele o tinha ferido, mas não era nada comparado ao dano que ela poderia ter feito se ela falasse o que estava em sua cabeça. Ela já estava por aqui com os homens. Se o gerente aparecesse com as toalhas extras que ela tinha pedido, ela provavelmente atiraria nele. Não, Mulder estava melhor da maneira como ela o tinha deixado. Contundido, mas vivo. Mas ela ficou incomodada ao sentir que ele parecia grato pela maneira como ela o tinha deixado. * * * * * Colebrook, New Hampshire, Delegacia de polícia Sexta-feira, 13 de março, 1:00 da tarde Mulder teve que admitir que os oficiais eram bons em suas palavras: tudo que Scully pediu, ela teve. Como ele tinha esperado, eles a trataram como um dos rapazes. Assim que o equipamento foi entregue, os homens que antes teriam tropeçado para ajudar uma 'mulher desamparada', deixaram ela sozinha para descer tudo ao porão do edificio. Ele podia ver que Scully estava confusa pela mudança de comportamento, mas ela não perguntou, e ele suspeitou que ela fez isso só para provar que era capaz, e usando ele como ajuda, eles passaram uma hora puxando mesas, bandejas, e mais dispositivos de tortura que Mulder nunca queria ver, descendo tudo pela escada, para dentro do porão. Quando terminaram, Scully foi cuidar do corpo, e Mulder caiu sobre a mesa excedente. Se Scully tinha forças, ele nao tinha. Ela ainda estava subindo e descendo pelos degraus, enquanto a atividade mais estrênua dele agora era dormir. Ele acordou de repente, encontrando Scully passando um sal de cheiro debaixo do nariz dele. "Que diabos você pensa que está fazendo?" ele afastou a mão dela, e então saiu da mesa, ficando de pé. Ela parecia tão chocada quanto ele, enquanto tropeçava pra trás. "Eu pensei... você parecia desmaiado. E a maneira como você estava espreguiçado-" "Eu dormi, pelo amor de Deus! Se você tentasse me acordar da maneira normal antes de recorrer..." ele torceu o nariz ao se lembrar do cheiro " a isso" ele brigou, "então--" "Mas eu fiz." As palavras dela o pararam. "O que?" "Tentei te acordar da maneira normal. Você não acordava, Mulder." Ele sentiu o rosto fazer carranca. "Você por acaso pensou que eu pudesse só estar cansado? Eu tive uma péssima noite, e então você me fez carregar todo seu maldito equipamento..." Ela se afastou como se tivesse levado uma bofetada no rosto. Ele nao tinha pretendido soar tão severo, mas sentiu uma certa satisfação com a reação dela. Ele ainda estava pensando na conversa que tiveram mais cedo, e Mulder estava contente por ter sido capaz de devolver o favor. Ele tinha levado o risco, deixou seu coração sair da prisão, e ela respondeu devolvendo o coração dele para a prisão, fechando a porta, e ainda dando um ou vinte chutes nele depois que ela partiu. Pobre Mulder apaixonado. Estúpido e cego também. O silencio dela lhe deu toda a resposta que ele precisava. "Eu vou ver Dwyer. Entregar meu relatório." "Certo," ela disse suavemente, os braços dela colados ao lado do corpo. Enquanto se afastava, ele podia sentir o remorso dela, mas ele nao estava pronto para fingir que não aconteceu. Ele só conseguiu aflição neste caso inteiro, e a pessoa com quem ele contava, a quem ele recorreu, o tinha cortado pelos joelhos, o deixando sozinho e sangrando. Ele pensou que entendia a motivação dela, mas isso nao minimizava a dor e com certeza nao fazia as coisas certas. Mulder respirou fundo antes de entrar pela porta da sala da policia. Os detetives estavam amontoados numa mesa, passando ao redor algumas fotos e rindo. Aliviado ao ver que eles estavam ocupados, Mulder andou pela sala, vendo Dwyer nos fundos. Risada rouca alcançou as orelhas de Mulder, que se forçou a continuar andando até chegar a seu destino. Recordando as fotos, ele se falou que eram elas, e nao ele, a fonte do riso dos policiais. Pela janela da porta, Dwyer o viu, expressão meio raiva, meio desculpa. Uma combinação curiosa, Mulder pensou, abrindo a porta. Indo para a mesa do homem, Mulder jogou a pasta de papéis lá. "Aqui está seu caso. Todo fechado. E assim que Scully termine a autópsia, nós vamos embora." Ele se virou para sair, mas Dwyer o parou. "Só um minuto, Mulder." Suspirando, ele se virou para ficar de frente pro homem. "Sente-se, por favor? Eu gostaria de explicar o que aconteceu ontem à noite." Só porque o chefe parecia estar sendo sincero, foi que Mulder se sentou. "Olhe, Mulder, nós não sabiamos que Jimmy estava te dando Billy até depois que você foi embora." "Jimmy?" "O garçom do bar ". Mulder acenou com a cabeça. "Você pediu um Bud, e por aqui, qualquer um que pedir um Bud, eles recebem um Billy. Jimmy nem pensou." Dwyer parecia sem jeito. "Jesus, Mulder, você deve ter tomado uns cinco. Eu nunca te deixaria sair sozinho se eu soubesse disso." "Scully me pegou" Mulder disse baixinho. O rosto de Dwyer relaxou, e ele respirou. "Pelo menos você teve senso o bastante para chama-la. Você estava..." o chefe tossiu, desconfortável. "Antes que você fosse para o banheiro da última vez, você estragou um dos dardos." ele sorriu, duvidoso. "Você disse que matou o dardo antes que ele pudesse te matar" o sorriso alargou. "Aquilo foi bem engraçado." Mulder sentiu o rosto ficar quente. "Yeah, eu tive essa impressão." "Olha, nao estávamos te forçando a nada, se é isso que você pensa. Não sabiamos que você estava bebendo Billy; nós só achamos que você estava com uma gripe, como o resto de nós" a voz de Dwyer ficou mais suave. "Você ficou doente?" Mulder acenou com a cabeça. "Se eu desperdicei seu tempo neste caso, eu sinto muito, mas não parecia nada feito por qualquer homem ou animal." o chefe pegou a pasta de papéis. "Obrigado pelo seu trabalho. Eu vou ler isso, e se nao estiver satisfeito depois de ver o resultado da autópsia, eu vou entrar em contato com você. Isso é justo o bastante?" "Certo," Mulder concordou, ficando de pé, começando a se sentir menos perseguido. "Por que você não voltou para seu motel e se deita um pouco? Eu pessoalmente experimentei os efeitos do Bud Billy no meu sistema digestivo." ele estudou o rosto de Mulder. "Não parece que te deixou ainda." Toda essa conversa sobre sua saúde estava deixando Mulder nervoso. "Estou bem" ele disse bruscamente. "Além disso, Scully está lá embaixo. Ela pode precisar da minha ajuda." "Ah" o chefe disse, tossindo, mas nao conseguindo esconder o sorriso. Mulder carranqueou. Ele tinha se esquecido dos rumores lá na cena do crime. Naturalmente, ele tinha assumido que os policiais estavam se dirigindo a ele, mas parecia que ele tinha interpretado mal o verdadeiro significado das palavras. "Você tem algum problema com isso?" "Não, não," Dwyer foi rápido em negar. "Então, qual é a piada?" Dwyer pigarreou. "Sua parceira parece um pouco..." ele olhou para Mulder. "Nunca conheci uma parceria homem e mulher antes. Acho que este aspecto em execução de lei ainda não chegou aqui na cidade ainda." ele encolheu os ombros. "É uma exigencia que a mulher é a parte dominante da parceria?" Mulder estava além de intimidado. "O que?" "Um..." o chefe parecia incomodado. "Ela parece estar 'no comando' desta investigação." "Como assim?" "Bem, você fica preso ao redor dela caso ela precise de alguma coisa, por exemplo." Mulder carranqueou. "Ela está trabalhando; E eu nao. Quando os papéis estão invertidos, ela está lá para mim se eu precisar dela. Trabalha do mesmo jeito." Dwyer sorriu, afável. "Parece que eu estava errado, então." O tom impertinente dele incomodou Mulder, mas o agente somente acenou com a cabeça. "Estarei escada abaixo caso você precise que eu revise qualquer coisa." ele acenou com a cabeça para a pasta de papéis. "Tudo bem." De novo, o sorriso não escondido o bastante. "Escada abaixo." Mulder olhou nos olhos do chefe mais uma vez, e então se virou, e saiu. "Ei, Mulder, como você vai?" a voz de Randall apareceu à sua esquerda, e Mulder olhou naquela direção. O detetive alto estava sentado numa escrivaninha, fotos de cenas de crime cobrindo toda a superficie. Se levantando, ele foi para o agente. "Eu estou bem, obrigado," Mulder respondeu. "E você?" "Estou bem. Eu sei muito bem quando não beber Billy numa noite de trabalho." o detetive sorriu, os olhos centelhando. Mulder não ficou contente em ser a fonte de diversão de Randall. "Yeah, ninguem pensou em me dizer este pequeno detalhe." Randall suspirou, a atitude alegre diminuindo. "Nós com certeza nao achavamos que você conhecesse a bebida, imagine bebê-la." o detetive franziu as sobrancelhas. "Mas, falando sério. Como você está? Até mesmo o mais forte de nós não conseguiu beber mais de quatro, e você com certeza passou perto." "Cinco," Mulder suspirou. Randall ergueu as sobrancelhas, e soltou um longo apito. "E você conseguiu andar?" Qualquer uma dessas pessoas que ainda estavam gozando dele, estava lá ontem à noite. Mulder decidiu falar com cuidado, atendendo o provérbio, "Me engane uma vez, tenha vergonha de você. Me engane duas vezes, tenha vergonha de mim". "Quase não deu" ele falou, deixando uma sugestão de sorriso brincar sobre os lábios dele, medindo a reação de Randall. Condolência não era o que ele esperava. "Eu sei o que você quer dizer. O A primeira vez que bebi um Billy..." a face da Randall ficou azeda. "Algum brincalhão entrou com essa bebida na minha despedida de solteiro. Eu estava tão doente quanto um cachorro a noite toda. Nem pude ficar de pé no meu próprio casamento no outro dia. Fiz meus votos sentado numa cadeira, apoiado contra minha esposa, tentando não gemer." Mulder apertou os lábios, e deixou sair um apito silencioso. "Que dureza." Randall irradiava. "Mas ela se casou comigo mesmo assim. Vai fazer quatorze anos em julho. Ei!" ele foi para a mesa dele, acenando para Mulder segui-lo. "Você gosta de crianças?" Mulder acenou com a cabeça. "A festa de 6 anos do meu filho foi no domingo passado." abrindo a gaveta da escrivaninha, ele puxou um pacote de fotografias. "Phil é um mágico amador, e ele deu um show para as crianças." Mulder assumiu que 'Phil' era o detetive Phil Costin. "Você já viu algo mais engraçado do que o olhar no rosto delas quando ele serrou a minha esposa pela metade?" enquanto Randall dava as fotos para Mulder, o agente relaxou, e tinha que admitir que a risada dos oficiais, mais cedo, era justificada. Os olhares de maravilha e horror das crianças era incrível. "São legais," Mulder riu, devolvendo as fotos. "Obrigado" Randall falou, colocando de volta na gaveta. "Eu vou comer algo. Você quer vir, ou eu posso pegar algo pra você?" "Uh, não, obrigado". Só a idéia de comer fez o estomago dele chiar. "Mas, se você puder esperar um minuto, vou verificar se Scully quer alguma coisa." "Claro. Vá em frente." Mulder foi para a entrada dos degraus, e então se virou para perguntar para Randall que tipo de comida tinha. As palavras morreram nos lábios dele quando viu a expressão de piedade divertida no rosto do detetive. Este era apenas outro teste sobre a vontade dele? Será que toda a população masculina de New Hampshite estava errada? Talvez, afinal de contas, depois de tanto tempo, ele tinha passado, sem perceber, para o papel de macho passivo. Scully tinha uma forte personalidade, mas será que isso obscurecia a dele? Ele pensou nas concessões que ele tinha feito pelos anos, enquanto ela lascava sua pele, pedaço por pedaço, até que não sobrou nada do Mulder original. Mesmo assim, ele achava que essas mudanças eram para melhor. Oh, Deus, talvez ele estivesse mesmo domesticado. "Ei, Randall, sabe o que mais? Pensando bem, eu vou com você" Scully podia segurar a autopsia sozinha. Ela já tinha deixado bem claro que a atenção dele não era desejadas. E ela era mais do que capaz de conseguir o próprio almoço. Enquanto Mulder andava pela porta com Randall, pela primeira vez em muito tempo ele se sentia livre. Estava começando a aparecer que estava viagem para New Hampshire não foi, afinal de contas, um total desperdício. Ele descobriu que depois que ele parou de se preocupar com o bem estar de Scully, os sentimentos de Scully, as opiniões de Scully, ele estava de volta. O Mulder de cinco anos atrás. O que não precisava de ninguem. Um homem capaz de andar pelos próprios pés, e que não precisava de ninguem em sua retaguarda. Este era o Mulder auto-suficiente, e autoconfiante. Este Mulder era um vencedor. Por que, então, ele se sentia como se tivesse perdido algo? * * * * * Fim da Parte 3/7 LIKE A TURTLE (4/7) por Jô-Ann Lassiter 70302.3654@compuserve.com Colebrook, New Hampshire, Porão de delegacia de polícia Sexta-feira, 13 de março, 6:13 da tarde A sala dançou, e Scully agarrou a beirada da mesa quando sentiu os joelhos ficando fracos. Jesus, de onde isso veio? Num minuto ela estava sondando um remendo nas costas da vítima, e no outro ela estava tonta e fraca. Olhando para o relógio, ela viu a razão: já faziam nove horas desde a última vez que comeu. Onde estava Mulder? Nestes casos sem Arquivos X para ter a atenção dele, ele normalmente grudava nela, cheirando ao redor dos pés dela como um obediente Labrador, e geralmente a distraía com isso. Pelo menos ele tinha certeza de que ela comia no horário certo. Ela teve que admitir que sentia falta da companhia dele. E a força e altura dele ajudavam em muitas ocasiões, como hoje, quando ela teve que virar o corpo de quase dois metros, mais de 120 quilos, para ficar de bruços. Sozinha. Ela tremia com esgotamento depois que tinha conseguido, nem mesmo tendo energia para caminhar para a cadeira solitária na parede. Ela afundou no chão de concreto frio, tremendo, suando e congelando, rezando para que ninguem a encontrasse assim. E ninguem a encontrou. Quando ela conseguiu ficar de pé depois de quinze minutos, ela imaginou que podia sentir o toque suave de Mulder em seus cotovelos, a voz macia sussurrando em sua orelha, dizendo que ela estava se esforçando demais, e que ele a estava levando de volta para o motel. Na verdade, ela se virou para responder que estava bem, e sentiu-se um pouco idiota por não poder ser verdadeira nem com um Mulder imaginário. Se Mulder estivesse aqui, ela teria brigado com ele, o repreendendo por trata-la como uma parceira do sexo 'mais fraco'. Era por isso que ele não tinha voltado? Mas onde ele estava? Ela devia ficar preocupada com ele? Ele tinha conseguido se machucar de novo? Ela ficou tensa. Tinha que ser isso. Ele estava deitado em algum lugar, sangrando, chamando por ela, esperando ela vir e acha-lo. Tinha que ser isso. Caso contrário, ele estaria aqui. Ele teria estado aqui, arriscando a vida para trazer um hamburguer pra ela, batata frita, e uma reprimenda, dizendo para viver um pouco, Agente Scully, só uma vez não vai te matar. Ele estaria aqui, agora, quando ela estava se sentindo tão fraca, para apoia-la e deixa-la usar sua força, até mesmo ao ponto de se exaurir completamente. Ele estaria aqui para pega-la, e impedi-la de cair ao chão, de sentir os dedos do frio penetrando pela pela dela, até os ossos, e de leva-la finalmente para dentro da escuridão. Ele estaria aqui. * * * * * Colebrook, New Hampshire, Delegacia de polícia Sexta-feira, 13 de março, 6:36 da tarde Mulder teve uma tarde bastante proveitosa. Depois de se forçar a comer uma tigela de caldo de galinha e algumas bolachar no Restaurante Moosehead, ele quase sentia um ser humanos. Alguns dos outros detetives já estavam lá, e todos expressaram preocupação por seu bem estar. Embora a atençao o deixasse meio nervoso, também lhe deu a oportunidade rara para se aquecer no brilho da preocupação de alguem diferente de Scully. Ele nunca foi chegado à camaradagem masculina, principalmente por nunca estar incluida nela, mas ele estava começando ver o lado bom disso. Ele se sentiu parte de um grupo, mas o que mais ele sentia era que estes oficiais estavam gostando da presença dele, e nao apenas tolerando. Mais uma vez ele quis saber o por que, mas então se rendeu e decidiu ir com a onda enquanto durava. Assim que tivessem comido, eles conversaram sobre o caso, e Mulder falou naturalmente sobre os achados. Eles nao estava apenas genuinamente interessados nas conclusoes dele, mas com os métodos que o levou a essas conclusões. A parte da tarde passou com um sermão improvisado dele sobre os melhores pontos sobre perfilar. Os detetives formaram uma audiencia exatasiada, e em nenhum momento Mulder pensou em sua parceira. Os detetives tinham ido pra casa há muito tempo, e durante a ultima hora, ele estava se debatendo qual seria a melhor maneira para se aproximar de Scully. Ele sabia que ela ainda estava trabalhando no corpo pois o carro alugado deles estava parado do lado de fora. Agora que ele tinha impressionado os oficiais com suas habilidades profissional e pessoal, ele nao sentia a necessidade para provar a eles - ou a ele mesmo - que ele era menos homens só porque aceitava Scully de maneira igual. As zombarias nao ditas ainda estavam lá. Ele as sentiu cada vez que ele fazia referencia para os talentos forenses de Scully, ou as habilidades dela sobre trabalho comum policial. Até aprender esta pequena lição, embora os detetives tivessem agora uma porção de conhecimento sobre como funcionava a mente de um serial killer, eles ainda eram mal educados - por opção - nos méritos das mulheres profissionais, e especialmente sobre sua parceira. Mulder suspirou. Mesmo gostando de trabalhar com estes homens, que o aceitaram tão prontamente, ele se sentia incomodado na presença deles, por causa da atitude deles para com sua parceira. Ele fez careta quando pensou no recente comportamento dele para com ela. Bem, ela nao o tinha tratado com muito carinho também, mas nao foi ele quem acabou sendo o receptor do desdém dos oficiais. Tendo sido o alvo dos insultos dos agentes de mesma categoria com frequencia, Mulder deveria ter sido mais compreensivo da raiva dela, e o motivo dessa raiva ter sido dirigida a ele. E ele definitivamente nao deveria ter permitido que isso ficasse tão pessoal. Mesmo com seus anos de experiencia em ser um objetivo de piadas, ele ocasionalmente dava uns fora nela quando ficava muito frustrado. E o que ela tinha feito nessas horas? Ela tinha agido como uma criança petulante? Ela teria abandonado ele, trocando-o por outras companhias mais socialmente atraentes? Ele ficou de pé. Que imbecil sem cérebro ele era. Agarrando a jaqueta das costas da cadeira, ele pegou isso e foi para o porão. Achando que nao tinha mais necessidade para ensaiar sua fala, ele desceu os degraus depressa, e entrou pelo labirinto de salas, para onde Scully estava. A porta estava fechada, então ele empurrou com cuidado. "Scully?" Não havia nenhum sinal dela, mas o corpo estava lá, e ao que parecia, ela ainda estava trabalhando nele. Assumindo que ela deveria ter saído para ir ao banheiro, ou pegar um pouco de ar fresco, Mulder chegou mais perto do cadáver. "Jesus! Scully!" Ele correu para onde estava o corpo dela, amassado ao chão, e não respirou de novo até que sentiu o pulso dela, forte e fixo. A mão dela não estava quente com febre, como ele temeu; na verdade, ela estava fria de ficar deitada sobre o concreto. Tirando a jaqueta, ele deslizou o pano debaixo dela, puxando as pontas para cima, até que fechasse, e a engolisse. "Ei..." ele bateu no rosto dela ligeiramente e foi recompensado com um tremular de suas pálpebras. "Vamos, dra. Scully. Hora de acordar." "Mulder?" ela resmungou, olhos ainda fechados. Ela não parecia estar perguntando se era ele, mas que estava bem confiante de que ele estava com ela. "Aqui mesmo," ele disse, ternamente, esfregando a mão dela. "O que aconteceu? Onde nós estamos?" "No porão da delegacia de polícia. Você estava fazendo a autópsia--" "Isso mesmo. Eu fiquei tonta..." ela abriu os olhos, e olhou para ele. "Eu desmaei." Ele acenou com a cabeça. "Parece que sim." ela tremeu, e puxou o terno mais apertado ao redor dela. "Há quanto tempo..." ele perguntou, muito baixo. "Que horas são?" "6:45," ele disse, depois de olhar para o relógio dele. "Uma meia hora" ela tremeu, e levou toda força de vontade de Mulder para não oferecer o calor do conforto dele. Regra Número Um sobre Scully: o primeiro movimento tinha que vir dela. Ela estava ficando mais acordada a cada segundo. Quando ela tentou ficar de pé, ele a ergueu suavemente, e então a soltou. "Como você se sente?" Ela se apoiou nele e Mulder se arriscou, passando um, e então o outro braço ao redor dela. "Como se eu pudesse comer uma boa comida." Mulder fechou os olhos. Este era o trabalho dele. Cuidar para que ela comesse alguma coisa a cada poucas horas. Do mesmo jeito que ela tomou como parte dela ter certeza de que ele comia enquanto estava num caso, ele fazia o mesmo enquanto ela fazia alguma autopsia. Exceto quando ele se sentia desprezado ou excluído, claro. Deus, ele era um egoísta bastardo! "Você quer que eu vá lá fora comprar algo pra você?" ele perguntou suavemente. Ele sentiu ela tremendo a cabeça. "Eu gostaria que você fechasse esta sala, enquanto eu..." ele na verdade sentiu o calor do embaraço dela pela camisa. "...enquanto eu me sento naquela cadeira" ela começou a se mover para a única cadeira que havia ali, contra a parede. "Sem problema" Seguindo os passos dela, ele a levou, lentamente, para a cadeira. "Tudo bem?" ele perguntou, quando ela se sentou, relutante para solta-la. A resposta dela foi um sorriso grato, e ele se sentiu como a espuma que flutuava sobre a superficie do aquario dele todas as manhãs. Dando um fraco sorriso como resposta, ele começou a cobrir o cadáver, e depois cuidando das ferramentas dela. Scully estava com os cotovelos nos joelhos, uma mao cobrindo os olhos. Mulder estava nervoso; ele ficou esperando que ela tombasse a cair a qualquer minuto. Quando terminou, ele ficou de pé na frente dela. "Prontinho" ele falou, secando as mãos na calça comprida. "Scully?" ele perguntou quando ela não deu nenhum sinal de que o tinha escutado. Se abaixando num joelho, ele tocou suavemente a mão dela. "Scully?" "Hm?" ela tirou a mão do rosto, e olhou pra ele. "Terminou?" "Yup." ele ficou de pé. Ela começou a se levantar, mas ficou branca como um lençol, e se sentou de novo. Ela repeliu quando ele colocou uma mão no braço dela. "Eu estou bem, Mulder." "Scully?" ele se abaixou de novo, até que os olhos estavam no mesmo nível que os dela. Um bom brilho de transpiraçao cobria o rosto de Scully, mostrando que ela estava qualquer coisa, =menos= bem. "Você pode me escutar por um minuto?" O aceno fraco dela indicou que ela escutaria. "Uma das coisas que mais admiro em você é sua feroz independencia. É também a coisa que mais acho exasperante." uma sobrancelha erguida foi a resposta de Mulder, mas era de surpresa e diversão. "Scully..." ele cobriu a mao que estava no joelho dela com as duas dele. "Ontem à noite eu estava numa das situações mais embaraçosas que um homem pode estar na frente de uma mulher. Você pensa menos de mim por causa disso?" "O que?" Graças a Deus, ela na verdade parecia furiosa por ele ter a audácia de perguntar tal coisa. "Claro que não." "Na ocasião, entretanto, você ficou com repulsa das minhas ações, por minha dependencia em você, nao foi? Você achou que eu podia cuidar de mim mesmo,sem sua ajuda. Isso não é verdade?" Ela o encarou, traição escrita por toda sua face. "É isso mesmo que você pensa?" Ele esperou alguns segundos antes de negar. As maos dele deslizaram do joelho dela para os lados dele. "É isso que =você= pensa." Um tremor pequeno da cabeça dela lhe disse que ele tinha batido bem em cima do prego. Choque estava escrito no rosto dela, mas foi rapidamente sendo substituído por vergonha. "Você é minha parceira, Scully, e eu te amo. E nao só quero te ajudar - eu =preciso= te ajudar." ele colocou a palma contra a bochecha dela. "Você nao poderia me deixar ajuda-la só esta vez?" "Mas eu estou-" "Talvez você esteja, mas eu não estou. Me sinto culpado por te deixar aqui sozinha, o dia todo." "Mulder, você não é minha babá." "Não, mas eu sou seu =parceiro=, e eu deveria ter ficado pra te ajudar. Eu sabia que você não teria nenhuma ajuda com os 'homens' lá de cima." ele olhou para o corpo. Quando ele a tinha deixado, o corpo estava de costas; o cadáver que ele tinha acabado de cobrir estava de bruços. "Eu quero saber como você conseguiu colocar o corpo de bruços?" Ela tremeu a cabeça lentamente. "Provavelmente não ". "Você fez isso sozinha?" "Sim, eu fiz." Os olhos dele a esquadrinharam, procurando sinais de ferimento. "Você está bem? Você se machucou?" Sorrindo, ela tremeu a cabeça. "Não da maneira que =você= acha... não." Ele estremeceu ao que ela insinuou, então pensou no que ela disse. "De que maneira então?" Se ele não a estivesse encarando tão atentamente, Mulder teria perdido os olhos dela indo para outro lugar um milissegundo antes que ela falasse, "De maneira nenhuma, Mulder. Eu estava tentando fazer uma piada" ela riu, e olhou para ele, esperançosa. Ele sentiu que não podia forçar, mas brincar era a última coisa que passava em sua mente. "Quanto tempo você ficou desmaiada depois disso?" ele perguntou. "Eu nao desmaiei. Eu só estava exausta. Eu descansei um pouco, e me senti melhor." Ele não forçaria nada agora. Ele era tão culpado, se não mais, do que ela. "Vamos pegar algo pra você comer" Oferecendo um braço, ele olhou nos olhos dela. "Me permita ajuda-la?" Ele viu que ela estava a ponto de recusar, mas ela enendeu que ele perguntou na forma de que seria ela que estava concendo um favor. Ela colocou a mão sobre a dele. "Obrigada." A erguendo, ele sorriu, culpado. "É o mínimo que posso fazer." Assim que ela ficou de pé, Scully balançou um pouco, e se abraçou na cintura. "Mulder..." Ele a abraçou quase instintivamente. "Eu não vou te deixar cair, Scully." "Mm... obrigada". Ele quase não podia escutar as palavras dela, a voz muito baixa. "Você consegue andar?" ele perguntou, tentando ver o rosto dela. "Me dá um minuto" ela resmungou. "Só me deixe pegar força" Muito ternamente, ele passou uma mão sobre o cabelo dela. "Leve o tempo que quiser." Depois de uns trinta segundos, onde ela ficou tão quieta que Mulder pensou que ela tinha desmaiado de novo, ele a sentiu se afastando um pouco. "Mulder?" "Yeah?" "Eu sei que você não estava aqui antes, mas eu estou contente de que você está aqui agora." Ele esfregou a mão nas costas dela. "Eu também." Quando ela tirou o braço dela, ele seguiu a sugestão , e retirou o dele. "Estou pronta." ela disse. "Tem certeza?" ele sabia como ela era teimosa, às vezes. Ela o pegou de surpresa ao sorrir pra ele. "Yeah. Estou bem agora. Eu até mesmo poderia pular em cima de você se não me sentisse tão bem." Dizer que ele quase caiu de b**da no chão seria uma indicação incompleta. Ele a encarou, esperando o outro sapato, esperando o momento em que ela percebesse o que tinha dito, e a expressão dela iria de satisfação para uma de completo horror. Nunca aconteceu. Confuso, e cauteloso, e até mesmo um pouco assustado, Mulder continuou olhando nos olhos dela. O semblante de Scully continuou o mesmo, exceto por uma sugestão de presunção e uma cor de medo, muito fraca. Ele permitiu dar um sorriso cuidadoso. "Venha" começando a andar. "É melhor te arrumarmos comida. Você está delirando." Tinha que ser isso. Falta de comida, e oxigenio no cérebro. Ela =nunca= teria feito isso pra ele. Sim, era isso. Ela o confundiu com outra pessoa. Alguem do passado dela, alguem que ela poderia amar, que poderia ama-la de volta. Ele engoliu em seco. Ele poderia ama-la. Sim. "Por que você fez isso?" a voz dela o tirou de seus pensamentos. "O que?" oh,Deus, ele tinha respondido depois que a granada foi solta? "Fiz o que? O que eu fiz?" "Você nao fez =nada=, Mulder. Exceto se esconder. Por que você faz isso?" Ele olhou para ela. Ela estava falando sério. Oh, Deus, ela estava mortalmente séria. "Eu nao estava..." ele protestou. "Você precisa de comida. Pode ser delirio o que você está sentindo." ele parou de andar e pegou o rosto dela entre as mãos. "Eu não quero te forçar a dizer algo que não quer." "O que? Que depois de deitar naquele chão frio, que é bom estar apertada contra um corpo quente? Mesmo que fosse o =seu= corpo?" Se torcendo, ela se soltou das mãos dele, e ela caminhou rapidamente para os degraus. Ele se sentiu como se ela o tivesse golpeado no intestino com uma viga de aço. Ele estava aliviado por nao ter reagido mais positivamente a declaração dela, embora ele tivesse certeza de que a devastação que sentia nao podia ser mais completa. "Ei, qualquer corpo quente serve numa tempestade, Scully" ele falou. E rezou para que a voz nao estivesse tremendo. "Mendigos não são tão ruins assim." Ele ouviu o suspiro dela. "Já ouvi falar." A meio caminho dos degraus, ela reduziu a velocidade, e então parou, respirando pesamente. "Eu sinto muito, Scully," ele disse, aparecendo atrás dela, deslizando um braço pela cintura pequena. Eles foram assim pelo resto do caminho, e ele a ajudou a entrar no carro, sem dizer nada. Quando se aproximaram do hotel, Scully o olhou, acusadoramente. "Pensei que você estava me levando para comer alguma coisa." Ele não olhou para ela. "Pensei que você gostaria de se deitar enquanto eu saio para pegar alguma coisa pra você" ele notou como ela praticamente derretia na cadeira. Scully respirou fundo, e ele sabia que tinha feito outro comentário errado. "Scully, eu só quis dizer... não parece que você vai aguentar ficar sentada muito tempo num restaurante. Se você quiser-" "Você tem razão". a mão dela pegou a dele. Ele quase desfaleceu de alivio quando ela entrelaçou os dedos com os dele. "Acho que só de caminhar para meu quarto vai levar toda força que tenho." Surpresa, choque e temor. Ele tinha certeza de que todas estas sensações estavam claramente visíveis no rosto dele, enquanto a encarava. Ela riu, e então fechou os olhos. "Eu estou bem. Só que muito, mas muito cansada" ela apertou a mão dele, e ele engoliu em seco. "Mulder?" Ele apertou de volta. "Yeah?" "Sobre esta tarde... o que eu disse... ou o que eu não disse. Eu não quis falar aquilo." "Eu sei" ele sussurrou, e em seu coração, ele sabia. Mas mesmo assim doeu. E ainda doía. "Todo este tempo, todos estes anos, eu pensei que sabia como você se sentia. Todos esses comentários sobre 'Spooky', eu pensei que eles me machucavam tanto quanto eles te machucavam." abrindo os olhos, ela virou a cabeça e olhou pra ele. "Eu nem mesmo cheguei perto." Ele acariciou-lhe o cabelo com a mão. "Eu sinto muito por você ter experimentado isso de primeira mão." ele falou, suave. De repente, Mulder estava muito envergonhado por se associar com os homens que a atormentaram. Como ele podia te-la abandonado para se confraternizar com pessoas que desprezavam tão abertamente alguém que ele amava? E foi precisamente esta a razão por ele ter feito isso. Ela o machucara, e ele a quis machucar também. Ele olhou para ela e não sentiu nenhuma satisfação por saber que ele teve sucesso. * * * * * Hospedaria de Castlenook Sexta-feira, 13 de março, 8:01 da noite "Está se sentindo melhor?" "Mm" ela acenou com a cabeça, limpando a boca com um guardanapo de pappel. "Estava muito bom". Scully teve que admitir, que quando Mulder tinha mencionado o destino de onde ele tiraria a comida que queria que ela comesse, ela teve dúvidas. Mas ele tinha falado a velha frase 'confie em mim'. O que mais ela poderia fazer? Depois de lhe permitir ajuda-la para o quarto dela, ele fez o pedido, e então quando ele falou algo chamado 'O Moosehead' , Scully desejou ter prestado mais atenção para o que ele tinha pedido. Ele voltou com uma salada de galinha no trigo para os dois, e um quarto do melhor pepino em conserva que ela já tinha comido. "Mulder, você =tem= que descobrir a marca deste pepino em conserva" ela falou, dando a última mordida. Ele lhe deu um sorriso divertido, então procurou no meio da embalagem do sanduíche dele, até que achou o dele. "Eu dei uma mordida, mas você pode-" Ela agarrou isso da mão dele. "Não seja bobo" ela falou, dando uma boa mordida. "Eu confio em você, lembra? Seus germes são meus germes." Um sorriso apareceu lentamente no rosto dele. "Eu conheço uma maneira melhor de esparramar germes." "E eu duvido disso" ela disse, enquanto comia. "Mulder, tem certeza de que não quer? Está absolutamente divino. Você não sabe o que está perdendo." "Oh, eu sei, Scully. Acredite em mim, eu sei ". Um tom tão saudoso para um pepino em conserva? "Mulder? O que foi?" Apesar do sorriso, parecia que seu parceiro queria chorar. Ele tremeu a cabeça. "Não é nada." Mas os olhos dele diziam o contrário. Esquecendo da conserva de repente, ela cobriu a mão dele com a dela. "Fale comigo, Mulder." "Não é nada, Scully. Sério. Eu só tenho este péssimo mau hábito para ver algo onde não há nada." ele forçou um sorriso, e deu de ombros. "Você sabe como eu sou." Ela concordou, acenando com a cabeça. Ela o conhecia sim. E era por isso que ela sentiu que o assunto não estava relacionado ao caso, ou até mesmo uma conspiração mais importante. Era sobre ela. O que ela poderia ter dito para transformar a face sorridente para a cheia de angústia que estava diante dela? Eles estavam falando sobre pepinos em conserva, pelo amor de Deus! "Um... o que você estava procurando nas costas?" a mudança de assunto foi tão abrupta que ela só conseguiu encara-lo, confusa. Sua mente estava repassando os últimos minutos da conversa deles, e só quando ela tinha pensando que ele estava vencido, ele saia e a deixava pra trás. "Nas costas?" a mente dela estava presa no pensamento de que Mulder tinha acabado de insinuar que queria beija-la - de novo - e da reação dele para a não-reação dela. "Do cadáver ". Scully o encarou. Havia quase nada do Mulder inseguro de um minuto atrás. O homem diante dela estava focalizado completamente no assunto à mão, e Scully ficou irritada por ele ter se rendido tão completamente. "Scully? O cadáver? O caso? Lembra?" "Uh... yeah. Claro". Bem, se ele podia ignorar isso, então nao havia motivo para a mente dela ficar pensando nas maneiras em que ela e Mulder pudesse compartilhar germes. Ela focalizou-se nele, intensamente, mas furiosa também. "Claro que me lembro." "E...?" ele incitou. Ela queria bater nele. "Tinha uma descoloração nas costas" ela pausou. Ela tinha começado a examinar a área quando a vertigem a atacou. "Mulder, você não tocou as costas dele quando o cobriu, tocou?" "Não. Eu não toquei no corpo em parte nenhuma." ele ergueu as mãos. "Sem luvas." e franziu as sobrancelhas. "Por que?" "Espere, espere, espere". Uma idéia estava se formando, e ela nao queria explicar isso pra ele agora. Ela pensou nos outros corpos. Nenhum dos relatórios fizeram menção à esta descolorização. Mas os outros corpos tinha sido transportados para o sul, durante uma hora, e colocados num depósito frio até um legista ser localizado. Este corpo tinha sido um 'fresco'. Será que os outros corpos expostos ao frio tiveram uma inibição deste efeito? Podia essa descoloração sumir completamente? Ela olhou depressa para o relógio de pulso dela. Eles nao colocaram o corpo na geladeira, pois Dwyer tinha assegurado que o ar condicionado do porão, quando colocado no máximo, seria o suficiente para manter o corpo frio. Não frio o suficiente, Scully pensou, amarga. "Precisamos voltar lá, Mulder". Pegando a jaqueta dela, Scully foi para a porta. Mulder, graças a Deus, não disse nada. Apenas agarrou o casaco dele, e a seguiu para fora, e lhe deu as chaves do carro quando ela ofereceu a mão para pega-las, e ficando quieto até ela se acalmar o bastante para se lembrar de que ele estava com ela. "Está dentro dele," ela disse. "O que quer que o matou começou do lado de dentro e ainda está tentando sair." Ela olhou pra ele rapidamente só para ver sua reação. Uma ponta de diversão iluminou seus olhos. "Então o fato de que a cabeça dele foi cortada, nao teve nada a ver com isso." Ela tremeu a cabeça. "Foi como ele morreu, mas não foi o que o matou." Mulder abriu a boca, mas fechou de repente. Ele ergueu a sobrancelha enquanto sua mente se fixava na tarefa de combinar a situação atual com algum arquivo X antigo. Depois de dirigir alguns segundos, ela o viu piscando os olhos. "O que está dentro dele induziu alguém a cortar-lhe a garganta?" ele empalideceu. "Jesus" ele bateu a mão sobre o painel. "É outra maldita experiencia!". Scully acenou com a cabeça. "Está se dissipando, e a decomposição é o que me fez desmaiar, eu acho." O rosto de Mulder ficou ainda mais branco. "O que?" "Eu estava bem até começar a sondar aquela área." Ele usou a mesma expressão quando ela tinha lhe contado sobre o câncer. "Então você---" "Acho que não." ela disse depressa. "O fato de que ainda estou aqui e você não tem o desejo de me matar parece indicar que esse efeito, pelo menos, não é mais aplicável" ela se inclinou para olhar pra ele. "Você =não tem= desejo de me matar, não é?" O rosto dele ficou como no sonho que ele teve mais cedo - exceto que ele nao tentou esconder a expressão. "Longe disso." então o rosto dele perdeu o tom brincalhao. "Você tem certeza disso, não é? Pelo que sabemos, poderia ser esta a maneira como eles eram infectados." "Não" ela tremeu a cabeça. "Haviam marcas de agulhas nas vítimas. Não sei o que era, mas agora eu tenho certeza de que isso foi injetado diretamente na circulação sanguinea." "Esperemos que você tenha razão" ele resmungou num tom tão abertamente assustado que ela olhou pra ele. Mulder estava com a expressão 'eu quero acreditar - mas tenho medo de estar errado'. Scully só viu essa expressão uma vez, vários antes, quando ele propôs a cura dele para o câncer dela. Ela estava debaixo de uma pena de morte, e não tinha nenhum conforto para oferecer. Ela nao podia aguentar ve-lo sofrer, mesmo que não houvesse motivo. "Tenho certeza de que estou bem, Mulder. Se isso se transformasse de vítima para atacante, nós teríamos muito mais vítimas que apenas as quatro que temos. Com exceção deste último, todos foram encontrados em áreas bem povoadas." Mulder a encarou um momento, processando o argumento. Então ele acenou com a cabeça. "Parece lógico." ele pegou o celular, discou, e escutou. "Droga" ele falou, apertando 'end'. "Nenhuma resposta da delegacia de polícia." Eles trocaram um olhar, e Scully apertou o acelerador um pouco mais forte. * * * * * Fim da Parte 4/7 LIKE A TURTLE (5/7) por Jô-Ann Lassiter 70302.3654@compuserve.com Delegacia de polícia 8:22 da noite Quando o carro parou em frente ao prédio, Mulder saltou, atravessando a neve que bloqueava seu caminho, e correu pela escada da entrada. Ele ouviu Scully atrás dele, e parou com a mão na porta. "O que você está fazendo?" ela tentou passar por ele. "Nós temos que entrar lá!" "Acho que só eu deveria entrar" Mulder disse. "O que?! Mulder, essas pessoas podem estar doentes, morrendo--" "E é por isso que um de nós deve ficar aqui fora. Para pedir reforços, e dar um relatório da situação." "Muito bem. Você fica, eu entro." "Não posso deixar, Scully" tirando a mao da porta, ele bloqueou a entrada com as costas. "Tá legal! Chega! Eu engoli a atitude imbecil destes machistas cabeças de abóbora. Não vou aguentar isso de você." "Não estou sendo machista, Scully. Na verdade, estou sendo egoísta." "E qual é a novidade?" Mesmo sabendo que isso era verdadeiro, ainda doía ouvi-la dizendo isso. Ele tentou manter as emoções escondidas. "Eu quero você aqui fora porque você pode descrever melhor a situação do que eu. E eu quero você aqui fora porque quando eles puxarem meu traseiro inconsciente numa maca, eles vão deixar você entrar na ambulancia comigo porque você é médica. Se eles te levasse, eu teria que ir com o carro, e neste momento..." os olhos dele contemplaram os dela. "Não acho que poderia fazer isso." Ao ver o olhar de confusão no rosto de Scully, Mulder começou a esperar que os fumos fossem tóxicos, só para nao ficar na frente dela depois disso. Era sua propria culpa; Ele tinha jogado tantas insinuações sexuais durante os anos, que Scully nao podia diferenciar entre um sentimento honesto, ou uma insinuação. Ele se virou, e agarrou a maçaneta da porta de novo. "Mulder, espere. Você não pode ir entrando assim, de repente." "Por que não? Há um segundo, você estava pronta pra fazer isso." "Eu sei, eu sei, mas eu não estava pensando. Nós precisamos arrumar algum tipo de proteção." "Scully, você mesma disse isso: essas pessoas podem estar morrendo lá dentro." "E daí? Você está com um desejo ardente para unir-se a eles?" ela falou isso com tal veemência que ele vacilou. "Claro que não. Mas eu posso entrar, avaliar a situação, e posso tira-los se eles precisarem de ajuda." "E quem vai te ajudar? Mulder, você poderia ser batido por essa coisa antes mesmo de andar um metro." "Posso prender a respiração tempo o bastante para ver se está todo mundo bem." Mesmo assim ela não o soltou, enquanto pensava nas palavras dele. "Tudo bem. Você vai até a mesa da frente. Veja se eles ainda estão vivos, e então saia o inferno de lá." o olhar dela derreteu a geleira que tinha se formado ao redor do coração dele. "Nada de heroismo, Mulder. Você nao vai poder ajuda-los se você for atingido." "Certo" ele falou, tentando ir, mas ela o segurou rapidamente. "Mulder..." "Eu terei cuidado." "Não quero voltar numa ambulancia com você." Por um momento ele entendeu mal, e ficou sme ar à idéia dela deixa-lo sozinho quando ela tinha a opção de acompanha-lo. Então ele entendeu o que ela queria dizer: ela nao queria ele numa ambulancia, simples assim. Ela nao queria ele ferido. E ele sorriu. "Eu gostaria de evitar esta viagem também." "Bom" ela o soltou. Seus olhos se encontraram mais uma vez, e então ele respirou fundo, e abriu a porta. * * * * * Delegacia de polícia 8:28 da noite Scully encerrou a ligação, olhando para o relógio, e então focalizou a porta, alarmada. Onde diabos ele estava? Já tinham se passado quatro minutos. Até mesmo Mulder não podia prender o fôlego por tanto tempo. A menos que estivesse tudo bem, e ele estava conversando educadamente com alguem, e se fosse esse o caso, se ele nao estivesse ferido, ela o mataria. Ela pensou nas opções. Se não havia perigo, e ele estivesse só conversando com os oficiais, ela andaria até ele e o mataria. E se nao fosse isso, ele estaria em perigo... e ela respirou fundo, abrindo a porta. Dois passos depois ela sabia que ele estava com problemas. A delegacia estava quieta, e no escuro. Ela estava se sentindo muito frustrada. Ela nem podia chama-lo. Indo lentamente para dentro, e quase perdeu o equilibrio - e a respiração - quando o dedo do pé dela bateu num objeto macio, e imóvel. Se abaixando, ela sentiu e reconheceu imediatamente os contornos do corpo do seu parceiro. Havia outro corpo debaixo dele, e ela tremeu a cabeça quando imaginou ele caindo e sucumbindo aos fumos. Os pulmões dela pareciam que iam explodir, mas ela sabia que se desistisse agora, ela teria que passar pela mesma coisa para encontra-lo de novo. Se sentindo culpada sobre o outro homem, ela começou a puxar Mulder para a saída. Depois de alguns metros, ela teve que solta-lo e correr para a porta. Ela estourou fora, se ajoelhou, engolindo ar até a tonteira diminuisse. Esperando, impaciente, até a respiração voltar ao normal, ela prendeu o folego e voltou para a entrada. Amaldiçoando os preciosos momentos em que desperdiçou localizando Mulder de novo, ela o agarrou pelos tornozelos e o arrastou sem cerimonia para a saída. Ela agradeceu aos céus pelas portas duplas de vidro enquanto ela se guiava para a luz que aparecia do lado de fora. Enquanto ela saía, Scully pensou em deixar a porta aberta. No final, ela decidiu nao arriscar a propagação do contaminante ao ar libre, e fechou a porta. Ela puxou Mulder mais longe, e caiu de joelhos, arquejando. Depois de alguns segundos, Mulder começou a tossir e vomitar. Alarmada, Scully o colocou de lado, nem mesmo vacilando quando o jantar dele inundou o casaco dela. Ele abriu os olhos, e a contemplou, cansado, a face vermelha quando ele viu o que tinha feito. "Desculpe" ele sussurrou. Com muito cuidado Scully desabotoou o casaco e jogou-o de lado. "Está tudo bem, Mulder" ela falou, suave, tentando suprimir um tremor enquanto o ar frio a atingia. Colocando uma mão no ombro dele, ela olhou em seus olhos. "Você está bem? Quero entrar e checar o homem em que você tropeçou." "Eu vou ficar bem. Vá pega-lo" ela começou a ir, mas parou quando ele falou "Ei", e lutava para se sentar. "Que foi?" ela perguntou. "Você não pediu auxilio?" Ela acenou com a cabeça. "Falei como chefe Dwyer. Ele disse que cuidaria disso." "Certo" ele se deitou, fechando os olhos. "Vou esperar aqui." a voz estava fraca, e Scully mordeu o lábio. Ela odiava deixa-lo, mas se Mulder estava assim depois de apenas dez minutos exposto, como estavam os outros? E onde diabos estava a ambulancia? "Mulder?" ela deu um passo pra ele. "Eu estou bem, Scully." A garantia dele, ao invés de encoraja-la, a parou. A voz dele estava tremula, e ele estava tentando respirar. Ela correu de volta e se ajoelhou. Ele olhou pra ela. Seus olhos se encheram de água, e se fecharam, e ele parou de respirar. "Jesus! Mulder!" Ela começou o massagem cardíaca, e depois dos quarenta e cinco minutos mais longos de sua vida, ele estalou e tossiu, vomitando sobre ela de novo. Assim que parou de tossir, Mulder gemeu e a olhou de novo. Aliviada, Scully o abraçou pelo pescoço, com força. "Se eu soubesse... que era isso que te excitava..." Mulder falou, e ela achou que essa era uma das piadinhas sexuais dele de fato. Então ela o ouviu ofegando de novo. "Nao posso... respirar..." O agarrando pelas lapelas, ela o puxou pra cima, e esfregou as costas dele, com força. "Vamos, Mulder. Respire." ele estava tentando, ela podia ver. O ofegar dele parecia doloroso, e ela teve que piscar as lagrimas quando pensou que pudesse perde-lo. Ela olhou ao redor, frenetica. Onde diabos estava essa maldita ambulancia? "Scully... Scully!" a voz de Mulder estava desesperada enquanto ele tentava se afastar. "Me solta! Eu vou vomitar!" "Tudo bem, tudo bem" ela o soltou, e ele quase tombou. Agarrando-o pelos ombros, ela o apoiou enquanto ele expelia o veneno para fora do organismo. Scully não notou que estava sendo molhada de novo, os pingos a atingindo. Contanto que ele estivesse respirando, ela não ligou para mais nada. Depois de vários minutos, ele se sentou sobre as canelas, e então caiu contra ela. Passando os braços ao redor do corpo tremulo, ela esfregou o peito dele, tentando estimular sua respiração, com medo de que se nao fizesse isso, ele poderia esquecer de respirar, e morrer ali mesmo. "Ei". Essa era a voz de Mulder? Ele estava falando? Ele estava respirando? "Mulder?" "Yeah". a voz dele ainda estava tremendo, mas tinha perdido aquela sonoridade de estar sem fôlego. "Como você está?" "Tudo bem" ele respirou fundo. "Acho que a coisa saiu de dentro de mim." ele fungou. "Você tem um lenço?" Ela acenou com a cabeça. "Yeah. No meu..." Ela bateu de leve nos bolsos da jaqueta, e então viu que não era o casaco, que estava como uma bola de pano a alguns metros. "...casaco." Mulder fez careta, então esfregou o nariz e boca contra a manga. "Preciso ser limpo mesmo" ele falou, o tom cheio de vergonha. Ele tirou o proprio casaco, e o jogou sobre o de Scully. "Mulder, você não deveria ter feito isso. Ainda nao temos certeza quais são os outros efeitos que a toxina tem. Você deveria permanecer aquecido." "Mas estou aquecido" ele bateu a mao na sobrancelha, e pareceu surpreso ao senti-la molhada. "Estou bem quente, na verdade" ele começou a puxar a jaqueta. "Minha pele... oh, Deus, Scully, estou queimando!" Ela teria pensado que ele estava sendo melodramático demais se nao fosse pelo horror completo que ouviu em sua voz. Enquanto ela via, horrorizada, bolhas estourando no rosto e mãos dele, ela pulou, puxou Mulder pra cima, e o levou para a neve empilhada no meio fio. "Deite-se de bruços" ela o levou pra baixo, e Mulder mergulhou. Ela colocou mais neve sobre ele, dizendo o tempo todo. "Eu sei, eu sei que dói" em respeito às choradeiras quietas dele. A própria pele dela estava começando a esquentar também, e ela mergulhou as mãos no banco de neve. Ela resistiu o máximo que põde, mas finalmente desistiu, e enterrou a cara na neve. Scully não tinha certeza de quanto tempo se passou até que ela sentiu a mao de Mulder esfregando as costas dela com cuidado. "ei" ele falou. "Você está acordada?" "Yeah" ela disse, saindo da neve, camnbaleando pra trás, tonta. "Calma" ele colocou um braço ao redor dela. Ela ouviu sons de atividade ao redor deles. "A ajuda chegou finalmente?" ela perguntou,ainda se sentindo meio fraca. "Há alguns minutos. Considerando o que aconteceu conosco, eu disse pra eles nao entrarem sem proteção." "E os homens lá de dentro?" Quando nao havia resposta, ela se forçou a abrir os olhos, e olhar pra Mulder. A tristeza em seus olhos era profunda quando ele tremeu a cabeça. "Eu nao sei" ele olhou para o grupo de homens. "Aquele idiota do Dwyer enviou um carro patrulha. Nenhuma ambulancia. Sem paramédicos." "O que?!" ela nao podia acreditar. "Eu deixei bem claro quando pedi que mandasse uma ambulancia e uma equipe com trajes de proteção." A atenção dele voltou a ela. "Bem, adivinha o que, Scully? Ele é um cabeça dura, porco chauvinista obsoleto que nao pode receber ordens de uma mulher" o parceiro dela tremia com raiva. "Eu tentei, droga, mas eles nao conseguem vencer a... 'macheza' deles." Ela teve que rir ao ouvir isso, vindo de um homem. "Oh, Mulder" ela começou, e então a face de Mulder sumiu enquanto ela se sentiu desfalecendo. "Whoa, calma aí, g-woman". Ela sentiu as mãos de Mulder segurando os ombros dela. Quando a tontura passou, o significado da ação dele finalmente a atingiu. "Mulder! Suas mãos!" Ele as mostrou. "Nao sei como, mas elas estão bem" ele parou a tempo de toca-la. "E você?" ele perguntou. Até ele mencionar, ela tinha se esquecido de que há poucos momentos ela estava quantos anos de enxertos de pele ela teria que suportar antes que as maos e rosto dela voltasse a qualquer coisa parecida com 'normal'. Ela olhou depressa para as proprias maos, as virando o tempo tempo. Nao haviam rastros das queimaduras vermelhas que ela viu antes de enfiar os braços até os cotovelos na neve. A visão do rosto bonito sendo deformado apareceu de repente, e Scully olhou depressa pra ele. Aliviada e assegurada de que nao haviam marcas, ela pegou o rosto dele entre as mãos. Com exceçao da barba por fazer, estava tudo liso, a pele inteira. Ela correu as maos sobre o rosto dele, as pontas dos dedos memorizando cada traço e ruga. "Ei, Mulder, ela está bem?" Scully derrubou as mãos depressa ao ouvir o chefe, e Mulder deu um suspiro antes de se virar e olhar para Dwyer. "Eu sinto muito. O que você disse?" "Sua parceira. Eu vi quando você a arrancou do banco de neve. Ela está bem?" Dwyer só olhava para Mulder, nem mesmo dando um rápido olhar pra ela. Mulder tremeu a cabeça, tristemente. "Não, ela não está." Scully parou ao ouvir as palavras dele, e o chefe olhou pra ela. "Ela está morta." Mulder disse. "O que você quer dizer com 'ela está morta?' ela está bem aí mesmo!" o chefe estalou. Scully teve que suprimir um sorriso quando Mulder olhou para Dwyer com a boca aberta. "Você pode ve-la?" ele perguntou. "Do que diabos você está falando? Claro que posso." "Então fale diretamente com ela! Nao comigo!" Mulder explodiu. "Nao sei qual o problema de vocês aqui! Um agente telefone para você, pedindo ambulancia e equipe de proteção, e só porque esse agente por acaso é uma mulher, você nao liga, arriscando a mim, a ela e aos seus proprios homens!" ele chupou uma respiração brava. "E só para registro, eu posso te-la ajudado a sair daquele banco de neve, mas me arrancou daquele predio" ele olhou para a porta da frente da delegacia, onde homens vestidos de branco estavam levando dois corpos pouco reconhecíveis como homens. "Santo Deus..." Dwyer sussurrou, tentando olhar para o rosto deles. A expressão do chefe estava horrorizada bastante; Scully não queria que Mulder acrescentasse o fato de que eles estavam nesse estado devido ao chefe também. Ela olhou para ele, e com apenas um minusculo tremor na cabeça, ele aceitou, e parou de açoitar o chefe. Porém, o chefe não estava a ponto de deixar isto terminar. "Como isso aconteceu? E onde diabos vocês estavam quando isso aconteceu aos meus homens?" A sugestão de Dwyer deixou Mulder furioso. Mas foi Scully quem respondeu. "Onde diabos você estava?" Scully perguntou. "Eu liguei.." ela olhou para o relógio. "... há uma meia hora atrás. Maldição, Dwyer, você podia ter retirado esses homens há vinte minutos!" O homem parecia meio chocado. Ele tremeu a cabeça. "Mulheres nao são feitas para este tipo de trabalho. Sempre fazendo de tudo uma emergencia. Você nao ia esperar que eu obedecesse cegamente tudo que você falou, sem conferir antes, não é?" "O que-" Mulder entrou direto na frente de Dwyer. "Você está tentando culpar a agente Scully por isso?" O chefe tropeçou um passo atrás, e quando ele olhou para Scully, ela viu confusão nos olhos dele. "Não, não, mas--" o olhar dele caiu em Mulder, e Scully jurou ela viu um pedido por entendimento por um macho da mesma categoria. "Nós =nunca= tivemos uma mulher numa posição de autoridade por aqui. Deus nos perdoe, mas nós levamos tudo que ela dizem como besteira." os olhos de Dwyer foram para os corpos dos homens dele. "Eu estava meio que dormindo. Não entrou na minha cabeça que era uma agente do FBI falando. Tudo que ouvi era uma mulher." Dwyer tremeu a cabeça, os olhos ainda não encarando nada. Lentamente ele focalizou o olhar em Scully. "Você foi bem precisa sobre sua descrição da situação e de seus riscos. Foi azar meu..." ele olhou para os corpos cobertos que estavam sendo carregados para as ambulancias."... e o deles que eu escolhi não ouvir uma oficial de execução da lei." ele voltou a olhar para Scully. "Não vou cometer este erro novamente" ele suspirou, trêmulo. "Nao vou ter esta oportunidade. Isso é imperdóavel. Vou entregar meu cargo assim que tiverem um substituto" ele acenou com a cabeça, e então começou a se afastar. " Chefe, espera "! Scully chamou. O homem arrastou a uma parada, então se virou atrás, uma pergunta em seu face. " Nós não sabemos sem dúvida que vinte minutos teriam feito uma diferença. Nós não saberemos até a autópsia é executado se eles poderiam ter sido economizado ". Dwyer tremeu a cabeça dele. Não importe ". Ele lhes ofereceu um sorriso triste. " EU deveria ter feito algo, e eu não fiz. Se ou não eles teriam morrido de qualquer maneira é de nenhuma conseqüência. Eles morreram. Isso é tudo aquilo importa ". Ele virado e caminhou fora. "Mas--" "Deixa ele ir, Scully" Mulder colocou uma mao no ombro dela. "Quando um homem fica assim, nada que qualquer um tenha a dizer vai fazer efeito nele." Scully olhou pra ele. A voz da experiencia. Ela descansou a cabeça contra o tórax dele. Mulder deslizou as maos pelos braços dela, para segura-la. Quando ela o abraçou pela cintura, ele apertou-a mais ainda. Ela o sentiu tremendo. "Frio?" Ela apertou ainda mais. "Ou nao é frio?" Havia uma hesitação leve antes dele responder."Ambos ". Ela não sabia se era um efeito colateral da toxina, mas cada célula do corpo dela estava formigando." "Eu também." * * * * * Fim da Parte 5/7