INTIMACY DEAUX 17

Oregon Hospital Estadual
Portland, Oregon,
5:23 da tarde 

Procuramos no prdio, de cima a baixo, sem proveito. Comecei a olhar as
fitas da segurana, esperando pegar um olhar rpido do homem que tinhamos
visto antes com o longo cabelo e a barba.

Garanti que o corpo de Marita seria enviado para DC, para busca de provas.
Embora Scully nao pudesse excutar a autopsia, com certeza ela poderia 
supervisionar tudo para ter certeza de que nenhuma evidencia seria falsificada.
Eu estava ansioso para ver o rosto de Skinner quando ele soubesse que o
sangue dela estava infectado com aquela estranha matriz de carbono. Eu 
suspeitava que ele sabia mais sobre isso do que estava mostrando.

"Espera!" eu exclamei, espiando algum familiar nas sombras. "Voc pode aumentar?"

"Claro" Brandt disse, acenando pro tecnico, que aplicou uma moldura ao 
redor da figura, aumentando-a em 600%.

"De novo" eu instrui. Ele aumentou at 1200%, me mostrando um bom angulo
do rosto dele. "Voc pode clarear a imagem? E deixa-la mais nitida?"

O tcnico acenou com a cabea, movendo os dedos pelo teclado. Em segundos,
a imagem estava mais clara. O rosto do homem ainda estava coberto com barba,
mas desta vez eu podia ver seus olhos. Olhos que eu tive o privilegio de ver
muito perto em varias ocasioes.

"Filho da me", eu sussurrei. 

Era Krycek. 

"Voc pode imprimir pra mim?" Trinquei meus dentes, tentando nao dar um
soco na tela. Aquele desgraado.

*CHIRP * 

Peguei meu celular no bolso e coloquei-o contra a orelha.

"Mulder."

"Sou eu" Scully falou, a voz dela quebrada e distante. Mas mesmo pela
esttica, eu podia notar que tinha alguma coisa errada.

"Voc est bem?" eu perguntei, indo para a parte de trs da sala, para
ter um pouco de privacidade.

"Deve ser a pequena mulher" Brandt murmurou para o tcnico.

"Mulder, quando eu cheguei em casa hoje  noite... Diana estava esperando
por mim" ela continuou, tremendo.

"Onde voc est agora?" eu exigi, medo correndo pelo meu corao.

"Na minha me" ela suspirou. "Disquei 911 e sa de l rpido."

"Voc est bem? E o beb?"

"Eu estou bem. Ns estamos bem," ela respondeu numa voz profissional. "A policia
chegou e bloqueou a casa imediatamente. Os Pistoleiros esto prontos 
para instalar mais segurana."

"Scully, voc est bem?" eu perguntei de novo, nao querendo que ela dissesse
aquela bendita frase de novo.

"Sim". Uma longa pausa, como se ela estivesse pensando no que ia dizer.
"S estou assustada. Nao por mim, mas pelo beb."

Fechei meus olhos, me lembrando de como ela estava esta manh. Essa imagem
ficou na minha mente, passando nos meus olhos, sem parar.

"Eu sei" Olhei ao redor. Agora nao era tempo para revisar toda essa confuso. 
Eu tinha  algo mais importante para fazer. "Estarei no proximo vo para DC
e te encontro na casa da sua me."

"Mulder," Scully sussurrou. "Eu te amo."

"Eu te amo" eu respondi antes dela desligar.

* * * *

Casa de Margaret Scully
6:10 da manh 

Cochilava e acordava toda hora, deitada confortavelmente no sof na sala
de estar. Apesar dos protestos de minha mae, nao queria subir a escada para
o quarto de hospedes. Eu queria esperar por Mulder. Ela me deixou s duas 
horas, e me enterrou debaixo de uma pilha de travesseiros e mantas.

Sonhei com o parto. Mas nao na segurana do hospital, com Mulder ao meu lado.
Sonhei que estava deitada numa mesa, com um estranho cilindro preso ao meu
umbigo inchado. Eu j pensei nisso antes, vrias vezes depois da hipnose
de regresso depois do meu rapto. Mas, desta vez, parecia vivido e real.
Ento, durante o parto, me transformei em Marita. Induzida a dar a luz a
uma criana que nao era minha.

Do lado de fora, Diana esperava, paciente, com o Canceroso. Eles colocaram
a criana sobre meu estomago, s para tira-la de mim para sempre.
Os gritos dela se tornaram os meus e isso me acordou. Toquei minha
barriga na hora, grata por sentir a dureza familiar do nosso filho.

O som da porta de um carro chamou minha atenao. Sentei na mesma hora, e na
luz do comeo da manh, eu vi Mulder vindo pra casa. Me livrei das cobertas, 
lutando para sair do sof, me empurrando. Eu cheguei na porta antes dele,
abrindo-a to depressa quanto possvel. Eu abri, de repente, a tempo dos 
braos de Mulder me varrerem de maneira protetora.

"Scully..." ele me segurou perto, ainda assim dando espao para o beb.

"Pensei que voc nunca fosse chegar aqui". Ele girou nossos corpos
para poder fechar a porta com uma mao. Antes que eu soubesse, estava com
as costas contra a parede e a boca de Mulder na minha. Ele tinha gosto
de vodca de aviao e sementes de girassol.

"Voc est bem?" ele perguntou, entre beijos desesperados. Os braos dele
me apertaram de novo, e a respirao dele estava rasa. Os olhos esverdeados
queimavam nos meus.

"Sim," eu nao queria repetir nossa conversa de mais ceod. "S estou contente
por voc estar em casa."

"Eles a mataram, Scully" ele fechou seus olhos cansados. E pegou um algo no 
bolso. Um frasco. "O sangue dela foi envenenado com a mesma coisa que tinha
no sangue de Skinner. Eles esto mandando o corpo de volta pra c, para
voc poder examinar. Eu sei quem fez isso."

"Quem?" eu perguntei, me apoiando nos braos dele.

"Krycek," Mulder respondeu, a mandbula tensa. "Reconheci os olhos dele na
fita de video."

"Ele matou Marita para esconder a evidncia," Mulder disse. Peguei o frasco
de sua mo, e segurei-o entre ns, olhando seu precioso contedo com meus
olhos cansados.

"Exceto isso" eu disse, molhando meus lbios com a lingua. "Voc acha que
Diana estava procurando por isso?"

"Nao sei" Mulder respondeu. "E agora mesmo, eu no me preocupo com isso."

Entao ele me beijou, e colocou a mao sobre a minha, abrindo meus dedos,
deixando o frasco cair no chao.

* * * *

Parte Nove

Georgetown Shopping Mall
7:00 da noite

"Vamos l, Dana, voc tem que sair" minha me falou pela terceira vez.
Ela balanou a porta do trocador de novo, tentando abrir a fechadura
ordinria.

"Nao vou sair" eu respondi, tambm pela terceira vez. Rodei meus olhos
 tenacidade na voz dela.

"Deixa pelo menos eu ver" ela implorou, a paciencia quase no limite. Mas
nao tanto quanto a minha. 

Eu parecia um enorme pera colorida. O vestido, com sua frente pregueada, era tudo,
menos bonito. E era longo demais, a bainha agrupada aos meus ps. Odiava
estar to gorda e baixinha e to grvida no dia antes do meu casamento.

"Da-naaaa," minha me comeou, na voz musical dela. O que ela usava quando 
queria alguma coisa. "Tenho outro vestido que voc pode tentar. A vendedora
disse que voc pode gostar. O corte vai te emagrecer."

Fiquei de p da cadeira onde estava, tentando me equilibrar. Nunca deveria
ter aceitado isso. Deveria esperar at depois que o bebe nascesse, quando
eu pudesse tentar entrar em alguma coisa que nao fosse vestido de gravida.

De cima da porta do trocador, vi um vestido cor casca de ovo, de cetim.

"Aqui... s tente este aqui" ela insistiu, abanando o vestido de um lado 
para o outro. Ele brilhou nas luzes estupidas do trocador.

"Este  o ltimo" eu gemi, me forando a tentar de novo. Arrebatei o vestido
que danava na minha frente, colocando ele no gancho.

"Eu vou procurar uma meia cala." ela bateu na porta de leve. "Voc tem 
alguma meia cala branca?"

Eu abri o ziper da barraca 'formal' que eu estava usando, e sa devagar de dentro
dela. Suspirei triste ao ver meu corpo inchado, tentando engolir a situao
o melhor que eu podia. O beb tinha virado ontem  noite, mudando minha
forma de novo. Com uma semana antes do nascimento, eu estava ansiosa para
acabar com a gravidez e segurar meu filho. Queria ver o rosto do pequeno
menino que estava sempre chutando minhas costelas, me fazendo desejar
bolachas animal crackers e me forando a ir ao banheiro a cada hora. Queria saber
se ele teria meus olhos, ou o nariz de Mulder, se ele iria ter dez dedos
e se ele ia ter as oito libras que eles estavam achando que o beb iria ter.

Vesti a roupa pela cabea, e puxei para o lugar. Este aqui tinha uma cintura
alta, mas tinha corte para uma mulher de estatura delicada. Todas as propores
estavam corretas. As mangas eram longas, rendilhadas, aparadas com perolas
e o decote cavado, aumentando minha linha do busto. O melhor de tudo,
o tecido cetinoso da saia caa em linhas macias e suaves ao redor da minha
barriga. Me deixava... linda.

O que me fez chorar imediatamente.

"Dana?" minha me disse, batendo de novo na porta. "O que est errado agora?
Voc nao gostou desse?"

Abri a porta, muito para surpresa dela, a julgar pela sua expresso chocada.

"Nao" eu chorei, sorrindo entre as lgrimas. "Est perfeito."

Ela me virou, e ns duas olhamos para o espelho, as maos em meus ombros.
"Sim, ."

"Acho que isso  algo que voc nao estava esperando ver" eu disse, 
esfregando meus olhos com as costas das maos. "Sua filha gravida, num vestido
de 'casamento'... bem, vestido formal. Um vestido de noiva nao ia entrar."

Ela descansou a cabea sobre meu ombro, e me abraou por trs.
"Bem, de fato eu esperava isso de Melissa" um sorriso agridoce caiu em
seus labios ao nome de Melisa. "Tenho certeza de que ela est nos vendo agora,
e achando isso muito divertido."

"Missy est gargalhando" eu concordei, enquanto ela me balanava de um
lado para o outro. Ns duas suprimimos nossas risadas quele comentrio.
Minha mae tirou o cabelo do meu pescoo e colocou-o sobre minha cabea.

"Para cima ou  pra baixo?" ela perguntou pensativamente. 

"Pra baixo" eu falei quando ela soltou o cabelo. "Pra cima vai deixar meu 
rosto ainda mais gordo."

"Voc est linda" ela beijou meu rosto. "Vou dizer para a vendedora
parar de procurar."

Pobre menina. Ns cansamos ela. Esperava que ela trabalhasse por comisso."

"Certo". Ns nos beijamos no rosto. Minha mae pegou os outros vestidos
do chao, e os colocou sobre o brao. "Me?"

"Sim?" ela respondeu, olhando para mim. 

"Eu te amo."

"Tambm te amo" ela sorriu. "Minha garotinha vai se casar e ter um
beb. Nao posso te amar mais do que te amo agora, Dana."

As palavras dela ecoaram no espao minsculo do trocador, enchendo 
meu corao. Silenciosamente ela pegou o ultimo vestido e saiu.

Olhei para o espelho mais uma vez, respirando fundo. Amanh era o dia.
Ns iamos nos casar na nossa  sala de estar pelo Reverendo Wesley E. Peyton,
numa cerimonia nao-religiosa. Nao era o que eu imaginava para este dia,
mas teria que ser assim. Mas eu nao estava tendo segundos pensamentos. Queria
saber se Mulder estava. Mas, de novo, ele tinha passado por isso antes. 
Carranqueei ao pensar em Diana Fowley. Esfreguei minha barriga, sorrindo
pra mim mesmo e forando a imagem a ir embora. Ela nao ia arruinar meu
casamento em sua ausencia.

* * * * 

Casey
Washington, DC,
7:15 da noite

"Ei Mulder, voc acha que a adorvel Agente Scully vai estar usando uma liga
amanh?" Frohike falou entre goles de cerveja.

"Por que? Est pensando em pedir emprestado para usar?" eu tomei outra
dose de tequila. Chupei o limo, e ento lambi o sal das costas da minha
mo, depressa. Minha despedida de solteiro consistia em Moe, Larry e Curly.
Pelo menos o carto estava comigo, e era de Byers, e ele nao fazia idia
de como eu podia guardar muito bem isso. Espero que ele tenha um limite
alto naquele carto American Express.

"Nao, eu queria pegar" ele elevou as sobrancelhas pra mim. "Uma lembrana 
antes dela poder se casar com voc. 

Eu ri a mim mesmo. "Obrigado, Frohike. Bom saber que tenho sua beno."

Ele cutucou o cotevelo em mim. "E  melhor voc cuidar muito bem dela e 
do beb, Mulder. Ou ento voc e eu vamos ter uma conversa."

Encarei a pequena doninha durante um minuto. Ele estava protegendo 
Scully da sua maneira nerdy, mas estava. Peguei o rosto dele nas maos
e o puxei mais perto, beijando-o na testa.

"Voc  um bom homem, Melvin" eu bati umas duas vezes na bochecha dele
antes de solta-lo.

"Ei," ele protestou, dando uma olhada ao redor, nervoso. Ele saiu do
banco e colocou uma boa distancia entre ns. "Tem algumas gatas por aqui!
Nao quero que elas pensam que minha porta balana para o outro lado."

No canto, Langly e Byers estavam jogando foosball e ele correu at eles.
Sorri para mim mesmo enquanto elevava outra dose de tequila na minha
boca. Ao invs de lamentar o meu celibato, eu estava celebrando seu
falecimento.

"Spooky?"

Aquela voz. Baixa e to familiar. Me virei e vi a dona da voz, se apoiando
no balco para mim.

"Oi,  voc" eu me lembrei dela imediatamente.

"Eu nunca esqueo de um cliente," ela olhou para meus copos vazios,
desaprovando-os. "Especialmente um que pode tomar tantas quanto voc pode."

Eu ri pra mim mesmo, de novo, elevando minha ultima dose de tequila 
pra ela. "Estou celebrando hoje  noite."

" mesmo?" ela limpou o balco. "Qual  a ocasio?"

"Me caso amanh." coloquei o copo no balco com um sorriso. A tequila
queimava na minha garganta. Era bom.

"Voc vai se casar?" ela sorriu enquanto eu chupava outro limo. "Quem 
a garota de sorte, que vai acabar sendo a sra. Spooky?"

"Scull-ee," eu ouvi o nome de Scully falado de maneira arrastada. 

"Primeiro nome ou ltimo?" ela perguntou, ligeiramente confusa.

"ltimo" eu esclareci, sabendo que estava sendo vago. "O primeiro nome
dela  Dana."

"Bem, parabns," ela colocou uma xicara de caf preto na minha frente.
"Eu te pagaria uma bebida da casa, mas acho que voc j teve o bastante."

Encarei a xicara, e ento sorri pra ele. "Voc pode jogar um pouco de
Kahula a? Nunca bebo isso assim."

"No," ela se sentou, dobrando os braos, olhando para os Pistoleiros
que estavam tentando danar na msica de Garth Brooks que tocava na 
jukebox. " uma despedida de solteiro?"

" sim" eu tomei um gale do caf. "Triste, no?"

"Nao  de se admirar que voc est aqui, bebendo" ela riu, mas ficou sria
de novo, os olhos me fixando bem fundo. Ela colocou uma mao no meu brao.
"Estou contente por voc. Da ltima vez em que voc esteve aqui, voc
parecia to..."

"Sozinho?" eu terminei, enquanto ela retirava a mao. Peguei a mao dela e
segurei por um segundo.

"O Um  o numero mais solitario" ela falou, relaxando a mao na minha.
Meu polegar acariciou as juntas dela brevemente antes de soltar. "Nao foi
o que voc disse, Spooky?"

"Voc tem uma memria boa," eu repliquei, minha propria memoria fotografica
se lembrando da nossa breve conversa.

"Sou boa ouvinte...  funo do cargo" ela se sentou na cadeira de novo. 
"Mas estou contente por voc nao estar mais sozinho."

As palavras dela ecoaram em minha cabea, ento se instalaram em meu corao.
Eu nao estarei sozinho amanha. Em menos de vinte e quatro horas, 
Scully seria minha esposa. Ela vai me dar este ato de confiana e compromisso,
me fazendo um pai. Meus anos de ego-isolamento estavam finalmente chegando
ao fim. Ficava sempre esperando acordar amarrado numa mesa, com o canceroso
de p sobre mim, informando pra mim que tudo isso era um sonho fabricado por
eles.

"E eu tambm." eu respirei fundo. "E eu tambm."

"Ei Mulder!" Langly disse, batendo nas minhas costas. "Pronto pra ir?"

Ela elevou as sobrancelhas pra mim e eu encolhi os ombros. Nao tinha nenhuma
ideia do que estes palhaos tinham planejado agora. 

"Ir pra onde?" eu perguntei, cauteloso.

"Bem, esta  uma despedida de solteiro," Frohike disse, passando um brao
curto pelos meus ombros. "Acho que est na hora de confirmar um certo clube...
ou dois..."

"Eu realmente duvido que Mulder queira ir para esses lugares" Byers disse, se
metendo entre eles. "Eu quero dizer... ele agora  um homem mudado. H
quanto tempo voc est... bem... livre de pornografia?"

"Acho que nove meses" eu respondi. Dei a maioria das minhas coisas para Frohike.
Nao queria mais as revistas e vdeos, especialmente com uma criana a caminho.
"Tenho uma recada de vez em quando, quando estou sozinho num quarto de hotel
e nao posso falar com Scully pelo telefone..."

"Certo," a garonete do bar anunciou, levantando as duas maos em rendio.
"Acho que isso  mais do que eu queria ouvir! Spooky, tenha um casamento
maravilhoso."

"Eu vou," eu sorri para ela mais uma vez. "Sabe, eu nem mesmo sei o seu nome..."

Ela sorriu silenciosamente e lanou um pano sobre o ombro. "Nao seja
estranho, Spooky."

* * * *
